domingo, maio 18, 2014

A grande MIDIA demonizando a Virada


FOLHA DE SÃO PAULO: Arrastões começam em vários pontos da Virada Cultural, diz Guarda Civil; detenções foram feitas no largo São Bento, no Vale do Anhangabaú, na praça Julio Mesquita, e avenidas Rio Branco e Duque de Caxias. http://folha.com/no1456221

DEPOIMENTO MEU (PARTICIPANTE)

Estive nas 6 últimas VIRADAS CULTURAIS DE SÃO PAULO. Essa foi uma das melhores, em termos de organização e opção de show e palcos. Virei andando de um palco/canto a outro. E como sempre, nada aconteceu. Não fui roubado, nem presenciei arrastões (outras vezes sim, mas em alguns pontos muito específicos). Havia garis garantindo a limpeza, o que criou algo surreal: a cidade ocupada me pareceu mais limpa que em qualquer outro dia do ano, com direito a jatos dágua rolando com cheiro de eucalipto. Nas ruas uma grande movimentação de adolescentes, jovens, descolados, tipinhos alternativos e também marginais típicos. Mas vi familias curtindo a festa, e vários cadeirantes. Os  ambulantes de sempre fazendo seus negócios e catadores de latinhas. E diferente de antes, muitos bares e lojas abertas. No domingo, inclusive houve a feira livre que sempre há aqui na Luz. A cidade estava hiper policiada, assistindo tudo com atenção, abordando e vendo documentos de suspeitos, mas sem ser ostensivos ou violentos. Já os shows foram ótimos. Houve problemas técnicos em alguns que provocaram atraso e, por isso, foram mais curtos do que deveriam. De um modo geral, foi uma das melhores Viradas Culturais a que fui. Ao ler essas matérias, percebemos o quanto a grande midia ressalta SEMPRE/CONSTANTEMENTE aspectos negativos destes grandes eventos. Não sei se para demonizar governos ou para simplesmente MINAR a sua existência. A violência parece ter se tornado o ganha-pão do jornalista/jornalismo, e no afã ter o que noticiar, amplifica aspectos que lhe interessa da realidade. Não percebe que esta enfase colabora para um clima de terror generalizado, que deteriora a relação habitante-cidade. Demoniza o cidadão comum da periferia, demoniza o centro e seu cidadão, ajuda a difundir o medo e a insegurança de forma irresponsável. E isso se torna mais desonesto, quando percebemos que de fato, o paulistano só possui plenamente sua cidade neste dia.

Nenhum comentário: