quarta-feira, fevereiro 26, 2014

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Doze anos de escravidão

Um melodrama convencional, violento (beirando o sadismo), intensamente emocional, como um poema abolicionista: mais para colocarmo-nos no lugar do outro do que entender intelectualmente a questão da escravidão/racismo. Um filme necessário sobre a perversidade humana, a coisificação do homem convertido a menos que animal. Para se entender as raízes atrozes da desigualdade racial e o preconceito não apenas na América, mas no mundo. Subjacente: a hipocrisia da religião, a ferocidade do passado, a coisificação da mulher, às raízes do gospel, do soul do jazz. Um filme que dói.


E o surgimento de uma estrela.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Uma foto da qual gosto muito


Postado no facebook


Castelo do rei Ludwig da Baviera. Hoje. #rolezimostentação part. two.

Do facebook, enquanto na Alemanha


Em Munique, Alemanha, metrô vazio pra cachorro!

Do facebook durante viagem pra Alemanha


Primeiros ensinamentos da Alemanha: em país de primeiro mundo as pessoas não suam. Suar é coisa de país subdesenvolvido. Aliás o É o tchan! e o funk devem sua existência aos 30 graus (ou mais) dos termômetros. O quadradinho de oito é inconcebível num país que neva.

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

Produção, acelerar!!!

Três artigos terminados em um só dia: crítica de NYMPHOMANIAC, artigo sobre a peça O DUELO, da Mundana Companhia de Teatro, e crítica/resenha do primeiro romance de Marcelino Freire, NOSSOS OSSOS.

E nós três decidimos viajar em 2014


Jô, este ano na África.


Janete, hoje mesmo, no Central Park/EUA


Eu, na Europa (Praha)


Este ano, eu e essas duas meninas que eu amo tanto - Jocelene e Janete - resolvemos ir ao mundo. Sempre,  que podemos, estamos juntos lá no Rio, e esta é uma prévia de quando chegar a hora de viajarmos juntos.

Um lindo erro da câmera digital


terça-feira, fevereiro 18, 2014

O azul é a cor mais quente


Juro que não entendi a polêmica sobre as cenas de sexo de O azul é a cor mais quente (La Vie D'Adèle é um título absolutamente sem graça).  A câmera obviamente lambe o corpo da Adele, cena a cena, mostrando nos lábios, na curva dos seios, da bunda, tudo o que está represado e preste a explodir. 

E lá vem, propriamente dita, as tais cenas polêmicas (pois longas, e quase explicitas) que não só pontuam o despertar sexual de Adele (começando pela masturbação), como mostram que a atração sexual é um dos principais pontos a fundamentar sua relação com Emma. O que não é pouca coisa, pois sendo uma relação entre mulheres, a tendência comum é achar que "o sentimento" e não "o desejo" faz a liga. A razão do rompimento é uma traição sexual, os quadros são de exposição sexual, a cena final no bar é de natureza sexual. 

O desejo é a questão, mesmo que depois ele vire amor e implique em todas aquelas coisas que todos nós "sexualmente praticantes" sabemos o bem e o mal que este tal de "sexo" causa numa "relação afetiva".

O azul é a cor mais quente vai nos deixando rastros da leitura que o diretor quer que façamos - das referência literárias, a questão da formação escolar e do grupo, da família, até o existencialismo de Sartre, a arte de Egon Schiele e Gustave Klint. 

E os menos pudicos vão logo sacar que a questão do amor homossexual é o que menos pesa, pois as questões que apontam é de compatibilidade sexual, de idade, de formação intelectual, julgamento. social (por parte dos amigos), e fidelidade - essa vilãzinha amaldiçoada, a destruir, egoistamente, o que parecia ideal.

Além do tema necessário, o despertar do desejo, o filme é bem filmado, as imagens dão conta dos silêncios, e tudo parece verossímil como um documentário (as cenas na escola são ótimas). Mas o aplauso é para interpretação visceral de belíssima Adèle Exarchopoulos, tudo cabendo nos seus olhos, sua face, seus silêncios e explosões emocionais. Léa Seydoux apropria-se deste caminho e constrói sua sedutora, talentosa e irredutível Emma. 

Belíssimo filme, que provavelmente não ganhará melhor filme estrangeiro, pois os americanos são sexualmente travados.

Homem, poema de Alexandre O'Neill

INSOFRIDO TEMÍVEL ADAMADO PURO SAGAZ INTELIGENTÍSSIMO MODESTO RARO CORDIAL EFICIENTE CRITERIOSO EQUILIBRADO RUDE VIRTUOSO MESQUINHO CORAJOSO VELHO RONCEIRO ALTIVO ROTUNDO VIL INCAPAZ TRABALHADOR IRRECUPERÁVEL CATITA POPULAR ELOQUENTE MASCARADO FARROUPILHA GORDO HILARIANTE PREGUIÇOSO HIEROMÂNTICO MALÉVOLO INFANTIL SINISTRO INOCENTE RIDÍCULO ATRASADO SOERGUIDO DELEITÁVEL ROMÂNTICO MARRÃO HOSTIL INCRÍVEL SERENO HIANTE ONANISTA ABOMINÁVEL RESSENTIDO PLANIFICADO AMARGURADO EGOCÊNTRICO CAPACÍSSIMO MORDAZ PALERMA MALCRIADO PONDEROSO VOLÚVEL INDECENTE ATARANTADO BILTRE EMBIRRENTO FUGITIVO SORRIDENTE COBARDE MINUCIOSO ATENTO JÚLIO PANCRÁCIO CLANDESTINO GUEDELHUDO ALBINO MARICAS OPORTUNISTA GENTIL OBSCURO FALACIOSO MÁRTIR MASOQUISTA DESTRAVADO AGITADOR ROÍDO PODEROSÍSSIMO CULTÍSSIMO ATRAPALHADO PONTO MIRABOLANTE BONITO LINDO IRRESISTÍVEL PESADO ARROGANTE DEMAGÓGICO ESBODEGADO ÁSPERO VIRIL PROLIXO AFÁVEL TREPIDANTE RECHONCHUDO GASPAR MAVIOSO MACACÃO ESFOMEADO ESPANCADO BRUTO RASCA PALAVROSO ZEZINHO IMPOLUTO MAGNÂNIMO INCERTO INSEGURÍSSIMO BONDOSO GOSMA IMPOTENTE COISA BANANA VIDRINHO CONFIDENTE PELUDO BESTA BARAFUNDOSO GAGO ATILADO ACINTOSO GAROTO ERRADÍSSIMO INSINUANTE MELÍFLUO ARRAPAZADO SOLERTE HIPOCONDRÍACO MALANDRECO DESOPILANTE MOLE MOTEJADOR ACANALHADO TROCA-TINTAS ESPINAFRADO CONTUNDENTE SANTINHO SOTURNO ABANDALHADO IMPECÁVEL MISERICORDIOSO VOLUPTUOSO AMANCEBADO TIGRINO HOSPITALEIRO IMPANTE PRESTÁVEL MOROSO LAMBAREIRO SURDO FAQUISTA AMORUDO BEIJOQUEIRO DELAMBIDO SOEZ PRESENTE PRAZENTEIRO BIGODUDO ESPARVOADO VALENTE SACRIPANTA RALHADOR FERIDO EXPULSO IDIOTA MORALISTA MAU NÃO-TE-RALES AMORDAÇADO MEDONHO COLABORANTE INSENSATO CRAVA VUKGAR CIUMENTO TACHISTA GASTO IMIRALÃO IDOSO IDEALISTA INFUNDIOSO ALDRABÃO RACISTA MENINO LADRADOR POBRE-DIABO ENJOADO BAJULADOR VORAZ ALARMISTA INCOMPREENDIDO VÍTIMA CONTENTE ADULADO BRUTALIZADO COITADINHO FARTO PROGRAMADO IMBECIL CHOCARREIRO INAMOVÍVEL..."

O'NEILL, Alexandre 1972 — Entre a Cortina e a Vidraça

Obra prima do humor

Gato de botas

Philomena


Igreja católica: terrorismo psicológico, cárcere privado, exploração da mulher, lucro/venda de bebês, omissão criminosa. Um filme difícil, mas necessário. E não se esqueçam que eu sou católico.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Quando um "humorista" precisa ser levado a sério.

GREGORIO DUVIVIER

Acabou a baderna
A legislação vai mudar, graças a Deus (e à Dilma). A ex-guerrilheira, quem diria, vai baixar o AI-5

Acabou a baderna. Encontraram o grande financiador do movimento. Já foi provado que membros do PSOL doaram 150 reais para se realizar uma ceia de Natal para mendigos e o dinheiro foi usado para comprar várias rabanadas. Como se sabe, poucas coisas são mais letais que uma rabanada na cara, especialmente se ela estiver dormida.

Muita gente já deve ter morrido a golpes de rabanada do PSOL. Isso porque o pessoal não declarou o panetone. Um panetone é uma arma branca! Ainda mais se for daqueles bem duros, da Visconti. Quando pega na testa, mata na hora. Mas não vai mais matar ninguém. A fonte secou!

Engraçado pensar que alguns acreditavam que o motivo da revolta de junho era a insatisfação popular. Finalmente ficou provado que não. O povo está muito feliz. Eduardo Paes já aumentou a passagem de novo. E não vai dar em nada. O povo não tem problema nenhum com aumento de passagem. O povo não tem problema nenhum com nada. Quem inventa problema é a esquerda caviar. O povo está feliz. Sempre esteve.

Detalhe: ao exumarem o corpo de Josef Stálin, descobriu-se que em sua farda, no bolso esquerdo, havia uma estrela na qual podia-se ler as impressões digitais de Iran Kruschewsky, assessor de Stálin, cuja filha primogênita, Anna Nicolaievna, foi amante de Miriam Pletskaya, embaixatriz da extinta Tchecoslováquia cujo filho, Benjamin Berndorff, tem as mesmas iniciais de Bruno Bianchi, ortopedista brasileiro nascido em 1967, mesmo ano em que nasceu o deputado Marcelo Freixo. Procurado, o deputado negou qualquer envolvimento com o regime stalinista.

"Não acho que o ano em que eu nasci seja um dado relevante para tecer esse tipo de conexão estapafúrdia", afirmou o deputado, saindo pela tangente. A palavra "estapafúrdia", no entanto, já havia sido usada por José Sapir, meu cunhado, para designar a roupa que uma senhora usava em Copacabana, bairro do Rio de Janeiro, cidade onde nasceu Oscar Niemeyer, stalinista confesso. Ou seja...

A legislação vai mudar, graças a Deus (e à Dilma). Não vamos mais tolerar baderna. A ex-guerrilheira, quem diria, vai baixar o AI-5. O Brasil finalmente está virando um país sério: bandido preso no poste, Polícia Militar ameaçando Porta dos Fundos, leis antiterrorismo. O caminho se abriu. Este é o ano em que Bolsonaro vai assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos. Chegou o momento, Capitão! Em abril, nossa revolução faz 50 anos.

Veja, imagem, manipulação


Charges geniais


domingo, fevereiro 16, 2014

Nebraska, de Alexander Payne

O preto e branco de Nebraska, que vai se degradando com os amplos horizontes abertos das autoestradas polvilhadas de neve, refletem o esmaecer da memória do pai quase senil, que o filho guia por longas estradas para sacar um prêmio da loteria que não existe. 


O "núcleo familiar" segue sendo o foco dos filmes/narrativas de Alexander Payne, principalmente a relação entre pais e filhos. Mas é o universo masculino, os fracassos dos que pareciam fortes que lhe interessam.


No road movie "Nebraska", o esmiuçar da crise que se abateu sobre a economia e que fez de toda gente um tanto zumbi em frente a seus televisores, ganha forma de drama humano e não terror. Como no recentíssimo "Álbum de família", o passado de sacrifícios gloriosos para produzir aquele famoso "american way of life" se revela fonte de dor, angustia e sofrimento; ele não passando de uma grande balela.



Tanto em um quanto noutro filme, as famílias são frutos de relações longas e apodrecidas, mantidas tanto por conveniência (econômica/moral) quanto por tédio. Frustrados todos, as vidas vazias terminam afogadas em álcool ou num longo dardejar verbal de rancores.




As paixões possíveis, quando há, terminam abdicadas em nome da "família" e da "lei". No transcorrer do tempo, todo o rancor ou indiferença são dadas como herança aos filhos, bonecos ocos a perambular, ou remoendo o passado ou sem poder de decisão futura. 


Em "Nebrasca", o vazio existencial cria homens calados, tolos, balofos; mulheres agressivas, manipuladoras e/ou rancorosas. A hipocrisia nas relações impera, e um cem número de segredos/ocultações sobre desvios morais (das traições à exploração oportunista de um a outro) vão se evidenciando na trajetória infecunda do velho pai em direção ao que é decrepitude e morte. 


Ainda assim, num lance de gênio, o que poderia ser um longo rame rame lacrimoso, pessimista  e de tom melodramático - e enfadonho, como a maioria dos dramas familiares do cinema americano atual - abre espaço para uma possibilidade de aprendizagem e alegria. Do exame que faz da falência das aspirações de grandeza americana, em que todos terminam menos belos e mais losers, não advém grandes discursos e considerações. É a tomada de consciência do próprio fracasso que se converte em ganho. E o filme se torna menos banal, pois subjacente ao local, o que reverbera no espectador é a universal fragilidade física e emocional de todos nós seres humanos. 


No filme de Payne, as pequenas epifanias  tanto surgem de mentiras ou simbólicos pontos de superação (suplências mínimas): um boné, um carro semi usado, um compressor para pintura, um momento de liberdade para se dirigir um carro. 


[ E qual melhor metáfora do que o carro como símbolo de felicidade e autonomia para um país que elegeu-o (e o gas e as estradas) como símile da uma ideia de avanço/progresso, capacidade de alargar fronteiras. Não por acaso o velho pai senil é um antigo mecânico e ex-proprietário de oficina (no filme, atualmente comandada por imigrantes latinos). E não esqueçamos que a carteira de motorista é a identidade do americano.].



E de repente, o crescente menos de Payne, o melancólico e o patético das cenas alcançam uma delicada poesia que se faz pelo olhar humanista do diretor, que chuta sem cessar esse país arrogante, oportunista e meio senil que se converteu os EUA, mas que mostra amor pelos personagens fracos e imperfeitos. E então podemos nos solidarizar com eles, sentir piedade, e desejar que tudo - feito o Miss Sunshine - brilhe intenso e colorido num desfecho para além dos créditos finais.


[Obs. Minha completa paixão pela mãe pequenininha (mais homem que qualquer outro em cena), personagem vivida pela extraordinária atriz June Squibb]. 

Porto/Portugal


 
Torre dos Clérigos. Porto.



Estação São Bento - Porto 




Janelas do fado - restaurante e casa de shows. Porto


Cave Sandeman - Vinhos do Porto


Sardinhas na brasa, numa tasca no Porto

sábado, fevereiro 15, 2014

Agendamento 2014

notas. defesas. tccs. contas a pagar. curtametragem. terror. aulas. blog sobre contos. ensaios literários. regime. academia. contos novos. teatro. cinema. escritos. sobrinhos. mãe. irmãos. amores. amantes. rompimentos. contatos. exames médicos. leituras. inglês. francês. espanhol. identidade. cartão bancário. viagem. rio. faculdade. cursinho. estudos. tutoriais. idas. vindas. encontros. desencontros. estudos. congressos. argentina. recife. casa. limpeza. gesso. cortinas. sofás. tapetes. reparos. armários. sono.

dormir é quase um luxo.

BR Retorno

Ao Brasil real,
Do Plano real,
Do Bolsa família,
Da moeda surreal

À vida prosaica
sem realeza
ou arroubos de nobreza
realista até o osso


simples
periférica
cotidiana
comezinha
terceiromundista
caótica
improvisada
clandestina
desbundada
tosca

De volta ao tudo por se fazer
bem
parte a parte
sem ponto de fuga
que não seja o horizonte interrompido por arranhacéus
oremus

Gosto da vida assim
estabelecida
legítima
sem ilusão de ouropéis e rendilhados
abrupta
pedra.

Como disse Jobim:
"o Brasil não é para principiantes".


Produção de filme e orçamento: síntese


Eu me divirto com minha vó


Eu amo meu pé.


sexta-feira, fevereiro 14, 2014

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

REKAUQ - simplesmente brilhante


Se apropria de clichê (Keep calm) e linguagem publicitária, faz uma referência pop (a vulgar Valeska Popozuda), parodia um rótulo/design (aveia Quaker) e tudo com um achado fantástico. Um anacramático QUAKER/REKAUQ dá novo significado irônico e humorístico à mensagem.

Recauq meu de não ter pensado nisto.

Sagacidade de gênio em tempos de internet onde o anonimato produz peças geniais.



O look de Luks.


Anda bem bonitão esse gajo.

Copa e trabalho voluntário

Ana Moura, Desfado (2012)


Minha trilha em Portugal. O Alê tinha me mostrado no Rio, assim como o João. Mas ao chegar no Porto, Cristina pôs no carro e este cd se converteu no som de fundo da viagem. 

Apaixonado pela letra paradoxal e sagaz de "Desfado", mais ainda pelo fado-canção "Amor afoito". A voz divina de Ana Moura, suavizando e dando delicadeza ao fado, sem no entanto fazer com que este perca a dramaticidade. 

Cd disponivel AQUI.

Video campanha de prevenção a acidentes

Jovens, fuga da escola, praia deserta, sexualidade e surpresa



Veja o vídeo antes de ler o comentário. Como vídeo é ótimo, mas a mensagem é caretíssima, repressora. O subjacente não é "a importância da educação", mas um "lembrete" aos jovens de que eles "devem conter seus impulsos", um deles é de "liberdade" e o outro é da "sexualidade". Caso não se entreguem às "regras" do mundo organizado, serão mortos e mutilados. 

Elis numa inacreditável interpretação na TV Italiana