quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Cindy Sherman

Cindy Sherman é uma fotógrafa. Cindy Sherman é uma artista. Cindy Serman é um gênio. Preciso tomar fôlego, sentar e escrever longamente sobre suas fotografias.








A máscara



Genesis gt-1220


Querendo muito este xingling Genesis Gt-1220.

OSGEMEOS


Como eles conseguem ser geniais assim?

Rio de Janeiro em miniatura


The City of Samba from Jarbas Agnelli on Vimeo.

Enfim, a emancipação masculina


O que é ser homem hoje? A boa notícia é que ninguém sabe
ELIANE BRUM

Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme 

Lembro de um evento psicanalítico ocorrido em Porto Alegre, anos atrás, sobre “Masculinidade”. De repente, apareceu um engenheiro por lá, adentrando o mundo dos psis. Ele queria entender, como homem, a sua falta de lugar no mundo. Não sei se conseguiu, mas sua presença foi um belo movimento para fora do território conhecido, onde as contas já não fechavam, rumo ao insondável. Ainda tateando sobre esse tema tão fascinante, penso que a melhor notícia para todos nós é a confusão sobre o lugar do homem. Sobre isso, Laerte Coutinho, entrevistado no Roda Viva (TV Cultura) de 20/2, fez uma grande observação: os homens nunca fizeram a revolução masculina.
Para começar, quem é Laerte? Se você não ouviu falar dele, está perdendo uma revolução encarnada numa pessoa. Antes, porém, é importante sublinhar que ele talvez seja o maior cartunista brasileiro. Para mim, é um gênio. E não é uma opinião solitária. Não aquele gênio banalizado dos manuais 171 vendidos nas livrarias, mas gênio mesmo, daqueles que nasce um a cada muitos e muitos e muitos anos. Só para recordar, são dele histórias em quadrinhos como “Piratas do Tietê” e personagens como Overman, Deus e Fagundes, o Puxa-Saco. A minha vida, pelo menos, seria mais pobre se eu não pudesse ler todo dia as tirinhas do Laerte publicadas na Folha de S. Paulo.
Em 2010, Laerte passou a se vestir de mulher – publicamente. Tipo ir à padaria de saia e meia-calça. Laerte se tornou ora ele, ora ela, ele/ela no mesmo corpo e na mesma cabeça. E, desde então, não para de dar entrevistas nas quais parte dos entrevistadores tenta, com certo grau de ansiedade, encaixá-lo/a em alguma definição. A novidade, no sentido libertador do novo, mesmo, é que Laerte se coloca para além das definições. Nem acho que cross-dresser (homem que gosta de se vestir de mulher – ou vice-versa – sem necessariamente ser gay) serve para enquadrá-lo/a. Acho que todos nós ganharíamos – “héteros, gays, bissexuais, transgêneros, travestis, transexuais, assexuais etc etc” – se abolíssemos a necessidade de caber em algum verbete. Seres humanos não são como aqueles jogos de montar para crianças pequenas, em que é preciso encaixar o retângulo no retângulo, o triângulo no triângulo e assim por diante. A única definição que vale a pena é justamente a indefinição. Sou aquele/a que é sem se dizer. Ou sou aquele/a que é sem precisar dizer o que é.
E essa é a novidade de Laerte, que é homem, é mulher, é masculino, é feminino e é também alguma coisa além ou aquém disso. Que se veste de mulher, mas fala e caminha como um homem. Que na infância gostava de costura e de futebol. Que vai jantar de saia e unhas vermelhas com uma namorada, mas pode também ter um namorado. Que enfia um pretinho básico sem se tornar efeminado. Que começa a entrevista de pernas cruzadas e, lá pelas tantas, se empolga e abre as pernas sem se importar que no meio delas more um pinto. Laerte é novo/a porque nos escapa. É um homem novo, mas também pode ser uma mulher nova.
Em janeiro, Laerte foi protagonista de uma polêmica ao ser repelido/a no banheiro feminino de uma pizzaria paulistana por uma cliente que se sentiu incomodada com sua ambígua figura. Surgiram então ideias esdrúxulas, como a de fazer um terceiro banheiro para os que não se enquadrariam nas definições tradicionais. Se o terceiro banheiro vingar, vou começar a frequentar os três, porque começo a achar uma afronta a exigência de que eu tenha de me definir para fazer xixi. Por agora, acho tão ultrapassado haver banheiros separados por qualquer coisa, que nem pretendo me estender nesse assunto. Era apenas para contar um pouco quem é Laerte para aqueles que ainda o/a estão perdendo. E desembarcar no tema que me interessa mais.
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A certa altura da entrevista, ele/ela fez a seguinte observação: “Existiu a tal da revolução feminina, que é um dos marcos da humanidade. O que não aconteceu é a revolução masculina”. Laerte referia-se ao fato de que as mulheres já fizeram mil e uma rebeliões e continuam se batendo por aí. Marlene Dietrich, por exemplo, causou comoção por usar calças, mas isso em 1920! Quase um século depois, Laerte nos empapa de assombro por ir ao supermercado de saia. Isso diz alguma coisa, não?
Eu acho que não é nada fácil ser homem hoje em dia porque não se sabe o que seja isso. Mas, se essa dificuldade fez o engenheiro do primeiro parágrafo ousar se sentar na plateia de um seminário de psicanalistas para se entender, esta é também a melhor notícia possível para um homem. A princípio, os homens nunca precisaram fazer nenhuma revolução para conquistar direitos porque supostamente tinham todos eles garantidos desde sempre. Uma posição cômoda, mas apenas na aparência. Podiam fazer o que bem entendiam. Desde que fossem “homens”. E aí é que morava – e ainda mora, em muitos casos – a prisão. Podiam tudo, desde que fossem uma coisa só.
Ser forte e competitivo; sustentar a casa e a família; ter todas as respostas, muitas certezas e nenhuma dúvida; gostar de futebol e de vale-tudo; dar tapas nas costas do colega; falar bastante de mulher, mas jamais de intimidade; nunca demonstrar sensibilidades; dar mesada para a esposa; fazer o imposto de renda; resolver o problema do encanamento... Que peso incomensurável. Era isso ser homem por muitos séculos, sem falar nas guerras. E era preciso estar satisfeito com isso porque, afinal, você estava no topo da cadeia alimentar da espécie, ia reclamar do quê?
Acontece que, hoje, nenhuma das características citadas define o que é ser um homem. Assim como nenhuma característica – tradicional ou não – define o que é ser uma mulher. Do mesmo modo que a anatomia também não é mais capaz de definir o que é ser um homem e o que é ser uma mulher. E nem a escolha da carreira ou a posição na sociedade. Se há algo que define o que é ser um homem e o que é ser uma mulher, este algo está fora das palavras. E isso é o que torna Laerte fascinante: ele se apropriou da confusão e tornou-se a indefinição.
Graças às mulheres, e também aos homens que ousaram sair do armário (e aqui não me refiro somente à orientação sexual), os homens começam a autorizar-se a vagar sem rumo por aí, cada um do seu modo. Até porque não há caminhos já trilhados para seguir, já que não é mais possível apenas refazer os passos do pai ou do avô – nem é suficiente se contrapor totalmente a eles e segui-los pelo avesso. O que há são vidas a serem inventadas.
É claro que muitos homens se arrastam pelas ruas lamentando a perda de lugar. Sem saber o que fazer da existência nem de si, alguns arrotam alto ou espancam gays na tentativa pífia de mostrar que ainda sabem o que são. Perder o lugar e confundir-se não é fácil, não é mesmo. Mas é um espaço inédito de liberdade. É possível arrancar o terno de chumbo e descobrir que pele existe embaixo dele. E faz parte estar ainda em carne viva.
Acho que os homens alcançaram, finalmente, um começo de emancipação. E espero que as mulheres tenham a grandeza de estar à altura desses novos homens que começam a surgir. E enfiem a saudade do macho provedor na lata de material reciclável. Porque há muitas mulheres que ainda suspiram de nostalgia do macho provedor, mesmo se achando modernas e liberadas. Pode até ser que esse seja um bom arranjo para alguém, mas já não há garantias. Faz parte da jornada amorosa acolher a confusão dos homens que amamos porque tudo deve ser mesmo muito novo e muito assustador para eles.
Uma amiga contava, dias atrás, que seu marido passou uns tempos arrebatado pela agente do FBI da série americana “Fringe” (ótima, aliás!). Ocorre que Olivia Dunham, a dita agente, é uma loira linda, inteligente e destemida. E ocorre que o marido da minha amiga não estava encantado no sentido erótico convencional: ele não queria transar com Olivia Dunham, mas “ser” a agente do FBI.
Os leitores com menos imaginação e ainda presos ao velho mundo pensaram nesse instante: o cara é gay. Não, ele não é. Ele pode preferir transar com mulheres – e, no caso, faz minha amiga muito feliz – e se identificar com a agente Olivia Dunham como outros se identificam com os personagens sempre “muito machos” de Sylvester Stallone ou até com o Neymar. Há espaço para tudo. E para todos. Se podemos ter fantasias infinitas, para que se limitar, seja nós o que formos? Minha amiga, que é sábia, achou muito divertido. E, assim, teve a experiência de namorar Olívia Dunham algumas vezes. Ainda não é para qualquer um/a, mas que pena que não é.
Lembram da frase mítica? “Uma terra onde os homens são homens, e as mulheres são mulheres”. Ufa, o faroeste se foi e ninguém sabe bem o que é ser homem nem o que é ser mulher nos dias de hoje. E não, os homens também não são de Vênus, nem as mulheres de Marte. Ou será que era o contrário?
Se estivermos à altura do nosso tempo, descobriremos que há infinitas possibilidades – e não uma só – de sermos seja lá o que for. Como alguém disse no twitter: “Na vida, não limite-se. Laerte-se!”.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

[Não sei se acompanho bem esse raciocínio, mas o texto é bem interessante e tenta um mergulho.]

Enquanto isso...

Polissonografia no HC. Leitura iluminadora de Ferréz (finalmente), Ninguém é inocente em São Paulo. Texto sobre Terry Richardson repaginado para o Soul Art. Apartamento com máquina de lavar/secar. Panelas incríveis. Bolo homérico. Novo amor novo demais. O assassinato do anão do caralho grande. Oscar 2012: o melhor do cinema norteamericado é todo francês. Leitura compulsiva de jornais. Em busca de um tablet descente de 500 reais. Processo de encaixotamento para mudança definitiva no sábado. Obsessão por academia e músculos de orgulho. Amor por Gabriela que me chama Adu. Anúncio de Elaine que retorna. Revista Galileu, ansiedade. Voltei a pé com Gorumbá. A invenção de Hugo Cabret (cansativa nostalgia). Curti demais o agradecimento de Meryl. Ouvindo Céu, ouvindo tanto Chico até cantar junto. E Roberta Sá. Ah Cida Moreira - você e suas dissonâncias, suas quebras estranhas, eu te amo eu te amo.  Escrevendo ensaios. Orientações. Desorientações nas ruas. Difícil em São Paulo lugar bom e barato para comer. Um trabalho infernal com o texto do Lamartine Babo para revista especializada em teatro. Compromisso com o Rio. Saudades das meninas de lá. Futuro incerto e eu pensando. Que nostalgia é essa que invadiu o mundo? Tudo é retrô. Mais de 200 acessos diários no Revide? Fala sério, Adamastor? Irmã com dedo enfaixado. Mãe com terríveis efeitos colaterais. Saio com o carro amanhã e ponho o carro onde em ÉSSEPÊ. Sem barba e ainda me acham bonitinho. Que que se passa, coração? Aquela saudade diária que não estanca de você. Para onde vai o amor quando o amor acaba?

sábado, fevereiro 25, 2012

Retrovisor

Chico e Criolo


Eu tenho o maior amor por eles.

Medianeras


Baixei. Agora ver pra crer.

Céu, e sua Caravana Sereia Bloom


Cd novo da Céu. Esses dias foi o cd novo da Fabiana Cozza, e da Roberta Sá, e da Mariana Aydar. As musas estão pegando fogo. Siringes serenas, sereias de sirenes. Ouçamos as moçoilas.

AQUI

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Minha lava e seca

Agora voltei a morar sozinho no meu próprio apertamento, a felicidade para mim são eletrodomésticos. Hoje comprei nas Bahias (olha, mais barato que na internet!!!) minha LAVA E SECA, 1.750,00 dinheiros. Sou mais feliz que ontem, quando esteei meu fogão.

A mulher de preto


Sabe um filme fraquinho, sem nenhuma importância. Esse. Ai, esse Harry Potter, sempre entrando em roubadas!!!

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Minha semana com Marilyn



Eu gosto tanto da Williams que só posso querer que o filme seja maravilhoso.

Mirada





olhar-se no espelho,
pode representar, 
muitas vezes,
um ato de coragem






terça-feira, fevereiro 21, 2012

ROMA: a vida e os imperadores





Fui quinta passada ao MASP ver esse exposição. Bela e convencional. Mas Roma vale, sempre vale. 

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Galeria do Rock, com Luks.











 E depois, no metrô Tamanduateí


Teatro nos Parlapatões, calabresa no Estadão, filme da Demie Moore em casa, rodízio de churrasco lá na São João, camisetas, bótons e objetos legais na Galeria do Rock, bugigangas de computador na Santa Efigênia e retorno expresso para ABC pela Linha Amarela. Um dia assim, de quem não tinha nada para fazer.

Pedrerico e Sérgio




Há umas semanas, eu, Pedrerico e Sérgio fomos ao Shopping São Caetano, recém inaugurado. Lá a exposição de dinossauros que o Pedrovski adora. 


Eu, Ana Maria e Rubinho, dia desses em Santo André, saindo para papear e tomar cerveja. 


PPP@WllSkspr.br


Ando com horror a comédias de costume, pronto, falei! Não suporto a obviedade, ainda mais que no país parece um gênero dominado por semi-atores da onipresente Globo. Quero comédia solta, despachada, nada naquele estilão decadente-brega Saí-de-baixo, Trair-e-coçar etc etc.

Assisti neste sábado com e no espaço dos Parlapatões essa comédia rasgada e inteligente que se "propõe" a "apresentar TODAS as peças de Shakespeare em 50 minutos", um mixshakespe. Anárquicos, circenses, irônicos e deliciosamente palhaços, é daqueles espetáculos que são de uma felicidade imensa. O Lucas adorou.

Ética e Moral

sábado, fevereiro 18, 2012

Banksy, Jack and Jill


O carpe diem bíblico


Curta é a nossa vida, e cheia de tristezas, para a morte não há nenhum remédio: não há notícia de ninguém que tenha voltado da região dos mortos. Um belo dia, nascemos, par sermos como se jamis tivéssemos sido! É fumaça a respiração de nossos narizes, e nosso pensamento uma centelha que parte de nosso coração pulsante! Extinta ela, nosso corpo se tornará pó, e o nosso espírito se dissipará como um vapor inconsistente! Com o tempo nosso nome cairá no esquecimento, e ninguém se lembrará de nossas obras. Nossa vida passará como os traços de uma nuvem, desvanecer-se-á como uma névoa que os raios do sol expulsam e que seu calor dissipa. Pois nossa vida é uma sombra que passa, e nenhum reinício é possível uma vez chegado o fim; porque o selo lhe é aposto e ninguém volta. Vinde, portanto! Aproveitemo-nos das boas coisas que existem, vivamente gozemos das criaturas durante nossa juventude! Inebriemo-nos de vinhos preciosos e de perfumes, e não deixemos passar a flor da primavera! Coroemo-nos de botões de rosas antes que eles murchem! Nenhum de nós falte à nossa orgia; em toda parte deixemos sinais de nossa alegria, porque este é o nosso quinhão, esta a nossa sorte!

LIVRO DA SABEDORIA ou LIVRO DE SALOMÃO 2, 1-9

Sobre o Carnaval

do FACEBOOK


Por que todo paulista/paulistano parece odiar o carnaval, mas curtir o feriadinho? E falam depreciativamente dos que vão às festas com boa dose de menosprezo e rancor. E sobretudo, os comentários são muitas vezes moralistas (para não dizer preconceituosos). E pior, entra aí também um discurso religioso - descabido - de oposição e para justificar o não gostar e os excessos de quem QUER os excessos. Eu que não estou nem aí pro carnaval, mas aprecio o direito de cada um buscar a alegria onde acha que ela está, me espanto com o rancor e o moralismo recorrente e vejo, nítidos sinais de rabugentisse, carolismo, inveja e repressão sexual fingindo-se virtude moral e bom-senso

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Amores expressos [12.2.2012]

De repente a maluquice do encontro e perambulando pela cidade de São Paulo à noite, guiando por ruas desconhecidas para o apartamento (onde me diz que coisas incríveis acontecem na escuridão).

- Prefiro no claro. - respondi.
- Então ok, deixa que eu capricho na luz. 


[Gosto disso. Humor, sagacidade e disposição.]

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Camila Pitanga é a bandeira do Brasil

O facebook tá matando o REVIDE. Eu posto lá, recebo resposta quase imediata (ou não) e já não tenho gás para escrever e aprofundar aqui. Assim que nos tempos atuais meios na internet nascem, crescem, logo  murcham e morrem por  obsolescência .


Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, filme de Beto Brant e Renato Ciasca, adaptação do romance de Marçal Aquino. Uma saída da onda de filmes-favela e entrada em outras questões, Amazônia, desmatamento, evangelismo, jogo político, tensão sexual num relacionamento explosivo.

mas nada disso tem a menor importância:


CAMILA PITANGA É A BANDEIRA DO BRASIL



 ·  ·  · há 6 minutos · 




terça-feira, fevereiro 14, 2012

Tiozão pangaré

Fomos ao Centro de Pesquisa Teatral (CPT), lá no SESC Consolação (que fica longe da Consolação) ver o estranho musical do Antunes Filho, dirigido pelo Emerson Danesi. Esse plural é por que fui eu e eles: Lucas, Natasha, Don, Rafaela e Artur-Arkiteto. Depois zanzamos até parar nesse bar-pizzaria-padaria-boteco para comer. E vendo as fotos e pensando no título, acho que "Tiozão pangaré" fica ótimo, pois eles estão entre os 16 e 23 anos - o que é chocante para mim em termos numéricos, essas décadas de distância. [Como digo, já um tanto sem graça pela repetição: quando nasceram eu já tinha perdido a virgindade há milênios]. Estranho é que consigo conversar horas com eles sobre quase tudo, por essa obsessão minha de gostar de séries, filmes, tevê, internet, etc. Acho que deve ser o fato de eu ser um senhor em princípio de carreira, que deveria, mas ainda não alcançou a maturidade.


Sou um pangaré lento nesse negócio de ter percorrido a vida no tempo certo. Acho que resguardo boa parte de sonhos que as desilusões (ainda) não deram conta de fazer ruir. É um processo irreversível, mas vamos levando, ainda que não tão intensamente quanto o meu pai - que foi o adolescente mais velho do mundo. [Uma hora, paro aqui e escrevo os sonhos que tenho tido com ele, que gargalha, mesmo quando lhe digo: "mas pai, o senhor não sabe que já morreu?"]


Acontece, que gosto de arrastar essa trupe para meus programas culturetes, programas de cabeção-velho: teatro, shows de mpb, museus, exposição de literatura, visita a livrarias, caminhadas na Paulista/parques, cantos da cidade. Isso que faço, não tem nada de altruísta, de desinteressado. Descobri que preciso tanto de interlocutores para meu amor às artes, que - não os encontrando - tenho que criá-los. Até o fato de ter me tornado professor está na raiz (até então inconsciente) das minhas escolhas. Preciso dessas recentíssimas pessoas por ter uma dificuldade enorme de encontrar amizades interessantes (e bem dispostas) na minha faixa etária. A maioria que conheço, ou estão numa balada vertiginosa pela noite (por raves, barzinhos, espaços indies, numa vertigem de curtir tudo-o-tempo-todo-agora antes que acabe - coisa que não me interessa; ou ficaram gente sóbria, distinta, religiosa e honesta, com família e contas a pagar, as vezes apenas so boring).


Odeio revivel nostálgico, odeio estar alienado em mil compromissos, sem tempo pra nada, indisponível para vida. Ando aquele disco novo do Caetano, que embora eletrônico, olha muito para trás enquanto segue em passos mais vacilantes, mas ainda para frente. Estou RECANTO. E tudo dói, não fisicamente, mas já dói. O que é bom. Não me interessa o atapetado da vida. 


Daí que eu, meio vampiro que sou, vou grudando nesses moços e moças, para os quais, tudo se inaugura, o futuro ainda é projeto, o passado é berço, e o presente é urgente/emergente/premente descoberta. Gosto de apresentar-lhes coisas que sei que são de permanência. Hitchcock, Kieslowski, Shakespeare, Machado, Cartier-Bresson, Cortazar, Pessoa. Adoro que me apresentem coisas, para entender uma lógica nova. Revejo os velhos gostos, descarto, incorporo os novos, reinvento-me também. 


Eles andam me causando tanto espanto. Têm visão que custei ter, estão chegando lá uns dez anos a frente do que tinha quando eu era eles. Uma honestidade que me horroriza pelo fascínio. Meus traumas são mais arraigados, sou tosco no trato com a vida. Reúno-os e me reconstruo, faço isso a anos, me espanto que muitos acabem indo pelo mesmo caminho dos antigos amigos. Meu medo pessoal é o ridículo, mas acho que não me traio por que não tento entrar no mundo deles, meio que levo-os ao meu que remodelo. E é bom quando estou com eles. E vou estando, gerundianamente.