sexta-feira, março 07, 2014

Não amarás, de Kieslowski




Então ontem, depois do show da Gal, re-assisti ao Não amarás, de Kristof Kieslowski. E nenhuma surpresa, segue sendo um filme fantástico que, não só não envelhece, como mostra a cada vez que voltamos a ele novas complexidades. Desmembrado da série que o autor dirigiu para televisão polonesa - assim como Não matarás - ele corresponde ao mandamento: "Não pecarás contra a castidade", mas vai além. A descoberta do amor, o sacrifício, a dominação/o desejo, o voyeurismo, a solidão imensa de cada um. Tudo ao alcance de um binóculo. Um elogio a Hitchcock - ou a Janela Indiscreta - e um elogio ao expectador. Ele recupera aquele silêncio essencial e nos ensina que o cinema narra é por imagem, e quando houver diálogo, se houver, ele tem que cortar. Kieslowski sempre nos dilacera. 

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