segunda-feira, setembro 15, 2014

George Bataille, por Bernardo Carvalho, para falar do fascismo da religião



Num artigo publicado em 1933-34 com o título “A estrutura psicológica do fascismo”, ele [George Bataille] enumera três “formas imperativas” de autoridade fascista: a religiosa, a real (do rei) e a militar. Em sua ficção, ele avança contra as três, mas é com a religiosa que ele bate de frente. Hoje, tudo indica que a autoridade religiosa tomou a dianteira, com a disseminação dos fundamentalismos. O problema é que a religião costuma ser moralmente justificável até segunda ordem; ela é considerada “inofensiva” até passar a se imiscuir na política e a almejar o poder (o que ela acabará tentando, sempre, onde não houver leis para proteger o Estado laico), para poder impor seus valores não apenas aos crentes, mas aos cidadãos transformados em fiéis. O perigo surge na hora em que tentam nos convencer de que a religião está circunscrita ao âmbito de suas funções e especificidades (assim como o militar no quartel, o religioso na igreja) e quando nos damos conta, já é tarde, já estamos submetidos ao poder irracional dos representantes de Deus, sob suas ordens e seus comandos, sem nem ter que entrar em igreja nenhuma. (Bernardo Carvalho)

Para ler na íntegra,clicar AQUI

in http://www.blogdoims.com.br/ims/sexo-religiao-e-politica

[Esse fragmento tirei de um daqueles ensaios fabulosos que o Bernardo Carvalho eventualmente faz conectando literatura e tempo presente. Este, põe em pauta a crescente escalada da Religião rumo ao Poder, como esta se torna perversa, convertendo-se em fascismo. Quem me mandou via Facebook foi meu ex aluno Marcelo Ahlers Nascimento, a quem agradeço].


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