domingo, dezembro 30, 2012

Elefante Blanco, de Pablo Trapero


Derrocada das utopias e o Pablo Trapero reinventa a seu modo um cinema político, sagaz, complexo. Assistir a um filme para pessoas adultas - depois da pausterização mental que o cinema hollywoodiano nos provoca - e tantos ísmos de filmes modernismo faz a gente sair meio torto de Elefante Blanco. 

Filme-favela argentino, com padres em torno de projetos sociais numa "vila" dominada por narcotraficantes, em que tentativas de resgatar pequenos delinquentes do vício e do trabalho do tráfico estão sempre frustradas, e o compromisso social, a vocação, o engajamento e a interferência são conflitos diários a serem superados. Conduzido ao modo clássico, numa dinâmica impressionante e com centenas de atores. Uma super produção. Filme político, mas a religião e o drama político amalgama-se. Sem ênfase (e/ou conflito maior) para questão do celibato e o transcurso entre o catolicismo tradicional anedótico (a verificação de um milagres) e a intervenção política-social de enfrentametno de problemas muito humanos. 

Conflitos éticos, resignação atávica, abnegação/entrega quase sobre humana vão encaminhar tudo a uma tragédia que o desfecho tentar salvar, escamotear. 

Um grande, grande, grande filme. A atuação iluminada de Ricardo Darin (ele existe?), a surpresa do francês Jeremie Renier atuando muito bem em espanhol e a potência de Martina Gusman, botando o poder da mulher (ela é uma assistente social no filme) de integrar, dialogar, empreender ações humanas; além de botar carne/tensão no espírito humanitário de Elefante Blanco.

Indubitavelmente o melhor filme de Pablo Trapero. 

sábado, dezembro 29, 2012

Filmes


A estranha vida de Timothy Green. Realismo maravilhoso. Meiguinho, levinho, bonitinho. Chatinho e banal. Palmas ao carisma do menino-protagonista. E só.


Holy motors. Depois de assistir a este filme que foi hiper elogiado, a minha pergunta é só uma: Que merda de filme é esse?


O corvo. Como um filme pode ser tão decepcionante?! Como uma trama sem humor, sem suspense de fato, roteiro manjado e atuações histéricas podem ter se baseado na vida e obra de um gênio como Edgar Allan Poe? Dedinho podre esse de quem dirigiu.

Detonando Ralph

Hoje assisti com o Gabriel a esse desenho da Pixar. Não tem aquele roteiro genial dos antigos filmes da empresa, mas é cheio de lances maravilhosos, além de milhões de citações de videogames clássicos.

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Gil 70 No Itaú Cultural


As palavras.

Ontem no CCBB




Leandro

No CCBB-SP.

Replicações e simulações de espelho. Uma exposição surpreendente.

Homem sem chifre é um animal indefeso


Homem sem chifre é um animal indefeso. (Clarissa Lispector)

Ouvi isso na estação de trem, não é ótimo?

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Falando pelos cotovelos com Maristela


Ontem no Skype, eu conversando com Maristela (em Nova Iorque) sobre planos futuros. 

Convite para umbanda.


- Edu, vqmos num terreiro?

01:27
- Quando?
- Sexta.
- Só se for para fazer um trabalho (de filmagem).

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Corte de gastos no cinema/video



[Absolutamente genial, roubei da postagem do Artur no facebook].

terça-feira, dezembro 25, 2012

segunda-feira, dezembro 24, 2012

Torrents perfeitos


Torrent perfeitos de filmes incríveis, mandado pelo Artur através do Guilherme, mas que eu já conhecia e já me esquecera da existência.

http://laranjapsicodelicafilmes.blogspot.com.br/

Reassisti a dois filmes



Hoje Luks veio aqui em casa. Fiz vários dvds com filmes que ele precisa assistir para ter alguma cultura cinematográfica. Aproveitei e revi aqui com ele: Brilho eterno de uma mente sem lembrança e o maravilhoso Vicky Cristina Barcelona. Esses filmes vão ficando melhores a cada ano.

domingo, dezembro 23, 2012

Eu, irmã e Jan.


Foi dia desses, irmã baixou aqui e me levou com Janete e Luks para comer numa tipica padoca paulistana. Foi bom. Registro a bonita ocorrência e posto. Todo presente já é uma saudade. 

E o mundo não acabou.

Adnet e a aula de baiolês

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Diagnóstico











Bastante angustiado neste final de ano,
um tanto perdido,
temeroso pelas perspectivas deste novo ano
que principia. 























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As 199 palavras ou Uma apresentação



Gregos propagavam que aos quarenta trocamos de humores e sombra. Estou prestes a saber. Por enquanto atendo pelo nome de Eduardo Araujo. As palavras são do que vivo: trabalho de ler, escrever, ensinar. Contos, crítica, roteiros, alguma poesia, tudo escasso e ainda ilegítimo. Por isso publico em rede, em nuvens. Ensinar para mim é apresentação e esclarecimento das grandes e intricadas histórias (entrelinhas) dos autores (seus mistérios). Gosto de ordenar palavras num bom texto; e, quando posso, entortar a frase e o pensamento. Doutorado pela USP, professor universitário, de cursinho, realizador esporádico de cinema. Por causa disto, de gostar também de um pouco de tudo, escrevo aqui resenhas; sugestões de filmes, livros, peças, exposições, fotografia, artes de um modo geral. Tudo breve, as sempre 199 palavras e a vantagem de ser coluna curta, para não entediar possíveis leitores. No plano pessoal, pouco a dizer: não tive filhos, perdi amigos, formei pessoas, fotografo demais. De meu: muitos livros, filmes, um cão compartilhado e um blog chamado Revide. Ando gostando de viagens. Plagiário literário, reinvento-me ao escrever. Meio Brás Cubas, sinto-me estagnado, um tanto gordo, camurro. Constante nos atrasos e adiamentos. Assim, fica esse texto de apresentação de As 199 palavras.

quarta-feira, dezembro 19, 2012

O africano, Le Clézio


Todo ser humano é um resultado de pai e mãe. Pode-se não reconhecê-los, não amá-los, pode-se duvidar deles. Mas eles aí estão: seu rosto, suas atitudes, suas maneiras e manias, suas ilusões e esperanças, a forma de suas mãos e de seus dedos do pé, a cor dos olhos e dos cabelos, seu modo de falar, suas idéias, provavelmente a idade de sua morte, tudo isso passou para nós. 

Por muito tempo sonhei que minha mãe era negra. Inventei-me uma história, um passado, para escapar da realidade em meu retorno da África, neste país, nesta cidade onde eu não conhecia ninguém, onde me tornara um estrangeiro. Depois descobri, quando meu pai, na idade da aposentadoria, retornou para viver conosco na França, que o Africano era ele. Foi difícil admitir isso. Tive de voltar atrás, de recomeçar, de tentar compreender. Em memória disso escrevi este pequeno livro. 

O corpo. Tenho coisas a dizer deste rosto que recebi em meu nascimento. Primeiro, foi preciso aceitá-lo. Afirmar que não me agradava seria dar-lhe uma importância que ele não tinha quando eu era criança. Eu não o odiava: ignorava-o, evitava-o. Não o olhava nos espelhos. Durante anos, creio que nunca o vi. Desviava os olhos das fotos, como se alguma outra pessoa tivesse se posto em meu lugar.



[Um dos melhores inícios de livros de todos os tempos, e o choque da beleza do casal Clézio].