terça-feira, janeiro 20, 2015

Whiplash


Até onde você suporta ser humilhado por um tirano para alcançar o sonho de ser "o melhor do melhor do melhor"? Fiquei imaginando Tom Jobim, que é insuperável em sua arte diante da babaquice sado-masoquista que pauta o tirano condutor/maestro da escola de jazz e seu tutelado. Competição, empenho neurótico, histeria e nenhum prazer parece ser o processo de construção de um artista, mas tendo como modelo figuras outsiders (como Charlie Parker) que nunca precisaram passar pela academia. Tirando essa lógica protestante da meritocracia via humilhação, o filme tem excepcionais interpretações, a edição é de cair o queixo, e a direção faz a câmera planar pela banda, ser ritmada pela música até nos chicotes deliciosos. Lindo de assistir, pois nada tem dos eternos clichês e cacoetes do cinema dramático. Bonito mesmo de se ver, graças também a virada final ao mesmo tempo surpreendente e (infelizmente) conciliatória. 




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