sábado, novembro 02, 2013

Thor - the dark world


Assisti hoje, no Cinépolis da Vila Olímpia, naquele 3d fantástico do IMAX. Confesso que fui com certa desconfiança. Depois daquela bobagem de filme que foi o Superman2013, passou a me entediar essas tramas em que abundam testosterona e explosões. Mas foi convite com as melhores companhias e no melhor cinema de Sampa. E tem o bônus de ver Nathalie Portman, sempre linda e talentosa, num filme que não exige nada dela que não seja seu status de star.

Mas não tem jeito, o filme é todo em torno de Thor, o que significa vermos em todos os filmes de heróis o fetiche que o nosso tempo dispensa ao corpo masculino. Chris Hemsworth está lá, à exposição, barriga tanquinho, tórax gigante, braços explodindo músculos. Em determinado momento a câmera lambe em travelling seu corto, e ele passeia displicente falsamente ignorando a própria exuberância. Assim é também o que se viu em Homem de aço, no novo Wolverine, no Capitão América, e até mesmo o mega quarentão Homem de ferro.

A erotização do corpo do homem é algo a ser analisado. Juro que não sei se o foco são realmente as mulheres, já que esses filmes são preferencialmente voltados ao público masculino. É eles que invejam e lotam as academias, e passam a perseguir as formas viris do corpo, ao mesmo tempo que parecem livres para encarnar igualmente inseguranças e vulnerabilidade sentimental (seja em relação à amada ou aos pais) que se apresentam em todos esses filmes. Aliás, a masculidade - o lugar e a sombra do pai honrado, autoritário e poderoso - parece o grande trauma dos heróis dos quadrinhos apresentado no cinema.

Começa chatissimo, mil explosões, desmoronamentos, estardalhaços, espadas, sangue jorrando em jatos, batalhas que seguem imitando Senhor dos Anéis (até na luz e nos vilões) e copiadas do desabamento do World Trade Center. Tudo é épico, gigante, monumental; ou seja, um tédio absoluto depois de 5 minutos. Só fica bacana com a entrada das mulheres, Natalie e Rene Russo (ressuscitada no cinema). A chegada delas reduz o ritmo, dá vazão a uma história a ser contada. Mas o que salva mesmo este Thor, acima de tudo, é o fato de ser um filme que tem humor. É um humor que serve para tirar a sobrecarga de assassinatos e explosões, os vilões autistas, a histeria dos efeitos de CG que nunca cessam. Um humor jocoso, deliciosamente pipocando aqui e ali, em pitadas certezas que derrubam, justamente, a seriedade dos dilemas morais, discursos grandiloquentes de honra e glória.

Principalmente, traz um ótimo final feliz e ambíguo. 

Se me perguntarem, digo que vale. 

Nenhum comentário: