quinta-feira, janeiro 08, 2015

Duas canções neo-barrocas com praticamente os mesmos elementos/palavras

Muito

Eu sempre quis muito
Mesmo que parecesse ser modesto
Juro que eu não presto
Eu sou muito louco, muito
Mas na sua presença
O meu desejo
Parece pequeno
Muito é muito pouco, muito

Broto você é muito, muito
Broto você é muito, muito

Eu nunca quis pouco
Falo de quantidade e intensidade
Bomba de hidrogênio
Luxo para todos, todos
Mas eu nunca pensei
Que houvesse tanto
Coração brilhando
No peito do mundo louco
Gata você é muito
Broto você é massa, massa

Caetano Veloso


[Vindo no ônibus, ouvindo Caetano enquanto o motorista chinelava aqui para São Paulo. Ouvi essa música que adoro, que é cheia de viradas fascinantes, e termina brincando com o ouvinte, parecendo que vai voltar de outro jeito. E não volta. E o sensacional jogo de antíteses: sempre/nunca, muito/pouco. Lindo demais]

[PS.: Não, não é recado nem indireta, eu gosto desta música mesmo.]




Muito pouco

E muito pra mim é tão pouco
e pouco é um pouco demais
viver tá me deixando louca
não sei mais do que sou capaz
gritando pra não ficar rouca
em guerra lutando por paz
muito pra mim é tão pouco
e pouco eu não quero

Veja
a qualidade está inferior
e não é a quantidade que faz
a estrutura de um grande amor
simplesmente seja
o que você julgar ser o melhor
mas lembre-se que tudo o que começa com muito
pode acabar muito pior

E muito pra mim é tão pouco
e pouco é um pouco demais
viver tá me deixando louca
não sei mais do que sou capaz
gritando pra não ficar rouca
em guerra lutando por paz
muito pra mim é tão pouco
e pouco eu não quero mais.

Paulinho Moska

[Essa eu ouvi na academia. E o espanto de encontrar outra canção com os mesmos elementos da do Caetano, também com uma letra incrível. Nela, reforçam-se ainda mais os paradoxos, quase verso a verso, como em: muito pra mim é tão pouco/e pouco um pouco demais, em guerra lutando por paz; muito pra mim é tão pouco. Ou seja, o mesmo jogo barroco do oxímoro que se encontra desde o título muito/pouco. Coisa de gênio. Gosto do crescendo da canção na voz da Maria Rita.]





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