segunda-feira, novembro 18, 2013

Simone de Beauvoir genial.


“A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.”(Simone de Beauvoir)

Um comentário:

Anônimo disse...

No ano passado, li os volumes de "A velhice" de Beauvoir. Descartando algumas cositas aqui e ali, ninguém, penso eu, sob a capa de minha ignorância, conseguiu falar de forma tão abrangente sobre esta condição humana.

Madame Beauvoir é arguta. Ninguém soube ver os asilos como ela.

Bom vê-la por aqui, Eduardo.
TH. Mendonça