domingo, setembro 08, 2013

A sorte de um amor tranquilo; ou quase

"Antes da Meia-Noite" traz Jesse e Celine finalmente juntos, mas em crise
14 de junho de 2013


"Esperava ouvir algo romântico, mas não vai acontecer", diz Celine (Julie Delpy) a Jesse (Ethan Hawke) em uma cena de Antes da Meia-Noite, que chega hoje aos cinemas. "Sabe aquele cara bacana e romântico que você conheceu no trem? Sou eu", rebate Jesse em outro momento do filme, que fecha uma das trilogias mais bem-sucedidas da história das comédias (ou seriam tragicomédias?) românticas.

E assim a ação se desenvolve como em uma típica discussão de relação, a famigerada DR, que dura o filme todo e revela que, após 18 anos (desde que se conheceram em um trem, aos 20 anos, em Antes do Amanhecer, de 1995), estão finalmente casados e lidam com temas muito mais mundanos, como contas a pagar, carreiras, crise da meia-idade, criação dos filhos. Mas não seriam os outros dois filmes (Antes do Amanhecer e Antes do Anoitecer, de 2004, quando Celine e Jesse, já na casa dos 30, voltam a se encontrar) também DRs intermináveis? "Sim. Talvez por isso eles sejam tão próximos das pessoas. Porque, apesar do romantismo, são um casal tentando aprender a viver", disse Hawke ao Estado no Festival de Berlim, em fevereiro, onde o filme competiu.

Neste terceiro capítulo, descobrimos que eles estão finalmente casados e tiveram duas meninas, gêmeas, com as quais passam as férias na Grécia. Jesse, escritor de sucesso, está em um período sabático. Celine vive às voltas com mudanças na carreira de ambientalista e em dúvida sobre um novo emprego. Ele sugere se mudar para os EUA, onde estará mais perto do filho do primeiro casamento. Ela, que não quer viver na América, entra em crise e profere: "É o começo do fim".

Do fim desta história, não se sabe. Mas do fim de uma espera de anos para se saber o que aconteceu com o casal nos últimos oito anos. "Com todos os prós e contras. Pode-se dizer que este é o menos romântico dos filmes. Acho que seja talvez o mais", disse Hawke. "Eles amadureceram, envelheceram. São um casal que, além do romantismo de outrora, convive com a rotina, crises, dúvidas", completou Julie. "Aliás, ainda que ela, como diz Jesse, ‘seja a prefeita da cidade dos loucos’, e reclame sem parar, este não é um filme que implica com as mulheres. Pelo contrário. Ele tem muito de nossas vidas, ainda que seja ficção", acrescentou o diretor Richard Linklater que, ao lado de Hawke e Julie, assina a confecção deste roteiro tão realista e, muito por isso, belo.

Flavia Guerra - O Estado de S. Paulo

2 comentários:

Anônimo disse...

Me veio a mente "Um Homem, Uma Mulher Vinte Anos Depois". Lelouch não devia ter feito. Ficou ruim, pois inevitavelmente pensamos por comparação e, ... Vou ver e quem sabe, se não me ceifarem o ar que respiro, verei as complicações da velhice do casal.
Abraços, Eduardo. Há tempos que não visito o teu sítio que continua muito proveitoso.
TH. M.

Eduardo Araújo disse...

Assisti ambos do lelouch. Mas essa trilogia, não sei, é histórica. bjs.