terça-feira, agosto 30, 2011

Rio


Rio, seja bonzinho comigo. Estou voltando. Seja ensolarado e me propicie bons encontros, sucesso profissional, encontros insólitos e aquelas alegrias básicas que sempre tenho quando desço no Santos Dummond e pego o taxi para a Taylor. Bom rever Jô e Jan, amores pra toda vida. André. Mariana. Rosângela. Helô. Baixar no aterro. Na beleza que é o PACC. Profusão de gente boa. Os arcos. A areia de Ipanema. Ver filme na Cinelândia. Teatro a valer. Vadear sem saber exatamente onde estou indo. Pois todos lugar tem a paixão do inusitado, pois não me planejo para felicidade. Vou. Voo.

TCC da Simei

Ontem minha orientanda do curso de Pós-graduação em Estudos Linguísticos e Literários apresentou seu trabalho: Os instantâneos de Fernando Bonassi: a cidade aos cacos. Um sucesso! Nota máxima da banca graças ao seu belo texto, e pesquisa séria sobre o autor e a questão da violência urbana (e conexões com o cinema) em sua obra. Um orgulho danado de poder compartilhar ideias com uma pessoa tão dedicada. Fica aqui meus parabéns, como registro. 

segunda-feira, agosto 29, 2011

Pedrerico, estar.

Hoje eu iniciei a gravação de um "pseudo" documentário sobre a filosofia de vida e o modo de ver o mundo do meu sobrinho Pedrerico, no alto de seus sete anos. Começamos pelos assuntos mais espinhos: as dificuldades no Fifa Xbox e do jogo do Ben-10. Vou editar de modo bacanérrimo, logo posto aqui.

Caetano e Maria Gadú - Multishow ao vivo


DVD bacana. A voz linda de Gadú e Caetano, boa seleção de canções (ainda que óbvias e comerciais). Foi quando me liguei que há uma geração toda que nunca ouviu Caetano. Acho que apresença de Gadú motiva a conhecer. Então está valendo.

A minha versão do amor

Sessão da tarde. Singelo-belo.

Cartazes lindos de filmes para assistir



Louco mesmo, para ver Future, de Miranda July.

sábado, agosto 27, 2011

Kamasutra


hu,hu,hu
hu,hu,hu
hu,hu,hu
em que posição?

Frontal, em pé, por trás ou de lado
a hidra às voltas com o dragão
tesoura, fechadura ou de quatro
em que posição?
coqueirinho ajoelhado
trapézio ou carrinho de mão
gangorra de cabeça pra baixo
em que posição?

ficamos de mãos dadas no improvável caranguejo
mas foi com a chave de ouro que o namoro começou
no meia-nove a gente deu nosso primeiro beijo
o que faremos hoje com nosso desejo
onde colocar o amor?
o enroscado da trepadeira
picada de escorpião
guindaste, tartaruga ou vaqueira
em que posição?

fênix na caverna vermelha
noventa graus de conexão
carrossel ou chão de estrelas
em que posição?

já experimentamos quase o kamasutra inteiro
até contorcionismo a gente às vezes praticou
a borboleta em concha fez você gozar primeiro
mas no tradicional papai e mamãe
foi que a gente arrebentou…
o parafuso, a ponte e o arco
da rã, do caranguejo ou do cão
lótus, vai e vem, tiro ao alvo
em que posição?

hu,hu,hu
hu,hu,hu
hu,hu,hu
em que posição?

Arnaldo Antunes

 

sexta-feira, agosto 26, 2011

FIM DO POS DOC

Daqui a umas semanas tem fim meu pós doutorado na UFRJ. Foi ótimo. No projeto, o compromisso de entregar três longos ensaios sobre a obra de Marcelino Freire. Entreguei dois, exaustivos, umas 65 páginas. Neles trato duas questões em profundidade: as relações com a tradição de uma literatura realista/naturalista, que hoje é uma resposta ao fim das utopias do mundo contemporâneo, e que flerta com questões como literatura e violência. No segundo, eu trato exclusivamente de aspectos formais, a unidade interna dentro dos diversos livros de Marcelino Freire, seu flerte com o teatro (na elaboração de uma fala-drama: solilóquio, monólogo interior e fluxo de consciência), sua relação com a poesia/musica (o cordel, o repente, o samba e o rap).

Ficou faltando o último, que hoje - milagrosamente - saiu quase inteiro, depois de semanas e semanas de mais absoluto bloqueio. Neste eu tratarei exclusivamente da questão temática marginais e marginalizados em sua obra. E tome Foucault. E sexo. E gênero. E gays. E negritude. Tudo leitura brava, pesadíssima, para uma segunda apresentação (a primeira foi há um mês) que farei a professores-doutores, diretores e reitores de faculdades de diversos campos de conhecimento. 

Oremos.

Poema dos olhos da amada

quinta-feira, agosto 25, 2011

IRONIA

Ironia: 

frases soltas, que deveriam ser presas


Ironia nada mais é do que uma forma elegante de ser mau. Sendo assim, por que abdicarmos da elegância nos momentos em que a maldade se fizer necessária?
.

Kung fu panda 2


Emocional. Mas com cenas que o enquadram num videograme. Hilário vilão: um pavão branco.

Jane Eyre


Tão ou mais deslumbrante do que aquele dirigido pelo Zefirelli com Charlotte Gainsbourg.

quarta-feira, agosto 24, 2011

Glauber: ROCHA


Incontornável,
por que único,
por que irritantemente pensante,
original
e fértil rochedo.

Nome que é mais emblema que nome.

Falésia: nome do homem sem cabimento,
morto ainda choca pela terra à vista que aponta
qualquer imitação: arremedo

- feito Rosa, feito Machado, Clarice, Drummond.

Aquela coisa da antena da raça.

Louco. Stone. Rock. O cara.

segunda-feira, agosto 22, 2011

O palhaço

Orgulho de ser hétero


Sem pensar, no TUCA


Ontem fui ao TUCA, no maior frio para ver SEM PENSAR. Culpa do Dom, que comprou pro domingo, pra primeira fila, e eu atrasado, saí correndo, cheguei com a peça já iniciada. Eu não tenho escrúpulos. E a peça é toda limpa, arejada, bonita. Denise Fraga está aquele sol maravilhoso que ela é. E tudo está certo nesta peça inglesa escrita por uma moça de 19 anos para um curso e que fez sucesso fora, e no Tuca a casa estava lotada para peça e para o debate que houve ao final com atores. A peça funde drama de casal, comédia de costume e pedofilia soft. Oscila entre drama, clichês e comédia. Termina abruptamente a meu ver, como se fosse um espirro interrompido. Termina quando o fim exigiria um desenvolvimento, num movimento anticlimático (assim eu senti). Gosto da divisão da ação em planos da casa, do timing da peça, da atuação de Denise, de pequenos gestos do elenco todo. Há algo de cena/cinema/tv que o diretor/marido Luiz Villaça põe no palco. Não é uma obra-prima dramatúrgica, tem sim uma marca  grande demais de teatro infanto-juvenil, algo de crônica-cômica cotidiana a qual dizemos ok., e a crise do casal é aquela mesma velha crise de casal que nada acrescenta ou transcende no plano da arte. Não nos decepciona, pois a vemos com grande empatia do melhor que foi feito dentro desse texto de curto alcance. Não é o bastante, mas o suficiente para um domingo frio. 

sábado, agosto 20, 2011

De vrais mensonges, de Pierre Salvadori


Deliciosa comédia com Tatou, cheio de volteios e achados em torno de cartas de amor.

sexta-feira, agosto 19, 2011

E aí alguma coisa aconteceu

E aí alguma coisa aconteceu comigo. Assim mesmo. Fiquei doente e fiquei também melancólico. Ou melancólico por que doente. Fiquei mesmo, fiquei também meio seco de palavras. Estado de triste. Revisei minha história. Resolvi não ligar mais, encerrar de vez relacionamentos e ficar muito só comigo mesmo. Resolvi também ligar. Liguei. Não deu em nada. Resolvi cuidar de mim. Fui aos hospitais remarcar exames. E como o exame é complicado, no Hospital das Clínicas de São Paulo. Triste ir lá. Tinha memória de infância correndo por corredores longos, subindo e descendo de elevadores (minha mãe, enfermeira, trabalhou ali anos e anos). Vou para lá e só penso na corrupção do país: acredita?! Centenas de pessoas muito pobres, depauperadas, velhas, em filas enormes, banheiros quebrados, elevadores lotados, exames marcados depois de horas de espera e para dali a seis meses ou mais. É um mundo zumbi, de feiura, deformação, doença, aspiração à morte. Quer que eu engane? É onde nunca quereríamos estar. Mas somos mortais, é a vida. E eu me culpo tanto, pois não tenho consciência social alguma. Política nenhuma. Não acredito nem mesmo em indignação, bons sentimentos, estou a zero e me arrasto também. Sem crença, em meu individualismo pacato, esse anti-viver. E sigo. Metrôs lotados. Trens lotados. Engarrafamentos. Entende o fato externo, interno. Será que é necessário para existir estar em estado de ópio do amor?

Acontece ser dessa vez melancolia brava. Eu respeito também minhas crises. Sigo os compromissos sentindo que não são significativos. E durmo. 14 horas ou mais. Estado de coma de mim. Só ando me sentindo feliz quando durmo. As aulas, arrastadas sem voz. Quase sufocando por falta de ar. Alunos novos, gente simpática, mas que passarão. Nada se retem. Por isso, há uns tempos atrás andei matando uns amigos que me fizeram mal. Seus fantasmas me assombram. Saudades do engodo? Será que não valeu nada esse percurso todo. Ser o não ser, livros, filmes e histórias?

É que sei que isso é melancolia em estado brutal. Nada de autocomiseração: sabe quando se tem a medida da pequenez humana. É preciso que alguma coisa aconteça comigo urgentemente. O lance é querer fazer acontecer.  Por hora, essa vontade crescente de escrever. O que  não é nada e não é pouco.

terça-feira, agosto 16, 2011

O olhar de Majnoun

Conta-se em todo Oriente, a louca e imponderável história de amor entre Leïla e Majnoun. Da fuga que se fez do tirano Arvejah, dos dias no deserto a sobreviver de gafanhotos, de um poço profundo onde se meteram, da perseguição de Xidieh e sua caravana, da dor, do abandono, da loucura final que consumiu Majnoun quando abandonado que foi por sua dama. 

Todos insistem, usando largas metáforas sobre o negro dos cabelos de Leïla, sua tez claríssima, os olhos de rubi, o indevassável mistério de sua beleza que levou Majnoun à irracionalidade e ao abandono errante.

O califa, ao escutar tantas louvações, quis conhecer Leïla , que viva, habitava ao norte da planície de Palah Armurth. Ele a convocou a Bagdá onde foi trazida, onde ele a fez sentar diante de si. 

Durante uma hora, sem se mexer, ele a olhou. 

Em seguida, tendo pedido outra xícara de chá, (a tarde era calma, e não havia outro som que dos pássaros de Quenzal) - mudou de posição e a olhou ainda mais. 

Esgotado o tempo de uma hora, ele se levantou, deu passos e voltou a sentar-se diante de Leïla, que não dissera uma palavra ou esboçara qualquer gesto ante a perscrutação do califa.

No final da terceira hora, ele lhe disse:

Não compreendo como podem contar tantas maravilhas a seu respeito. Por certo que é uma bela mulher, mas acontece que eu a olho, eu a vejo, e não compreendo o que dizem de você.

O senhor me vê - disse-lhe então Leïla -, mas o senhor não tem os olhos de Majnoun.

domingo, agosto 14, 2011

Pessoal intransferível

escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos. é o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela. nada no bolso e nas mãos. sabendo: perigoso, divino, maravilhoso. poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena etc. difícil é não correr com os versos debaixo do braço. difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa. difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes. e sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, "herdeiro" da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus. e fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar. citação: leve um homem e um boi ao matadouro. o que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi. adeusão.

Torquato Neto

Jards Macalé cantando Torquato

Perturbações no universo de Stephen Klein









sexta-feira, agosto 12, 2011

Professora sem classe


Cameron Diaz nasceu para isso, para cair no escracho, para debochar. E na pele dessa professora vadia, oportunista, cínica, gostosa e mal-caráter, ela arrasa. Eu me diverti horrores, e ri com gosto. Não é pouco.

Last night


Drama belo, apaixonante, delicado, bem filmado. E com aquela pergunta ótima: é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo. 

Eu acho que sim, o que não significa que seja fácil.

Super 8


Quando a gente assiste, a gente vê o quanto sentiu saudade dos filmes do velho Spielberg: E.T., Contatos imediatos, Poltergeist etc. Familiar, pueril, mas repleto de sentimentos confortadores. Perda de parente, dor da morte, descoberta do amor, da amizade etc. As crianças que o protagonizam são ótimas. E o filme zumbi em super-8 que sobe com os créditos finais faz a gente amá-los. Não é GRANDE, é sessão da tarde família, com bolinho de chuva, cobertor, chuva caindo lá fora. Muito desfrutável. E vale o ingresso. Mas não foi o Spielberg que dirigiu não, mas J.J. Abrams de Lost, e todas as melhores versões recauchutadas que vão pra tela atualmente. O que já é um motivo para ir ao cinema, já que o Night Shyamalan está morto.

Rise of the Planet of the Apes


Estamos falando de entretenimento. Então, o seguinte, esqueça de todos estes filmes de heróis lançados recentemente. Rise of planet of de Apes é neste sentido, o melhor filme do ano. O roteiro é inacreditável. As atuações (sim, inclua o protagonista macaco) desconcertantes, efeitos absolutamente integrados ao sentido, e surpresas, muitas surpresas. Dramaticamente intenso, emocional, frenético. Preciso dizer mais?

Sumiço, soluço.

Dias dias dias e mais dias doente. A garganta de sempre, possível. E olha que só hoje pude sair para trabalhar, e mesmo assim a voz só durou nas duas primeiras aulas. Para piorar, doente e com compromisso inadiável: entregar o texto do meu pós-doc até dia 12. (Sim, procrastino e deixo tudo para última hora). Até no hospital fui parar, mas não larguei o texto. Entreguei ontem, pelo menos dois longos ensaios. Aceitaram, e deve estar em alguma pasta virtual do CNPq. A apresentação será breve, logo no começo de setembro. Então tenho tempo de preparar o terceiro ensaio. Dá quase para ter ódio pelo senhor Marcelino Freire. Mas não tem como. Os contos são ótimos, se não não teria tolerado. E essa bolsa que tive me salvou do ponto de vista financeiro, pois estava quebrado. Mas não acabou. Tenho pensado muito neste terceiro ensaio, que é de uma dificuldade torturante. Tenho que escrever no mínimo uma quinze páginas. Deus esteja.

E o sumiço foi esclarecido. 


domingo, agosto 07, 2011

Não Sei Dançar

Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões...
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá lembrar...

Às vezes eu quero demais
E eu nunca sei
Se eu mereço
Os quartos escuros
Pulsam!
E pedem por nós...
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa prá lembrar

Se você quiser
Eu posso tentar
Mas
Eu não sei dançar
Tão devagar
Prá te acompanhar...

Eu não sei dançar
Tão devagar
Prá te acompanhar
Prá te acompanhar...


Alvin L.

NIne Lives, de Rodrigo Garcia


Curtas sobre várias mulheres, criando um filme sublime, dirigido/escrito pelo filho de Gabriel Garcia Marquez. 
Rodrigo Garcia. Uma beleza. 

sexta-feira, agosto 05, 2011

Saci urbano


Saci urbano atacando aqui em Mauá. Acho muito bom.


Harry Potter, o fim


Tenho uma história linda dos livros do Harry Potter com meus alunos de 5a. a 1o. colegial, história que começou há muitos anos, bem antes dos filmes. Gente que aprendeu a ler romances e tomou gosto pela leitura por causa do livros da J. K. Rowling. Podemos acusá-la de tudo, mas foi um ótimo ponto de partida para fazer a molecada ter prazer de ler e perder o medo de livros grossos. Os filmes, hiper sintéticos, raramente correspondiam ao ritmo e ao encantamento posto em palavras pela habilidosa inglesa, talvez por que a imaginação é sempre maior. E apesar do final xaropinho, o filme derradeiro é muito bem dirigido. 

Knowing


Ficção científica, filme catástrofes, terror e parábola bíblica. E ainda assim, fraquinho.

Capitão América




A ideologia questionável de sempre. O nacionalismo americano. A crença no poder da Ciência. Aquele patriotismo e moralismo como valor para justificar as atrocidades bélicas todas. Tudo para odiar. E não é que o filme é bacana (no que tem de excessivo) e me divertir vendo aqui, no sofazinho de casa? No cinema dever ser um espetáculo pirotécnico bonito.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Ensaio sobre O crime do padre Amaro, com Carla Monfort


A ambiguidade do rosto de Carla Monfort, à serviço de um ensaio baseado em O crime do padre Amaro, de Eça de Queiroz.