domingo, junho 29, 2014

Moonrise Kingdom



Adiei bastante, mas ontem, sentei e vi Monrise Kingdom, motivado pelo Grande Hotel Budapeste. Mas achei este bem fraquinho, um tanto enfadonho, apesar de estiloso, como seus belos cartazes.

As inteligências múltiplas

Gardner identificou as inteligências lingúística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésica, interpessoal e intrapessoal. Postula que essas competências intelectuais são relativamente independentes, têm sua origem e limites genéticos próprios e substratos neuroanatômicos específicos e dispõem de processos cognitivos próprios. Segundo ele, os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidades intelectuais para resolver problemas e criar produtos. Gardner ressalta que, embora estas inteligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, elas raramente funcionam isoladamente. Embora algumas ocupações exemplifiquem uma inteligência, na maioria dos casos as ocupações ilustram bem a necessidade de uma combinação de inteligências. Por exemplo, um cirurgião necessita da acuidade da inteligência espacial combinada com a destreza da cinestésica.
Inteligência lingüística - Os componentes centrais da inteligência lingüistica são uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir idéias. Gardner indica que é a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas. Em crianças, esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histórias originais ou para relatar, com precisão, experiências vividas.
Inteligência musical - Esta inteligência se manifesta através de uma habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente e, freqüentemente, canta para si mesma.
Inteligência lógico-matemática - Os componentes centrais desta inteligência são descritos por Gardner como uma sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. É a inteligência característica de matemáticos e cientistas Gardner, porém, explica que, embora o talento cientifico e o talento matemático possam estar presentes num mesmo indivíduo, os motivos que movem as ações dos cientistas e dos matemáticos não são os mesmos. Enquanto os matemáticos desejam criar um mundo abstrato consistente, os cientistas pretendem explicar a natureza. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio.
Inteligência espacial - Gardner descreve a inteligência espacial como a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representação visual ou espacial. É a inteligência dos artistas plásticos, dos engenheiros e dos arquitetos. Em crianças pequenas, o potencial especial nessa inteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais e a atenção a detalhes visuais.
Inteligência cinestésica - Esta inteligência se refere à habilidade para resolver problemas ou criar produtos através do uso de parte ou de todo o corpo. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. A criança especialmente dotada na inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais demonstra uma grande habilidade atlética ou uma coordenação fina apurada.
Inteligência interpessoal - Esta inteligência pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores, temperamentos motivações e desejos de outras pessoas. Ela é melhor apreciada na observação de psicoterapeutas, professores, políticos e vendedores bem sucedidos. Na sua forma mais primitiva, a inteligência interpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas, e na sua forma mais avançada, como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças, uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros.
Inteligência intrapessoal - Esta inteligência é o correlativo interno da inteligência interpessoal, isto é, a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. É o reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprios, a capacidade para formular uma imagem precisa de si próprio e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva. Como esta inteligência é a mais pessoal de todas, ela só é observável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências, ou seja, através de manifestações lingüisticas, musicais ou cinestésicas.


sábado, junho 28, 2014

Vida longa e próspera (crítica sobre o filme Star Trek, de JJ Abrams)



Star Trek não cansa porque o diretor J.J. Abrams é um craque. Em Além da Escuridão, seu golpe de gênio é entregar ao estupendo Benedict Cumberbatch o papel de – vilão seria pouco – encarnação de todas as ameaças

Uma explicação simples para o fato de J.J. Abrams ter sido escolhido para comandar a nova fase de Star Wars, agora que George Lucas vendeu a marca à Disney: ele sabe o que faz. Sua ressurreição de Star Trek, que ele iniciou em 2009 e que nesta sexta-feira prossegue com Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness, Estados Unidos, 2013), ilustra as múltiplas capacidades do diretor, notáveis individualmente e mais ainda em conjunto. Primeiro, J.J. equilibra o instinto para a inovação com o respeito à tradição, de forma que saiam todos alegres do cinema, os fãs e os não fãs, os meninos e as meninas. É um craque em casar os personagens aos seus intérpretes; Chris Pine não é o melhor ator do mundo, mas é impecável como o impulsivo Jim Kirk, capitão da Enterprise, e o complemento ideal a Zachary Quinto, o racional sr. Spock. Depois, J.J. tem uma visão e um plano para a série: começou retomando o otimismo do seriado original de 1966, e pouco a pouco o vai substituindo por algo mais próximo do mundo em que seus espectadores vivem hoje. Vale dizer, um mundo em que branco e preto se fundem num sem número de tonalidades de cinza – em que não há propriamente vilões, e sim ameaças, e no qual não mais se sabe de onde elas vão surgir. Por último, e mais importante, J.J. compreende que as ameaças de dominação mundial (ou supragaláctica, no caso de StarTrek) dos velhos vilões não mais fazem sentido. Hoje não há impérios querendo dominar, mas loucos buscando destruir. Tudo é pessoal; tudo nasce do ressentimento, do rancor, do sentimento de que injustiças foram cometidas e devem ser vingadas. Escolher um adversário para a tripulação da Enterprise, hoje, é portanto uma tarefa que requer fineza. No primeiro filme, Eric Bana, cegado pelo luto, movia literalmente céus e terras para punir Spock por uma perda familiar. Em Além da Escuridão, estes três conceitos – adversário, família e perda – ganham novo caráter, e máxima potência, na escolha de uma figura espetacular: Benedict Cumberbatch, o Sherlock Holmes da série da BBC, só rivaliza na galeria dos vilões pop contemporâneos com o Coringa de Heath Ledger.



Não que algo além do magnetismo os assemelhe. O Coringa ansiava o caos pelo caos; John Harrison, o agente rebelde da Federação que bombardeia a sede da Tropa Estelar e massacra vários de seus colegas, dá sinais de que está cumprindo uma agenda terrorista cuidadosamente estabelecida: ataca alvos simbólicos do poder da Federação e então foge para uma zona periférica do império klingon. Conta não apenas com a inevitável retaliação, mas com o fato de que qualquer invasão federativa nesse espaço será considerada pelos klingons um ato de guerra. Em fúria com a morte no atentado de seu mentor, o almirante Pike (Bruce Greenwood), o capitão Kirk se oferece para a missão ao almirante Marcus (Peter Weller). Marcus quer guerra; Kirk quer vingança; e Spock quer dissuadi-lo de executar o inimigo sem julgamento, já que há algo fora de esquadro nesse cenário: urna sugestão difusa de que a tripulação da Enterprise ignora alguns dos elementos que estão em jogo e não passa de um peão no tabuleiro. O indício mais urgente de que a Enterprise é uma peça a ser sacrificada é o próprio John Harrison. (E, se alguém escapou até aqui de saber qual sua identidade verdadeira, que permaneça na ignorância.) Guerreiro de habilidades excepcionais, mente de brilhantismo incalculável e personalidade de força incomum, Harrison é, também, um homem que parece ter uma reserva apenas perceptível, mas intrigante, de compaixão: algo íntimo e profundo o move – e comove o espectador e o envolve. Cumberbatch traz para o gênero, assim, uma excelência infrequente nele. E, se notou que seriedade absoluta não é comum neste território pulp, finge muito bem não tê-lo notado.

É improvável, claro, que qualquer coisa passe despercebida a um arar desse calibre. Desde o nome, um acorde atonal que quase exige partitura para ser pronunciado com o estrondo necessário, Benedict Cumberbatch carrega suas muitas singularidades – abraça-as, na verdade – como se elas fossem trivialidades. (No início da carreira, inclusive, cogitou brevemente usar o sobrenome do meio, Carlton; descartou a ideia e foi em frente, e não é de todo improvável que isso tenha contribuído para torná-lo um arar mais destemido.) É tão único que, em pouco mais de quatro horas em cena, virou objeto de um culto global. Educado numa das escolas mais exclusivas da Inglaterra e em duas universidades, e formado no teatro (e também em casa: seu pai e sua mãe são atores), Cumberbatch, de 36 anos, já havia feito trabalhos superlativos (como o físico Stephen Hawking em Hawking; como o primeiro-ministro William Pitt em Jornada pela Liberdade; como um esnobe sem escrúpulos em Desejo e Reparação) antes de, em 2010, aparecer como uma versão contemporânea do detetive Sherlock Holmes numa série da BBC. A matéria-prima é mais do que conhecida e vem sendo explorada também por outros dois ótimos atores, Robert Downey Jr. no cinema e Jonny Lee MilIer no seriado Elementary. Mas aqueles três episódios inaugurais de uma hora e meia cada (uma terceira temporada já está em produção) deflagraram uma verdadeira mania mundial pelo ator alto, de cabelo byroniano, fisionomia estranha e barítono reverberante. A especialidade de Cumberbarch, até aqui, era uma espécie de versão aristocrática e mais desenvolta do Sheldon de The Big Bang Theory: o sujeito tornado socialmente deslocado, e algo assexuado, pela inteligência feroz e impaciente. Só esse último traço é preservado em Star Trek. Cumberbatch alarga aqui os limites da sua presença, e está pronto para saltar do culto mundial ao interplanetário. Identificar o ator que pode sozinho transformar um filme é o lance de mestre de J.J. Abrams em Além da Escuridão. Superar essa escolha, ou ao menos igualá-la, é o desafio que ele tem pela freme no próximo capítulo da série.



ISABELA BOSCOV
Publicado na VEJA - 12.06.2013

O Centro Cultural Banco do Brasil embandeirado para Copa



Ocupação Jards Macalé no Itaú Cultural



Adoro as instalações artísticas de homenagem que o Itaú Cultural denomina Ocupação. Agora fizeram deste cantor/compositor fantástico - brasileiríssimo - Jards Macalé. 


A exposição está linda. A tanta foto a se colocar aqui, que acabo economizando para o REVIDE não virar álbum fotográfico/fotolog. Mas esta lindo demais e imperdível. 





Eu e Cecile no Mercadão







Faltaram fotos da 25 de Março. Mas fica aqui o registro de nossa passagem pelo Mercadão Municipal de São Paulo, onde nos acabamos de comer frutas logo depois de almoçar num restaurante árabe.

sexta-feira, junho 27, 2014

Pesadelo



Thais me pediu o roteiro sobre uma mulher que mata o marido por não suportar seus roncos. Fiz o roteiro, ela readaptou para caber no tempo do minuto, e o resultado é esse. Adorei, ficou fantástico. Excelente direção, atores fantásticos. Dramático. Tenso. Orgulho danado de participar do Terror em um minuto com esse pessoal fantástico.

quarta-feira, junho 25, 2014

Odisseia

O Amor foi à função, bebeu, cantou e bailou, estava muito excitado, tiveram de levá-lo para casa e prendê-lo no quarto para que repousasse. No seguinte o amor cantou e bailou sem beber, e era sempre primavera nos seus modos e falas. O amor viajou, voltou, fazia piruetas, trocadilhos, esculturas, criava línguas e ensinava-as de graça. Todos o queriam para companheiro, paravam de guerrear para abraçá-lo, jogavam-lhe moedas que ele não apanhava, gerânios que ele oferecia às crianças e às mulheres. O amor não adoecia nem ficava mais velho, resplandecia sempre, havia quem o invejasse, quem inventasse calúnias a seu respeito, o amor nem ligava. Cercaram sua casa de madrugada, meteram-lhe a cabeça num saco preto conduziram-no a um morro que dava para o abismo, interrogaram-no, bateram-lhe, ameaçaram jogá-lo no precipício, jogaram. O amor caiu lá embaixo aos pedaços, mas se recompôs e foi preso outra vez, aplicaram-lhe choques elétricos, arrancaram-lhe as unhas, os dedos, o amor sorria e quando não podia mais sorrir gritava numa de suas línguas novas, que não era entendida. E desfalecendo voltava à consciência, e torturado outra vez, era como se não fosse com ele. Quebraram o amor em mil partículas e ninguém pôde ver as partículas. Foi sepultado normalmente no fim do mundo, que é para lá da memória. Ninguém o localizou, mas todos falavam nele, o amor virou um sonho, uma constelação, uma rima, e todos falavam nele, e ressuscitou ao terceiro dia.

Carlos Drummond de Andrade

FUTEBOL - Exposição no Museu da Língua Portuguesa






Então, convidei o Gabriel para passar uns dias aqui em casa. Passeamos. Assistimos a dois filmes aqui no Marabá. E domingo fomos ao Museu da Língua Portuguesa antes de partir para casa da mãe. Ele é smepre uma ótima companhia. 

Sábado com a família















domingo, junho 22, 2014

A rainha e o esquecimento



Um dia a rainha esqueceu. Esqueceu assim, sem mais nem menos, que é como a gente esquece. Deu o branco, seus cabelos ao vento, tudo era esquecimento diante da gente desconhecida ou não lembrada. Neste lugar que não era o dela, que era para ela um lugar algum. Ofereceram-lhe um casaco, que ela olhava como quem vê um bicho morto que antes estava em fuga. Nenhuma familiaridade nos rostos, nos gestos, na voz zelosa da gente, como se fosse ela uma menina. Perguntaram: onde ia ou aonde, quando se esquecera.  Não sabia, ou encontrava as palavras com que dizer.

Se se de dentro vinha alguma lembrança, sabia-a de longe muito longe, vaga e inexata: de uma caçada, de um baile, de um moço, de uma roca e uma rosa, de um sapato não servindo, e de abóboras ou rabanetes. De sete anões (tinha certeza), e de um espelho que dizia. O que dizia o espelho? Que queria o sapo? E as ervilhas, qual a causa de terem sido plantadas sob tantos colchões?

Quis chorar. Trouxeram-lhe um lenço bordado. Não conhecia aquela floresta, aquele lobo, aquele moinho. Conhecia o avesso do bordado. As linhas lhe eram familiares: longos fios de cabelo formando cachos, tranças a tombar em cachoeiras. Mas tudo era vago, impreciso. Tudo fora-se de uma vez.

No castelo, aflito estava o rei. Reunira em torno da távola os cavaleiros para buscar a rainha. Precavidos, de armadura, arco, flecha, falcão, espada, todos ávidos por mil dragões. Ela que fora e não voltara de levar pote e doce à floresta. 

O rei pensou lobos, casas de doces, feras, maçãs envenenadas. O rei pensou labirintos, unicórnios, duendes de nomes imensos e impronunciáveis. O rei pensou abismos, areia movediça, a escuridão profunda da floresta. E desencantou-se, tão soberana pesando-lhe, na cabeça, a coroa. As amas desamparadas choravam. Não bordavam donzelas no bastidor. Não caçavam os moços nem riam os bobos apalermados.

Passaram-se dias, semanas. Passaram-se meses, anos. Por fim, voltaram ao castelo com a não notícia: a rainha perdida no vermelho e negro dos quatro cantos. O rei menos o reino, desolados. Ele mais que todos, triste-triste-tristíssimo. Assim, meio que pela metade, feito rei de baralho, no leito real deposto, esquecido da dama, descartado. Então o rei mergulhou em profundo sono . E sonhou.

O rei sonhou a rainha, porém a rainha antes do resgate, da morte do dragão, antes da madrasta perversa, das irmãs postiças invejosas. Sonhou-a loura, sonhou-a donzela, sonhou-a quase menina de longos cabelos dourados, sem a prata do tempo: a pele lisa, sem as dobras do tempo. E a voz no veludo, extinta caverna do tempo. Enfim, o rei sonhou-a como antes fora, como já não era, e não seria deveras. E amou-a mais, presa na outra, sabendo-se também distinto do príncipe que fora: o príncipe perdido.

A rainha, ainda mais perdida, sem saber que buscava-o, lembravo-o moço no adormecido da memória. Vagou, esquecida, no labirinto sereno e triste do passado, onde corredores cada dia mais estreitos, replicavam seus passos. Ignorou o riso congelado das caras dos quadros nas paredes, um tal e qual a cara do outro, não fosse a fina camada de pó na superfície, o tear cortinado das aranhas. Quando deu por si, viu-se diante da fonte dágua arrebentada. Assim a encontrou o rei ao chegar no jardim onde a floresta estendera seus tentáculos de ramas. E tudo era ruína e espinho, não fosse a rosa reclinada à fonte.

Ele a chamou pelo nome, mas ela não se virou. Entretinha-se com a imagem represada no reflexo, o refluxo tremembundo da água. Ia dizer: espelho espelho meu... Mas ele arrebatou-a num abraço antiquíssimo que ela também, velhíssima, correspondeu, reconhecendo-o num flácido gesto de amor. Beijaram-se. Ela era todas as princesas sonhadas, e era única, sua, a mais amada. Nuvem nova no céu, sua noiva. Predestinavam-se. E infinitamente foram felizes, outra e mais outra, como se fora uma única vez.



12 09 2013

[ conto de fada ]

sábado, junho 21, 2014

I, Anna


Eu, Annna. Drama criminal classudo, viés psicológico. A interpretação sempre fantástica de Charlotte Rampling. Jogos de enganos, de um investigador que se encanta por uma misteriosa mulher, que vai a clubes de solteiro para encontrar amor, e estabelece uma relação estranha com a filha e a neta num apartamento modesto. Os flashbacks dão conta de acontecimentos pregressos mostrando o crime por ela cometido, mas a questão do filme é outra, de viés psicológico. Belamente filmado.

Uma viagem extraordinária, de Jean-Pierre Jeunet



The Young and Prodigious T.S. Spivet ou Uma viagem extraordinária, filme americano do francês (de Amelie Poulain) Jean-Pierre Jeunet. Baixei e assisti em casa. Aquela fotografia linda, de sonho. E jogos visuais sempre interessante. História de encanto e melancolia em torno de uma família do meio rural americano. Um garoto gênio-inventor (T.S.Spivet), seu irmão cauboy, o pai fazendeiro tosco caladão, a mãe entomologista (especialista em insetos) e a irmã linda. Depois da trágica morte do irmãozinho com um disparo, Spivet embarca numa viagem de trem rumo a uma importante entidade científica para receber prêmio graças a invenção de um moto-perpétuo. 

Depois de Amelie Poulain, Jeneut parece ter perdido a mão e virado um arremedo de si mesmo. O filme é visualmente lindo e tudo parece funcionar, mas não encanta. Parece um híbrido de um filme de Tim Burton e um drama familiar. A escolha de Helena Bonham Carter para o papel de mãe do menino piora tudo. Ao evitar o melodrama explícito afasta também a emoção. E o filme termina bobo, sem encantar ou comover. Pena. 






Como treinar o seu dragão 2


Resolvemos - eu e Gabriel - assistir a outro filme no Marabá. Assim mesmo, um após o outro. E o segundo foi este: Como treinar o seu dragão 2. Tinha escutado boas críticas. Além disso achava o primeiro ótimo. Este não. Uma decepção. Chato, cheio de bobagens melodramáticas e guerra. Sempre guerra. Tedioso. 

No limite do amanhã



Ansioso para ver este filme no cinema. Adoro ficção científica. Adoro jogos temporais. No limite do amanhã (Live. Die. Repeat). Ficção científica excelente. O feitiço do tempo em tempos de guerra. Trama muito bem construída, efeitos ótimos e efeitos que prendem. Tom Cruise está na fase da ficção científica e faz isso muito bem. Emily Blunt convence como guerreira. Cruise é um soldado recalcitante que vive num looping desde que matou um alienígena que invadiu a terra. Vive continuamente o mesmo dia. Como num video game, cada vez que morre volta ao start, ao ponto de partida, aprendendo cada vez mais até alcançar o objetivo, salvar a humanidade. Patriotada boba, mas trama bem engendrada. Vale. Vi hoje, 21.6.2014, com Gabriel, no Cine Marabá, aqui perto de casa. Foi ótimo.

Santo André ou Para que servem as câmeras de celular.




Santo André. Como eu amo esta cidade. Sempre com essas belezas que brotam de repente e fazem a paisagem mais bonita. 

Jantar, no CCBB-SP


A anfitriã, elegante e ácida, recebe um cientista brilhante e egocêntrico; uma vegetariana à primeira vista apática, mas que, na verdade, está atrás de seu marido; uma apresentadora de TV vista como mulher objeto, mas cínica e inteligente; um escritor de best-seller narcisista; um garoto de entregas que se diz ladrão de mansões, ardiloso e revoltado; e um misterioso garçom, contratado pela internet.




Fomos eu, Gabriel e Cecile nesta sexta (20.6.2014) assistir a uma comédia de uma autora inglesa. Noite fria, peça divertida e ácida. Linda performance da protagonista. Texto cruel, às vezes cabeçudo demais, que compensa no sarcasmo e humor afiadíssimo. De lá fomos para Liberdade jantar naquele restaurante japonês que gosto tanto. Foi ótimo para matar a saudade desse povo, em dias que me sinto bem triste. 


segunda-feira, junho 16, 2014

FIM

13.6.2014.

A gente sempre morre um pouco a cada adeus.

domingo, junho 15, 2014

Maleficent - Maléfica, da Disney


Maleficent/Maléfica. Angelina Jolie numa interpretação fantástica (nos dois sentidos), criando "finalmente" uma obra-prima moderna a partir de um conto de fadas (e reinvenção de um filme clássico da Disney). A beleza desnorteadora, a dor, o heroísmo, o cinismo, a perversidade, a delicadeza, a pureza final. Um roteiro perfeito, emocional. Elle Fanning como princesinha dos sonhos. Cada efeito especial preciso, a serviço da história, que curtíssima, parece condensar uma longa efabulação. A virada final, o corvo, o vilão real, a unificação final. Moral, melancólico, trágico, feliz. Mais uma mostra clara da necessidade de contos-míticos para conexão com nossa interioridade. Fabular. Fabuloso.



E começou a Copa do Mundo


A COPA começou, e ela só faz sentido, por que faz com que as crianças se sintam felizes. Elas são o meu Brasil. Pedrerico e seus amigos, meus pequenos vizinhos, na rua Helena Bodobeng em Mauá.