segunda-feira, dezembro 28, 2015

Amor por designer e capas de livros





Tenho esta paixão por capas de livros, essa fusão de duas linguagens, a palavra, o desenho, o formato, a cor, o tipo, o fundo, como tudo se casa para sintetizar o conteúdo de um livro. Amo essa síntese que alguns alcançam entre a face e a alma do objeto. 

A beleza de Vittorino


Meu irmão em preto e branco


Vittorino, Pedrovski e Gabriel


Uma tríade, que dá algum sentido ao desejo de futuro.

Bruno esteve aqui, mas não há fotos



Bruno, meu ex aluno do Henfil, meu amigo do Zaíra, o estudante de mestrado em Arte com quem fui à Colombo, no Rio. O professor, o doutorando da Unicamp, meu amigo. O garoto que aos 17 eu me recusei a emprestar o Sodoma, de Pasolini, pela curta idade, e que se apaixonou perdidamente pelo Antonioni, tempos depois. Ele me mandou uma mensagem para encontrarmos a "turma" depois do Natal. A turma não veio, mas ele baixou aqui. Fomos ao mercado: kiwi e limões, aqui cachaça e vodka, algumas latas de cerveja. Bebemos. Falamos de Bossa Nova, Proust, da ruindade da tevê, de Caetano, de Chico, de Nuno Ramos, Artes plásticas, de T.S.Eliot, que Julia (sua esposa) traduz. Zapeamos o youtube, vimos/ouvimos clipes canções. O estrangeiro do Caetano.  Pedi à meia noite pizza, comemos, ele dormiu aqui e saiu cedo. Uma visita inesperada. Bruno tem agora 27 anos. O tempo e sua artimanha veloz de embaralhar tudo, de afastar e aproximar pessoas, um engenho que a tudo trucida, deglutindo até memórias. Veio aqui me trazer um presente. Poucas pessoas me dão presente. Um cd do Jards Macalé - Só morto, Buning night;  e o romance Ferdydurke, de Wittold Gombrowicz, que não li, não sei quase nada. Gostei de mais do périplo. Tanto, que não há fotos.


Inventário 2015

2015. As incertezas sentimentais diluídas em ressentimento. A necessidade de mudanças urgentes adiadas. As viagens não sucedidas. A paz do amor tranquilo. As brigas políticas. O entendimento da degeneração da memória da mãe, botando sua pá de tristeza e tornando tudo sem sentido. Muitos livros, pouco livros lidos, filmes assistidos, séries: o excesso de tudo. A gradual cegueira do olho direito. A decisão, em fim, de óculos. As aulas felizes, mas arrastadas, o pouco comprometimento nas questões de trabalho. As fortuitas alegrias do sexo. As relações amenas com amantes. A velocidade dos dias. O peso do país mobilizando os pensamentos. As insatisfatórias idas e vindas para longe. O mar do Rio. O afastamento dos amigos. A inquietação constante. 7 kg a menos. Academia, academias. A chegada do cão para me fazer mais responsável pelos sentimentos que não são meus. O grande vazio existencial. Fotos. Photoshop. Exercícios de memória. Moldes e estátuas. Essa coisa de atrair, de repente, as melhores pessoas, e seu amor. Compulsão noturna. E essa tristeza crescente, e a desesperança do escoamento disto em 2016. 


Dezembro, 2015


Krampus, escultura.


Krampus, a magia do Natal

Krampus (Kallikantzaros, para os gregos)







quarta-feira, dezembro 23, 2015

Fotos e tempos


Minha querida amiga Fernanda Andrade em visita a minha casa; com Dante Mesquita e Veronica Andrade. Zaira, Mauá. Provavelmente em 1997.


Marcia Campos, mãe do Gabriel Santos em 29.07.1995, aos 16 anos. Idade que o Gabriel tem hoje.Zaíra, Mauá.


Sérgio no Zaira, aos 17.


Fernanda Andrade. Outra foto do Rilker, Dante Mesquita e da Veronica Andrade. 1997?



Dante Mesquita numa festa em minha casa em 6.10.1997. Zaíra/Mauá.


Memórias de quando eu era professor do Estado. EEPSG Visconde de Taunay, Santo André. Foto das queridas amigas professoras e colegas de trabalho.Ana Maria e Adélia. 


 Marcio Dos Santos Campos Em 30.07.2004, na Paulista.



Sala de aula do Visconde de Taunay. 8a série B, em dez. de 2000. Quando eu fui professor de Português do Estado. Caio Molina Manfredi


Caio Molina Manfredi em sala de aula da 8a série B, Visconde de Taunay, dez de 2000. Meu queridíssimos alunos.


Meu irmão Sérgio, na minha casa em Santo André, dezembro de 2000.


Eu e Pedrerico, no Zaíra. Em 28.11.2004.


Uma foto de 2004, Zaíra. Com Angelita SantanaElaine Solange Santana de Souza e Solange Araujo.

Eduardo, segundo Paulo Eduardo, um retrato do passado

Quando eu era professor do Estado, no século passado, vezenquando eu recebia esse presentes lindos dos alunos.



segunda-feira, dezembro 21, 2015

Judicatura e dever de recato

Entre juízes, posturas ideológicas são repudiadas pela comunidade jurídica e pela opinião pública, que vê nelas um risco à democracia

RICARDO LEWANDOWSKI

É antigo nos meios forenses o adágio segundo o qual juiz só fala nos autos. A circunspecção e discrição sempre foram consideradas qualidades intrínsecas dos bons magistrados, ao passo que a loquacidade e o exibicionismo eram –e continuam sendo– vistos com desconfiança, quando não objeto de franca repulsa por parte de colegas, advogados, membros do Ministério Público e jurisdicionados.

A verbosidade de integrantes do Poder Judiciário, fora dos lindes processuais, de há muito é tida como comportamento incompatível com a autocontenção e austeridade que a função exige.

O recato, a moderação e mesmo a modéstia são virtudes que a sociedade espera dessa categoria especial de servidores públicos aos quais atribuiu o grave múnus de decidir sobre a vida, a liberdade, o patrimônio e a reputação das pessoas, conferindo-lhes as prerrogativas constitucionais da vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos para que possam exercê-lo com total independência.

O Código de Ética da Magistratura, consubstanciado na Resolução 60, de 2008, do Conselho Nacional de Justiça, consigna, logo em seu artigo 1º, que os juízes devem portar-se com imparcialidade, cortesia, diligência, integridade, dignidade, honra, prudência e decoro.

A incontinência verbal pode configurar desde uma simples falta disciplinar até um ilícito criminal, apenada, em casos extremos, com a perda do cargo, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

A Lei Complementar nº 35, de 1979, estabelece, no artigo 36, inciso III, que não é licito aos juízes "manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos ou em obras técnicas ou no exercício do magistério".

O prejulgamento de uma causa ou a manifestação extemporânea de inclinação subjetiva acerca de decisão futura, nos termos do artigo 135, V, do Código de Processo Civil, caracteriza a suspeição ou parcialidade do magistrado, que permitem afastá-lo da causa por demonstrar interesse no julgamento em favor de alguma das partes.

Por mais poder que detenham, os juízes não constituem agentes políticos, porquanto carecem do sopro legitimador do sufrágio popular. E, embora não sejam meros aplicadores mecânicos da lei, dada a ampla discricionariedade que possuem para interpretá-la, não lhes é dado inovar no ordenamento jurídico.

Tampouco é permitido que proponham alterações legislativas, sugiram medidas administrativas ou alvitrem mudanças nos costumes, salvo se o fizerem em sede estritamente acadêmica ou como integrantes de comissões técnicas.

Em países civilizados, dentre eles o Brasil, proíbe-se que exerçam atividades político-partidárias, as quais são reservadas àqueles eleitos pelo voto direto, secreto e universal e periódico. Essa vedação encontra-se no artigo 95, parágrafo único, inciso III, da Constituição.

Com isso, não só se impede sua filiação a partidos como também que expressem publicamente as respectivas preferências políticas. Tal interdição mostra-se ainda mais acertada porque os magistrados desempenham, ao par de suas relevantes atribuições, a delicada tarefa de arbitrar disputas eleitorais.

O protagonismo extramuros, criticável em qualquer circunstância, torna-se ainda mais nefasto quando tem o potencial de cercear direitos fundamentais, favorecer correntes políticas, provocar abalos na economia ou desestabilizar as instituições, ainda que inspirado na melhor das intenções.

Por isso, posturas extravagantes ou ideologicamente matizadas são repudiadas pela comunidade jurídica, bem assim pela opinião pública esclarecida, que enxerga nelas um grave risco à democracia.

RICARDO LEWANDOWSKI, 67, professor titular da Faculdade de Direito da USP, é presidente do STF - Supremo Tribunal Federal e do CNJ - Conselho Nacional de Justiça

sábado, dezembro 19, 2015

Fim

Na Padaria Brasileira, da Augusta, 
próxima da Paulista. Sábado, 16h50. 

Todo fim segue sempre dolorido, angustiante, sofrido.
E a comprovação de que você pode romper
com alguém que se gosta bastante,
que foi  importante para nossa vida.


E seguimos.


18;12;2015


sexta-feira, dezembro 18, 2015

Que horas ela volta?: Com medo de Jéssica

Texto de Léa Maria Aarão Reis



Há quem ache Jéssica arrogante e há quem ache maravilhosa. Dependendo do que você acha da Jéssica fica claro em quem você vota.


O filme de Anna Muylaert mobiliza e provoca furor. Até a semana passada, 250 mil espectadores assistiram a saga da doméstica Val e da sua filha Jéssica.  Oitenta mil deles apenas num fim de semana. Isto faz Que Horas Ela Volta?  aprumar-se para chegar perto da bilheteria dos blockbusters americanos feitos de boçalidade e de músculos. Escolhido para representar o Brasil na competição de Oscar de melhor filme estrangeiro da edição de 2016, sua carreira reafirma o trabalho da cineasta paulista como autora de bons filmes: o premiado Durval Discos, É proibido fumar, Chamada a cobrar e, sobretudo, como corroteirista do excelente O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer.

Qual a explicação para o sucesso, para a explosão do filme da Anna – nos festivais estrangeiros e nas principais cidades do país -, além da narrativa relatada com talento, e de contar com a experiente atriz Regina Casé fazendo com brilho e garra a empregada doméstica nordestina que trabalha para a alta classe média paulistana? Uma personagem emblemática, mas tão ‘banal’ e pouco original?

Simples: com habilidade, Anna toca num nervo infeccionado, até então camuflado, da classe média brasileira. Seu filme expõe e escancara a hierarquização feroz das classes no Brasil dentro da intimidade dos grupos familiares. Uma situação inspirada na sua própria experiência, quando, em certa época, ela precisou contratar uma babá para ajudá-la a cuidar dos filhos então pequenos. Sem esse suporte não poderia continuar trabalhando por um bom tempo. Esta é a origem do roteiro que criou.

Da figura da babá, resquício da escravatura, à empregada doméstica modelo nacional, um outro entulho largado no caminho pela escravidão no país, foi um pequeno passo para expandir o argumento. Sem o trabalho das outras milhares  de  Vals existentes neste país, sejam elas babás, diaristas ou moradoras em um quarto infecto, na casa dos patrões, a família burguesa brasileira emperra e não funciona. A dependência dos patrões é absoluta - até para o mínimo gesto de levantar da cadeira e ir à geladeira para se servir de um copo de água. É isto que Anna mostra serenamente, com simplicidade. E a dependência estampada no espelho que é a telona deixa a plateia burguesa nervosa. 

Não surpreende que algumas mulheres, nas sessões de cinemas de zonas ditas nobres das grandes cidades, cheguem a se levantar, revoltadas, para ir embora, como já ocorreu, no meio da exibição.

Mas Muylaert vai além e introduz outro elemento definitivamente perturbador na história: a filha Jéssica, que, pequena, foi deixada pela mãe no Nordeste quando Val parte para trabalhar e sobreviver como doméstica em São Paulo. Agora, já mocinha, Jéssica chega para prestar vestibular para a faculdade de Arquitetura (escândalo!) na capital paulista e é hospedada na opulenta casa dos patrões, no quartinho minúsculo e abafado onde vive sua mãe. “Uma casa meio modernista!”, se deslumbra a futura arquiteta quando percorre a mansão. Ao chegar, a menina “subverte todas as regras”, como observa a cineasta. 

Acaba instalada no confortável quarto de hóspedes para desespero da patroa, mergulha na piscina na companhia do filho da casa, também ele um vestibulando, e, a transgressão mais grave: come o sorvete da marca fina e cara, mas destinada aos patrões. O sorvete barato é reservado aos empregados.

Camila Márdila, de 26 anos, vinda de Taquatinga, na periferia de Brasília, é a jovem atriz que defende bem o personagem da filha de Val neste que é o seu segundo filme.

Com a a introdução – ou intromissão – no universo burguês, Jéssica desequilibra a ‘harmonia’ da casa, expõe o nervo podre disfarçado e estabelece uma nova equação familiar como ocorre no célebre filme Teorema, de Pier Paolo Pasolini. “Na cabeça dela,” acrescenta Muylaert, “aquelas regras não significam nada. Mas há quem ache Jéssica arrogante e há quem ache maravilhosa. Dependendo do que você acha da Jéssica fica claro em quem você vota.”

Bingo para Muylaert. Jéssica representa o Brasil novo que começou a ser parido há 12 anos por um governo progressista. Jéssica é a mudança, é o país em que porteiro embarca no avião e senta ao lado da madama no aeroporto. E madama agora é obrigada a cumprir a PEC 72 em vias de entrar em vigor na sua integralidade, e pagar direitos trabalhistas às mulheres que nunca mais serão semiescravas.

Jéssica é o Brasil que, obsessivamente, mesmo sem ainda plena consciência do fato, procura dirimir as diferenças de classe para se tornar um lugar mais igualitário, menos injusto e hipócrita. Mais do que raiva, ódio e menosprezo, os que se encontram instalados no topo da pirâmide sentem é medo de Jéssica. Ela é o ‘anjo’ do Teorema, de Pasolini, que vem anunciar os tempos e os arranjos novos. Um alerta para o início do fim da era da submissão.

O recado do Que Horas ela Volta? é singelo e firme apesar do seu final entreaberto: para a frente nada será como antes. Aconteça o que tiver que suceder, convém lembrar-se do clichê que, no caso, aqui cai como uma luva. A pasta de dentes que saiu do tubo nunca mais caberá dentro dele.

segunda-feira, dezembro 07, 2015

Erótica - Madonna e Udo Kier


Udo Kier e Madonna, em Erótica

Paisagem

Pequenas anotações ao pé da página
explicam o significado da palavra
paisagem:
extensão visual de um lugar
comumente se refere ao espaço vegetal
com árvores, mar e um pôr-do-sol ao fundo
[aconselha-se coqueiros]

Mas, por vezes, pode ser a vista panorâmica
obtida da sacada de algum edifício
neste caso,
comum substituir coqueiros por arranha-céus.

Uma paisagem
é, assim, mais fácil dizer pelo que não é:
não são pássaros cantando
ou cigarras
ou buzinas
sons e movimentos.

Paisagem diz-se pelo que se avista:
faixa de terra ou mar a se espraiar em posição horizontal
ventre saliente de montanhas
seios à mostra para cartões-postais
entreazuis.

Paisagem, também, 
o oposto disso
onde a vida é uma memória escassa,
por exemplo: uma ruina montada numa colina.

Ou, por fim,
como dizem, em Inglês, os ingleses:
paisagem: terra sem escape
panorama
landscape. 



Eduardo Arau




Domingo

Mauro aqui ajudando a regular desde ontem o steadycam. Revi a mãe do Airton, que esteve aqui hoje visitando-o. Cheguei ao pedaços no Zaíra. Pedro lindão, bebê feliz por me ver. Cai no sono. Depois esperei Elaine, recolhemos velhas caixas, despachei roupas e viemos conversando no carro sobre o eterno drama de emagrecer, da mãe, dos familiares. . 

Depois de três anos, trouxe hoje quatro caixas com livros que estava em casa. E o Big, carrocho meu que ficou da mãe e que torna a ser meu, já que ela não pode mais cuidar dele. Esta velho, meio cego, perdeu os dentes, macérrimo, o corpo com feridas, e com uma perna traseira paralisada. Está aqui agora do meu lado, não sei se feliz com o espaço exíguo do apartamento, sem vista para o que não seja parede. E a vida segue. 

sexta-feira, dezembro 04, 2015

Projeto webserie


A ESTRUTURA DE CRIAÇÃO DO ROTEIRO DA WEBSÉRIE
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Guto Aeraphe

Diante de todos os modelos tradicionais de criação e desenvolvimento de roteiros percebi que eles não estavam funcionando com eficiência para as novas necessidades dos espectadores digitais, já que eles foram criados para plataformas onde a veiculação acontece em um local que é praticamente blindado às interrupções externas como é o caso do cinema ou onde há uma linearidade de programação como a TV aberta. Então procurei adaptar os conhecimentos adquiridos nos antigos manuais às novas realidades e assim desenvolver uma forma para a criação e desenvolvimento de roteiros para webséries que reúne o que vi de melhor nestes manuais junto com os conhecimentos adquiridos durante os erros e acertos das produções dos meus trabalhos. Assim nasceu o método SDR (Simpatia, Desafios, Resolução).




Há duas formas de se trabalhar este método que são muito parecidas. A primeira é chamada de temporada curta (5 episódios de 8 minutos) e a segunda temporada longa (com 10 episódios de 10 minutos). Funciona da seguinte forma: Se colocarmos a história de cada episódio para ser contada em uma linha temporal que terá 10 minutos, podemos separá-la em 5 partes de 2 minutos sendo que os 2 primeiros minutos farão parte da “simpatia”, os outros 4 dos “desafios” e os 4 últimos na “resolução”. Lembrando que quando o gráfico está acima da linha, damos ênfase no protagonista e quando estão abaixo, o destaque fica para o antagonista, levando em consideração a altura ou intensidade destes destaques. Com este método conseguimos trabalhar dentro de uma estrutura onde lidamos com poucas locações e concentramos as intensidades dramáticas criando personagens fortes e histórias envolventes que por sua vez tem um baixo custo de produção, viabilizando a realização de produtos nos mais variados gêneros.


Steadycam S60 Carbon - hoje





The booth at the end - uma webserie que adoro

Sinopse

    Neste drama psicológico, um homem misterioso senta à mesa dos fundos de um restaurante. As pessoas vão até ele com coisas que querem: um pai ou mãe com uma criança doente, uma mulher que deseja ficar mais bonita, uma freira que quer ouvir Deus novamente. O homem pode fazer estas coisas acontecerem. Por um preço. Em troca do que eles querem, esses indivíduos devem sacrificar seus preceitos morais e realizar feitos que normalmente seriam inconcebíveis para eles. Detonar uma bomba. Roubar um banco. Matar uma criança. Elas devem voltar até o homem e descrever todos os passos com detalhes. Quando as tarefas dos personagens começam a se sobrepor, as complicações aparecem. Mas o homem nunca força ninguém a fazer nada. É sempre decisão delas começarem ou pararem, com uma pergunta persistente: até onde você iria para conseguir o que quer?

Mentes geniais, de Alberto Dell Isola


Ganhei de presente do Mauro, que sabe que entre minhas várias manias recentes, está esta, de aprender memorização. Este livro surpreende, pois reuni várias técnicas esparsas, de modo muito simples. Irrita o narcisismo do autor e as referências televisivas que arranha a credibilidade do livro, mas o método é muito bom. 

Agatha Christie, encontrada no Rio


Neste livro, está o conto "Testemunha de acusação", título homônimo ao filme hitchcockiano dirigido por Billy Wilder. Está lá, quase que integralmente. Obra prima. Difícil encontrar autora mais talentosa e genial que Agatha, com seu poder de surpreender. 




Quando adolescente, descobri Agatha Christie na biblioteca municipal de Mauá, foi quase por acaso, folheando os livros que as pessoas entregavam e deixavam no balcão. Nada sabia da inglesa, do gênero policial, da questão do valor literário ou do gosto. A descoberta dos seus contos foi uma alegria, pois sempre adorei narrativas curtas. Três livros por dez reais, não resisti e levei esses, cada conto uma alegria. 

Segredos do corpo humano - Mundo Estranho


Quando vou a Santo André, gosto de ir aquele sebo de revistas antigas e comprar as edições recentes das bancas pela metade do preço. E adoro estas revistas cheia de infográficos, uma é a Dossiê Super Interessante, a outra é Mundo Estranho (principalmente suas séries especiais). Acabo sempre dando-as ao Pedro, pois são coloridas, sagazes, sem pudor de falar do corpo ou de informações extremamente bacanas, como essa outra, sobre cinema.




Miltom Erickson


De repente, peguei o livro sobre hipnose do Erickson, e o prazer redobrado de saber dos processos terapêuticos deste gênio. 

Cinismo – Ironia – Sarcasmo

CÍNICO – significava, na sua origem, acreditem ou não, “canino, próprio dos cães”. Em grego, kuon significa cão, e a ligação etimológica é evidente. Menos evidente é a ligação com o hund das línguas germânicas, mas a origem é a mesma.
Os kunikós eram os membros de uma seita filosófica que desprezava as conveniências e as fórmulas sociais. Foi fundada cerca de 400 a.C. por Antisthenes, um discípulo de Sócrates. Eram assim chamados por desprezarem e troçarem da forma de vida das outras pessoas, “como os cães”.
IRONIA, uma forma de cinismo, é sinónimo de SARCASMO, mas as suas origens são bem diferentes.
IRONIA chegou-nos também do grego, eironeía, através do latim ironia, que significavam ambas “fingir ignorância”.
Sócrates usava da ironia como método pedagógico, fazendo perguntas aos seus discípulos, formuladas de forma a parecer que o mestre ignorava as respostas.
Hoje, ironia adquiriu mais o sentido de dizer o contrário do que realmente se pensa, ou do real significado do que pretendemos dizer.

Já o SARCASMO é mordaz. Muitas vezes fere a sensibilidade da pessoa que o recebe. Sarx era, no grego antigo, “carne” (veja-se sarcófago, por exemplo, um túmulo para a carne ser comida). Sarkázein era “cortar a carne”. Como muitas vezes mordemos os lábios e rangemos os dentes, quando alguém se dirige a nós com um sarcasmo mordaz.

quinta-feira, dezembro 03, 2015

Ainda sobre a Ironia

A IRONIA, UMA PODEROSA E SOFISTICADA ARMA DO BOM HUMOR


Como um recurso que muito frequentemente desconsidera o politicamente correto, a ironia é uma arma poderosa do humor inteligente, ainda que nada tenha de propriamente piedosa



É mais do que disseminado o entendimento de que o humor faz bem à saúde, à vida de um modo geral e à vida profissional em particular. A Madre Tereza de Calcutá chegou, inclusive, a classificar o mau humor como o “pior defeito” (ver a propósito do tema os GH/445 e GH/447). Uma forma especial de humor é a ironia que pode ser definida do seguinte modo:

“(1) Uso de palavras para transmitir um sentido oposto ao sentido literal; (2) resultado de eventos que é contrário ao que seria esperado; (3) estilo sarcástico de escrita ou fala.”

Wikcionário

Já definida como a “arma dos fracos” (com o duplo sentido de ser usada por pessoas “fracas” e de ser a “arma” dos “fracos” contra os “fortes”), a ironia pode ser definida também, conforme o faz o livro “Ironia ― Frases soltas que deveriam ser presas” (José Francisco de Lara, Cócegas Editora), como “nada mais do que uma forma elegante de ser mau”. Seja como for, requer a apuração do senso de humor e uma disposição para não subordinar-se completamente aos rígidos ditames do “politicamente correto” como se pode observar nesta situação reproduzida no livro:

“O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, discursava na Câmara do Comuns. Nancy Astor, a primeira mulher eleita para fazer parte daquela casa, levantou-se e interrompeu furiosa: – Winston, se você fosse meu marido, eu poria veneno no seu café! Churchill não pestanejou: – Senhora, se eu fosse seu marido, tomaria o café.”

Além dessa situação, o livro traz inúmeras outras, bem como frases que destacam a irreverência na interpretação das situações cotidianas, inclusive com incursões pelo campo da filosofia, não sem, inúmeras vezes, resvalar para o que poderia facilmente ser considerado politicamente incorreto, ainda que, na grande maioria das vezes, de forma muito engraçada. A seguir algumas das frases pinçadas do livro.

“Há homens que nascem póstumos.”

Raul Seixas, 1945-1989, compositor brasileiro

“Eu não tenho 50 anos, tenho 18 com 32 de experiência.”

Steven Tyler, cantor e compositor norte-americano

“Pense grande. Você já ouviu falar de Alexandre, o Médio?”

Propagandas Inteligentes

“Nos momentos de perigo é fundamental manter a presença de espírito embora o ideal fosse conseguir a ausência do corpo”

Millôr Fernandes, humorista brasileiro

“Eu sou firme; você é obstinado; ele é teimoso como uma mula.”

Bertrand Russel, 1872-1970, filósofo britânico

“Achei que estava errado uma vez, mas eu estava enganado.”

Lee Iacocca, executivo norte-americano

“Para mim a humanidade se divide em dois grupos: os que concordam comigo e os equivocados.”

Graciliano Ramos, 1892-1953, escritor brasileiro

“É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida.”

Abraham Lincoln, 1809-1865, presidente dos EUA

“Viva todos os dias como se fosse o último. Um dia você acerta.”

Luis Fernando Veríssimo, escritor brasileiro

Definições e máxima sobre a ironia

"A ironia é o pudor da humanidade." (Jules Renard)

"A ironia é a expressão mais perfeita do pensamento." (Florbela Espanca)

"A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente." (Fernando Pessoa)

"A ironia é sobretudo uma brincadeira do espírito. O humor seria antes uma brincadeira do coração, uma brincadeira de sensibilidade." (Jules Renard)

"É preciso não confundir a ironia, a sátira, o epigrama, principalmente a ironia, com a expressão mais refinada do riso que é o humor." (Vianna Moog)

"Ironia é a pitada de sal imprescindível para tornar a refeição palatável." (Goethe)

"A piedade, só por si, é triste; a ironia, sem mais nada, é dura; mas as duas juntas dão um produto brando e cordial." (Machado de Assis)

"Ironia: humor à custa de uma segunda pessoa na presença de uma terceira." (Philip Graham)

"O riso é a aritmética elementar, o humorismo é a álgebra e a ironia é o cálculo infinitesimal." (Dino Segre)

"A ironia, planta rara, não viça em mato bravo; o humor exige estufa."
(Afrânio Peixoto)

"Só os grandes esgrimistas da palavra manejam, com elegância, a ironia, que fere o mais íntimo da alma." (Victor Hugo)

"A ironia é uma tristeza que não pode chorar e rir." (Jacinto Benavente)

"Na ironia há um fundo de crença na possibilidade de corrigir a existência lá onde sua revolta lhe denuncia as imperfeições." (Vianna Moog)

"A ironia é a higiene da mente." (Elizabeth Bibesco)

"É pela ironia que começa a liberdade." (Victor Hugo)

"A ironia é uma forma elegante de ser mau." (Berilo Neves)

"A ironia é o lirismo da desilusão." (Godofredo de Alencar)

terça-feira, dezembro 01, 2015

segunda-feira, novembro 30, 2015

A colina escarlate (Crimson Peak), de Guillermo del Toro




Baixei e assisti ao novo filme do Guillermo del Toro, na mesma linha gótica, sexual e hiper violenta de todos seus filme anteriores. Uma adaptação de Barba Azul, visualmente lindo, tenso e bobinho. A onipresença de Mia Wasikowska e Jessica Chastain em toda produção cool se repete, mas a imagem de ambas começa a cansar. Tom Hiddleston, num papel estranhamente ambíguo, mas fraco. Uma colagem do gótico a la Edgar Allan Poe, a casa fantasmagórica, a paixãozinha amorosa e romântica, o grotesco e algum horror. Achei esquecível.