terça-feira, agosto 12, 2014

Retorno a SP


Fui ao Rio a trabalho, ver e rever gente que amo, dispersar as questões aflitivas que andam me assolando aqui. Daquelas coincidências incríveis, meu caro amigo Airton terminou por vir também no mesmo ônibus. E ficamos conversando um tempão bom sobre filmes, sobre Philip K. Dick, sobre a dificuldade de manter relacionamentos sendo tão grandes as exigências e expectativas. Cheguei pregado, mas naquele cansaço estranho que impede o sono, então baixei fotos, fiz mil comments no facebook, fiquei zapeando uma comunidade chamada "Sobreviventes do Visconde" em que alunos do ano 2.000 postam fotos do tempo, e falam também dos professores, entre eles eu. Fui encontrado, me mandaram pedidos para adicionar, fui zapeando fotos e vendo minha mudança física e emocional ao longo deses tempos e a mudança deles também. Sou um cara sem memória, mas juro, que vendo aquelas fotos, lembro perfeitamente desses "garotos e garotas" para quem ensinar era uma felicidade. Era um tempo no qual minha vida (no ponto de vista pessoal) eram contas, melancolia, um aprisionamento interior absoluto, e nenhum amor. Os anos passaram, sinto que mudei bastante em vários aspectos, mas hoje eu pude sentir na casa fechada, exatamente a mesma angústia/vazio que sentia naqueles tempos.  Chegaram aqui os livros que tinha encomendado via internet. De tudo, os livros seguem, ficam, e todo o resto se perde. Seguem confiáveis aos sentimentos que nutro por ele, são fiéis e companheiros, sem exigências, sem culpas e principalmente - sem indiferença.  Cai no sono e acordei agora, desejoso de ligar para irmã, ver os sobrinhos e sacudir a vida. Não sou uma pessoa de coragem. O tempo é urgentíssimo. E apesar de tudo, a vida acaba valendo a pena.


Nenhum comentário: