terça-feira, julho 17, 2012

Na estrada, de Walter Salles





No filme da Walter Salles estamos sempre à beira da estrada, e nos excita menos do que qualquer pornô de camelô. Somos hoje espectadores cínicos vendo este mundo de uma sala confortável de shopping. Essa estrada é uma hipótese apenas contemplável e um tanto aflitiva. Os beatniks e hippies estão mortos, e a viagem agora é virtual, quando não outra, ainda que química, muito mais para dentro do que para fora de si. Não falo do ecstasy, mas daquelas substâncias oficialmente aceitas e que desaceleram hoje até a vitalidade das crianças. É triste que o filme não consiga dizer o quanto é foda ser livre para fazer o uso do corpo também para o gozo não-santo; para se reconhecer a hipocrisia moral e conservadora, para construir outros caminhos. Ainda que no final de tudo, mais velhos, venhamos a desembocar no seguro conforto da família, da crença e da lei. Um filme tão esperado tinha que ao menos acender a centelha de que a vida não tem que ser tão calculada e pré-formatada desde sempre, que podemos – se corajosos – reinventá-la com paixão.

Para ler mais, escrevi aqui:


3 comentários:

Eduardo Machado Santinon disse...

A minha única viagem literária/libertária/cinematográfica digna de anseio/súplica por coragem pra realizá-la é a do Cris, na Natureza Selvagem.

Eduardo Machado Santinon disse...

Sem o trágico desfecho, claro.

Eduardo Araújo disse...

Eu amo este filme triste.