quinta-feira, janeiro 31, 2013

O lado bom da vida


Marido surta ao receber chifre, quebra tudo ao ouvir a música do casamento e sonha recuperar a esposa que lavrou um b.o. para restrição. Pai fanático por time de futebol e que aposta obcecadamente tudo que tem. Viuvinha de policial assassinato surta e transa com todo o escritório e decide vencer um concurso de dança. 

Começa fraco, chato, convulso, enfadonho, e vai ficando mais e mais bonito, até o climax desbunde chupado da Pequena Miss Sunshine e o desfecho mais cliche das comédias românticas, com direito a uma fuga espetacular da câmera. Li em algum lugar que é filme alternativo americano de baixo orçamento. Pera lá: Robert Deniro, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Chris Tucker. Fala sério. E arrebentando até não poder mais a menina-mulher J-Law, lindíssima e de um talento histérico. Um filme que mescla chatice tipicamente americana, mas cheio de coisas lindas. Vale.

E se todos vivêssemos juntos?


Um lindo sobre o drama de envelhecer (na Europa). Jane Fonda luminosa. Geraldine Chaplin magnífica. E o que se descobre é que quanto mais próximo da finitude, mais leveza em relação ao sexo e aos desejos. Todas as neuras viram bobagem. E um desfecho inacreditavelmente doce-amaro que ensina: envelhecer é para os bravos.

Amizade, matéria de salvação

Ontem baixaram aqui Ana e Rubinho. Mostrei a casa. Falamos sobre Os 50 tons de cinza, repressão sexual, escola, alunos, memórias da faculdade, fracassos, sucessos, planos futuros, trocamos filmes, livros, fomos andando aqui de casa para Liberdade, mais conversa sobre envelhecer, relacionamentos, profissão, sobre filhos, sobre sobrinhos, empregos, negócios, Caetano Veloso, Tom Jobim, alunos, teatro, filmes, comida, sobre a cidade, sobre viagens, mancadas, ex-professores, pés-na-bunda, amigos comuns, viagens, Argentina, Itália, melancia, colegas de faculdade, bons filmes, gafes; e encontramos Tininha na saída do metro liberdade, gripada, olhos miúdos, caindo de sono, e hora do café, e um tanto mais sobre profissão, ex-amores, sobrepeso, escolas, ideais, viagens de novo, Itália, sobrenomes, tias vezes, humilhação infantil, timidez, teatro, perseguição, corrupção, pobreza, riqueza, Dos Santos, doces, bolos, Almodóvar, contas. A soma: foram boas horas de desenfreada conversa que nunca se esgota, e amigos que não se esgotam em humor, alegria, beleza. E nos despedimos na entrada do metrô. Voltei a pé para casa. É noite. Parei para corrigir um começo de ensaio de uma aluna. A epígrafe é de Clarice Lispector: "Amizade é matéria de salvação".

segunda-feira, janeiro 28, 2013

O som ao redor


Necessidade física de assistir a esse filme, pois tudo que é de interessante no cinema atual acontece no Recife.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

quarta-feira, janeiro 23, 2013

TELEVISÃO DE BEIJO



Meu amigo Renato Godá tem um filho autista. 

É o Tom, 2 anos. Ele não é diferente de niguém. É como deveríamos ser: vulneráveis.


Tom não mente, não engana, não se protege como a gente.

Um menino inteligente ao extremo.

Sua inteligência é sensibilidade. Não descansa um minuto de sentir. De piscar comparações. De fazer operações matemáticas e musicais.

Uma pomba na janela é um terremoto. Um tombo na bicicleta é um colisão de estrelas. Mexer os cabelos é um aplauso.

Não há suavidade disponível para sua absorção. O conhecimento é feito por descobertas chocantes que exigem a mobilização do corpo inteiro.

É como se toda a lembrança fosse sublinhada. É como se toda a observação fosse inesquecível.

Tom me encara de lado, seu ouvido é que me olha.

Ele busca não interromper o ritmo das coisas. Os objetos têm sangue. Os objetos têm porta-retratos. Os objetos têm rosto.

Imagine se você realizasse tarefas escutando seu batimento cardíaco? Este é o autista. om o ouvido de dentro e o ouvido de fora, simultâneos. A porta da sala bate na sala e no coração. O vento assobia na janela e no coração.

Eu amo muito o Tom porque nunca vi um pai como Godá.

Godá é aparentemente desajeitado, boêmio, bagunçado.

Mas se dedica ao filho com uma delicadeza disciplinada que somente existe no interior dos animais selvagens.

Sua paciência é um presépio inesperado no deserto.

Ele explica três, quatro vezes, sem nunca alterar a doçura do timbre.

Sem jamais apresentar irritação pela repetição.

Ainda que esteja compondo ou ocupado com a vida adulta, para a respiração e se põe a conversar. Usa as mãos com gestos lentos de giz.

Toda resposta é nova mesmo que seja antiga.

A atenção pede a mirada firme e cúmplice, com duas colheres de açúcar.

Tom pega o arroz com os dedos. Godá se aproxima e mostra que o garfo é mais divertido do que a mão.

Tom volta a comer com a mão. Godá insiste que o garfo é uma extensão de boneco. Uma luva de robô.

Tom entende por cinco minutos, e Godá rearticula a fábula acrescentando um detalhe a mais de ternura.

Naquela casa, a noite é tarde demais, a biblioteca é longe demais. As histórias estão pousando a qualquer instante.

Tom beija a televisão. Godá diz que a televisão muito perto machuca os olhos. Tom beija de novo a televisão. Godá pede beijo no lugar da televisão.

O pai é um televisor que não prejudica a boca.

Tom ri alto. E beija o pai. Para depois voltar a beijar a televisão.


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Fabrício Carpinejar


Hoje, 23.1.2013 com Djalma

Djalma esteve aqui no São Bento e fomos almoçar juntos, depois houve um café, e depois o metrô até Ana Rosa, onde nos despedimos. E conversamos sobre Walmor, sobre aulas, sobre alunos, sobre cinema. Ele é um furação: brilha, arrasa o chão batido e fertiliza com ideias fulgurantes. Falou para eu ver o teaser do novo filme de Almodóvar (diretor que adoramos) e ver o novo filme de Ang Lee, que eu já queria ver, As aventuras de Pi. Deplorou o museu de cera Lincohn, de Spielberg. E no meio de tudo, falamos sobre literatura (por causa do documentário de Augustina, que me mandou por email). Ele disse que tenho que parar, focar e escrever, que é o meu talento. Desconfio que seja o leitor dedicado e silencioso do meu Revide. Como não amá-lo? Amo. 









Aqui embaixo, o vazio daquela foto que não tiramos.

Dançando no metrô de SP.


Ana Maria vai ao fundo.


E roubo um comentário: um momento de plena felicidade.

terça-feira, janeiro 22, 2013

WALMOR, por DJALMA





WALMOR

WALMOR não era um,
Era todas as angústias do mundo,
Do patético ao mais engraçado,
Dramático e trágico,
Nele se continha a dor humana.
WALMOR Hamlet, todas as dúvidas
WALMOR Brick, dualidade de gato em teto de zinco quente
WALMOR Estragon, as chagas de Godot Homem
WALMOR, produzindo a vida impressa em dólar
 WALMOR, tantos
WALMOR George, quem tem medo de Cacilda Becker?
WALMOR CACILDA,
CACILDA WALMOR,
T.B.C./T.C.B.
Tebas/São Paulo S.A.
WALMOR não mais recomeçará.
Ao entrar no LABIRINTO DA VIDA, descobre-se
UM HOMEM INDIGNADO,
Belo e cego Édipo-Rex pode enxergar a si mesmo:
O Minotauro,
devora-se.
Toda estrela maior sabe a hora de abandonar a cena.

                                                   
                                                  Djalma Limongi Batista


  
São Paulo de Piratininga, 21 janeiro de 2013


[Meu querido mestre Djalma enviou-me este lindo poema e esta foto extraordinária de Walmor Chagas, morto recentemente, seu amigo, a quem dirigiu em cinema, teatro e de quem fez um documentário incrível que ainda está por ser visto por todos para compreensão da singularidade deste homem e ator gigante. A vida parece ser sempre insuficiente aos grandes. Agradeço o privilégio de poder publicá-lo no meu Revide. ]

2003 - Primeira turma da ELCV


Dez anos. Puxa! E podem dizer que eu melhorei.

Percival de Souza e os travestis



Morri.

Dance!


segunda-feira, janeiro 21, 2013

Diário (web) de viagem.

Entediado num hotelzinho da Alemanha.

Diário (web) de viagem

Ainda em férias. Diante do Kremlin de Moscow, na Russia, tomando vodka ao som de Madonna. Esse país é realmente surpreendente!

Diário (web) de viagem

Ai a India!!!! É uma surpresa a cada esquina. Tantos deuses, tantas cores e sabores. Tive uma indisposição intestinal no primeiro dia, mas estou ótimo, como podem ver nesta foto tirada em frente ao Taj Mahal. Não consigo deixar de cantar Jorge Ben. Saudades de todos. Próximo destino é Egito.

Diário (web) de viagem

De Moscow para Atenas. Apesar da crise, a Grécia nunca perde aquela aura encantadora de berço da civilização. Na foto, eu diante do Partenon, me fartando com a dieta do mediterrâneo e com saudades imensas do meu Brasil varonil.

Esta noite

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Mãe e irmã vieram me ver. Estão aqui dormindo, ao lado. Meu apartamento é de novo a minha casa.












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domingo, janeiro 20, 2013

WhatsApp


Tem gente que diz que exagero, mas é pura verdade. O WhatsApp anda causando uma revolução na minha vida. 

sábado, janeiro 19, 2013

Suburbia




Baixei Suburbia inteira com exceção do último episódio que está osso. Zapeei, vi uns episódios. Aquele incômodo de todos os trabalhos do Fernando Carvalho: nenhum trabalho é dele, tudo é tão calcado em outros que tudo reverbera pastiche (a exceção talvez, o primeiro Hoje é dia de Maria, ainda assim calcado em A viagem do Capitão Tornado). Com Suburbia, bacana o lance da periferia, do funk, do samba, ou seja, do Brasil. Mas de novo uma narrativa cheia de firulas, pseudo moderna, mas que não acrescenta de fato nada a narrativa, efeito por efeito na maior parte das vezes. E muito, muito, muito Cidade de Deus (ok, o roteirista é Paulo Lins), algo que já foi melhor realizado no filme e na série Cidade dos Homens

Mas a beleza singular, espantosa doçura e sensualidade da protagonista são algo que não têm precedentes. Penso em sentar e dar uma chance para o encantamento.

Life in five seconds
















Síntese. Coisa de gênio.