quinta-feira, abril 17, 2014

Mud ou Amor Bandido



Estava há tempos na lista dos filmes que precisava assistir, tamanhos eram os bons comentários. Acabei assistindo no celular, indo de ônibus de São Paulo para o Rio.

O filme não é lá essas coisas. É estranho para os padrões americanos, por ser um filme gris, ou seja, menos maniqueísta e sem solução clara em seu desfecho. Matthew MacConaughey já estava naquele seu processo de se tornar um ator sério, o que no ano seguinte lhe garantiu o Oscar. Agora, deve sossegar o facho e voltar a sensualizar nos filmes bobos que o fizeram enriquecer, e tornar a fazer comentários idiotas sobre sexo com a esposa brasileira.

O melhor do filme são os garotos. A complexidade com que processam o drama do fugitivo Mud, que se isola numa ilha e tenta consertar um barco preso numa árvores para fugir com sua amada Reese Witherspoon. Reese vive uma piriguete complicada, sensual, meio vadia/angustiada: um papel mais realista, denso, esquisitíssimo para essa atriz que só trabalha com dramas/comédias leves. 



O menino interpretado por Tye Sheridan é o trunfo de Mud, com a ingenuidade, força, beleza, delicadeza, melancolia que confere ao seu pré-adolescente que vê sua vida ruir: pais separando, perda da casa-barco por conta do divórcio, descoberta do primeiro amor, e desencanto com os adultos que são desencontrados com seus sentimentos.   


O bang bang do desfecho é meio tolo, mas funciona para que se chegue num desfecho em que o amor perde, todos os casais rompem, o velho mundo se desintegra, mas ao menino é dada alguma esperança de futuro. 



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