sábado, janeiro 05, 2013

Curvas da vida


Esquemático e com pouco brilho, ainda mais pensando nos filmes que tem o Clint Eastwood como diretor.

Amy Adams cada dia mais linda, mais carismática e dando aquele charme. Justin inócuo e simpático. Clint, classudo.

A trama chega a vexar de tão óbvia: advogada bem sucedida (prestes a se tornar sócia da firma, claro) com relacionamento difícil com o pai caladão que a meteu sem razão em colégio interno na infância, precisa ajudá-lo a escolher um jogador para um grande time de beisebol (ele é olheiro), quando este apresenta problemas irreversíveis de visão. Chegando para dar uma pitada de envolvimento amoroso (e jovem), entra Justin, ex-jogador lesionado que estreia como olheiro. Amigo do pai, se interessa pela advogada que também é expert em beisebol, bilhar e travada emocionalmente, cujo dom é afastar todos homens que dela se aproximam. 

Vão se apaixonar, vai haver discussões, vão se revelar segredos de infância, vão se aproximar, superar, escolher o melhor jogador (mais humilde e merecedor), ela vai desistir da firma (que lhe passou a perna) e desistir de agradar ao pai para fazer o que ama: virar olheira. 

De novo o tema de envelhecer e de se tornar obsoleto segundo os novos tempos, tema caro para Clint e provável motivo para estar no filme. Claro que em Curvas da vida ele é um avatar turrão, incômodo, mas que verte sabedoria.

Como não poderia deixar de ser, no fim vence a experiência - que segundo sua tese - foge à frieza estatística dos novos tempos, dos olheiros eletrônicos jovens e arrogantes. A filha vem como continuidade, encarna a inteligência, a perspicácia, o trabalho árduo, o senso ético, e a continuidade do amor pelo beisebol que está no seu DNA. 

Não parece um filme em colisão imediata com aquele filme do Brad Pitt, O homem que mudou o jogo?

Sem o agridoce de Menina de ouro e Gran Torino, tudo termina redondinho, sem problemas na curva, na verdade sem curva, linear, previsível, mas charmoso, graças claro à eficiência narrativa que deixa atores-estrelas, simplesmente, brilharem; o suficiente para ficarmos ofuscados com seu talento e não ver o raso de tudo.

Um comentário:

Bruno Oliveira disse...

Eastwood já faleceu a um bom tempo!