sábado, maio 17, 2014

Marasmo na Praia do Futuro

Praia do futuro. Do Karin Ainouz. Acabei de ver na Reserva Cultural, da Paulista. Em uma palavra: TÉDIO. Uma das maiores decepções em termos de cinema dos últimos tempos. Repleto de silêncios vazios que se querem significativos. A plateia inteira bocejando do inicio ao fim, até nas cenas de sexo entre Wagner o o ator Alemão. Nem Jesuíta salva. Decepcionante.


A química entre o personagem de Wagner e o alemão é zero. Ninguém acredite no romance dos dois. Aliás, as referências finais a uma família que não foi mostrada (ou construída) como elo com o Brasil não faz sentido. O inverossímil de um salva-vidas cearense pobre (fluente em inglês) ir viver numa Alemanha gélida, para ter uma vida medíocre, não dá para engolir. Nem o fato de ser gay enrustido justifica a angústia do personagem. Achei o som do filme muito ruim, assim como o ator alemão com uma dicção péssima, que dificulta o entendimento do filme. E diálogos exíguos e situações dramáticas nulas impossibilitam boas interpretações no filme.



O encontro do irmão (única cena digna do filme todo, num elevador) não é suficiente para fazer deste um filme, quando tudo segue capenga e sem sentido até a última cena com um off poético-melodramático. E a pergunta: que aconteceu com Karin?



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1. sexo entre homens não espanta mais ninguém. As do Madame Satã (do próprio Karin eram mais radicais), mas não é essa a questão, as retratadas foram chochas. Fico ainda com as que mostraram pouco e foram mais impactantes como as de Brokeback Mountain. 2. As vezes silêncios são só silêncios (ainda mais quando não há uma boa construção "cinematográfica"). Aí ficam PSEUDO, como se homens contemplando o mar fossem mais do que homens contemplando o mar. No caso, é mistificação. 3. Raso, obvio, fraquíssimo, sem ir à emoção por MEDO de cair melodrama. Aliás, qual o problema no melodrama? Fassbinder, Bergman, Almodóvar: má comanhias? Neste sentido fez um filme frio, distanciado (até no modo de filmar), que muitos justificam tratar-se de um modo "germânico". Para mim: tédio 4. Elenco pode pouco num filme que não lhes permite um bom arco de construção da personagem ou da cena dramática. Única cena boa segue sendo a de Jesuíta Barbosa, o resto nada no raso e não vai dar na praia. Aliás, morre afogado e é arrastado para areia. A cena do roubo da moto e a praia no gelo chega a constranger de tão desconectadamente artificial e inverossímil. 5. dançando numa rave para parecer profundo, e não saindo do lugar, tipo salva-vidas no aquário.

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