quinta-feira, janeiro 08, 2015

Globo, violência, estereótipos, governo


(1) Agamben faz uma descrição tão triste como real daquilo que estamos nos tornando: “cidadãos inócuos, que deixam seus gestos cotidianos (...), seus divertimento, suas ocupações, seus desejos serem comandados por dispositivos em todos os detalhes”;
(2) A televisão tem papel fundamental na difusão desses estereótipos: o jeito certo de se divertir, de se ocupar, de desejar. De modo que a vida, como coloca Guy Debord, passa a ser a representação desses estereótipos. Ou, nas palavras dele, “o movimento dos não-vivos”;
(3) Esses estereótipos não são criados de forma aleatória: são máquinas de governar;
(4) Essas máquinas trabalham escondendo o seu próprio trabalho e dando a falsa impressão de liberdade;
(5) É o assujeitamento disfarçado de produção de identidade, afinal você pode ser quem/o que você quiser – desde que seja dócil;
(6) Pode ser o manifestante pacífico, o roqueiro de direita, o militante de esquerda lunático e engraçado;
(7) Quando essa máquina falha em produzir identidades dóceis, passa a funcionar na tentativa de mostrar estereótipos daquilo que deve ser eliminado da sociedade. As ameaças que se escondem atrás de loucos "perigosos", de moradores de favela "bandidos", de feministas "castradoras";
(8) Todos estes estereótipos servem para a que a sociedade aceite a violência simbólica/real contra esses grupos;
(9) Em entrevista para um documentário, a mãe de um rapaz morto pela polícia disse: “agora para matar é só chamar de bandido”;
(10) Guy Debord diz: “o espetáculo não é um conjunto de imagem, mas a relação social entre pessoas mediadas pelas imagens”. 
(11) Essa mediação, em última instância separa aqueles que podem viver em sociedade daqueles que devem ser eliminados por representarem algum tipo de ameaça;
(12) Todas as representações e estereótipos devem ser questionados e desconstruídos; 
(13) “A consciência do desejo não se separa do desejo da consciência”.

Link de Daniela Lima, facebook.

Nenhum comentário: