sexta-feira, janeiro 04, 2013

Trabalhar cansa


Acho o título um erro, não diz nada, menos ainda com o que está no filme. Todo feito de climas de um terror que nunca de fato (alô Lucrécia Martel!!!!) se realiza, mas sem aquilo que a diretora argentina conseguiu em O pântano. Trabalhar segue em vãos e silêncios que se perdem no esvaziamento de cenas que costuram rotina sem nunca avançar muito além da superfície, e assim o filme termina no vazio que principia. Ou melhor (ou pior!) não se cumpre, algo que já estava lá no curta (seu símile) "O ramo". Os excelente atores, esse olhar numa periferia que é outro, a ausência de trilha, a questão do trabalho e da dependência que amalgama as histórias são o que o filme tem de melhor. O resto é ausência, e cansa. 

Um comentário:

Bruno Oliveira disse...

acho que foi duro com o filme. esperava de fato outra coisa( em função de titulo tão lindo roubado do Cesare Pavese. não sei se deveríamos esperar algo semelhante à Lucrécia( ainda que ela seja a medida de qualidade do cinema latinoamericano, e não o tal "cinema argentino" que já tá enchendo o saco!) acho que o diretor deveria assistir Claire Denis- mestra nos sutis jogos de poder que sustentam ou desestabilizam a sociedade, e apichatpong- mestre no mistério, e no inexplicável. de todo modo gostei do filme. acho que o diretor pode ter uma carreira longa!