domingo, julho 31, 2011

É possivel ter prazer no sexo anal


Declaração de Sandy para Playboy.

Pronto, podemos esperar o fim do mundo em 2014.

sábado, julho 30, 2011

Nada - ninguém

Foi em 1984. Uma desconhecida, chamada Mâkhi, me pediu por telefone para ir ao apartamento onde moravam duas irmãs que a "adoravam" e que morreram ali, com seis meses de intervalo, aos noventa anos. Mâkhi herdou suas roupas, mas já fazia um ano que adiava aquela visita a um lugar assombrado pela decrepitude, pela morte e seus fantasmas. Então, fui no lugar dela. Fotografei a casa abandonada, para lhe oferecer imagens daquilo que tinha medo de ver. Pedi para ficar com o retrato delas e com algumas agendas.


Na agenda de 1980, no dia 25 de dezembro, estava escrito: "Não vi nada - ninguém"; e em 1981: "Natal - nada."

Histórias reais. Sophie Calle. Agir Editora. 2008. p.35

Sophie Calle

sexta-feira, julho 29, 2011

Ando Adorno

O Vazio da Pressa e do Dinamismo


A pressa, o nervosismo, a instabilidade, observados desde o surgimento das grandes cidades, alastram-se nos dias de hoje de uma forma tão epidêmica quanto outrora a peste e a cólera. Nesse processo manifestam-se forças das quais os passantes apressados do século XIX não eram capazes de fazer a menor ideia. Todas as pessoas têm necessariamente algum projeto. O tempo de lazer exige que se o esgote. Ele é planeado, utilizado para que se empreenda alguma coisa, preenchido com vistas a toda espécie de espetáculo, ou ainda apenas com locomoções tão rápidas quanto possível. A sombra de tudo isso cai sobre o trabalho intelectual. Este é realizado com má consciência, como se tivesse sido roubado a alguma ocupação urgente, ainda que meramente imaginária. A fim de se justificar perante si mesmo, ele dá-se ares de uma agitação febril, de um grande afã, de uma empresa que opera a todo vapor devido à urgência do tempo e para a qual toda a reflexão — isto é, ele mesmo — é um estorvo. Com frequência tudo se passa como se os intelectuais reservassem para a sua própria produção precisamente apenas aquelas horas que sobram das suas obrigações, saídas, compromissos, e divertimentos inevitáveis. 

(Theodore Adorno, in "Minima Moralia")

Para nao pasar batido

Harry Potter último no cinema
Gritos e sussurros
Passeio no shopping com Lucas
Comida como escape
Desbloqueio de cartão em banco
Novela
Hitchcock

quinta-feira, julho 28, 2011

A dama oculta, Alfred Hitchcock


Tentando sanar as deficiências de formação. Lá vou eu assistir aos clássicos do Hitchcock. E o espanto de saber que aquele filme do avião com a Jodie Foster - Plano de voo - é inspirado neste classicão. Interessante sempre a mescla de humor, suspense, romance. A delícia do casal emburradinho que se conecta e se apaixona ao se tornarem parceiros na investigação. Linda cena final do beijo no carro e do surgimento da dama ao piano. Delicioso.


Os 39 degraus, Hitchcock


Assisti a duas versões deste filme, um baseado no livro; e outro, radicalmente alterado, dirigido por Alfred Hitchcock, menos verossímil, mas com cenas mais inventivas.



terça-feira, julho 26, 2011

Zombie boy


O corpo banalizado. O uso extensivo da tatuagem em nosso tempo. O corpo como catapulta para virar notícia, signo midiático. A ausência de discurso. O corpo como exacerbação egóica. A fetichização de si mesmo.


O corpo apropriado pela moda, pela cultura pop, pelo mass media. O flerte cosmético com a morte, fim estético sem horror de se perecer. Corpo/cadáver/morte apenas signo: objeto vazio sem dor ou transcendência. Questões para já. Leio PORNOFANTASMA, do Santiago Nazarian. Narrativa adolescente. Está tudo isso lá. E essa "sensibilidade" do século 21 me interessa demais prescrutar. Penso.


MSN Genérico


Meu computador está dando sinais de alta contaminação. Daqui a pouco ele tem um derrame, fica torto, apaga o que de mais importante. Isso me assusta. Passei anti-virus, passei um treco que limpa memória, ajeita Windows, mas tenho medo. Tou digitando, daqui a pouco trava, perco tudo que escrevi. A última surpresinha foi com o MSN que não abre mais. Falei no Facebook para Jan, que me apresentou esse site chamado ebuddy, e agora posso abrir o MSN para ver que ninguém realmente tá nem aí pra mim. ahahhaha. Ok, ando sentimental, sorry! Mas fica aí a dica. E ponho aqui, pois daqui a pouco esqueço o nome, e meu Blog é também o canto onde baixo quando perdido, para me encontrar. 

Tears Dry on Their Own

segunda-feira, julho 25, 2011

Sonata de outono, de Bergman


O terrível encontro entre mãe e filha. Sobre a superfície calma, a mãe que sempre soube falar tão bem sobre o amor, mas nunca amar. As máscaras. Os grandes monólogos. As instranponíveis mágoas. Bergman são suas mulheres. E as mulheres, não só mulheres: como que arrancadas de um livro de Clarice Lispector. {para mim Bergman era o único capaz de traduzi-la em cinema} 

Lena Nyman materializando o aleijão emocional de mãe e filha: o terrível grito. A superlativa interpretação de Ingrid Bergman. A dor incomunicável dita inteira numa torrente verbal/emocionada de Liv Ullman. E o rosto delas - mesmo no silêncio - dizendo tudo. Insuperável.

Pensei naquele quarto com o filho ausente? A dor tem medida? O ressentimento, cura? A cena do piano, em que a filha toca para mãe toda mágoa e a mãe a corrige, terrível, com censura, frieza e método. Um filme de matar. Disse que chorei horrores?

[Dois Bergmans no mesmo dia, um após o outro. Prova de fogo emocional, pois neste período, mais que qualquer outro, ando sentindo tudo mais intensamente.]

Morangos Silvestres, Ingmar Bergman


Assisti ontem, de madrugada.

"A velhice como reencontro com o passado"

Bergman, pânico da crítica e o desejo de agradar ao público

Meu filme Luz de inverno, posso afirmar, representa para mim uma vitória moral e uma arrancada. Sempre me senti incomodado com a necessidade que tenho de agradar. Meu amor para com o público tem sido bastante complicado, existindo em mim uma boa dose de receito de não ser capaz de agradar. Na consolação artística que dou a mim próprio, inclui-se a vontade de consolar o público. Embora isso não seja tão perigoso como parece, tenho medo de perder meu poder sobre o público, um medo legítimo de perder meu ganha-pão. (p. 30).



Estou em minha casa de Faro, esperando. Isolado por minha própria vontade, sinto que é bastante bom estar assim. Liv está no festival de Sorrento. Ontem Vergonha teve estréia em Estocolmo e em Sorrento. Aguardo aqui a opinião da crítica. Ao meio-dia vou apanhar o barco para Visby para comprar ao mesmo tempo os jornais matutinos e vespertinos.

É melhor fazer isto sozinho. Assim não preciso ocultar o que me vai por dentro. A verdade é que me sinto atormentado. É uma espécie de dor contínua misturada com receio. Não faço a mínima ideia das reações que o filme vai suscitar. Para mim ainda ninguém se pronunciou sobre ele. Mas minha intuição me deixa muito apreensivo. Creio que a crítica não se vai mostrar entusiástica, talvez até seja negativa. Desta vez vai-me ser difícil acietar não ter conseguido impressionar o espectador. Claro que é sempre bom ter a aceitação da crítica e do público, mas já há muito tempo isso aconteceu. Tenho a impressão de que fui posto de lado, porque a minha volta há silencio e delicadeza. Sinto dificuldade em respirar. Como poderei continuar? (p. 296)


Minha peça começa com o ator que desce à platéia, estrangula um crítico e, de um livrinho preto, lê todas as humilhações que sofreu e de que tomou nota. Depois vomita sobre o público. Em seguida, afasta-se e dá um tiro na cabeça

Em Agenda de trabalho, 19 de julho de 1964



IMAGENS, Ingmar Bergman. Martins Fontes. São Paulo. 1996.

sábado, julho 23, 2011

Pobre Amy


Recebi um torpedo do Djalma dizendo que Amy tinha morrido. Era uma morte anunciada, mas que me deixou estarrecido. Juro que não esperava. Imaginava que cedo ou tarde ela se recuperaria e faria novos discos incríveis como são todos os seus. Acho que tinha esquecido a capacidade que todos nós temos de nos auto-destruir. Tudo foi rápido e intenso, mas a beleza da sua voz e seu canto imortalizarão essa baranga divina, decaída e sublime: Amy Winehouse. 

Você perdeu

Noves fora, quase nada
E era de vidro o anel
Meia volta na ciranda
Não há estrelas no céu
Não tem saudade nem mágoa
Meu amor fala outra língua
De você o que naufraga
De você só o que míngua
Sua graça não me anima
O meu pranto não é seu
Já dobrei aquela esquina
Onde você me perdeu

Foi você quem se perdeu de mim
Foi você quem se perdeu
Foi você quem perdeu
Você perdeu

Vou dizer num verso breve
Pra por num samba-canção
Que hoje a minha vida é leve
Sem você no coração
Hoje tenho quem desvele
Quem me vista à fantasia
Quem escreva em minha pele
Coisas que eu não lhe diria
Hoje a minha vida rima
E agradeço àquele adeus
Que eu vi naquela esquina
Em que você me perdeu

Foi você quem se perdeu de mim
Foi você quem se perdeu
Foi você quem perdeu
Você perdeu

Foi você quem se perdeu de mim


(Márcio Valverde e Nélio Rosa)


[Agora posso cantar essa canção com enorme felicidade e prazer. E lá fora, corria o mundo feito as rodas que me traziam de volta.]

Chico, 2011


Adoro. Cultuo. Não tenho qualquer distanciamento. E baixo sem culpa. Vossa Santidade que me perdoe. Amém.

Torrent pra download que achei na net.

terça-feira, julho 19, 2011

Pensando na obra de Ron Mueck

Às vezes eu penso em sentar e escrever sobre fotógrafos, pintores, diretores, dramaturgos, esses artistas que posto aqui. Por falta de tempo ou gás, normalmente boto fotos/imagens que acho memoráveis e sigo adiante. Mas também escrevo. Faço isso uma vez ou outra. Tento ser sintético. Acho que almejo um público. Mas é um público que não se manifesta, embora o Google Analytics ateste que sou visitado diariamente por umas 110 pessoas. Saber-se lido é sempre bom, motiva; mas sem comments parece que estou a fazer para ninguém. Ainda assim, gosto de escrever, de fazer reflexões. São extensões do que digo aos meus alunos de pós-graduação e de cursinho. Reflexões sobre o contemporâneo. Gosto dessa urgência de pensar o hoje. Sinto que seja necessário. Para mim é, eu que tenho pretensões pedagógicas, de reflexão crítica e criação artística. Então, motivado pelo comentário do Marcio_LG, ponho em texto umas ideias que me vem da arte de Ron Mueck. 




Lembro-me de um artigo do Ferreira Gullar que dizia que as artes visuais de tanto avançarem para abstração fetichizaram-se de um si em si, amaneiraram-se num todo conceitual e deixaram, de certo modo de se comunicar com o presente, afastando-se do público/homem comum. Como se em literatura, ao chegar ao limite de um Finnigan's Wake, escritores se emaranhassem na linguagem distanciando-se de uma escrita com maior extensão comunicativa. Não sei se era isso que estava no artigo, acho que não, creio que assim eu o entendi, pois acredito no que está escrito (com ressalvas), e deformo o escrito por Gullar.

Nunca vi presencialmente uma das esculturas de Ron Mueck. Conheço-o por imagens difundidas na internet, matéria do Youtube. Mas o que me impactou obviamente foi seu realismo, melhor, seu hiper-realismo. Também os gregos buscaram a perfeita imitação do humano (as estatuas hoje brancas, eram originalmente pintadas, tinham fios de cabelo etc). Mas o que Ron Mueck nos expõe, desde seu primeiro trabalho artistico (e não de artesão de efeitos especiais), foi o corpo do pai morto. É um tema emocional, ao mesmo tempo grotesco, impactante na transfiguração da morte/do rigor mortis. Diferente daqueles cadáveres "plastificados" com que um necrófilo chinês grotescamente espetaculariza e banaliza a morte, "sinto" que Ron Mueck quer mostrar justamente a precaridade dos corpos, a fragilidade humana.

Em suas obras, a alma salta no olhar das figuras, desconfiadas, tímidas, retraídas, melancólicas. Há uma solidão essencial em todas as imagens que vi deste escultor. Mesmo a desproporção (obras em escala imensa ou miniaturizadas) servem justamente para "quebrar" a ideia de que estamos ante o real. A escala, portanto, me parece fundamental para desnortear o olhar, para que nos vejamos em grandeza e pequenez humana. Somos em Ron Mueck a "coisa vivente", parca, solitária, frágil, mundana. Penso em seus bebês, em seus velhos, penso no gigante obeso, no menino desconfortável com o próprio crescimento. A melancolia, a postura de autodefesa, o modo acuado que muitos se encontram, somados ao olhar flagrado num movimento/momento íntimo. Acho que sim, são estratégias do artista para captar um modo humano de ser.


Talvez por isso eu não resista nunca a contemplar os seus trabalhos tão em sintonia com o presente, quando o homem e o corpo são obsessivamente espetacularizados. Ron Mueck não faz aquelas estátuas de cera com famosos, ícones facilmente reconhecíveis, imagens clichês para confundir o olhar e permitir a um público também narcisista,  fotografar-se ao lado de um simulacro. Big Brothers, cirurgias plásticas, criações de órgãos, de seres em CG, à mania de fotografarmo-nos a todo instante, tudo evidencia o "corpo humano" como supremo fetiche. E por que ele não se tornaria neste momento o principal foco/tema das artes? Ele é. Sem deixar de pôr o corpo em evidência ao mundo voyer (voyers que todos nós nos convertemos), ele nos devolve o perecível, o mundano, não o atlético/perfeito, o corpo que de tão exposto mais se revela imprescrutável. 

Em Ron Mueck o corpo é matéria, o humano é indistintamente carne nua, translúcida e úmida, por isso grotesca. Mas nunca escapa-lhe em imprimir no olhar certa vacuidade, certo incômodo de se ver exposto. Assim, penso que nos seus trabalhos as imperfeições físicas e a melancolia das expressões traduzem, de certo modo, aflições muito humanas com as quais nos quais nos reconhecemos extremamente humanos. E não é isto Arte?

segunda-feira, julho 18, 2011

O sorriso de Ingmar Bergman

Relatório de princípio de férias

Fui ver o Bruno. Ver o Bruno é sempre legal. Falar de cachorros pitbulls, rusgas familiares, cabelos, uma dieta de baixa caloria que não é para mim. As estações Brás e Belém ganham novo sentido, com erros, idas e vindas. E eu como mal, empadinhas, bebo coca-cola, depois me mato num hercúlio esforço de academia. Chego moído. O Big ladra feliz. E assim é. Depois de muitos dias vejo Pedrovski que me pergunta por onde andava. Cris me liga. Ouço as velhas mesmas músicas agora num amplificador de mp3. Visitei Diene na imobiliária e vi Gabi. Conversamos. Atualizo Lattes. Escrevo relatório. Será que garanto prorrogação? Queria tanto publicar meu Infeno feliz. Esperando no metrô, vindo de trem, ou em pé no ônibus leio apaixonadamente o livro IMAGENS, de Igmar Bergman. Conto que terminei O AMOR É CRIME, do Marcelino Freire e senti falta do autor antigo, ou o contrário disso? Leio também (sim, leio muito, compulsivamente, e não disse aqui o tanto de jornais diariamente, revistas, ensaios etc etc) o livro PORNOFANTASMA, do Santiago Nazarian. A biblioteca do 5o. deslocou-se para entrada do shopping. Namoro uma jaqueta estranha, vermelha, caríssima no shopping. As minhas opiniões andam rancorosas sobre obras literárias. Melhor ler crítica, ler teatro, ler sobre cinema. Bergman me enlouquece, me deixa mais crítico, mais duro, mas sensível no que sinto que seja arte. Assisti também ao documentário sobre fotógramos (Iluminados) e este outro que comprei, de mais de quatro horas de duração, com 54 fotógrafos de cinema. Um parece continuação do outro. Ensaios de reflexão. E se fizesse um documentário estranhíssimo sobre a cidade de MAUÁ? Recebi uma proposta bacana para elaborar roteiro do Kleber Albuquerque, ficções com o tema de amor. Achei a minha Isabela que já aceitou participação. Não é ótimo? E estou à espera. Semana que vem, reunir toda gente numa grande mesa. Ler o roteiro. E delegar funções. Mas antes, fazer bate-volta no Rio, sem ter onde ficar. Tenho duas semanas de férias contadas de hoje e quero fazer tudo, ir ao teatro, ver Djalma, Emersona, Okuma, Celso, amigos. 

E hoje estou estranhamente melancólico, embora mil coisas sucedam dentro e fora de mim.

domingo, julho 17, 2011

Cruzada


A impiedosa capacidade de síntese do Angeli.

Cinematografia



Um dvd duplo. edição especial. 234 min. documentario e workshops sobre a profissão de fotógrafo, arte e técnica, vídeo e cinema brasileiro. direção e cinematografia de GABRIEL BARROS.


54 dos melhores diretores de fotografia do Brasil.



Comprei em o_barco.



e sigo meu aprofundamento na arte do cinema e várias frentes.

sexta-feira, julho 15, 2011

Eu e a Marina Premazzi


Ontem, quinta, lá no Henfil Santo André, a Marina pediu para tirar uma foto comigo. Ela me mandou pelo Orkut. Ficou tão legal. E eu gosto tanto de meus alunos do cursinho, que não resisto. Boto aqui, só para pontuar esse privilégio que é ser professor de pessoas tão maravilhosas. Beijos Marina.

No lançamento do Marcelino Freire

Não ia, mas fui ao lançamento do livro novo de Marcelino Freire. Saí do cursinho em Santo André na correria, passei na Cris (Casa da Palavra) e a convidei, mas ela não podia ou não queria. Fui só. Descida na Tamanduateí, metrô Clínicas e ônibus no Butantã USP, salto no cemitério. Em O_barco, aquela gente descolada de sempre. Muitos muitos escritores de quem aspiraria a um autógrafo. Mas não estou com os livros. Alias, livros ótimos e caros neste espaço, não resisti e comprei também um DVD-documental sobre fotógrafos de cinema; e outro, de entrevistas do Ismail Xavier. Marcelino assinava numa mesa central, com filinha. Me cumprimentou, sempre naquela simpatia cativante, e pôs no livro dedicatória amistosa. Cerveja, docinhos e grãos à mancheia, na faixa. Sento, como, vou ver a exposição ao lado, e quem me aparece? O menino Lucas Guedes. Quanto tempo, puxa! E conversamos, e bebemos demais. É a vida. Contamos novidades mútuas. E é isso. Foi há tantos séculos. O_barco, Marcelino, as repetições. A vida circunvoluntória até em suas guinadas de restituição e esquecimento. Bonitas ficam meias muito vermelhas com sapato preto. Anoto. Saio por essas noites de São Paulo e me acho muito visto. Que que acontece? No trem de volta, comecei a folhear o livro. Amor é crime

quarta-feira, julho 13, 2011

Amar é crime


Ele diz que odeia os verbos de ligação e bota no título do livro. Esse Marcelino é f. Eu queria ir pra lá, estar no b-arco prestigiando o caríssimo amigo escritor, mas a gente vive é essa porrinha de vida de professorzim. Mas tou aqui, ansiando pelo momento de ler esse, que é dos meus escritores contemporâneo, o dileto.

Ron Mueck




Hiper-realismo, melancolia e grotesco em esculturas humanas.

Se um desconhecido recitar-lhe um poema de amor


Meio que perdido em mim, eu venho, vez-em-quando me encontrar aqui, no que escrevi; e sempre me reconheço e vejo que me repito e, às vezes, também silencio. Eu ando gostando bem de mim, e de um monte de gente. Não obstante tenho espasmos de melancolia; por que, por dentro, tenho essa inquietação de vulcão. Por ex., não me abandona o sentimento de que algo se perde, por irrepetível, e seu deixo, que passe, como se não tivesse vocação para o meu porvir. Falta-me, menos a competência prática que o desejo de ser maior/melhor do que sou. Ainda assim, ambiciono dias deleitáveis.

Ando comprando os livros que já tenho com a desculpa de desfazer-me deles em presentes. E mesmo viajando, me pego na rotina dos mesmos espaços revisitados. Hoje conversando com menina Rafaela, eu reparei que meus personagens sempre partem de um ponto inicial de solidão (de estagnação) para, de repente, tornarem-se outros. Meus personagens sub-repticiamente me revelam. Mas ainda não é isso.

Eu faço dessas aulas que tornam-se longas digressões (almejando) diálogos com gente jovem, diálogos que me iluminam e me fazem ver melhor. Digo-lhes de coisas que para mim são velhas, mas preciosas, e que se renovam aos olhos deles que não conhecem Rosa, Hilst, Nassar. Que não viram os filmes que não são melodramas. Que não viajam, mas que estão naquele ponto bom de descoberta. Para mim, o melhor é sentir-me participante deste ponto-de-virada, aquela mão que se junta para apoiar o salto sobre o muro. Esse encontro breve, feliz é que tem me feito bem e dado algum sentido ao trabalho que faço ainda hoje no Henfil.

Olha, eu parei naquela banca de livros velhos rumo à Cinelândia, e comprei Farewell com o intuito de dá-lo ao Luquinhas, que gosta de poesia. E comprei o Pirandello e aquele livrão de ensaios, O sentido da paixão. (noutra, comprei um livro do Bosi, esmiuçando inteligentemente vários poemas). Mas foi nessa mesmo, do Pirandello, da Paixão e do Drummond que se deu o seguinte:  o cara da banca, que deve ter um pouco mais do que cinquenta, naquele sotaque incrível de (quase) malandro carioca, declamou para mim, no meio da rua, um poema do Rilke, de memória. Um poema dedicado de Rilke a Lou Andreas-Salomé. Ele me disse: "Eu me amarro em Rilke", e esse é o poema que mais gosto... Disse, já iniciando os versos enquanto pessoas se precipitavam na calçada estreita ao lado da banca, carros passavam, ônibus faziam parada de destino em frente. E nisso tudo, que é a rotina do dia, ele declamou aquele poema de quem se faz aos pedaços por amor sem perdê-lo. E foi tão bonito. Pois sempre a mim, inesperadamente, dão-se esses instantâneos maravilhosos.

Achei agora o poema, e aí está:


Tapa-me os olhos: ainda posso ver-te
Tapa-me os ouvidos: ainda posso ouvir-te
E mesmo sem pés posso ir para tí
E mesmo sem boca posso invoca-te.
Arranca-me os braços: ainda posso apertar-te
Com meu coração como com a minha mão
Arranca-me o coração: e meu cérebro palpitará
e mesmo se me puseres fogo ao cérebro
Ainda ei de levar-te em meu sangue.

Rilke.





É, parece que agora para mim é tempo de redescobrir aquele meu amor meio adormecido pela Poesia.

John Cusack no papel de Poe


John Cusack fará o papel de Edgar Allan Poe no filme O corvo.

Boa perspectiva.

Gargólios, de Gerald Thomas




Eu estou com necessidade física de assistir a Gargólios de Gerald Thomas no SESC Vila Mariana.

Quem se habilita a me acompanhar?

segunda-feira, julho 11, 2011

E Pedrovski fez 7 anos


E Pedrovski fez 7 anos no dia 09/07, e não estava aqui para o aniversário.
Parecendo advinhar, levei-o junto com o pai para um almoço antes de viajar, e ele ficou tão tão tão feliz, que dava gosto. Para ele, amor-pra-vida-toda, deixo meus

PARABÉNS.

Seis personagens à procura de um autor, Luigi Piranello


Comprei no Rio e li em dois dias. Deficiência gravíssima da minha formação, saber do livro sem nunca lê-lo. Também estou no fim de Esperando Godot. Agora é rezar para ver montagem no palco, dessa duas obras-primas.