segunda-feira, novembro 11, 2013

Proibiu a cabidela e chupou o sangue de SP

Fosse este anêmico cronista editor do velho e sanguinolento NP, “Notícias Populares” -o jornal do trabalhador-, daria a manchete ai de cima nesta segunda-feira. Como fui apenas colunista de futebol do finado diário, me limito a outra viagem no texto.

Todo grande moralista nos costumes, seja governante ou não, está apenas desviando o olhar da ralé, da rafameia e da classe média para os seus crimes mais graves. Isso vale tanto para um vizinho como para uma equipe de um político, uma papa, um bispo evangélico etc etc.

Como este blog sempre esteve de olho nas proibições, normalmente morais, da gestão Kassab, volto agora ao assunto. No que emendo as ridículas proibições listadas em uma crônica de 2012 com o “liberou geral” da máfia da ostentação descoberta agora na prefeitura de SP:

Enquanto proibia violentamente as carrocinhas de comida de rua, como as de cachorro quente, por exemplo, a equipe de Kassab torrava o nosso couvert tributário com raparigas em flor à sombra d´ A Figueira Rubaiyat, um dos mais caros restaurantes de São Paulo.

Enquanto proibia folcloricamente até a galinha à cabidela (molho pardo) nos botecos, a equipe de Kassab chupava o sangue do contribuinte que honrava seus alaranjados carnês. “Sangue, sangue, sangue”, como no samba clássico de Roberto Silva.

Enquanto proibia a bebedeira da garotada na calçada e fechava humildes e franciscanos puteiros da cidade, a equipe VIP de Kassab esticava a noite na luxúria do Bamboa, boate de lindas profissas ali na Capote Valente. Nada contra a festa com as dignas moças. Também sou chegado, meu chapa. O problema é que a conta era paga por todos nós. Aí não é amor, SP, aí é sacanagem.

Enquanto proibia até feirante gritar em feira livre (vetou o clássico“moça bonita não paga, mas também não leva”), a equipe cara-de-pau do Kassab alardeava em alto e bom som as extravagâncias babilônicas do “sarado do Porsche” , como era conhecido um dos reis de tal máfia.
Enquanto vetava até o rabo-de-galo e a jurupinga nas festas públicas como a Virada Cultural, a equipe dos reis dos camarotes de Kassab enchia a cara com o vinho magnum Vega Sicilia Único, a quase R$ 5 mil a garrafa, como revelam as investigações.

Enquanto proibia artistas de rua, inclusive os comedores de fogo, a tentarem um troco, a equipe inclassificável de Kassab acumulava patrimônios individuais de até R$ 18 milhões.
Enquanto proibia que os feios, sujos e malvados dormissem em bancos de praças –em colaboração com o design patenteado pelo tucanato-, a equipe vida-ganha de Kassab deitava e rolava no luxo.

Enquanto proibia que os mesmos sujos e malvados se banhassem em chafarizes públicos, a equipe limpinha de Kassab molhava as mãos na torneira de ouro dos inimputáveis corruptores.

Até existe um naco, um taco, um teco de amor em SP, caríssimo e digníssimo Criolo, mas a sacanagem dos mandatários, bora nessa Grajauex, bora nessa Parque São Rafael -berço ZL dos Sás e dos quizas, quizas, quizas -é o que tá lascando.
Ponto, parágrafo, agora é com vocês.

Folha 11.11.13

Xico Sá

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