domingo, outubro 30, 2011

Gilberto Gil ao vivo na Escola Politécnica da USP - 1973


Ouço compulsivamente enquanto malho, enquanto corro, enquanto suo. E medito. E canto. Me encanto como que impregnado deste ano de nascimento. As canções são eternas, mesmo distantes no tempo, e ouvir esse registro é como sentir a pulsação de uma época, de um modo de pensar e ser. Especial, transcendente. Nostalgia sem pesar, pois quando ouço/canto junto, me sinto ali presente na plateia, ante o moço xamã.

Essa eu tinha que mandar pro Cleyton


"Ninguém nunca pergunta: Com está o Wally?"

Tete-a-tete com a tal da Divina Providência

Ontem, doente. Hoje, muito sonolento. Mesmo assim, desci na Paulista para ver a Mostra. Não custa, faz bem. Pra domingo, três exposições, filmes e amigos. Mas então, o encontrão. Peraí! Nunca vou ao centro de São Paulo e você faz uma coisa dessas comigo?! Complô cósmico para me aborrecer, ou só para consolidar o processo? Anota aí que eu estou pedindo que a coincidência seja outra, que esbarre na pessoa certa, desejada, de coração limpo. Fim do lance patético. Quero que o resto cumpra a missão de ir para o esquecimento junto dos traumas infantis, dinheiro perdido, furto de celular, amigos golpistas e amor-pastiche. Ando tendo sonhos intranquilos, pesadelos. Tou desconfiando de que estou começando o processo de troca de sombra. 

Restless, de Gus Van Saint



Dois cartazes lindos, uma atriz tão tão especial, e o filho de um grande ator. Tudo isso nas mãos de um especialista em dar densidade ao universo jovem/adolescente/outsider, Gus Van Saint. Como não desejar. 

sexta-feira, outubro 28, 2011


Tem dias que eu acordo tão mal
que ate meus dedos causam ma impressão.

Aldir Blanc





Nara



As capas mais bonitas da MPB.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Animais sexuais


Bustos, bocas que pouco mostram mas dizem tudo. Ícones sexuais são ícones sexuais.

Dois filmes idiotas

 Eu queria ter a sua vida

Visões de um crime



[Sofro de tédio e para matá-lo assisto a filmes rasos para não pensar. Mas esses dois, nem eu mereço. Fica a dica: fujam.]

quarta-feira, outubro 26, 2011

Encontro na Paulista








Encontro na Paulista dos quatro ex alunos do Roteiro. Ana Buim, Marcelita pan-e-vino, Tiagônico (e yo). Saudades deles, amadas criaturas. 

Um lugar ao sol, documentário



O documentário do diretor pernambucano Gabriel Mascaro percorre Recife, São Paulo e Rio de Janeiro para entrevistar moradores de coberturas de luxo. Rodado em 2009, mostra uma faceta das elites brasileiras, um tanto acima dos mortais e pertinho do céu. 

terça-feira, outubro 25, 2011

Sergei Parajanov

Nunca ouvira falar de Segei Parajanov, cineastra russo e multiartista, até essa publicação da Folha anunciando que seus trabalhos estão no MIS, graças ao Leon Cakoff que trouxe sua exposição para o Brasil. Agora mexo no Google e no Youtube e descubro este universo onírico, insólito, todo feito de um cristianismo ortodoxo, metódico, ritualístico, por isso estarrecedor. Todas imagens parecem ter saído de Tlön, Uqbar, Orbis Tertius, o universo estranho, de lógica e língua distinta, diferente de tudo já visto, mas possível e fantástico. Posto o espanto e quero mais.












Animação com marcas

segunda-feira, outubro 24, 2011

Pão de Açúcar, gigante adormecido



Deitado eternamente em berço explêndido

Sábado, domingo

Pedro no final de semana conosco. Mãe de mudança. Irmã aqui, no auxílio. Visita relâmpago de Elaine, que agora deve já estar em Santana. Aniversário dela, mãe e Lucas. Esse ganhou churrasco, bolo e família em torno, sábado. Doni também aqui; e assistimos a filmes. Márcio não ligou para o tempo da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e a perdi sem pesar. Prova do Enem nesses dois dias: torço, muito sincero, para o bem dos meus alunos. (Eu, ainda à espera de um milagre e milagre não vem, não tem jeito). Enquanto não se passa, revi essa semana amigos os mais queridos para medir o quanto da amizade se perdeu. Terminei aquele livro ótimo do Antônio de Alcântara Machado, Brás, Bexiga e Barra Funda; fora o primeiro, Laranja da China traz aqueles perfis de pessoas (que andei fazendo) e que são realmente sensacionais. Ouço música incessantemente, e malho para construir essa imagem de pessoa que se opõe a este eu interno que é por demais suave. Vou me construindo em forma de paradoxo. Milhões de filmes pendentes, assisti a dois, tolos, americanos, medíocres, podendo, posto aqui como aviso para manterem distância. 

Ontem com Marcela, Tiago e Ana Buim, umas boas horas na Casa das Rosas, o sol bonito das cinco, e algumas fotos com café, uns tantos risos de todos nós. Esses relacionamentos que acabam e nos devastam. Ali ao canto, um sujeito tanto velho bebia champagne (baldinho com gelo, assunte!) com uma moça. E fomos ao café Itaú Cultural comer bolo e sujar sapatos de graxa da exposição - muito interessante e bastante confusa, pois sem coordenadas. Depois na FNAC, e anda que anda mais um tanto na Paulista. Tiago nos levou para Liberdade (onde mora) e paramos num restaurante incrível de comida chinesa onde comemos deliciosamente bem. Esses novos sabores que desejo para vida. E nos vimos. Ainda somos amigos. E isso é raro. Andei contando muitas baixas de amigos pelo caminho. Sobrevivo a mim, por enquanto, sem auto-fuzilamento. Foi bom o dia. É segunda. 



domingo, outubro 23, 2011

sábado, outubro 22, 2011

sexta-feira, outubro 21, 2011

Prenda-me se for capaz, abertura

Algumas aberturas são verdadeiras obras-primas. Este é o caso. a abertura do filme Prenda-me se for capaz, de Spielberg com DiCaprio.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Pina, de Wim Wenders

Eu tenho.

Chavela Vasquez




Djalma me mandou por email o link para Chavela Vasquez cantando "Tu me acostumbraste", eu que já sou louco por essa canção, fiquei ainda mais por essa voz inacreditável. Ah, quem me dera ser cineasta de fato para por linda assim, num filme muito brasileiro, essa mexicana, essa interpretação, essa língua. Obrigado, caríssimo, por esse lindo presente:



Las mujeres con pasado y los hombres con futuro 
son las personas más interessantes.

Chvael Vargas

segunda-feira, outubro 17, 2011

Buñuel: sobre Deus



Alguns sonham com um universo finito, outros o apresentam como finito no espaço e no tempo. Aqui estou eu entre dois mistérios, ambos igualmente impenetráveis. De um lado, a imagem de um universo infinito e inconcebível. De outro, a ideia de um universos finito que um dia não existirá mais volta a mergulhar-me num vazio impensável, que me fascina e horroriza. Vou de uma a outra. Não sei. 

Imaginemos que o acaso não exista e que toda a história do mundo, tornado bruscamente lógica e previsível, possa ser resolvida com algumas equações matemáticas. Nesse caso, seria necessário acreditar em Deus, supor como inevitável a existência atuante de um grande relojoeiro, de um ser supremo organizador.

Mas Deus, que pode tudo, não poderia ter criado, por capricho, um mundo entregue ao acaso? Não, respondem os filósofos. O acaso não pode ser uma criação de Deus, uma vez que é a negação de Deus. Esses dois termos são antinômicos, mutuamente excludentes.

Não tendo fé (e persuadido de que a fé, como todas as coisas, nasce frequentemente do acaso), não vejo como sair desse círculo. Eis por que não entro nele. 



A consequência que deduzo disso, pessoalmente, é muito simples: crer e não crer é a mesma coisa. Se me provassem agora mesmo a luminosa existência de Deus, isso não mudaria rigorosamente nada no meu comportamento. Não posso acreditar que Deus me vigie incessantemente, que se preocupe com minha saúde, meus desejos, meus erros. Não posso acreditar e, de toda forma, não aceito que ele possa me castigar por toda a eternidade. 

Que sou eu para ele? Nada, uma sombra de barro. Minha passagem é tão rápida que não deixa nenhum vestígio. Sou um pobre mortal, não conto nem no espaço nem no tempo. Deus não se ocupa de nós. Se existe, é como se não existisse.

Raciocínio que resumi outrora nessa fórmula: "Sou um ateu graças a Deus". Uma forma contraditória apenas na aparência.



Luís Buñuel. Meu último suspiro. Cosacnaify. São Paulo. 
pp. 245 a 246.


[Não concebo um mundo sem Deus. Para mim, Deus é uma necessidade. Mas tenho admiração absoluta por Buñuel, como tenho admiração por todos aqueles que se questionam, que se indagam. São as melhores pessoas, indiferente da crença ou descrença. Eu penso isso.].

sábado, outubro 15, 2011

Paty Puta



Meu amigo Gilberto Caetano é o diabo. Ele faz cinema, escreve roteiros, mas ele é foda mesmo é em contos pornográficos. Resolvi colar trecho aqui do "Paty Puta", que merece um prêmio já pela deliciosa aliteração do título. É um conto, mas poderia ser um curta, ou o episódio de um filme fragmentado, assim, meio tarantinesco, mas sem compromisso de agradar, subversivo, pornográfico mesmo: Gilberto não se permitiria sutilezas de tanger o erótico. Para ele, escrever sobre sexo não admite pudor: é ferro-na-boneca, suruba, boquetes insanos, sadismo gozoso, jocosas felações e as famosas "duplas penetrações" que estão sempre presentes no que escreve. E como escreve bem! É literato nato, talentosíssimo, até no inacreditável "se foda-se". Em seus escritos, tudo é carnal, prosaico, sujo, sem qualquer transcendência - embora insira aqui e ali uns dados fantásticos - ele parece dizer que a vida é prosaica demais para a gente ficar metendo poesia nas coisas do corpo. E por que ele fala do excesso, do desbunde, em tempos de caretice absoluta, do reinante politicamente correto, a pornografia dele é salutar, libertadora.

Dias desses descobri que sou lido por umas duzentas pessoas diariamente. Umas me disseram que acompanham meu blog para colher dicas de filmes, livros etc, devido ao meu "bom gosto". Por conta disso, faço questão de pôr aqui o conto e link para os textos subversivos do Gilberto. Tentativa minha de minar esse meu lado  professoral, exemplar, esse bom-mocismo que me persegue e fossiliza.

E viva Paty Puta, a heroína que mereceria um filme do Almodóvar:






PATY PUTA




Quinta-feira. O ano não importa. É a tarde. O dia não importa. É em um quarto de apartamento de classe baixa, que quase não possui móveis; entre eles, o mais importante: a cama. Sobre ela, NEGRETE e SÔNIA fodem como em filmes pornô de quinta categoria: sujo, palavrões, suor, enfim, uma trepada muito boa. Ela de quatro sendo enrabada pelo negro de cacete grande. Sônia é uma branca estranha da cor de um leite desnatado. Ela gosta de trepar, claro que ela ensinou todos os macetes de uma foda. Ela ensina para o homem do jeito que quer ser fodida e chupada e ela também fode os homens, acaba com o pinto deles. Adora. Homens são primitivos demais para saberem sozinhos, eles aprendem em algum lugar, ou em filmes pornôs ou com as mulheres espertas. Fodem, fodem, fodem. Ela grita. Que se foda-se os vizinhos. Ele deixa a bunda dela cada vez mais vermelha com os tapas que dá. Mais gritos. Mais tapas. Mais socadas do pau grande na boceta quente. Fodem e fodem até que a campainha toca.





quinta-feira, outubro 13, 2011

Countdown, Beyondé



Adorei o excesso desse vídeo. Grafismo, edição, coreografia com edição acelerada ou invertida. Fora a beleza da moça, sempre um demônio. Bom que foi que o plágio me levou a conhecer

 ROSAS DANST ROSAS

que está prestes a processar moçoila e coreógrafo por plágio.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Rubinho e Força Bruta


Rubinho Jacobina e Força Bruta. Ouvindo demais. Ele estava na Orquestra Imperial, mas ao contrário da excelente Nina Becker (que lançou dois cds insuportavelmente chatos e pretenciosos), o que ele nos dá em parceria com Força Bruta é grande alegria. Apaixonado por esse "Dr. Sabe tudo", "Artista é o caralho!" e outras músicas cheias de ritmo, numa levada que exige de mim um ginga que não possuo. 

terça-feira, outubro 11, 2011

Paulistar ou Anatomia Augusta na manhã de Sampa


Anatomia da Rua Augusta, na consolável manhã de domingo (ou será sábado?). Meio de porrinho, meio sonado, na companhia boa, novos encontros, novas propostas (do triste ao desbunde), a vida em mim é sempre mais. Saquei o celular para a paisagem em ruínas para os excessos que a noite promove. Esses ícones bonitos da cidade suja, lugares, cores, sticker, grafismos, anúncios de venda e lances poéticos, contra as placas que transitam ordem, progresso e lugares-comuns variados. A cidade é seu próprio google, pontuando lugares e deixado nestas horas da manhã o dia menos pardo dos gatos escaldados que a noite pauliStar deslindou.