sexta-feira, março 30, 2012

Lamartine Babo: nostalgia e desencanto, meu ensaio crítico




Escrevi um ensaio sobre a peça LAMARTINE, de Antunes Filho dirigida por Emerson Danesi. Foi publicado numa revista que simplesmente adoro, Questão de Crítica - voltada exclusivamente para teatro. É o segundo texto que publico lá, e já penso no terceiro, sobre Os sete gatinhos. Para ler o ensaio é clicar no link. Espero que gostem.

http://www.questaodecritica.com.br/2012/03/lamartine-babo-nostalgia-e-desencanto/

On the road, de Walter Salles.





Querendo muito assistir.

Ironia do Lucas no facebook - ou - A busca espiritual do Windows


Esse garoto chamado Lucas de Sena Lima tem uma verve dos diabos. Facebook é uma merda. Ele postou essa pérola de humor, ironia e, por que não dizer herética, - eu vi, mas passados dias penei para achar. E depois descobri que estava lá na linha do tempo dele. O fundo traz esse filme do mestre Hitchcock, mas o melhor esta mesmo no miolo, nas mensagens do Windows que nosso amigo não teve dúvida em concluir:

MEU WINDOWS É ATEU.

Três vezes teatro e tocando Raul

Sexta passada, sai de casa e fui ver - A ilusão cômica, de Pierre Corneille, encenado no Teatro dos Parlapatões pela Cia das Razões Inversas. Extraordinários, para dizer o mínimo. Fiquei estarrecido mesmo com o trabalho de corpo de Lavinia Pannunzio, uma potência de atriz.



No sábado seguinte, perdi o cinema com Djalma (ia ver o Pina em 3d), e para noite valer, fui assistir a meia-noite, ao lado de Luquinhas e Dom, Anatomia Frozen, da mesma companhia e no mesmo teatro. Peça cabeça, que fez a gente pirar. Voltamos a pé lá pro meu apartamento, e conversamos com colchonete na sacada até as três da manhã, Luks lendo passagens de Apologia de Sócrates, de Platão.


Dia seguinte, feira de domingo. Luquinhas e eu fomos ver no Unibanco, o documentário de Walter Carvalho sobre Raul Seixas - O início, o fim e o meio. Este é para mim o filme brasileiro do ano, uma maratona emocional para revirar a alma da gente e pôr Raul no seu lugar definitivo dentro da música popular brasileira.




Saí de lá e corri para o Teatro Popular do Sesi, para pegar a estreia da comédia circense Mistério Bufo, de Dario Fo, encenado pela companhia La mínima. Traz três histórias, mas é uma peça bela e insuficiente. Me incomodou um pouco certo discurso didático que quebra o onírico, e o descarnado do figurino, brechtiano dentro de um texto que pede a ilusão, o sonho, o fantástico. 




Oásis de Bethania


Então do nada fico sabendo que Bethania está aí com cd novo. E eu já fico antecipadamente feliz, pois ela jamais me decepciona, e ando precisado de beleza nessa vida precária.


Ela briga com a polícia, é xingada até não poder mal na internet, depois vem e lança um hitzinho delicioso e muito juvenil. Não, não é para qualquer um. Love Rita.

sexta-feira, março 23, 2012

abandono

Uma hora eu juro que volto, mas por enquanto nao tem jeito.

sexta-feira, março 09, 2012

O logo da Apple e a medida áurea



Essa velha obsessão pela proporção divina, também nas artes gráficas.


Dia Internacional das Mulheres


HOMENagem ao Laerte: porque tem que ser muito macho para ser mulher.


quinta-feira, março 08, 2012

Da mulheres que morreram em fábricas


Lutando por um emprego mais justo.

Medida áurea ou O número de ouro



Gold ratio
The gold mean
A media áurea
O número de ouro
A divina proporção

O MITO, aplicado a geometria e às artes visuais.

quarta-feira, março 07, 2012

Michelle Williams





O filme Minha semana com Marylin é desimportante. O que o torna mais que interessante é a presença de Michelle Williams que constrói uma Marylin Monroe temperamental, frágil, sedutora, insegura, manipuladora, autodestrutiva, incontrolável e vulnerável (sim, aceitemos as contradições). Michelle faz com que todos acreditemos em sua Marylin, alguém cuja complexidade não alcançamos nem ao final do filme. Marylin permanece, assim, exposta e subjetiva, desejavel e impenetrável. É desse modo que Michelle/Marylin nos deslumbra. Williams, não sendo tão bela quanto Marylin, nos encanta e seduz, pois consegue simplesmente alcançar o brilho de Monroe, a fragilidade feroz que a torna deslumbrante. É uma atuação soberba, e - comparada a várias atrizes jovens - anda competindo consigo mesma, pensemos no que fez naquele filme de amor com Ryan Gosling. 


Situação




Que desesperadora espera é esta e esse laço, que é mais nó, que não desata?





.





segunda-feira, março 05, 2012

Alice desce aos infernos


O coelho guinchou e estendeu as patas traseiras trêmulas até expirar todo ar e se fazer imóvel. Horrível, pensou Alice, as pernas rentes, inclinando-se sobre o ventre e no maior espanto de não crescer ou minguar. Espanto, também, de a toca do coelho não se abrir em múltiplas portas para saída do sonho. Seria este, o cortem-a-cabeça, o primeiro pesadelo de Alice? E Alice teve medo, o maior medo do mundo. 

Calculou, matemática mente, a cabecinha dourada de pepitas de pensamento, que breve acordaria fora do negro-quadro ou quadro-negro, em revés, ante a lousa fria da escola, e não nesta, onde se amparava - menina e mínima - tão terrivelmente só, com formigas invisíveis  formigando ardências no seu corpo peralta. Quizz perguntar: morremos só ou só morremos? Alice carecia tanto de vírgulas, a ponto de perder o A e duas mais vogais ao menos de admiração.

LC teria escolhido a pílula rubra contra a ciano mas agora tudo se embaçava vinha a baixo desabava as abas paus e copas pretos escarlates caindo de cabeça naipes à beça tororoma abrupta em queda cáqui embaralhando coração sem em fim saber sim: como a espada se enfiara nas costas?

Silêncio de ouro.

Apenas o relógio parado, os ponteiros imóveis do coelho, bola branca de pelo inerte, mole, morno macio, com sua pata da sorte intacta. Onde se fora toda a pressa? 

- Se não vamos, e se ficamos, ainda mais perdidos permanecemos?
- Haverá atraso sem data? E prazo, sem valise/validade?

Tombou um pouco mais, sentindo sim, a brutal dor das maravilhas. Disse, os olhos baços: "sim". Caia, pela primeira vez, em si, no fundo escuro que somos, sem encantamento. Sentiu um calafrio de doer. Cresceu, doida e doída em dó o estertor da palavra grito, que lhe saiu da garganta feito agudo miado. 

Numa lufada, fez-se no ar o riso escaninho de um gato, que LC não viu, que LC ignorou, porque partida, LC não estava mais ali.


[Texto nasceu desta fotografia que vi no facebook. Tentei brincar com uns jogos de Lewis Carrol (de iniciais, também LC, e que soam um pouco como ALICE em Inglês). A imagem que ilustra esta postagem foi tirada de uma série sobre a morte das heroínas dos clássicos infantis da Disney - "Do encantamento à queda", do fotógrafo Thomas Czarnecki.]

Pulp fiction sensacional


Malcolm Mcdowell



Angeli, ocupação no Itaú Cultural


Meu herói da adolescência. Já é imperdível para mim.

Caetano, Gal, Gil e Bethania


Eles eram tão jovens. Eles eram tão incríveis. E ainda são. Como é possível?

domingo, março 04, 2012

Por que pseudo-poesia pode ser ridícula



Ri horrores, mas o pior é que tem gente que acha que trocadilhos, repetições e esse tom etéreo fazem realmente de um texto ruim, um poema. Tá aí o Biau que não nos deixa mentir.

Paula Rego, pintora


















ICONOCLASTRA


Iconoclastra (do grego εικών, transl. eikon, "ícone", imagem, e κλαστειν, transl. klastein, "quebrar", portando "quebrador de imagem") foi um movimento político-religioso contra a veneração de ícones e imagens religiosas no Império Bizantino que começou no início século VIII e perdurou até o século IX.[1]

Os iconoclastas acreditavam que as imagens sacras seriam ídolos, e a veneração e o culto de ícones por conseqüência, - idolatria.


sábado, março 03, 2012

A mulher de cada porto


A Mulher de Cada Porto

ELE
Quem me dera ficar meu amor, de uma vez
Mas escuta o que dizem as ondas do mar
Se eu me deixo amarrar por um mês 
Na amada de um porto 
Noutro porto outra amada é capaz 
De outro amor amarrar, ah 
Minha vida, querida, não é nenhum mar de rosas
Chora não, vou voltar

ELA
Quem me dera amarrar meu amor quase um mês
Mas escuta o que dizem as pedras do cais
Se eu deixasse juntar de uma vez meus amores num porto 
Transbordava a baía com todas as forças navais 
Minha vida, querido, não é nenhum mar de rosas
Volta não, segue em paz

OS DOIS
Minha vida querido (querida) não é nenhum mar de rosas

ELE
Chora não

ELA
Segue em paz

Chico Buarque




[Cada dia eu me apaixono mais e mais pelas composições de Chico Buarque, e ouço-o incessantemente. É que resolvi baixar tudo, prestar muita atenção disco a disco. E a voz dessa inesperada - grande - Rita Gullo. Todas as sutilezas possíveis. E grifei esses versos que acho extraordinários que são jogos de ir e vir tais as ondas do mar. Lindos.].

Gaby em dois takes



Se ofereceu pra me fotografar. E ela ainda vai fazer dois anos.

Manhã


Dias desses, de manhã, da janela da cozinha.