sexta-feira, setembro 06, 2013

Flores raras


Assisti no antigo cinema do Unibanco (não sei mais se o nome é esse), na Augusta. Baseado naquela biografia ótima, Flores raras e banalíssima (um título tão bonito!), sobre o amor da arquiteta brazuca Lota pela poeta estadunidense Elisabeth Bishop. Miranda Otto linda, mas Glória está magnifica, e a gente sempre se pergunta, como ela consegue! Já o filme, extremamente narrativo, com belas cenas, mas muito acadêmico, cansa ao longo da exibição. Na verdade, o que me entedia um pouco é a tendência "narrativa", muito ilustrativa, e pouco metonímica (ou épica). Assistimos passivamente, não tentamos antecipar acontecimentos, nunca sabemos mais do que os personagens em cena. Sem construir expectativa ou suspense, o diretor faz ficar tudo um tanto monótono e arrastado, sem ênfase, nem para os pontos que necessitava um salto. Não cai no fácil do cartão postal carioca, mas falta tesão, e erra feio na temporalidade: uma relação longuíssima parece ter durado poucos anos. Confesso que não me emocionei. Mas é de fato um filme, e não um novelão, e a relação de amor é esmiuçada sem pudor, com graciosidade. Falta encantamento, paixão, que é a matéria dos sonhos e dos grandes filmes. Este consegue ser meramente correto.

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