sábado, julho 07, 2012

O Brasil segundo Cláudio Assis








Em a Febre do rato: a liberdade é o velho discurso marxista de cruzada contra as elites, o sexo com a terceira idade, a suruba do pega geral (mas gay, só vale o estético sexo lésbico), tomar todas e engendrar frases pseudo-poéticas e maconha, fundamentalmente, a maconha é o símbolo máximo de subversão e transcendência no universo de Cláudio Assis. Ainda aquele processo longo de trabalhar com o grotesco à exaustão, buscando nos guetos/marginalizados o Brasil-real. Se houve ganho na sua cinematografia é a curva rumo ao amor e à alegria. O problema é seu naturalismo redutor falsamente revelador das mazelas e da grandeza do país, que o preto e branco do Walter Carvalho vai iluminar. Tudo, desta vez, amparado no POETA, no artista transgressor, ponta de lança da "verdade", em sua cruzada contra hipocrisia, e navegando na contra-mão da cegueira geral. Por que em sua figura cheia de paixão e exaltadamente messiânica (um messias da ralé) e a um passo da inconsequência e histeria vejo a cara/voz/figura de Cláudio Assis? Tanto empenho para chocar, cena a cena, foi me cansando de tal maneira a ponto de me segurar para não dormir nas cenas finais. Pareceu-me que Cláudio Assis quis emular o Glauber Rocha. Mas não deu. Enquanto isso, o cinema brasileiro vai nessas três frentes: a bobagem televisiva, a subversão vulgar e derrotista e a fuga para o fetiche das esferas internacionais. 

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