domingo, abril 27, 2014

Para o Pequeno Príncipe, de Fernanda Young




Nossa, há quanto tempo... Como vão as coisas no seu pequeno planeta? Aqui, no meu, andam imensamente estranhas – muito baobá para pouca flor, se é que você entende meus simbolismos.

Quem sempre fala de você é aquela ex-miss que vivia chorando por sua causa, lembra? Ela me contou da sua amizade com a Raposa.
Príncipe, como você é meu amigo de infância, não posso deixar de alertá-lo. Cuidado com a Raposa. Ela parece uma coisa, mas é outra. Faz-se de fofa e é uma cobra, uma chantagista.
Quando a conheci, ela disse que não podia conversar comigo, pois não sabia quem eu era. “A gente s conhece bem as coisas que cativou”, ela falou, toda insinuante.
Respondi que, se nós duas nos cativássemos, ela ficaria triste quando eu fosse embora. Foi quando saquei que ela queria ter um cacho comigo, pois a Raposa pegou no meu cabelo – eu estava loira na época – e disse que tudo bem, porque ela olharia os campos de trigo e se lembraria de mim.
Marcamos um encontro para o dia seguinte, às 4. E ela me pediu para chegar às 4 em ponto, dessa forma ela ficaria feliz desde as 3 somente por esperar o momento do nosso encontro. Achei estranho, mas pensei que fosse charme. Não era.
Cheguei 15 minutos atrasada e a Raposa surtou. Falou que nós somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos. E perguntou para mim, olhando diretamente nos meus olhos, se eu tinha consciência de que “perder tempo” com o outro é o que faz essa história importante.


Percebeu o tom de chantagem? Ela joga na cara tudo o que faz em nome do outro. Ela deseja afeto, mas o quer como uma responsabilidade de mão única. Porém, também somos responsáveis quando nos deixamos cativar – relacionamentos são vias de mão dupla.
A Raposa exige a certeza de um compromisso com hora marcada, impondo regras à troca afetiva. As regras dela, claro, já que ela quer todo o afeto a favor de seu bem-estar. Chega a ponto de dizer que será feliz porque você virá. Como se a felicidade fosse algo condicionado ao outro, à espera do outro, ao encontro com o outro.
Veja que coisa infantil. São as crianças que precisam de horários certinhos e de associar suas emoções às pessoas com quem se relacionam. Sentindo prazer ou desprazer diante da ausência ou presença da mãe ou do pai ou de quem quer que seja. Na criança, ainda não há um universo interior, entendeu? Quando nós crescemos, temos de conseguir ver o mundo através das próprias perspectivas. Enxergar a beleza de um trigal sem nos lembrar de ninguém.
A Raposa, como uma criança assustada, quer que aqueles que a amam estejam com ela na hora em que ela deseja. Achando que eles são “responsáveis” pela felicidade dela. Ou seja, o outro lhe deve algo por tê-la cativado.
Desde esse dia, não falo mais com ela. E aconselho você a fazer o mesmo. Ela não é flor que se cheire.
Saudades distantes,
Fernanda Young

[Adoro essa "leitura crítica" que Fernanda Young faz - meio daquele jeito solto - sobre O pequeno príncipe. Vivemos num mundo infantilizado, e não é de se estranhar que este livro tenha se tornado uma espécie de oráculo para tanta gente]. 

Um dia de sol em SP


Em frente ao COPAM.

Fanzine O GRITO

 




Fanzine O GRITO, no tempo do Grupo Linguagem Poética.
Número um (e único) do tempo em que fazia fanzine e se faziam fanzines.
Mauá/SP - Abril/Maio de 1994.

O estranho mundo de Pedro


Quadrinhos


Collor, política, quadrinhos.

Coisa mais linda na Paulista


Dia 25.4.2014.

Tão bonito na Paulista, como fizeram com o prédio da SESI-FIESP.

Hulk com yoga


Seguem os quadrinhos sendo geniais.

Carreiras, de Domingos de Oliveira



Uma jornalista surta, cheira carreiras e carreiras de cocaína, bebe e dispara um discurso repleto de ironia sobre sua profissão, ligando para chefes, questionando os desejos do atual noivo, confessando frustrações com o porteiro, o ex-marido, a família, berrando na madrugada para os prédios. Verborrágica, acelerada, irônica, autodestrutiva, frustrada, histérica, sentimental, canalha. Uma atuação maravilhosa (e over/teatral) de Priscilla Rozenbaum. Um daqueles filmes deliciosos de Domingos de Oliveira. 

sexta-feira, abril 25, 2014

Haruki Murakami

 ontem


Adoro a estranheza destra primeira foto, e a simetria desta blusa de lã.



hoje

O desaparecimento do elefante, de Haruki Murakami


Comprei hoje na Martins Fontes da Paulista meu primeiro livro de Haruki Murakami. Livro de contos, daqueles que foram encenado na peça que vi no SESC com o título desta postagem. O livro comprado é tradução portuguesa, já que esse não tem ainda tradução nacional. Me parece bastante interessante. Tanto, que busquei capas de edições em outras línguas. Adoro capas tanto quanto livros. Acho o título português - O elefante evapora-se - fraco, sem força. 





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Violência infantil


No CCBB


Para bom entendedor


Vittorino e Le


ELCV - o fim


Feminismo fora de foco


Eu e Susana


... quando nos escontramos.

Adriana Calcanhotto - Olhos de onda

 

Adriana Calcanhotto lança em breve dvd de show ao vivo com várias de suas belas canções. Olhos de onda. Ansioso por aquela que continua fazendo trabalhos autorais, criativos, inovadores e com brilho. Como não amar?



quinta-feira, abril 24, 2014

Princípio e fim, número Um

No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava um bosque de grandes figueiras onde caía uma chuva branda, e por um instante foi feliz no sonho, mas ao acordar sentiu-se completamente salpicado de cagada de pássaros. 

(...)

- Santiago, filho - gritou-lhe - que houve com você?
Santigo Nasar reconheceu-a.
- Me mataram, querida Wene - disse.
Tropeçou no último degrau, mas se levantou imediatamente. "Teve até o cuidado de sacudir com a mão a terra que ficou em suas tripas", disse-me tia Wene. Depois entrou em sua casa pela porta dos fundos, que estava aberta desde as seis horas, e desabou de bruços na cozinha.



Crônica de uma morte anunciada,
de Gabriel Garcia Marquez


quarta-feira, abril 23, 2014

Recanto - ao vivo


Encontrei inteiro na internet. Viva a internet.

Sherlock, a série



Resolvi aderir a mais uma série. Esta em particular por ser curtíssima, já que cada temporada não tem mais que três episódio. Os atores geniais, a edição ágil, sofisticada, cinematográfica milimetro a milimetro. Vi o primeiro episódio e já baixei os outros.  

Mrs. Brown


Adoro filmes de época. Começa bem, com a sempre fantástica Judi Dench, mas vai ficando gradativamente desinteressante até esvaziar-se por completo no desfecho. 

Enemy, adaptação de O homem duplicado



Um filme insuportavelmente chato, moroso, com personagens inconsistentes cheio de atitudes inverossímeis. Câmera distanciada impossibilita qualquer adesão ao que se narra. Repleto de momentos insólitos envolvendo aranhas, sem conexão alguma com o que está sendo narrada. O mais incrível é que parte de uma boa premissa do romance de José Saramago, O homem duplicado, e se distancia de tal modo a ponto de mal se reconhecer a base. Decepcionante até não caber mais.

terça-feira, abril 22, 2014

O livro da filosofia, Will Buckingham



De repente tenho me interessado pelo estilo infográfico de escrita. O livro da Filosofia.

A imprensa e o medo


Vanessa da Mata - Segue o som


Lentamente ela vai perdendo o fôlego como artista que trazia algum frescor à música brasileira. O ar de diva tropical segue interessante, mas a música que modernizava ritmos tradicionais perdeu para um pop urbano de mero divertimento. "Segue o som" é um disco cheio de letras de aconselhamento, umas a beirar a autoajuda, com letras falastronas e um feminismo tolo. Interessante se fosse de fato politizado. Tanto aconteceu/acontece no Brasil, e a mpb imiscuiu-se do debate, não sei se para preservar patrocínios ou garantir ganho/espaço no oba-oba da onda COPA. O que acontece é que Segue o som traz críticas genéricas à banalização de tudo (consumismo, egocentrismo etc), contra a poluição do meio ambiente (comum em seus trabalhos) e "denunciando" injustiças e o desiquilíbrio de poder no "mundo". Vago, genérico mesmo.

Sub-repticiamente há a ideia de que tudo tem que passar pela consciência de si e pelo coração. Não há política, problema social, história, conjuntura: todos os problemas se solucionarão com base no nirvana do amor. Daí o tom de exaltação à metafísica, ao sagrado, um sagrado de viés animista. Ou seja, a conexão com as pedras, as árvores, as flores: a adesão ao o amor e ao divino na construção de mundo melhor. Um animismo (religião e ecologia refundida) como resposta a todas as carências. E quem pode ser contra o discurso de fraternidade, amor, respeito à natureza à lá SandyJr?

O cd é bom no que traz de dançante, no seu reggae singular, mas ali no fim pegando onda no tecnobrega de Amaranto. Segue o som com coisas do anterior, mas perdeu o que aquele trabalho tinha de bacana: tropicalista, erótico, jocoso, festivo sem ser vazio, fazendo menos discursos e trazendo crônicas bonitas do Brasil.

Essa mudanças de rumo parece espelho de certo ar de "já ganhei" da própria artista, um tanto mais poser/fashion/produzida. Segue o caminho de Marisa Monte: um crescente ar arrogante que soterrou a moça meio brejeira, algo tímida, com menos certeza sobre o talento. O que havia de interior nela só ficou nos tons florais da roupa, mas tudo nela parece imagem e produção. Por isso o recado que canta (de autoridade) mais pelo conteúdo do que pela forma, contradiz com o que apresenta.

Achei que Jobim lhe traria maturidade para melodia e letras mais complexas, mas a experiência não rendeu frutos visíveis/audíveis. Mas ela segue sendo interessante, e há ganho naquilo que faz dançar. Como o de Maria Rita, valerá bem na esteira da academia.



Maria Rita - Coração a batucar


Mais do mesmo, mas menos que o anterior. Pagode conduzido com instrumentos de bossa e bons músicos. Não há uma canção que seja memorável. O canto óbvio e preguiçoso de Maria Rita. Mas sempre serve para correr na esteira da academia. Gal, Caetano e Bethânia com shows e cds geniais não ensinam o "novo" para essa nova geração?

Maria Bethânia - As canções que você fez pra mim



DVD ao vivo de um show de 20 anos atrás. Comprei hoje, na FNAC, 20 mangos. Comprei por não achar o show integral no Youtube. Canções que não há no disco homônimo. A qualidade péssima da gravação em tela para monitores antigos. A edição bizarra, que picota as canções e interrompe o ritmo. A direção é de Gabriel Vilela. Maria Bethânia está linda (eu acho, mas eu acho que ela está sempre maravilhosa), com aquela alegria incrível de cantar e pronunciar cada sílaba do que canta. Assisto e me sinto feliz. 

Das coisas que fazem de São Paulo um lugar singular


Em São Paulo


  
No Planetas


Paulista



Linha Amarela


COMPAN

Páscoa e Aniversário em Família


Elaine e bebê Vittorino


Cinha


Nicole (e amiga), Bebê Vittorino e Patrícia


Pedrerico

Me, ganhando presentes de aniversário