domingo, setembro 08, 2013

O casal hétero e sua capacidade sem fim de seduzir

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo

Há um momento de Antes da Meia-Noite em que Ethan Hawke e Julie Delpy participam de uma refeição na casa do editor que os hospeda, na Grécia. À mesa estão casais de diferentes gerações, e a conversa, muito naturalmente, cai nas diferenças de gênero. Como se comportam homem e mulher? Alguém conta uma história exemplar - a mulher, de volta do coma, quer saber da família, dos filhos; o homem, a primeira coisa que faz é levantar as cobertas para ver se está tudo em ordem com sua genitália.

Antes do Amanhecer, do Entardecer e, agora, da Meia-Noite. Ao longo de 18 anos, nós, o público, temos acompanhado o casal Hawke/Julie, como eles se conheceram num trem e passearam por Viena, durante aquela madrugada, como se reencontraram quando ela foi à noite de autógrafos dele e, desta vez, casados. A abertura já define o tom - Hawke, no aeroporto, numa conversa quase impossível com o filho.

A beleza da série é este mistério que faz com que o espectador se interesse sempre pelo que está ocorrendo com Hawke e Julie. Um cinema da palavra - a câmera no começo está colada ao para-brisa do carro, enquanto eles falam sem parar; depois os acompanha num travelling, enquanto caminham, e falam sem parar; e mais tarde, ainda, em outro travelling, na casa. Como se filma uma conversa? Como se faz para que seja interessante? Existe esta coisa misteriosa e imponderável que se chama "química". A química entre os atores, entre eles e o diretor Richard Linklater. O roteiro é creditado ao trio, todas aquelas dúvidas sobre a vida, o amor, a literatura, a morte - e o sexo. Na era do GLBT, o casal tradicional não perdeu a capacidade de fascinar. O filme é emocionan

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