segunda-feira, outubro 28, 2013

Prisioneiros


Drama/Suspense sobre sequestro. O ponto de partida é a fraternal reunião de duas famílias (uma negra/outra branca), num típico bairro americano com seu gramado verdinho, suas casas brancas, suas cercas, tudo muito belo e conservador naquele ideal velho modelo burguês/patrilinear. Então advém a tragédia, o sequestro das duas filhas caçulas de ambos os casais, fator que desencadeará o pior, principalmente no branco wasp.

Filme Pesado. Denso. No tom do Seven. Arregimentando tensões. Limites éticos. Ferocidade protestante. Angustiante frame a frame. As competentes interpretações de Hugh Jackman (adulto branco macho-alfa predador capaz de tudo para proteger os seus) e Jake Gyllenhall (investigador focado, sagaz e absolutamente competitivo).  Abre lindamente com uma oração numa caçada e um tiro, depois o carro, o bairro, a casa, a família, os vizinhos negros integrados, o trailer, o rigor protestante, a presença pesada da lei gerindo a imperfeita justiça, que deveria ser a do cão, do olho por olho dente por dente. E é.

Toca inteligentemente a questão da tortura, mas não vai fundo, preferindo o maniqueísmo. O eixo: qual o limite para chegar a verdade? Tensiona ambiguamente a questão da tortura até pouco antes do desfecho, alterando o foco para o sequestro. E de volta ao enredo, encontra uma solução/cacoete para demonizar sem nuances/justificativas uma só figura. Mas até aí, já construiu a figura do americano traumatizado, ciente de que o predador feroz está a ponto de atacar. O filme encerra com uma revelação de estarrecer, um ato heroico envolvendo carros, mas - muito americano - não mostra o efeito da tortura sobre o garoto, eleva mãe e policial, mas não põe na fogueira o pai de família, não chega no seu caso, às últimas consequências já que encerra o filme com aquele apito denunciador, numa abertura que não se desenvolve.

Bom sem ser memorável.

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