sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Cássia, de Paulo Henrique Fontenelle


Assisti ontem, no Cinemark Frei Caneca, as 20h. Um documentário competente, que cronologicamente vai elencando a trajetória de Cássia Eller até seu falecimento aos 38 anos, por parada cardíaca. Traz depoimentos de amigos, parentes, músicos. Muitas imagens de arquivo pessoal e televisivo. Não chega a ser burocrático, mas nada inovador, se atem à figura a um só tempo tímida e explosiva, delicada e agressiva, revolucionária e "humilde", avant-garde e insegura. Tudo que compõe Cássia, complexa na simplicidade (aparente) de quem é apaixonada pelo canto e tomada por ele. A confirmação disto, está nas suas incríveis performances no palco, em sua postura, domínio do canto, potência e expressividade vocal, tudo que lhe permitia fazer-se absolutamente liberta (até de sua timidez castradora) em seus shows. Se o documentário não se arrisca (talvez para não sobrepor-se à própria Cássia), não comete a gafe de cair no melodrama rasteiro, embora se perca num final que se alonga e ao qual o apelo emocional para o choro da plateia, pareça fora do tom. O filme de Paulo Henrique Fontenelle, no entanto, faz jus à grande cantora que foi Cássia Eller que nos salva, por sua existência, do binarismo das cabeças conservadoras e preconceituosas, e enchendo o mundo e novas possibilidades de belezas. 




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