segunda-feira, abril 30, 2012

Chronicle - Poder sem limites



Adoro filme com/de efeitos especiais. Este aqui é todo feito com aquela obsessiva câmera na mão do protagonista (quando não, sistemas de vigilância, webcams, etc a costurar - realisticamente/artificialmente - o filme, aquela chatice que começou com A bruxa de Blair e voltou com toda a força em Atividade Paranormal  e (mais sofisticado) Cloverfield. Pegue essa simulação de filme caseiro, misture com Se beber não case e Akira e é quase Chronicle. Bote no caldeirão bullying (moda suprema), família desfuncional (mãe doente terminal e pai bombeiro violento), menino neurotiquinho mais pitadas de super-poderes de herói e colegiais acéfalos. Tá aí o filme: diverte o seu tanto mas não significa nada.

Livraria Cultura, pausa.



 

Portinari - Guerra e Paz no Memorial da América Latina

Fui no domingo, com Guilherme, Lucas, Artur e Ingrid ver a mostra dos paineis de Portinari. Belos.




domingo, abril 29, 2012

Ayrtão



Meu amigo Ayrtão me apresentando o Lótus, um excelente restaurante vegetariano (oriental/asiático), aqui na esquina de casa.

O surfista nigeriano de Giacometti


Segundo o Ayrton, seria esse o melhor nome para essa escultura. Eu discordei, veja aí o esqueitista nigeriano.

Alberto Giacometti na Pinacoteca de São Paulo


Então, eu e meu amigo Ayrton fomos hoje, 28/04, à Pinacoteca de São Paulo, ver a mega exposição de Alberto Giacometti e suas obsessivas figuras esquálidas e alongadas à maneira de árvores. 









Às vezes fico puto e escrevo no FACEBOOK



Tem certeza? Sou professor há mais de quinze anos, na primeira série mais de 70% das crianças de uma sala eram negras. No terceiro do ensino médio não passavam de 10% Na faculdade em que estudei, não eram 5%. Na pós graduação do curso de Literatura Africana da USP durante 5 anos que estudei só conheci cinco estudantes negros (3 eram africanos e vieram ao Brasil por financiamento). Raça talvez seja um conceito complexo, mas um porteiro do Jardins, seguranças de shoppings e empregadores (fora do setor pião ou telemarketing) sabem muito bem quem discriminam. E aí sim é preto no branco e não discurso sobre Policromia. Quotas portanto são um instrumento necessário e representam uma fração do número total de vagas (aí é preciso urgentemente buscar informar-se, porque o assunto vai além do achismo). Quem levanta bandeirinha contra cotas para minorias étnicas (e estudantes pobres e/ou proveniente de escolas públicas) num país extremamente discriminatório e economicamente desigual como o Brasil se não deve sofrer de Burrice crônica sofre mesmo de Daltonismo, e para ambas, começo a pensar, que não existe cura.

sábado, abril 28, 2012

Os 27 filmes de Greta Garbo




27, tem certeza? Não importa.

Para mim são 24. Lembra-me bem.
Conto um por um, de 1926
a 1941, de vida contínua.
De minha vida. De The Torrent a Two-faced woman.
Entre os dois, um abismo
onde aprisionei, para meu gozo, Greta Garbo.
Ou ela me aprisionou?
Será que não houve nada disso?
Alucinação, apenas?
O tempo é imperscrutável. São tudo visões.
Greta Garbo, somente uma visão, e eu sou outra.
Neste sentido nos confundimos,
realizamos a unidade da miragem.
É assim que ela perdura
no passado irretratável e continua no presente,
esfinge andrógina que ri
e não se deixa decifrar.

Contei-os todos: 24 filmes americanos. Meus.
Não me interessam diretores.
Monta Bell, Fred Niblo, Clarence Brown,
nem penso em Edmund Goulding, para mim não existem
Victor Seastrom, Sidney Franklin, John S. Robertson.
Esqueço Jacques Feyder, esqueço Robert Z. Leonard,
de que me serve George Fitzmaurice, não careço
de Rouben Mamoulian e Richard Boleslawski,
para o inferno com George Cukor,
e com ele Lubitsch!
Dela quiseram fazer uma ninfa obediente,
autômato de impulsos programados.
Foram vencidos.
E que farei de seus galãs? Tenho pena
de meros circunstantes entulhando
a rota de alva solidão.
Não vou sequer nomeá-los. Sombras-sombras
que um dia tremularam... se apagando.

Todo o espaço é ocupado por Greta Garbo
na mínima tela dos olhos, na imensa
perspectiva do jovem de 24 anos, e de 24 filmes
a desfilarem até o espectador beirando 40 anos,
que já tem suas razões de descrer e deslembrar
e não deslembra. Sempre a seu lado Greta Garbo.
Caminhamos juntos. Não nos falamos. Não é importante.
Súbdito da Rainha Cristina, atento à voz de contralto
de Ana Christie, espião da espiã Mata Hari,
disfarço-me de groom no Grande Hotel
para conferi-la na intimidade sem véus de bailarina.


Não julgo seus adultérios burgueses
nem me revolta sua morte espatifada contra a árvore
ou sob as rodas da locomotiva.
Sou seu espelho, seu destino.
Faço-me o que ela deseja. As you desire me.
e aprofundo a lição de Pirandello
na ambigüidade do cinema. Que é um filme?

Que é a realidade do real
ou da ficção?
Que é personagem de uma história
mostrada no escuro, sempre variável,
sempre hipótese,
na caleidoscópica identidade da intérprete?


Como posso acreditar em Greta Garbo
nas peles que elegeu
sem nunca se oferecer de todo para mim,
para ninguém?
Enganou-me todo o tempo. Não era mito
como eu pedia. Escorregando entre os dedos
que tentavam fixá-la,
Marguerite Gauthier, Lillie Sterling
Susan Lenox, Rita Cavallini,
Arden Stuart,
Marie Walewska, água, água, múrmura água
deslizante,
máscaras tapando a grande máscara
para sempre invisível.
A vera Greta Garbo não fez os filmes
que lhe atribui minha saudade.
Tudo se passou em pensamento.
Mentem os livros, mentem os arquivos
da ex-poderosa Metro Goldwin Mayer.



Agora estou sozinho com a memória
de que um dia, não importa em sonho,
imaginei, maquinei, vesti, amei Greta Garbo.
E esse dia durou 15 anos.
E nada se passou além do sonho
diante do qual, em torno ao qual, silencioso,
fatalizado,
fui apenas voyeur.






Carlos Drummond de Andrade,
Farewell, Porto, Campo das Letras, 1997

Pina Bauch - Sonhos em movimento

Tadeusz Kantor



Tadeusz Kantor - apresentado por Cris, para mim.

Ilha Bela, com amigos nos anos 90.


quarta-feira, abril 25, 2012

A volta dos óculos




Família.

Mãe. Elaine. Sérgio. Péricles. Big. Passagem rápida em casa, lá no Zaíra, para matar saudades da família, pois ando com dias bem corridos. 

segunda-feira, abril 23, 2012

Jorge Amado - no Museu da Língua Portuguesa


Eu e meu sobrinho Luks fomos neste domingo ver esta magnífica exposição no Museu da Língua Portuguesa sobre o Jorge Amado. Interativa, toda composta de materiais reciclados, cheiro de cacau que as paredes chias de grãos exalam. Criativa e fiel à grandeza popular e apaixonante de Jorge Amado, vale demais. 











Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios


Sexual. Trágico. Melancólico. Rebuscado. Imperfeito. Tenso. Bruto. Sujo. Obscuro. Angustiante. Belo.



Camila Pitanga reina neste filme que é inteiramente seu. Gustavo e Zecarlos Machado arrasam. Gero Camilo surpreende com seu personagem malígno, duro e poético.

Unibanco. Com Luks. 17h, no Unibanco, na R. Augusta. 


Os encantos do sexto andar


Atrizes encantadoras numa traminha bobinha e ingênua. Sessão da tarde franco-espanhola.

À beira do abismo


A eficiência narrativa em benefício de uma trama inverossímil até nos detalhes mais rudimentares. E um desfecho constrangedor de tão ridículo. 

sexta-feira, abril 20, 2012

Dois queridos amigos que vi no Rio

 Jocelene, radiante.

Bruno, constrangido com a minha mania de fotografar.

PACC-UFRJ - Estudos Culturais


Primeiro encontro do ano no PACC-UFRJ, no Palácio dos Estudantes. Colegas do curso de pós-doutorado em Estudos Culturais/12/04/2012.



Minha supervisora Heloísa Buarque de Holanda


Susana Ventura, minha amiga.

quinta-feira, abril 19, 2012

quarta-feira, abril 18, 2012

Sobre Criolo (para ser propositalmente difícil de ler mesmo.)


Ainda não sabem a dimensão do Criolo. Seu canto mais complexo, canto da periferia, não figurará na novela. Não será o canto/canção mais "astuto" que irão transpor e disseminar nas novelas que querem morder esse público em ascensão. É que o Criolo de Nó na orelha assume uma abordagem nova, tematiza questões mais complexas, busca comunicação sem recusar a significados menos óbvios. Seu cd traz uma visão enaltecedora e afirmativa das classes pobres difundidas dentro de um gênero artístico/musical (rap) que parecia "refém" de uma postura mais panfletária, quando não, demasiadamente agressiva/niilista (sem apontar saídas, brechas, escapes). Denúncia da desigualdade social e descaso do poder público em relação as periferias continuam, contudo, bem presentes em Nó na orelha, que contaminou-se de outros gêneros e ritmos. Tudo por que Criolo brinca com   diversas formas de cantar, variando emissões; canto rearticulado - transitando em sua sonoridade e letras entre tradição e modernidade, - para além das fronteiras do rap e do país. O fato outro que Criolo traz, é esse empenho de abrir perspectivas - com o desafio de não se perder na gratuidade ou, tematizando a violência, justificar ou legitimar a barbárie. Aquele: seja bandido/seja herói que perdeu o sentido pós-abertura, e que soava mais como adesão ao marginal,  flerte implícito com os senhores do poder paralelo, da transgressão, do crime, com os quais um Sabotage e (de certo modo) uns Racionais MCs sempre pareceram demasiadamente rentes, parece abandonado. A levada do rap parece outra, de avanço sem cegueira, um tatear ainda impreciso de quem não enxerga devidamente o caminho embora saiba o rumo que deve tomar. Na música, realiza a contradança do bruto com o belo: o delicado, mas também agridoce da vida, somam-se  (como ouvimos hoje também num Emicida). Tudo feito com inteligência que Globo  não dará conta de embarcar, por estar bem além da domesticação da qual ela faz uso para representações de um mundo-melodrama, conciliador e festivo que inevitavelmente terminarão em charme, funk e kuduro atenuado e num tecnobrega inócuo. 

[E indo além, começo a conjecturar - para além do muro do meu preconceito e de minha permissividade (de que tudo deve existir), - sobre o mal que nos fez/faz/esta fazendo o breganejo mauricinho e o axé-xoxota das cláudias-ivetes do Brasil.

As neves do kilimanjaro, de Robert Guédiguian


Baixei. Agora, na lista, para assistir.