quinta-feira, setembro 29, 2011

Sexo


Cd novo do Erasmo Carlos. Que capa minimalista é essa? Pura síntese:

Identidade, digital, tato, coração, amor, sexo, vagina, vermelho, fenda, sangue. Sem o perdão da palavra: Essa capa é FODA! - coisa de gênio - agora vamos para o seu conteúdo.

Mariana Aydar, Cavaleiro selvagem aqui te sigo


E se vão anos que eu descobri a beleza da interpretação dessa menina, que escorregou naquele segundo disco com letras longas demais. Kavita para mim é ainda seu melhor. Lembro do show que assisti dela lá no teatro-língua-vermelha do Ibirapuera. Dia da Virada Cultural em 5.5.07. Não fui, me levaram. Bom presente. Bom passado. E sentei, sentamos na frente, com participação da Leci Brandão e da Roberta Sá. 

E fiquemos com este novo cd, sem nostalgia. Cavaleiro selvagem aqui te sigo. Pois vale sempre a pena ouvi-la.





2011 Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo

1. A saga do Cavaleiro (Mariana Aydar)
2. Solitude (Mariana Aydar - Luisa Maita - Jwala)
3. Não foi em vão (Thalma de Freitas)
4. Passionais (Dante Ozzetti - Luiz Tatit)
5. Vai vadiar (Monarco - Ratinho)
6. Nine out of ten (Caetano Veloso)
7. Floresta (Mariana Aydar - Guilherme Held - Tiganá Santana)
8. Galope razante (Zé Ramalho)
9. Porto (Romulo Fróes - Nuno Ramos)
10. Preciso do teu sorriso (João Silva)
11. O homem da perna de pau (Edson Duarte)
12. Cavaleiro selvagem (Mariana Aydar - EMICIDA)
13. Vinheta da alegria (Mariana Aydar)

quarta-feira, setembro 28, 2011

Anderson Silva e Marisa Monte


Por que me parece que no meio de sua trajetória de sucesso Marisa Monte perdeu o compasso e passou a fazer o óbvio? Depois daquele documentário egocêntrico até o título - "Infinito ao meu redor" - em que ela fala de arte como uma grande estratégia de marketing (que é também, mas não só), eu brochei total para MM. E olha que ela sempre foi das minhas cantoras prediletas. Sei lá que se passa. Talvez eu tenha ficado menos ingênuo, um tanto ranzinza ou mais atento às estratégias comerciais, quando embalagem se confunde com conteúdo. Bom que em seus "produtos" sempre se salva uma ou outra "mercadoria". Esta musiquinha de trabalho - "Ainda bem" - não diz nada, é bastante esquecível. Mas o clipe/comercial é esperto. De memorável. a presença de Anderson Silva, não por acaso, lutador de renome super-cotado, atualmente,  no mercado publicitário. Sua presença fará certamente bombar os acessos no Youtube dando mais visibilidade ao "projeto" novo de MM. P&b bonito. Ideia boa da dança. Mais um passo estratégico de MM que anda mais aguda e afinada do que nunca. Nada grave. Mas muito menos, que o "Mais".

Freud e Jung por Cronemberg


Adoro David Cronemberg, e este filme - A dangerous method - já está na lista dos que mais quero assistir. 

Pequena análise sobre David Cronemberg


Brevíssima análise crítica de Cássio Starling Carlos, publicada na Ilustrada em 21-09-2011 sobre o estilo de David Cronemberg. Curta e aguda. 

Livros comprados na Cinelândia

Os contos de Belazarte, de Mário de Andrade (contos)
Cartas portuguesas, de Mariana Alcoforado
Alguien que anda por ahí, de Julio Cortázar (cuentos)
O poder de mau humor, org. de Ruy Castro (aforismos sobre política, dinheiro e sucesso)
Os melhores contos bíblicos, org. de Flávio Moreira da Costa (contos)


Sangue latino, programa da TV Cultura



Adoro este programa que passa na TV Cultura. Sangue latino, entrevistas de Eric Nepomuceno. Episódios com personalidades maiúsculas. Sempre curtos, com uma temporalidade dilatada e bonita trilha. O uso sofisticado do p&b em planos longos, estilizados. Bonito de se ver, mas nem sempre indo ao fundo, talvez por conta da pouca habilidade do entrevistador.

Qualquer gato vira-lata



Qualquer Gato Vira-lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa Comedinha romântica nacional, com bons momentos envolvendo o triângulo. Divertidos em poucos momentos. Mas, sempre aquela coisinha superficial e pronta pra ficar datada da Globo Filmes. O melhor, indubitavelmente é a dancinha de encontro na balada. Bonitas canções do Marcelo Camelo.

Armadilha do destino


Comprei na rua. Mais um filme sobre aprisionamento e imobilidade. De novo, o real misturando-se com alucinações, mundos paralelos. Ambiguidade entre realidade e mundo real. Necessário sentar e pensar bom ensaio crítico sobre essa tendência, e entender o que ela significa.

Justiça, de Maria Augusta Ramos


Em par de "Juízo", mais um documentário para fazer pensar de Maria Augusta Ramos. Brasil em foco, suas contradições, exclusão, violência e - o inviável e crônico das nossas mazelas sociais.

Larry Crowne - o amor está de volta


Comédia romântica com dois astros hollywoodianos. Filme bonitinho e pouco expressivo. Interessante mesmo como rapidamente questões do presente (crise econômica americana/desemprego) viram filmes e são postas em discussão no cinema americado, mesmo numa historinha de baixa densidade.

Bom mesmo ter assistido, assim, sem muito planejar, com menina Janete, lá no Rio.

Dirigindo no escuro, de Woody Allen


Demorei a assistir. Alguém me disse, ou li por aí que era fraco. Mas resultou numa grande e inesperada alegria. 

terça-feira, setembro 27, 2011

Para aqueles que acham que eu não sou sério, um ensaio literário meu: Os indício da perda.



CLIQUE para ler na íntegra

sábado, setembro 24, 2011

Clichê colado, do Força Bruta

Viagem

De repente, a imperativa viagem. Estou aqui resolvendo os urgentes problemas. E a viagem de Sampa pro Rio foi demais, no banco da frente do segundo andar. Aqui corrida, pausa para regime de fome, encontro com muitos amigos.Andanças por lugares que nunca fui. Agora é sentar, esperar enquanto volto.

Ê isso ai, beleza.

quinta-feira, setembro 22, 2011

“Ama et fac quad vis” 

Ou seja 

 Ama e, a partir daí, faça o que quiser. 

terça-feira, setembro 20, 2011


Depois de dois meses, voltando para academia. Projeto concluído. Correios em greve. Boas aulas sobre poesia e Machado. As coisas voltando ao eixo, mas pendentes. Alguns filmes. Peças de teatro. Brinco com a maquininha e fotografo. Querendo mais de tudo, sem obter. Dois contos novos, enigmáticos. Vida meio sem ênfase. Muita música nova que ouço. Colaboração num blog bonito. E à espera de renovação. 

segunda-feira, setembro 19, 2011

Tutaméia - Terceiras estórias


Sem haver as Segundas estórias, Rosa publicou as Terceiras estórias, que intitulou Tutaméia. Eu tenho amor total por esse livro - o mais enigmático - livro recheado de ciganos, e/gyp/cios, mestres e aprendizes.  Com um humor trágico, tudo gira em torno dos encontros entre um eu e o outro. Koans. Anedotas de abstração. Narrativas hiper-concentradas, como se cada qual - como disse Paulo Rónai - um romance fosse.  Processos alquímicos. Escalas de evolução maçônica. Personagens que transitam de uma a outra estória. Cada um evoluindo em vidinhas prosaicas e iluminações metafísicas. Continua em escala menor a travessia do Sertão. No processo: contos de aprendizagem (por isso o excesso de mestres e discípulos, velhos e moços, orientais e ocidentais). Terminam sempre na contramão da lógica, de modo anticlimático, e por isso, quase sempre frustram o leitor que raramente percebe que um destino se completa entre as estórias. O mundo semovente de Rosa. Os neologismos mais complexos a par das mais radicais quebras do nexo sintático. Isso: léxico e nexo em confronto. Dislexias. Outro bonus são esses quatro (quatro!!!) prefácios, síntese da mito-poética rosiana. Vão do uso do neologismo, passando pela idéia de que tudo deve comportar graça/gracejo; que há magia nas palavras (por conseguinte, na literatura) e que, para o bem e para o mal, tudo ganha vida a ponto de ameaçar/abarcar a realidade. Até para risco do autor. Gosto tanto, que sempre volto a Tutaméia; e costuro nas margens do meu livrinho anotações, achados, estudos, acumulando modos de decifrá-los, para um dia, quem sabe, lançar bonito estudo que ilumine o oculto, ilustre o sentido incerto. 



[Primor mesmo é esse parágrafo que abre o Tutaméia, primeiro prefácio da obra, um exemplo de forma nova, aprimorada e poética de ensaismo filosófico/filológico/literário/poético. Pus na abertura da minha tese, em paralelo com um texto de Mia Couto. Gosto disso. Ambiciono um dia alcançar essa riqueza de originalidade e síntese:]



Aletria e hermenêutica

A estória não quer ser história. A estória, em rigor, dever ser contra a História. A estória, às vezes, quer-se um pouco parecida à anedota."

A anedota, pela etimologia e para a finalidade, requer fechado ineditismo. Uma anedota é como um fósforo: riscado, deflagrada, foi-se a serventia. Mas sirva talvez ainda a outro emprego a já usada, qual mão de indução ou por exemplo instrumento de análise nos tratos da poesia e da transcendência. Nem seja sem razão que a palavra "graça" tuarde os sentidos de gracejo, de dom sobrenatural, e de atrativo. No terreno do humour, imenso em confins vários, pressentem-se mui hábeis pontos e caminhos. E que, na prática de arte, comicidade e humorismo atuem como catalisadores ou sensibilizantes ao alegórico espiritual e ao não-prosáico, é verdade que se confere de modo grande. Risada e meia? Acerte-se nisso em Chaplin e em Cervantes. Nãoé chiste rasa coisa ordinária; tanto seja porque escncha os planos da lógica, propondo-nos realidade superior e dimensões para mágicos novos sistemas de pensamento.

domingo, setembro 18, 2011

A little bit of heaven


Típico filme românico deprê, com mocinha morrendo no fim de câncer. Morte pra mim não combina com filme fantasioso de amor. Quanto ao filme, razões para não assistir: casal sem química e Bernal perdendo-se definitivamente, indo para o esquecimento como ator depois de ter feito ótimos filmes.

Miss Universo - uma angolana



Para erguer o ego de qualquer pais. Uma beleza estarrecedora.

sábado, setembro 17, 2011

Fina estampa


Não tenho problema nenhum em apreciar/assistir a telenovelas. Sou da geração que cresceu em frente à tevê enquanto pais iam trabalhar. Através da televisão, descobri clássicos da literatura, bossa nova, Chico e Caetano, documentários, ótimos filmes, novelas que catapultavam a imaginação para esferas outras, mais amplas  do que o bairro (de periferia) onde sempre vivi. Não me lembro de uma época que não tenha zapeado folhetins, acompanhando tramas - raramente com regularidade, - o que não comprometeu nunca meu entendimento, já que essa dispersão do telespectador já é pensada por quem a produz. Pensemos na infinidade de repetições, chamadas, flashbacks, sempre para reatualizar e capturar o espectador infiel e desatento. Acontece agora de comentar. E agora percebo que é a primeira vez que trato de uma novela aqui no Revide. Preconceito, vergonha, pudor? Uhn, possível. Então cumpro essa lacuna comentando agora Fina estampa. 

Perto da atual novela da Globo, FINA ESTAMPA (de Agnaldo Silva), a anterior, INSENSATO CORAÇÃO (de Gilberto Braga) era texto shakesperiano (apesar do desfecho vergonhoso, exdrúxulo). Fina Estampa é PÉSSIMA. Tem os piores diálogos, o pior texto e os piores personagens (consequentemente, interpretações sofríveis de um a outro canto) dos quais consigo me lembrar. Não há um personagem que não seja um estereótipo até ao nível do caricato e do grotesco. Todos. Do português à maria-machona feito por um atriz excelente que é Lilian Cabral, tudo é ruim. Vilões só faltam retorcer o bigode e amarrar mocinhas em trens. Tematicamente, tudo exala superficialidade e o único valor almejado é prosaico, material, burguesinho: o dinheiro como fator essencial. Ok, que isso é base do melodrama, mas o histrionismo (quase histeria) dos personagens é de estarrecer. Filhos ingratos malvadinhos (sempre a cometer pequenos delitos), bichinhas caricatas cheias de trejeito e subserviente, maridos malvados/espancadores ou emasculados e passivos, filhinhas vulgares/fúteis, ou demasiadamente meiguinhas, maridos passivos, perua/dondoca em constante ataque de nervos, hippies imbecis, marombados vagabundos de praia. Tudo é clichê, nada apresenta nuance ou qualquer tipo de construção psicológica. O império máximo da imbecilização, coisa que antes era bem disfarçada em tramas competentemente urdidas ou por boas interpretações. Ok, percebe-se o tema central do jogo de aparências (todos querendo aparentar o que não são), e imperando em tudo o tema da maternidade (tudo na novela gira em torno do ser mãe, desejar ser mãe, abnegar-se em nome do filhos, sofrer pelos filhos, ou abandoná-los; em pelo menos três caso, pais são figuras ausentes ou degradadas). A questão, entretanto, não é essa, é a tosquidão com a qual tudo é apresentado. Atores experientes parecem terem brochado no processo e "atuam" no piloto automático, enquanto os mais novos, inábeis, são repetidores de texto sem concatenar qualquer emoção ao que dizem. Triste diante das duas telenovelas anteriores, e da novelinha CORDEL ENCANTADO que, no seu caminho não realista, fez tudo maior: belos diálogos, cenas, interpretação, exalando competência em todos os campos e evidenciando sim, o poder de se fazer televisão com boa pegada artística para um grande público.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Moves like Jagger

Por que o pop pode também ser muito interessante.

Ricky, de Fraçois Ozon


Mais interessante do que realmente um bom filme. Final em aberto, insólito, insuficiente. Mas por que os olhos negros de Ricky ficam azuis no cartaz do filme?

quarta-feira, setembro 14, 2011

Não leiam isto como um poema

Tudo o que Beatriz diz
(e mostra)

me
interessa

sem conhecê-la
(presencialmente)

estou a descobri-la
(sempre)
no que posta
onde bem se mostra
a natureza
- mágica -
da pessoa que
ela
é

e digo isso
pois é urgente
compartilhá-la
fazer com com a beleza
do ser que se revela
se propague
em outros
eus

feito um sol

para isso

clique aqui
no

Beatriz diz



Recado para nós





De repente, no meio de tanta correria, 
aulas, pouco sono, projetos urgentes, tudo se nubla. 
E a gente embaixo dessa escuridão toda, maninha. 
Mas a gente é forte, e sempre vem a melhor luz sobre nós, iluminar, e os nossos. Eu acredito. Acreditemos.
























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segunda-feira, setembro 12, 2011

O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto



I. Paisagem do Capibaribe

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão,
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos polvos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Abre-se em flores
pobres e negras
como negros.
Abre-se numa flora
suja e mais mendiga
como são os mendigos negros.
Abre-se em mangues
de folhas duras e crespos
como um negro.

Liso como o ventre
de uma cadela fecunda,
o rio cresce
sem nunca explodir.
Tem, o rio,
um parto fluente e invertebrado
como o de uma cadela.

E jamais o vi ferver
(como ferve
o pão que fermenta).
Em silêncio,
o rio carrega sua fecundidade pobre,
grávido de terra negra.

Em silêncio se dá:
em capas de terra negra,
em botinas ou luvas de terra negra
para o pé ou a mão
que mergulha.

Como às vezes
passa com os cães,
parecia o rio estagnar-se.
Suas águas fluíam então
mais densas e mornas;
fluíam com as ondas
densas e mornas
de uma cobra.

Ele tinha algo, então,
da estagnação de um louco.
Algo da estagnação
do hospital, da penitenciária, dos asilos,
da vida suja e abafada
(de roupa suja e abafada)
por onde se veio arrastando.

Algo da estagnação
dos palácios cariados,
comidos
de mofo e erva-de-passarinho.
Algo da estagnação
das árvores obesas
pingando os mil açúcares
das salas de jantar pernambucanas,
por onde se veio arrastando.

(É nelas,
mas de costas para o rio,
que "as grandes famílias espirituais" da cidade
chocam os ovos gordos
de sua prosa.
Na paz redonda das cozinhas,
ei-las a revolver viciosamente
seus caldeirões
de preguiça viscosa).

Seria a água daquele rio
fruta de alguma árvore?
Por que parecia aquela
uma água madura?
Por que sobre ela, sempre,
como que iam pousar moscas?

Aquele rio
saltou alegre em alguma parte?
Foi canção ou fonte
Em alguma parte?
Por que então seus olhos
vinham pintados de azul
nos mapas?

II. Paisagem do Capibaribe

Entre a paisagem
o rio fluía
como uma espada de líquido espesso.
Como um cão
humilde e espesso.

Entre a paisagem
(fluía)
de homens plantados na lama;
de casas de lama
plantadas em ilhas
coaguladas na lama;
paisagem de anfíbios
de lama e lama.

Como o rio
aqueles homens
são como cães sem plumas
(um cão sem plumas
é mais
que um cão saqueado;
é mais
que um cão assassinado.

Um cão sem plumas
é quando uma árvore sem voz.
É quando de um pássaro
suas raízes no ar.
É quando a alguma coisa
roem tão fundo
até o que não tem).

O rio sabia
daqueles homens sem plumas.
Sabia
de suas barbas expostas,
de seu doloroso cabelo
de camarão e estopa.

Ele sabia também
dos grandes galpões da beira dos cais
(onde tudo
é uma imensa porta
sem portas)
escancarados
aos horizontes que cheiram a gasolina.

E sabia
da magra cidade de rolha,
onde homens ossudos,
onde pontes, sobrados ossudos
(vão todos
vestidos de brim)
secam
até sua mais funda caliça.

Mas ele conhecia melhor
os homens sem pluma.
Estes
secam
ainda mais além
de sua caliça extrema;
ainda mais além
de sua palha;
mais além
da palha de seu chapéu;
mais além
até
da camisa que não têm;
muito mais além do nome
mesmo escrito na folha
do papel mais seco.

Porque é na água do rio
que eles se perdem
(lentamente
e sem dente).
Ali se perdem
(como uma agulha não se perde).
Ali se perdem
(como um relógio não se quebra).

Ali se perdem
como um espelho não se quebra.
Ali se perdem
como se perde a água derramada:
sem o dente seco
com que de repente
num homem se rompe
o fio de homem.

Na água do rio,
lentamente,
se vão perdendo
em lama; numa lama
que pouco a pouco
também não pode falar:
que pouco a pouco
ganha os gestos defuntos
da lama;
o sangue de goma,
o olho paralítico
da lama.

Na paisagem do rio
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.

Difícil é saber
se aquele homem
já não está
mais aquém do homem;
mais aquém do homem
ao menos capaz de roer
os ossos do ofício;
capaz de sangrar
na praça;
capaz de gritar
se a moenda lhe mastiga o braço;
capaz
de ter a vida mastigada
e não apenas
dissolvida
(naquela água macia
que amolece seus ossos
como amoleceu as pedras).

III. Fábula do Capibaribe

A cidade é fecundada
por aquela espada
que se derrama,
por aquela
úmida gengiva de espada.

No extremo do rio
o mar se estendia,
como camisa ou lençol,
sobre seus esqueletos
de areia lavada.

(Como o rio era um cachorro,
o mar podia ser uma bandeira
azul e branca
desdobrada
no extremo do curso
— ou do mastro — do rio.

Uma bandeira
que tivesse dentes:
que o mar está sempre
com seus dentes e seu sabão
roendo suas praias.

Uma bandeira
que tivesse dentes:
como um poeta puro
polindo esqueletos,
como um roedor puro,
um polícia puro
elaborando esqueletos,
o mar,
com afã,
está sempre outra vez lavando
seu puro esqueleto de areia.

O mar e seu incenso,
o mar e seus ácidos,
o mar e a boca de seus ácidos,
o mar e seu estômago
que come e se come,
o mar e sua carne
vidrada, de estátua,
seu silêncio, alcançado

à custa de sempre dizer
a mesma coisa,
o mar e seu tão puro
professor de geometria).

O rio teme aquele mar
como um cachorro
teme uma porta entretanto aberta,
como um mendigo,
a igreja aparentemente aberta.

Primeiro,
o mar devolve o rio.
Fecha o mar ao rio
seus brancos lençóis.
O mar se fecha
a tudo o que no rio
são flores de terra,
imagem de cão ou mendigo.

Depois,
o mar invade o rio.
Quer
o mar
destruir no rio
suas flores de terra inchada,
tudo o que nessa terra
pode crescer e explodir,
como uma ilha,
uma fruta.

Mas antes de ir ao mar
o rio se detém
em mangues de água parada.
Junta-se o rio
a outros rios
numa laguna, em pântanos
onde, fria, a vida ferve.

Junta-se o rio
a outros rios.
Juntos,
todos os rios
preparam sua luta
de água parada,
sua luta
de fruta parada.

(Como o rio era um cachorro,
como o mar era uma bandeira,
aqueles mangues
são uma enorme fruta:

A mesma máquina
paciente e útil
de uma fruta;
a mesma força
invencível e anônima
de uma fruta
— trabalhando ainda seu açúcar
depois de cortada —.

Como gota a gota
até o açúcar,
gota a gota
até as coroas de terra;
como gota a gota
até uma nova planta,
gota a gota
até as ilhas súbitas
aflorando alegres).

IV. Discurso do Capibaribe

Aquele rio
está na memória
como um cão vivo
dentro de uma sala.
Como um cão vivo
dentro de um bolso.
Como um cão vivo
debaixo dos lençóis,
debaixo da camisa,
da pele.

Um cão, porque vive,
é agudo.
O que vive
não entorpece.
O que vive fere.
O homem,
porque vive,
choca com o que vive.
Viver
é ir entre o que vive.

O que vive
incomoda de vida
o silêncio, o sono, o corpo
que sonhou cortar-se
roupas de nuvens.
O que vive choca,
tem dentes, arestas, é espesso.
O que vive é espesso
como um cão, um homem,
como aquele rio.

Como todo o real
é espesso.
Aquele rio
é espesso e real.
Como uma maçã
é espessa.
Como um cachorro
é mais espesso do que uma maçã.
Como é mais espesso
o sangue do cachorro
do que o próprio cachorro.
Como é mais espesso
um homem
do que o sangue de um cachorro.
Como é muito mais espesso
o sangue de um homem
do que o sonho de um homem.

Espesso
como uma maçã é espessa.
Como uma maçã
é muito mais espessa
se um homem a come
do que se um homem a vê.
Como é ainda mais espessa
se a fome a come.
Como é ainda muito mais espessa
se não a pode comer
a fome que a vê.

Aquele rio
é espesso
como o real mais espesso.
Espesso
por sua paisagem espessa,
onde a fome
estende seus batalhões de secretas
e íntimas formigas.

E espesso
por sua fábula espessa;
pelo fluir
de suas geléias de terra;
ao parir
suas ilhas negras de terra.

Porque é muito mais espessa
a vida que se desdobra
em mais vida,
como uma fruta
é mais espessa
que sua flor;
como a árvore
é mais espessa
que sua semente;
como a flor
é mais espessa
que sua árvore,
etc. etc.

Espesso,
porque é mais espessa
a vida que se luta
cada dia,
o dia que se adquire
cada dia
(como uma ave
que vai cada segundo
conquistando seu vôo).

III. Fábula do Capibaribe

A cidade é fecundada
por aquela espada
que se derrama,
por aquela
úmida gengiva de espada.

No extremo do rio
o mar se estendia,
como camisa ou lençol,
sobre seus esqueletos
de areia lavada.

(Como o rio era um cachorro,
o mar podia ser uma bandeira
azul e branca
desdobrada
no extremo do curso
— ou do mastro — do rio.

Uma bandeira
que tivesse dentes:
que o mar está sempre
com seus dentes e seu sabão
roendo suas praias.

Uma bandeira
que tivesse dentes:
como um poeta puro
polindo esqueletos,
como um roedor puro,
um polícia puro
elaborando esqueletos,
o mar,
com afã,
está sempre outra vez lavando
seu puro esqueleto de areia.

O mar e seu incenso,
o mar e seus ácidos,
o mar e a boca de seus ácidos,
o mar e seu estômago
que come e se come,
o mar e sua carne
vidrada, de estátua,
seu silêncio, alcançado
à custa de sempre dizer
a mesma coisa,
o mar e seu tão puro
professor de geometria).

O rio teme aquele mar
como um cachorro
teme uma porta entretanto aberta,
como um mendigo,
a igreja aparentemente aberta.

Primeiro,
o mar devolve o rio.
Fecha o mar ao rio
seus brancos lençóis.
O mar se fecha
a tudo o que no rio
são flores de terra,
imagem de cão ou mendigo.

Depois,
o mar invade o rio.
Quer
o mar
destruir no rio
suas flores de terra inchada,
tudo o que nessa terra
pode crescer e explodir,
como uma ilha,
uma fruta.

Mas antes de ir ao mar
o rio se detém
em mangues de água parada.
Junta-se o rio
a outros rios
numa laguna, em pântanos
onde, fria, a vida ferve.

Junta-se o rio
a outros rios.
Juntos,
todos os rios
preparam sua luta
de água parada,
sua luta
de fruta parada.

(Como o rio era um cachorro,
como o mar era uma bandeira,
aqueles mangues
são uma enorme fruta:

A mesma máquina
paciente e útil
de uma fruta;
a mesma força
invencível e anônima
de uma fruta
— trabalhando ainda seu açúcar
depois de cortada —.

Como gota a gota
até o açúcar,
gota a gota
até as coroas de terra;
como gota a gota
até uma nova planta,
gota a gota
até as ilhas súbitas
aflorando alegres).

IV. Discurso do Capibaribe

Aquele rio
está na memória
como um cão vivo
dentro de uma sala.
Como um cão vivo
dentro de um bolso.
Como um cão vivo
debaixo dos lençóis,
debaixo da camisa,
da pele.

Um cão, porque vive,
é agudo.
O que vive
não entorpece.
O que vive fere.
O homem,
porque vive,
choca com o que vive.
Viver
é ir entre o que vive.

O que vive
incomoda de vida
o silêncio, o sono, o corpo
que sonhou cortar-se
roupas de nuvens.
O que vive choca,
tem dentes, arestas, é espesso.
O que vive é espesso
como um cão, um homem,
como aquele rio.

Como todo o real
é espesso.
Aquele rio
é espesso e real.
Como uma maçã
é espessa.
Como um cachorro
é mais espesso do que uma maçã.
Como é mais espesso
o sangue do cachorro
do que o próprio cachorro.
Como é mais espesso
um homem
do que o sangue de um cachorro.
Como é muito mais espesso
o sangue de um homem
do que o sonho de um homem.

Espesso
como uma maçã é espessa.
Como uma maçã
é muito mais espessa
se um homem a come
do que se um homem a vê.
Como é ainda mais espessa
se a fome a come.
Como é ainda muito mais espessa
se não a pode comer
a fome que a vê.

Aquele rio
é espesso
como o real mais espesso.
Espesso
por sua paisagem espessa,
onde a fome
estende seus batalhões de secretas
e íntimas formigas.

E espesso
por sua fábula espessa;
pelo fluir
de suas geléias de terra;
ao parir
suas ilhas negras de terra.

Porque é muito mais espessa
a vida que se desdobra
em mais vida,
como uma fruta
é mais espessa
que sua flor;
como a árvore
é mais espessa
que sua semente;
como a flor
é mais espessa
que sua árvore,
etc. etc.

Espesso,
porque é mais espessa
a vida que se luta
cada dia,
o dia que se adquire
cada dia
(como uma ave
que vai cada segundo
conquistando seu vôo).

Respeite os lugares especiais ou Ando muito familiar






Da rápida viagem para o Rio, essas belas fotos com mãe e irmã, já totalmente apaixonadas pela cidade. No metrô, na Lapa, no Gabinete Português de Leitura. Faltou dizer que almoçamos num lugar incrivel, e corremos todos demais para chegar à Casa do Estudante Universitário a tempo da minha apresentação. Mas foi lindo, desses momentos guardáveis, irrepetíveis. Ando muito família, será que preciso contar?

domingo, setembro 11, 2011

O cacto


Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:
Laocoonte constrangido pelas serpentes,
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o s
eco nordeste, carnaubais, caatingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais. 

Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bonde, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas
[privou a cidade de iluminação e energia: 

- Era belo, áspero, intratável.


Manuel Bandeira


A morte de Laocoonte e seus dois filhos, 200a.C 

Dos interesses



Interesse renovado em poesia, por isso postei: "A máquina do mundo", de Carlos Drummond de Andrade; por isso postarei hoje "O cacto", de Manuel Bandeira; e futuramente "O cão sem plumas", de João Cabral de Melo Neto. Os três poemas considerados os melhores, dos melhores poetas. 

Achei no youtube finalmente a leitura integral de "Meu tio iauaretê", conto de João Guimarães Rosa. A leitura epifânica é de Lima Duarte, gravado para um programa extinto da Rádio Cultura. 

De Rosa, voltei à reler Tutaméia. Nada de novo, pois é um livro infinito, enigmático. Exige paciência e decifração, me ajuda a voltar a me concentrar, pensar em Deus, me atiça a raciocinar e intuir. 

Leio também Memórias póstumas de Brás Cubas, para apreender (o verbo está correto) a escrita/estilo machadiana.


Sentei e reuni num tubo, todos os documentários nacionais que possuo. Achei um site ótimo, para baixar o que falta.

Do conto "Touro" uma pesquisa longa, execução que ficará para depois, como todo Inferno feliz, pois surgiu algo que não posso deixar para depois, e que é importante para o futuro imediato e o porvir. 

Projetos tenho vários. O que é bom. Os mesmos, velhos. O que os fará deixar de ser meros projetos?

No MASP, há alguns dias deparei com o tríptico que posto abaixo. As figuras dos ladrões me interessam, todos os personagens do quadro, na verdade, que podem ser vistos com uma independência, por que intensos. Vejo-o quase como uma ópera: teatral, tintas vibrantes, dramaticidade em alta voltagem. Penso em pô-los lá, na capa do Inferno feliz.

Tudo segue sendo interessante demais o tempo todo.



sábado, setembro 10, 2011

A máquina do mundo


E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, setembro 09, 2011

Carnage, de Roman Polanski

TWIXT, de Francis Ford Coppola

Faust, Alexander Sokurov

A dangerous method, de David Cronemberg

Mais um (NOVO) Cronemberg, agora com Freud e Jung como personagens! Que está dando nestes grandes/velhos mestres que estão agora experimentando cada vez mais: Woody Allen, Clint Eastwood, Roman Polanski, Pedro Almodóvar, Francis Ford Coppola?

quinta-feira, setembro 08, 2011

Microconto do Cleyton Cabral


maridinho

O marido traiu e ela não deu a mínima.
O marido morreu e ela deu ao máximo.

Cleyton Cabral





A literatura de Cleyton Cabral só pode ser apreciada na Rede, carece de ganhar corpo na página impressa. Mas sua natureza não é de nuvem, é criação palpável, com humor, alguma ironia, certo nonsense e síntese poética. Cleyton escreve instantâneos, polaroides precisas do centro, de quartos fechados, esquinas e interiores. Quase sempre, uma paisagem emocional. Encontros e desencontros. Relacionamentos fadados ao desenlace, mas almejando sempre a um futuro feliz. Ele tem aquele fio que prende a isca. Pesca do banal cotidiano aquele dourado para servir à mesa finos paladares. Cada conto seu um fósforo: ilumina num átimo, fugaz clarão. Ele não busca por incêndios, explosões. Sua escrita não quer fazer a revolução. Ele quer nos acender, clarear também o nosso olhar. Para isso compõe essas narrativas que não são contos, talvez sejam crônicas, prosa poética, fragmentos de romances, impressões gerais de tudo, ponderações cotidianas, ficções de interlúdio, reflexões bastardas de divãs. Pensei em anedotas, no sentido original, naquilo que tem de inéditas e rápido nelas é revelado para um sorriso final. Fábulas representáveis de um teatro mínimo, uma dramaturgia minimalista: o palco e a cena. Não sei onde esse escritor blogueiro quer chegar, mas ando com vontade de encontrá-lo num livro. Desses que a gente leva com a gente para o metrô e que o camarada do lado dá uma esticada para olhar. Livro bonito, moderno, formato inusual, fina estampa. Aquele livro-objeto que por si já é obra de arte. Talento real a ser coroado, ainda mais nesses tempos em que páginas impressas andam por aí tornando concreto muito talento abstrato. E eu quero o senhor Cleyton aqui na estante, a olhos vistos, exposto, com dedicatória na primeira página, letra caprichada, edição de luxo. Que apareça em pocket, para eu recomendar, como recomendo  agora o blog dele, que não por acaso, promete-se inteiro:


http://cleytudo.blogspot.com/





Capa e contracapa desse livro belo demais que eu comprei na feira do vão do MASP de um cara que eu conheci há uns 15 anos, na biblioteca em Mauá.

Meu sete de setembro despatriótico


Hoje, 7 de setembro, reunião do Henfil para tratar do horário. Ganhei cópia do documentário que eu fiz e fui convidado para lançamento. Acreditam? Fui ao Itaú Cultural ver a exposição do Nelson Leirner - ruim demais! Na cafeteria de lá, experimentei o melhor bolo de chocolate e torta (não era torta, mas não sei o nome) do mundo. Passei também na Casa das Rosas. Como fiquei por lá, voltei ao Itaú Cultural para ver Encontros de Interrogações (com escritores contemporâneos). E incrível! Assisti a palestra do Daniel Galera, Marçal Aquino e Carrascoza ao lado do Renato (e namorada Isabela), meu ex-aluno do cursinho que agora cursa Letras em Guarulhos. Encontro fortuito, na fila, há dois passos de mim. Maior orgulho do mundo. Palestra inovidável. Tenho que sentar e escrever aqui aquilo que hoje julgo puro fetiche: ir ouvir escritores intimidados e mal articulados falar obviedades sobre criação em frente a uma plateia inebriada fã de Harry Potter e Crepúsculo. Mas foi bacana, gostei das tiradas um tantinho sarcásticas do Galera sobre o cachê dos escritores. (Para não ser chato, emendo, acho a visibilidade dos encontros, das feiras e seminários seminal para divulgação da literatura). Ah, não serei chato. Gostei. 

Ontem a noite, colhi novos dados para concluir aquele conto espetacular que rascunhei de manhã, TOURO, mas que pode se chamar "A força negra". Comprei também um novo Memórias Póstumas de Brás Cubas, pois estou com necessidade machadiana e não encontrei o meu em canto algum. E terminei naquele circuito chatinho de sempre, Unibanco, sebos, bares, livrarias etc. E no final da noite, sexo com gente errada enquanto não pinta a pessoa certa.


terça-feira, setembro 06, 2011

O Brasil e walter hugo mãe



Belíssimo texto mando Djalma, pelo email, escrito e apresentando pelo escritor português walter hugo mãe.

London River


Bom.

segunda-feira, setembro 05, 2011

Uma mulher vestida de sol, de Ariano Suassuna

Maiakovski ou Aí, Zé, opa!


Voltei a fase da poesia. De ler poesia. De procurar e gostar de poesia. Hoje, lá na feirinha do MASP, comprei um livro de Maiakovski, a capa e a contracapa valendo a obra. Os poemas são sensacionais. Adoro esse camarada maluco, suicida, o cara com mais cara de homem que já vi na vida. 

Neste domingo aproveitei para ver a exposição de grafite no MASP (mediana), a mostra de retratos (sem novidade para quem conhece o acervo do museu) e a peça O casamento suspeitoso (Ariano Suassuna), lá no Teatro Popular do SESI. Achei fraca, fácil, banal. Será a fase da poesia? 

Tudo tem que possuir concentração de significado no menor espaço possível. Tem que transcender

Minha irmã me levou até a porta do museu. Só que não fui sozinho, o meu sobrinho Lucas foi comigo. Caminhamos, fotografamos, conversamos um tanto sobre tudo. Ele é a grande companhia. E zanzamos entre Augusta e Paulista antes de decidir ver a peça. 

Ele pirou com as camisetas com estampas estilosas e cheias de humor da feirinha do shopping. 

Eu comprei Terra em transe (remasterizado) do Glauber Rocha, Santiago do João Salles e Estórias Extraordinárias do Fellini (e outros experts do cinema). Estou atrás de dois documentários que preciso e não acho: Crede-Mi, da Bia Lessa; Justiça, de Maria Augusta Ramos e Santo Forte, do Eduardo Coutinho. 

Voltando a poesia, ou o palíndromo que fez, em um de seus livros, G.Rosa - Ai, zé, opa! > A po, éz, ia< : anda em mim esse desejo de mais. 

MAIS Arte, grana e amor, misturadamente. E o que vier primeiro, bem-vindo; só que não abro mão da combinação dos ingrediente e reverberações várias. Quero ficar siderado, sideral, muito estelar: Brilhar como um farol/brilhar com brilho eterno... etc

Larguei aqueles amores vadios/baldios e me ensimesmei, (mas sem celibado, neste sexo gratuito que não conta). Ando sentindo falta do velho, mas o passado - ainda que recente - tem que ser logo mais que perfeito: passado chumbado e cimentado, com lápide de mármore, inscrição tumular pesada e feia, mas com epitáphio lapidar - epitáphio com PH, - para ficar morto e enterrado, zumbido zumbi no o(U/L)vido.

Aliás, ressuscitando mesmo, só velhos projetos. Toda segunda sentar e escrever ensaio em fluxo contínuo, perspicaz e produtivo como uma aranha.  

E logo terei que ir ao Rio para aquela reunião necessária.

Saudades de fotógrafos. Atores. Cantores. Escriptores. Gente criativa, mas sem desbunde. Quero o irreal. Abstrado. Conversa chata. Filosofias. Desentender de butô. Viajar para a perifa da perifa para falar de Hitchcock, Shakespeare,  Eisenstein. Entende? 

Adolescente não sabe nada, e entui. A gente com o tempo ganha dimensão da nossa pequenez e não mais se agiganta. É que há contas a pagar demais: o mundo adulto a gente acessa é com carnê de banco, água, luz e telefone. A vida é cotidiana, premente, taxável. Estamos sempre sendo espoliados por alguém. O nome desse alguém é legião, e no espelho replica a nossa cara. Por exemplo, digo: pensar o futuro é quase como negar o futuro. E no entanto, tão necessário planejar. E se fosse o contrário, antecipar antes de procrastinar, despensar o reagir? 

Quero fotografar fio em poste. Documentar peripécias de um menino esperto - mas normal - que por acaso é meu herói libertador. Quero bem a todos. Mesmo ao difícil amor filial-maternal incomunicável. É chegado tempo de clarões, epifanias e saltos. Criar, eis o verbo que aspira a carne. Fazer acontecer os próprios milagres. Memórias de bullying soterradas, nunca superadas, vamos adiante, já que aqueles meninos estão mortos para o tempo de menino. Um banho quente, contra a insônia e dentes ruins roendo maçãs do amor.


SOBREQUESTÕES:

Algo de iluminado pode sair de uma boca que não beija? 
Toda traição exige uma boa dose de paixão: tomemos o exemplo de Judas, nosso salvador, pois só o demasiadamente humano pode despertar a divindade. 

Divinemos! 

[Entende que tudo em mim é sagrado? esse termo (creio) sinônimo de poesia?!]






Entrando agora numa fase azul.

domingo, setembro 04, 2011

PACC com final super feliz


Eu entre as (incríveis) e amadas mulheres: 
Heloísa, minha irmã, minha mãe e Rosângela

Eu e mama maravilhosa no final da apresentação


Entre as mulheres com cara de besta


Com turma do PACC e amigos de curso


O mega-orgulho de ter sido supervisionado/orientado por
Heloísa Buarque


Pós-doutor com certificado de garantia

Pós-doutorado, apresentação final (01.09.2011)


Fotos da apresentação do ensaio final - Marginais e marginalizados na literatura de Marcelino Freire - na Casa do Estudante Universitário/RJ, para conclusão do Pós-doutorado no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/UFRJ). Um dia memorável.

Presentes minha irmã, minha mãe, minha orientadora, Rosângela,  equipe do PACC e colegas de curso. 

15h30. 10.09.2011.

Amigos com benefícios (Amizade colorida)


Comédia romântica safacinha e só. Mila Kunis bela e Justin, tirando sarro de sua fase boyband.