segunda-feira, setembro 30, 2013

Mutações, de Liv Ullman


Cenas de um casamento foi uma oportunidade que eu tive de alcançar os outros, porque tantas pessoas se reconheceram no filme - ainda que de maneira rápida.

O assunto é comunicação, é viver com o outro ser humano, ver os outros como eles são, não como uma máscara que passa pela pessoa verdadeira. 

Nenhum relacionamento entre pessoas é perfeito.

Não há violinos tocando, quando alguém que eu amo me beija. O happy end de Hollywood é um produto fabricado, que jamais encontra equivalente na vida real. Um mundo de sonho que é perigoso, porque incita as pessoas a procurarem sempre novidades. Acreditando que, daquela vez, encontraram "a pessoa certa".

(p. 181)

[Há anos esbarro com esse livro e nunca tive coragem nem mesmo de folheá-lo. Me passava a impressão de livro de autoajuda, sentimentaloide, feminista no pior dos sentidos. Mas depois, conhecendo o trabalho incrível dessa atriz, comecei a cogitar que não poderia ser algo banal. Sábado esbarrei com ele, em frente ao Henfil Liberdade, num sebo bem precário, livros a um real. E eis que me pego lendo, hoje, caminho de Mauá, essas mutações. E descubro estarrecido, o modo brilhante que Liv Ullmann escreve, reflexões pessoais misturadas com autobiografia, muito sobre amar, sobre arte, sobre representar, ser mulher,  mãe, construir-se, muito feminina e por isso também muito humana. Tudo muito direto, em fragmentos cheios de lacunas, mais vãos do que respostas precisas.]

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