sábado, maio 31, 2014

Das vantagens de se viver em São Paulo

[Mosteiro de São Bento]


Saindo as 7h para trabalhar me deparo com uma paisagem linda e limpa. 

Ana e Tininha. Viaduto do chá. Greve dos professores de SP


Minhas queridas amigas Ana Maria Toseti e Maria Cristina Santos, acampadas em frente à prefeitura (Viaduto do Chá). Numa luta que deveria ser de todos que vivem apregoando que a solução para tudo "está" na Educação. 

Greve dos professores em São Paulo, 30.05.2014.

Ana. Greve dos professores em SP


Agora pouco, minha querida amiga, colega de faculdade, companheira de trabalho e comparsa em projetos artisticos-culturais Ana Toséti. Exausta e sorrindo, em luta por aquela eterna Valorização da Educação, sempre prometida, nunca cumprida. Greve dos professores em SP. Viaduto do chá. 30.5.2014.

Maleficent


Amanhã, no JK.

A beleza


Mulheres


sábado, maio 24, 2014

Morte de Hans Ruedi Giger



Então Giger morreu. 12.5.14


Elles, de Malgoska Szumowska.



Binoche não erra. Elles é uma prova disso. Uma jornalista de origem burguesa, Anne, escreve para revista Elle uma matéria sobre jovens que se prostituem. Da imigrante polonesa Alicja à francesinha de origem suburbana, Lola/Charlotte, o choque entre ideias pré-concebidas sobre a relação entre as moças e os clientes, sobre origens, motivações e tabus. No encontro, a jornalista sente aflorar suas próprias frustrações (sexuais, em grande parte), tangendo também questões sobre valores morais, maternidade e envelhecimento. Interessante observar como a rica e sofisticada Anne termina por reproduzir os clichês das próprias revistas femininas (Elles). É uma mãe amorosa e atenta, uma bem sucedida e contumaz jornalista dentro e fora de casa (fazendo pesquisa de campo, enfrentando adversidades, lutando e galgando sucesso para fazer publicar sua matéria), uma mulher com o dom de bem cozinhar, de nunca descuidar da alimentação (da geladeira), uma filha amorosa/carinhosa com o pai idoso, uma mulher com tempo para ginástica (com exercicios feitos com videoaulas), anfitriã de bons jantares, bela, sofisticada e sensual ao se vestir, e sexualmente desejável com seu casamento estável com um homem de negócios bem sucedido. Isto tudo, ao longo do filme vai sendo desarmado, até perceber o quão pouco de controle ela tem sobre a própria vida. A crise reside neste desarmar gradual da personagem em contato com o empenho das moças (que se prostituem galgando uma ascensão que lhes é vetada pela origem pobre e poucas oportunidades de crescer via carreira/estudo) e do próprio exercício, feminino, complexo, da própria sexualidade. As tensões familiares perpassam as personagens - mulheres lindíssimas - mas o que há de mais interessante, é que ao se desnudarem revelam igualmente os anseios, frustrações e perversidades masculinas. Anne radicalmente se acha tentada a sair do mundo arregimentado/organizado que insiste em se desencaixar (a metáfora da geladeira que não fecha é ótima) e provar o gosto pleno da feminilidade (o extrair das ostras da concha e saboreá-las). Um brinde à exuberância sexual feminina (intensa e agressiva) que o filme expõe e manifesta com aquelas contradições que envolve intensamente castração e desejo. Mais feminino, impossível. Salve a diretora Malgoska!!!!. Salve Binoche. Salve a bela entrega de  Anaïs Demoustier e Joanna Kulg.














Revendo MEDIANERAS, de Gustavo Taretto







Rever Medianeras, de Gustavo Taretto e gostar do filme tanto ou mais que da primeira vez.

O último Elvis, de Armando Bo


Filme argentino sempre vale. Mesmo quando decepciona no final.

domingo, maio 18, 2014

A grande MIDIA demonizando a Virada


FOLHA DE SÃO PAULO: Arrastões começam em vários pontos da Virada Cultural, diz Guarda Civil; detenções foram feitas no largo São Bento, no Vale do Anhangabaú, na praça Julio Mesquita, e avenidas Rio Branco e Duque de Caxias. http://folha.com/no1456221

DEPOIMENTO MEU (PARTICIPANTE)

Estive nas 6 últimas VIRADAS CULTURAIS DE SÃO PAULO. Essa foi uma das melhores, em termos de organização e opção de show e palcos. Virei andando de um palco/canto a outro. E como sempre, nada aconteceu. Não fui roubado, nem presenciei arrastões (outras vezes sim, mas em alguns pontos muito específicos). Havia garis garantindo a limpeza, o que criou algo surreal: a cidade ocupada me pareceu mais limpa que em qualquer outro dia do ano, com direito a jatos dágua rolando com cheiro de eucalipto. Nas ruas uma grande movimentação de adolescentes, jovens, descolados, tipinhos alternativos e também marginais típicos. Mas vi familias curtindo a festa, e vários cadeirantes. Os  ambulantes de sempre fazendo seus negócios e catadores de latinhas. E diferente de antes, muitos bares e lojas abertas. No domingo, inclusive houve a feira livre que sempre há aqui na Luz. A cidade estava hiper policiada, assistindo tudo com atenção, abordando e vendo documentos de suspeitos, mas sem ser ostensivos ou violentos. Já os shows foram ótimos. Houve problemas técnicos em alguns que provocaram atraso e, por isso, foram mais curtos do que deveriam. De um modo geral, foi uma das melhores Viradas Culturais a que fui. Ao ler essas matérias, percebemos o quanto a grande midia ressalta SEMPRE/CONSTANTEMENTE aspectos negativos destes grandes eventos. Não sei se para demonizar governos ou para simplesmente MINAR a sua existência. A violência parece ter se tornado o ganha-pão do jornalista/jornalismo, e no afã ter o que noticiar, amplifica aspectos que lhe interessa da realidade. Não percebe que esta enfase colabora para um clima de terror generalizado, que deteriora a relação habitante-cidade. Demoniza o cidadão comum da periferia, demoniza o centro e seu cidadão, ajuda a difundir o medo e a insegurança de forma irresponsável. E isso se torna mais desonesto, quando percebemos que de fato, o paulistano só possui plenamente sua cidade neste dia.

sábado, maio 17, 2014

Marasmo na Praia do Futuro

Praia do futuro. Do Karin Ainouz. Acabei de ver na Reserva Cultural, da Paulista. Em uma palavra: TÉDIO. Uma das maiores decepções em termos de cinema dos últimos tempos. Repleto de silêncios vazios que se querem significativos. A plateia inteira bocejando do inicio ao fim, até nas cenas de sexo entre Wagner o o ator Alemão. Nem Jesuíta salva. Decepcionante.


A química entre o personagem de Wagner e o alemão é zero. Ninguém acredite no romance dos dois. Aliás, as referências finais a uma família que não foi mostrada (ou construída) como elo com o Brasil não faz sentido. O inverossímil de um salva-vidas cearense pobre (fluente em inglês) ir viver numa Alemanha gélida, para ter uma vida medíocre, não dá para engolir. Nem o fato de ser gay enrustido justifica a angústia do personagem. Achei o som do filme muito ruim, assim como o ator alemão com uma dicção péssima, que dificulta o entendimento do filme. E diálogos exíguos e situações dramáticas nulas impossibilitam boas interpretações no filme.



O encontro do irmão (única cena digna do filme todo, num elevador) não é suficiente para fazer deste um filme, quando tudo segue capenga e sem sentido até a última cena com um off poético-melodramático. E a pergunta: que aconteceu com Karin?



REVIDANDO NO FACEBOOK.

1. sexo entre homens não espanta mais ninguém. As do Madame Satã (do próprio Karin eram mais radicais), mas não é essa a questão, as retratadas foram chochas. Fico ainda com as que mostraram pouco e foram mais impactantes como as de Brokeback Mountain. 2. As vezes silêncios são só silêncios (ainda mais quando não há uma boa construção "cinematográfica"). Aí ficam PSEUDO, como se homens contemplando o mar fossem mais do que homens contemplando o mar. No caso, é mistificação. 3. Raso, obvio, fraquíssimo, sem ir à emoção por MEDO de cair melodrama. Aliás, qual o problema no melodrama? Fassbinder, Bergman, Almodóvar: má comanhias? Neste sentido fez um filme frio, distanciado (até no modo de filmar), que muitos justificam tratar-se de um modo "germânico". Para mim: tédio 4. Elenco pode pouco num filme que não lhes permite um bom arco de construção da personagem ou da cena dramática. Única cena boa segue sendo a de Jesuíta Barbosa, o resto nada no raso e não vai dar na praia. Aliás, morre afogado e é arrastado para areia. A cena do roubo da moto e a praia no gelo chega a constranger de tão desconectadamente artificial e inverossímil. 5. dançando numa rave para parecer profundo, e não saindo do lugar, tipo salva-vidas no aquário.

sexta-feira, maio 16, 2014

quinta-feira, maio 15, 2014

Calcanhotto fala sobre sua descoberta da Literatura

Caetano lê "Elegia 1938", de Carlos Drummond de Andrade

De sábado à quarta.

Aula de Redação no Henfil Paulista para uma turma gigante. Me diverti horrores e foi ótimo. Desci correndo, almocei no shopping caríssimo e parti para Diadema. Encontro no JAMAC com discussão sobre o roteiro "Vedaval". Papo ótimo. Cheguei em casa e desmaiei de sono. Ando assim. Caindo aos pedaço. Domingo foi dia das mães com a Mãe e Péricles na casa da irmã. Lindo encontro. E segunda passamos aqui para ver o apartamento à tarde. Volta a Academia com renovação e tudo. Derreto na esteira com cafeina e Vanessa da Mata. E nunca consigo por fim no ensaio que escrevo. Preparação para Literatura e mito. Mas antes, denotação/conotação no Henfil Mauá o dia todo. Durmo no Zaíra, descubro que mãe caiu, vejo o cão se arrastar, vou ao Dentista, imprimo material para FSA, converso com irmã e Pedrerico no telefone. Espero o bebê chegar. Beijo o bebe. Converso com mãe, Geralda, Sérgio, Lê. Tinta preta acaba d Brother. Como a boa comida da esquina, durmo horrores. Apanho chocolates suíços que o Lucas me mando na Brasilar. Pego ônibus, metrô, ônibus. Almoço na FSA. Comunico na secretaria livros perdidos. Janto stroggonoff. Me encharco de café. Exponho bonitinho aula sobre Mito para sala cheia. Forrest Gump. Central do Brasil. Pequeno Buda. Eros e Psiquê. Conto de fada. procurando nemo. Ulisses. Hamlet. Trajetória do herói. Mil informações. Chego exausto as meia-noite e dou conta de fazer pipoca e termina Gandhi. Tudo corrido. Sento, escrevo. Encerro o dia e suas mil pendências. E começo a pensar no dia de amanhã.


Gandhi, de Richard Attenborough


Gandhi, epico de 1982. Oscar de direção e melhor ator. Encontrei zapeando no Netflix. Vi em duas partes. Ando corrido. A estarrecedora atuação de Ben Kingsley potencializa o mito Gandhi. Há anos ensaio assistir e só fiz isso agora, séculos depois. E me surpreendi com a grandeza do filme, tanto quanto do próprio personagem. Aliás, sou susceptível. Assisto sem aquele crivo analítico distanciado, me permito comover. A beleza de um filme e modo de filmar que não se faz mais: esclareço, sem infantilizar melocraticamente o cinebiografado, sem firula, sem histeria pirotécnica. As locações, o cuidado com figurantes, reconstituições, as surpreendentes ações e reações. Digno e grande. E salve o Netflix.