quinta-feira, dezembro 13, 2012

A bossa nova é foda


O bruxo de Juazeiro numa caverna do louro francês
(quem terá tido essa fazenda de areais?)
fitas-cassete, uma ergométrica, uns restos de rabada.
Lá fora o mundo ainda se torce para encarar a equação
pura-invenção
dança-da-moda.
A bossa nova é foda.

O magno instrumento grego antigo
diz que quando chegares aqui
que é um dom que muito homem não tem
que é influência do jazz
e tanto faz se o bardo judeu
romântico de Minesota,
porqueiro Eumeu
o reconhece de volta a Ítaca:
a nossa vida nunca mais será igual
Samba-de-roda, neo-carnaval, Rio São Francisco,
Rio de Janeiro,
canavial.
A bossa nova é foda.

O tom de tudo
comanda as ondas
do mar,
ondas sonoras
com que colore no espacial.
homem cruel
destruidor, de brilho intenso, monumental,
deu ao poeta, velho profeta,
a chave da casa
de munição.

O velho transformou o mito
das raças tristes
Em Minotauros, Junior Cigano,
em José Aldo, Lyoto Machida,
Vítor Belfort, Anderson Silva
e a coisa toda:
a bossa nova é foda.

Caetano Veloso

5 comentários:

Anônimo disse...

J. Gilberto, B. Dylan, Homero, o povo da antropologia (três raças tristes) para desembocar nos MMAs. Ufa! Menino,isso não é fácil! O cara que é foda! Esse final invocativo, meio melting-pot, salada de nomes (MACHIDA, BELFORT, CIGANO, SILVA)tem uma forte pegada popular. Bem, nem sei se popular seria o termo correto. Parece-me... humm!!!... midiático. Minha cabeça não processou bem a letra, mas o som já bate lá dentro.

Eduardo Araújo disse...

Pois é, um camarada analisou algumas das referencias. eu acrescentei que nos versos finais ele parodia uma quadra de igreja evangélica. Anonimo, preciso que vc bote ai seu nome e contato, pq esse anonimato torna tudo muito unidimensional e chato.

quero de agradecer com nome.

abço

Anônimo disse...

Moço, eu não desgrudo do osso até entender essa letra. Louvação da bossa nova? Sim, sim. Mas essa pegada final faz da bossa um tipo de produto de exportação como os meninos do MMA? Esse diálogo cá e lá, cá e lá, parece querer dar uma paternidade brasilis para a bossa ou não? Mas e o tal louro francês? Não saquei quem é. Mas o ritmo é saboroso e o cara voltou melhor agora, com cara de Caetano.

Ah, como entro aqui de quando em vez para espiar, fiquei atrás da cortina mesmo. A única maneira de postar um comentário é clicando na opção do anonimato, pois os outros itens não fazem parte de minha vida de wwwviajante. Então, sorry Sir, sou T.H Mendonça. Um abraçaço.

Eduardo Araújo disse...

Até as últimas décadas do século XIX, era um território arenoso ocupado por algumas chácaras. O francês conhecido por Carlos Leblon, possuidor de uma empresa de pesca de baleias, tinha ali uma dessas chácaras desde 1845, razão pela qual a região ficou sendo conhecida como Campo do Leblon, denominação informal que acabou fixada ao bairro[7

Anônimo disse...

Legal. Agradeço

TH Mendonça