terça-feira, janeiro 06, 2015

Revideando a postagem de virada de ano para 2010

"O REVIDE - com esse nome - não me traí, sempre volto, revejo, reatualizo o velho-Eduardo. As velhas manias, a velha obsessão de falar sobre envelhecer, sobre o tempo que passa. O REVIDE vai sendo assim minha memória (muitas, costuradas nas entrelinhas, de descobertas, de afetos, fracassos sem estardalhaço, abandonos breves, etc). Nunca enumero beijos, amantes casuais, amores duradouros, zangas de viver. Pouco contabilizo ganhos, choro a perda de fortuna, faço elenco de objetos adquiridos que me põem feliz. Arregimento lá e cá, declarações de amor às amizades novas-velhas. Desgraças entram. Entram banalidades. Listas. Ensejos. Trocas.

Abro as janelas para que vejam, quem passe, esse Eduardo que engorda emagrece pois sua alma é essa gaita de fole, aqui e lá, franzida testa, meio que pachorrento, pesando uma tonelada com suas camisetas pretas em gola vê, gosto pelo mais barato, pela rotina, mas ambicionando na cota diária sua porção de eternidade.

Este 2009 não foi moleza, mas continua com aquela fé-insone de que o ano novo será melhor, embora não alimente expectativas demais pois tudo há de suceder no seu devido tempo. Quase todo um ser providencial. Prudente medroso, temente a Deus e fiel às certezas pequenas que defende como se fossem verdades. Nada declara. Guarda o mais importante. Imodesta criatura vítima de alergias constantes, pelos brancos brotando no peito. Adiador angustiado de seus projetos urgentes. Alma pecadora em busca de salvação pelo mal que insiste em não praticar ao lado de doses paulatinas de bem que distribui com cuidado. Não plantou árvore. Não teve filho. Não tem um livro publicado que possa chamar de seu. Sua vida poderia ser um rosário de negações: não fez isso, não fez aquilo. E nunca sabe se fica melhor em primeira ou terceira pessoa quando fala de si. Não gosta muito de viajar mas anda viajando. Correria não é muito com ele. E caminha muito José para esse onde que vai dar inevitavelmente na morte. Mas com passadas contemplativas. Um tanto banal. Prosaico como toda gente. Quer o melhor para os seus, tanto quanto para si. E acha que anda pelo caminho do meio, em dramático desequilíbrio de quem não sabe lidar com essa coisa de corda bamba, com altos e baixos, riscos com ou sem rede de proteção. Sua vida não é um espetáculo, mas vai ficando mais esperto ano a ano, mais senhor de suas passadas."

Um comentário:

marcio_LG disse...

E estamos aí... Seguindo! ;)