terça-feira, março 11, 2014

A morte e a donzela, de Roman Polanski


Peça latinoamericana de sucesso que Roman Polanski adaptou, sem grande brilho, para o cinema. Mas o texto do chileno Ariel Dorfman é tão ambíguo e instigante que acaba compensando inadequações. 


“Chove. Uma mulher está só numa casa afastada de tudo. Ela prepara o jantar, apanha uma garrafa de vinho e um pedaço de franco e depois se tranca no armário. Ali, bastante encolhida, come.” Assim começa A morte e a donzela, um filme tenso, estrelado por Sigourney Waver, eterna tenente Ripley, heroína de Alien e um sempre eficiente Ben GANDHI Kingsley. 


Fundamentado no embate da palavra, o filme é dilatado, mas a trama exígua fascina: a mulher trancada no armário escuta a voz do homem que deu carona ao seu marido, ela tem certeza que conhece aquela voz; que aquele homem a torturou. Ela sabe que foi ele que a violentara ao som da sinfonia A morte e a donzela para que denunciasse os outros companheiros. Mas ela não denunciou, - nem mesmo o guerrilheiro (atual esposo) que tornou-se um importante político - por isso, passado tantos anos ainda tem medo e não confia em ninguém. Por isso, às vezes confunde pessoas normais com assassinos. Porém agora ela sabe (sabe?) que está diante do torturador, mas tem consciência de que ele não confessará seu crime. O que você faria? A donzela (ou a morte) resolve amarrar o suspeito numa cadeira e para, digamos, estimulá-lo a falar, o submete a seções de tortura. 



Cabe ao espectador julgar: será que ele é culpado? Será que ela não enlouqueceu? Será que só através do olho por olho, dente por dente é possível expurgar a dor?

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