terça-feira, dezembro 30, 2014

Na Praça do Pelô


A mãe de George, de Andrew Bosunmu



Assisti na casa da irmã, a um filme pelo qual ela se apaixonou. Muito inspirado na direção em Amor à flor da pele, é uma obra cheia de belezas. Uma mulher nigeriana se casa mas não consegue engravidar, temerosa de que o marido despose uma segunda mulher, apela desesperadamente para o cunhado, sob a complacência da sogra. O desfecho, como não poderia deixar de ser, é trágico. O figurino e a fotografia impressiona frame a frame, visa o deslumbramento. A mãe de George é cheio de silêncios e se torna mais triste a cada momento. A transposição das tradições da África/Nigéria para o Brooklin. E minha surpresa ao descobrir que Danai Gurira, a protagonista, é a Michonne de The walking dead. 



Palavra encantada


Uma beleza a conexão entre música popular e literatura. Revisto em boa companhia.

domingo, dezembro 28, 2014

RESÍDUO

De tudo ficou um pouco

Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

[Eu, que já fui muito melancólico, solitário e introspectivo, ao descobrir Drummond, me senti abarcado por uma perspectiva ao mesmo tempo angustiada, pessimista e até cínica, do mundo. Com Drummond, eu descobri que eu pertencia a uma classe de pessoa que padece de inquietação existencial.  Eu já tinha em mim essa descrença no próximo, e esse sentimento premente de perda. O tempo foi suavizando tudo que havia de mais melancólico em mim, e que me engessava. Cresci, ganhei coragem de fazer muitos movimentos abruptos para vida e adquiri um apreço ainda maior pela minha liberdade de ser e de sentir. Nunca consegui estar 100% confortável com a pessoa que sou, mas sinto que estou no caminho. Mas algo que sempre ocorre é esse meu retorno a Drummond. 

Sempre rezo em igrejas. Agradeço. Peço. Sempre me recolho. Me repenso nos fins de ano. Me renovo no amor aos meus sobrinhos, aos meus irmãos, minha mãe e amigos. Cada dia reforça e comprova a minha vocação para a solidão. Não há dor nisso (mas já houve). Tudo isto está em mim, é um modo de ser, que não exclui encontros e esperanças. Aproveitei o fim do ano e vasculhei todos os fins do ano no meu Revide. E descobri a grande fidelidade que tenho aos meus pensamentos. E ler/apresentar Drummond para o Gabriel me fez um bem enorme]. 

Farpado



Uma daquelas fotos incríveis que o Gabriel faz de mim.

Recisivo





E essa eterna mania
de trocar a noite pelo dia. 





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sábado, dezembro 27, 2014

Mãe

REspondendo a um idiota a favor da PRIVATIZAÇÃO DA USP como forma de combater a CORRUPÇÃO

Como se privatização eliminasse a corrupção. Não conheço empresa neste país que não tenha caixa 2, e que não lese seus funcionários com estratégias e desvios, tirando deles as garantias trabalhistas. E privatização transforma tudo em "mercado" lei de oferta/procura e lucro. Pesquisas em vários campos, e em TODAS as áreas de Humanas iriam para o brejo, pois "não dão lucro". E até na Medicina/Farmácia e afins, na criação de medicamentos e tratamentos "lucrativos", quanto não seria descartado por não compensar investimentos. Li recentemente uma matéria na qual se informava que vários medicamentos estavam deixando de ser fabricados por serem "baratos demais", não compensando aos laboratórios produzi-los. Isso, obviamente, não significa que deixaram de ser importantes. Se privatização fosse o IDEAL, as faculdades e universidades de ponta (e de pesquisa!!!!) não seriam justamente as públicas e federais, seriam "certamente" as privadas/particulares. Só um visão muito obtusa e "condicionada pelo noticiário televisivo" em sua massiva exaltação do modelo americano e do "deus-mercado" para crer nisto, seguíssemos essa "lógica" (para não dizer "filosofia", palavra tão temida) e toda educação superior seria composta de cursos rasos e MBA's toscos. Defensores dessa ideia parecem não entender que a EDUCAÇÃO/UNIVERSIDADE é uma área absolutamente estratégica que produz conhecimento, patentes, divisas, etc. A universidade necessita de garantias para não estar a serviço de um UTILITARISMO de ocasião,  politiqueiro e superficial e um fundamentalismo religioso redutor. Só quem cursou uma boa universidade sabe de sua importância (não falo dos replicadores de fórmulas, mas quem realmente as concebe ou novas estratégias/formas de pensamentos). Aqueles com boa formação intelectual (que lhes garanta exercer pensamento crítico real) sabem do perigo que será ceder uma universidade como a USP a quem a vê apenas como um negócio. E ainda dizem que são a favor da educação!!! Por que ninguém se diz a favor a privatizar a EEPSG da esquina, se a privatização é o ideal e melhor para tudo que é PÚBLICO (ah, as contradições)? Não sejamos tolos.

Eu e Gabriel no Paço das Artes e no Espaço Pinacoteca

Como somos malucos, e dormimos tarde. Eu e Gabriel fomos as 13h ver a Exposição da Mafalda (do Quino) no Paço das Artes, aqui do lado de casa. Sol de maçarico. A igreja do Paissandu, reformada, está uma beleza! Caminhamos até a Luz, rumo à Pinacoteca, onde uma fila quilométrica tornou impossível a aventura de ver Ron Muek. O parque da Luz de tão largado, dói na alma. Esses espaços que não dão mídia, estão esquecidos, sem reparo nos aparatos, sem paisagismo. E a feiura impera de lado a lado. No Espaço Pinacoteca (antigo prédio do DEOPS), vimos várias exposições. Nunca me atinei que fosse um espaço tão espetacular. E é. Me lembrou demais o MAR do Rio. Fizemos mercado, almoçamos no bar aqui em frente, e acabamos entocados em casa assistindo o filme ameaçado pela Coreia, A entrevista. Comédia ligeira, vulgar e divertida. Depois o documentário sobre cinema digital Side by Side. 

Monument Valley

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Andando em SP com pessoas amadas

Cronicando o fim do ano

E assisti a um filme africano lindo na irmã. E ao acordar decidimos levar o Gabriel para ver a Exposição do Castelo Ra tim bum, com Maristela. Almoçamos no Parque das Nações, perto da minha antiga casa, em Santo André. Mensagens, as mais ternas no celular. Como estava impossível, fomos ver a Exposição dos inventos do Leonardo Davinci no SESI da Paulista. E de lá fomos jantar no restaurante Casa do Norte. Gabriel ficou comigo, para conversamos e ver filme, com a promessa de novos passeios no dia seguinte. E li João Cabral, Drummond para ele. E falamos de livros e de todas as coisas mais bacanas. E Janete conversou longamente comigo no facebook. E Marcela. E tanta gente mais. Da Áustria. De Madrid. Do Rio. De Lençóis. As mensagens mais amorosas. E eu rascunhei a ideia boa de um livro enquanto planejo viagens, para breve. 




Castelo Ra-ti-bum, no MIS
Leonardo Davinci, SESI
Restaurante Casa do Norte

Amanhã, outros passeios com Gabri.

quinta-feira, dezembro 25, 2014

Natal na irmã

Este Natal, na irmã, com mãe, Pec, Sérgio, Le, Vittorino e Gabriel. 

Pernil e Bacalhau, bolo de abacaxi e panettone hiper recheado de chocolate. 

Os outros sentimentos traduzidos em fotografias.  


terça-feira, dezembro 23, 2014

Uma piada que sempre faço no cursinho sobre gravidez acidental materializada num cartoon


Side by side, de Christopher Kenneally


Em Side by side traz entrevistas feitas por Keanu Reaves sobre cinema digital com David Lynch, James Cameron, George Lucas, Christopher Nolan, Martin Scorsese e Steven Soderbergh.

Ventilador em casa, finalmente


Qualidade de vida chegando ao pico. Comprei um ventiladorzão pra sobreviver ao fogo interior e o calor do apê. Fiquei numa fila do tamanho do mundo. O povo comprando celular e tv de led nas Casas Bahia. Cade a tal da crise Globo?

Gone girl ou Garota exemplar, de David Fincher





Daqueles suspenses ambíguos que o David Fincher adora fazer. Bem e mal misturados, realidade e ficção misturando-se, mais uma levada pop e alguma crítica à sociedade americana. 

Uma mulher bela e aparentemente apaixonada desaparece no dia do aniversário de casamento. Sangue é encontrado o marido se torna suspeito. Um diário escrito por ela costura a trama. No estilo Twin Peaks, nada é o que parece ser. A garota rica que inspirou o livro infantil "Garota exemplar" (escrito por seus pais crueis e oportunistas) vai se revelando complexa e de vítima, no estilo da virada de "Janela Indiscreta" descobre-se a construção de uma farsa. Marido-traidor é bandido e vítima, a vítima é bandida, o amor é ódio, a vida almejada é a vida de aparência, de simulação. A garota que nunca foi a menina feliz do livro se impõe - neuroticamente - uma vida de encenação e mentira. O final é ambíguo, estranho, ouso dizer que insatisfatório.

Estranho suspense que muda continuamente de tom, do drama, ao humor negro, ao patético, ao cômico, ao farsesco, etc etc. Almodóvar que é mestre nesta mudanças de tom num só filme teria feito um filme de maior coerência. Mas vale. 

Por isso uma força



Eu pus os meus pés no riacho...

Das coisas deliciosamente sarcásticas do Facebook


Pedrovski e Vittorino


Pra que presente de Natal? Pedrovski e Vittorino pra fazer feliz a vida inteira.

21.12.2014 Dia com a família no Zaira.



Posso acreditar num Brasil onde o sobrinho possa soltar pipa na rua da minha infância (com os filhos dos meus vizinhos amigos) e com a mesma alegria dos meninos do passado. A rua agora asfaltada com calcadas pintadas de verde e amarelo. E churrasco no Bar do Zico para o pessoal da rua. Fui lá comprar doce no balcão (como eu fazia aos 7 anos) e o Zico me recebeu feliz e perguntou da mãe e mandou abraço. E houve um sol incrivel neste dia. E as pessoas estavam sentadas nas garagens e calcadas conversando. Tenho relação de amor e odio com Mauá. Com o Zaira. Seus morros. Seu transporte de merda. Seus postos caindo aos pedaços. Para as pessoas so meu total amor. Perifa q a tv mostra só como violenta e miserável e aterroriza diariamente com seu melodrama desgraceira e tragédia. Enquanto isso a gente faz o nosso domingo.



sexta-feira, dezembro 19, 2014

Pendências da vida prática

- Escrever o trabalho final sobre Marginais e Marginalizados
- Montar e lançar site sobre literatura contemporânea
- Revisar tese e encaminhar para publicação
- Fechar o livro de contos e mandar para o mundo
- Preparar-me para concursos mesmo fora do estado.










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Magic in the moonlight, de Woody Allen



Stanley é um mágico inglês que tem dedicado sua vida a revelar espiritualistas fraudulentos. Ele pretende descobrir se a jovem Sophie é mesmo médium. Quanto mais tempo Stanley passa com ela, mais ele se encanta, correndo o risco de se apaixonar. O que também traz complicações profissionais e pessoais entre os dois.

Tem jeito não, mesmo quando é um filme menor, um Woddy Allen esta à frente das bobagens que se fazem. Emma Stone graciosa, delicada e com aquele humor único, ao lado de um Colin Firth que volta a ser interessante. Nos vinte minutos finais, perde a força por completo, mas até aí já estamos apaixonados. Vale.




Alckmin e a água


CRISE DE ÁGUA EM SÃO PAULO



Alckmin não investe devidamente no sistema de abastecimento. 50% da água que sai das estações de tratamento se perdem nos canos sem manutenção. Há seca São Paulo. É época de eleição e ele escamoteia o problema até o estado mais crítico. Fim das eleições, diz não haver racionamento, mas falta água continuamente nas regiões mais pobres do estado (na perifa, claro, pq não falta água no centro, nos jardins ou em Higienópolis). Segue negando crise de água/abastecimento. Dá bônus na conta de quem economiza. "Inaugura" volume morto (a parte cheia de lodo, onde os canos não alcançam) como se fosse uma obra, como se fosse algo positivo. Diminuem à noite a pressão nos canos para "evitar perdas". A chuva não vem, ou vem pouca. Inaugura a estação de tratamento para aproveitar a água do esgoto (para fins de abastecimento). Segue a crise, muito sol, pouca chuva, um tanto mais de demagogia. Hoje, anuncia que serão multados os cidadão/consumidores/eleitores/trouxas que ultrapassarem uma cota x, estabelecida por eles. A GLOBO chama especialista, compara com o que se faz no EUA, e o "especialista" diz que será bom para São Paulo este racionamento. Alckmin diz que enfrentará a crise com segurança e sorri. Final da matéria.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Defesa de TCC Fábio e Roseli




Hoje, 18/12, na Fundação, defesa de TCC Fabio Melo e Roseli Bianchini na Fundação Santo André. Bela apresentação de trabalho, lindo estudo feito as relações entre o Harry Potter e a pedra filosofal e mito. Um orgulho enorme de fazer parte deste processo e ter orientado estas duas pessoas tão maravilhosas. Meus agradecimentos a Prof. Me. Maristela Bizarro e sua leitura atenta e perspicaz do trabalho.

LISTA DE LIVROS comprados na Feira da USP

A dama de espadas - prosa e poemas, 
de Aleksandr Puchkin

Variações em vermelho e outros casos de Daniel Hernandez,
de Rodolfo Walsh

A máquina do bem e do mal e outros contos, 
de Rodolfo Walsh

Histórias apócrifas, 
de Karel Capek


Homens interessantes e outras historias, 
de Nikolai Leskov

Meu companheiro de estrada e outros contos, 
de Máksim Górki

Clichês brasileiros 
(usados por Gustavo Piqueira)

O leão e o chacal mergulhador

A morte de Ivan Ilitch, 
de Liev Tolstoi


Auto da barca do Inferno, 
de Gil Vicente

Uma escuridão bonita, 
de Ondjaki


O candomblé bem explicado, Nações bantu, iorubá e fon
Odé Kileuy e Vera de Oxaguiã

Como escrever séries, 
de Sonia Rodrigues

Flutuam, minhas lágrimas, disse o policial
Philip K. Dick

Os outros, narrativa argentina contemporânea
Coletânea Iluminuras

Poesia reunida, 
de Frederico Barbosa

A loucura de Isabela e outras comédias,
de Faminio Scala

terça-feira, dezembro 16, 2014

Outras aquisições


Fechando minha coleção Borges + Bioy





Borges + Bioy

Seis problemas para Dom Isidro Parodi
Duas fantasias memoráveis

Crônicas de Bustos Domecq
Novos contos de Bustos Domecq

Um modelo para a morte
Os suburbanos
O paraíso dos crentes


Os belos livros da Cosacnaify que comprei na feira do livro da USP
















As surpreendentes aventuras do barão de Munchausen (em XXXIV capítulos),
de Rudolf Erich Raspe.

Estilos, escolas & movimentos,
de Amy Dempsey

Odisseia, de Homero
(trad de Christian Werner

David Copperfield,
de Charles Dickens

Decameron, de Boccaccio
Trad de Maurício Santana Dias

Uns contos,
de Ettore Bottini

A gaivota,
de Anton Tchekhov

Você vai voltar pra mim e outros contos,
B. Kucinski

Contos de lugares distantes,
de Shaun Tan

A noite de Messima,
de Friedrich Schiller

A natureza das fotografias, uma introdução,
de Stephen Shore.

Sertão mar,
de Ismail Xavier

Companhia do Latão - 7 peças
Sérgio de Carvalho e Márcio Marciano

O cinema do real,
Cosacnaify portatil 26