quarta-feira, março 30, 2011

Olho de lince, Wally Salomão




Quem fala que eu sou esquisito hermético
É porque não dou sopa estou sempre elétrico
Nada que se aproxima nada me é estranho
Fulano sicrano beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano.

Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Eu ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento invento tudo nunca jamais me iludo
Quero crer no que vem por aí beco escuro
Me iludo passado presente futuro urro

Reviro balanço reviro na palma da mão o dado
Futuro presente passado


Tudo sentir total
É chave de ouro do meu jogo
É fósforo que acende o fogo
Da minha mais alta razão


E na seqüência de diferentes naipes
Quem fala de mim tem paixão.


Wally Salomão

José de Alencar e otras cositas más


Não faço troça dos que padecem, dos velhos, dos adoentados, dos que caminham inexoravelmente para morte. Tenho dó não, morrer é o curso natural de toda vida. Se tenho, é pesar, consciência também da minha finitude, que quero adiada sempre. Toda morte encerra um mundo, uma experiência existencial. Toda morte, por menor/maior, a grande perda. Mas o burburinho em volta do bem sucedido empresário, rico, ex-vice-presidente José Alencar me aporrinha. Me aporrinha o espetáculo em torno dessa morte, como me aporrinharam outras, de jovens, mas transformadas em espetáculo: Ayrton Sena, Mamonas Assassinas. Aí trágicas, mas super-midializadas, o objetivo único de vender sabonete, cerveja, salgadinho, tudo que paga a tevê, coisas boas e fúteis, relevantes, efêmeras. Mas à ovação a José Alencar realmente me aborrece. Foi um homem de coragem, com grande amor pela (sua) vida, como acho que também eu tenho. Contudo, morrer bem assistido é para poucos. Não imagino José Alencar no SUS. 

Exemplo de dignidade no meio da indignidade: é só dar uma passadinha em hospitais públicos, no HC-SP (ou no posto de saúde mais perto de casa) e ver a fila, a desorganização, a burocracia, a sujeira, a indiferença de boa parte do pessoal, a arrogância dos médicos que nem olham para a cara do paciente. E estão lá homens tão velhos e apegados na muleta da vida quanto Alencar, mas não proeminentes, notórios. Pequenos trabalhadores que ralaram em sub-empregos, anos entalados em transporte ruim, mal alimentados, expoliados em impostos, com aposentadorias criminosas. E vivos. Homens de coragem, com grande amor pela (suas) vidas. Resistindo fora de qualquer enquadramento televisivo. 

Até quem não crê, passa a acreditar em Deus, e desacreditar do homem.

Kov, Leskov


Bonito que só!

terça-feira, março 29, 2011

Medo de voar

Nunca tive medo de voar. Hoje tenho. Digo: agora, por esses dias de inferno astral. Para os que não creem - saibam: eu creio em tudo. Carro do Rodrigo, comigo dentro, começou a fumaçar. Ônibus que eu estava com horas contadas, travou. Fui sair com meu irmão, carro começou a super-aquecer. Hoje, a vã que me traz pra casa simplesmente parou. Isso tudo em menos de cinco dias. Bote nas estatísticas: predestinação confirmada. Ando zicado de meios de transporte. Vai que o avião tenha pane, caia: meu nadar é tão ruim quanto o meu Inglê: bye bye, so long, farewell... E acabei de ver na Globo (agora) que o prédio/palácio da UFRJ onde estudava no Rio pegou fogo. Falei do celular que não dá linha? Da internet ausente por três dias, na hora da urgência em executar projetos? Falei da rasteira que levei num treco aí? Tá f.! Vou amanhã, rápido, atrás de arruda. 

BRUNA

Abriu a boca e disse pro moço, na lata: 
- Sabe que sou puta?
Estavam juntos há uns dias. Andavam e desciam as ruas de Paquetá. Turistas desembarcavam com esposa e filho. Verdade que malemal a coragem de pegar na mão dela, mas de súbito teve. A bolsa caiu, e ela baixou, dizendo o que disse. Podia ser mentira. 
Ela tirou da bolsa um batom roxo de tão vermelho. Com um lápis fez aquela pinta preta, muito puta, no canto esquerdo.
A bocarra dele aberta num Ó, como diante da aparição de uma santa. Ela parecia a Madonna, tinha até mesmo aqueles dentes separados de pomba-gira. Ele ajeitou os óculos insuficientes à uma miopia que nele era de corpo inteiro. 
Tudo nela era vermelho-almodóvar, até o azul do céu daquele instante.


[cont(i)nua...]

domingo, março 27, 2011

Twilight Zone


Mil coisas para fazer, e ainda paro para assistir a Twilight Zone - Além da imaginação. Mas na versão de 1980. Uma maravilha para quem quer aprender a dirigir bons curtas de ficção, pois a maior parte dos episódios pegam na veia e não ultrapassam 30 minutos. Difícil mesmo é encarar a moda dos anos oitenta (a temporada que assisto foi produzida em 1985). Muitos episódios com atores que depois ficaram consagrados (Bruce Willis, Morgan Freeman, Helen Mirren, etc). Algumas direçoes de Wes Craven. Pior a memória de ter visto isso rolar na TV Globo, lá no final dos anos 90. Ando sofrendo com as legendas, mal traduzidas ou fora de sincro ou em espanhol ou inexistentes. Tenho que arranjar tempo e gravar tudo num dvd, para ficar organizado. 54 episódios de entretenimento sem necessidade de pensar demais. Gosto.


sábado, março 26, 2011

Mombojó



[Não bastasse o grupo ser ótimo, a música deliciosa, eles produziram esse vídeo que é demais!!!]

Palavra (En)cantada

Adriana Calcanhotto

Antônio Cícero
Arnaldo Antunes


BNegão
Chico Buarque
Ferréz
Jorge Mautner
José Celso Martinez Correa
José Miguel Wisnik
Lirinha (Cordel do Fogo Encantado)
Lenine
Luiz Tatit
Maria Bethânia
Martinho da Vila
Paulo César Pinheiro
Tom Zé
Zélia Duncan
Dorival Caymmi
Caetano Veloso
Tom Jobim



[Reassistindo e gostando demais. Tks Dudz.]

sexta-feira, março 25, 2011

Zicado

Este negócio de inferno astral tem que ser levado a sério. Celular morrendo de repente, ônibus que quebra em horário cronometrado para aula, greve de ônibus na cidade obrigando longa caminhada, provedor bloqueando internet e quebra-pau para reativar, dente que insiste em quebrar, casa expulsando moradores, desencontros generalizados, mouses que quebram de repente, livros não mais encontrados. 












quarta-feira, março 23, 2011

terça-feira, março 22, 2011

Rio







Ansioso.

Rodrigo


Uma foto sem controle.
Bela Paulista.
Sampa.
2011.

Defesa de tese da Débora


18.03.2011.
[Defesa de tese da minha amada amiga Débora. Parabéns por essa nova realização, querida!]

segunda-feira, março 21, 2011

Antiblogue

Sem tempo pra respiro, o autor do Revide pensa se terá tempo para continuar o blog que sempre foi uma maneira de falar consigo mesmo. Assim, ele conclui, não ter muito tempo disponível para pensar em si, pensar na vida, elocubrar. E o autor do Revide, pode, de uma hora para outra deixar de pensar-se?

sexta-feira, março 18, 2011

Anotações para um conto chamado "Clarice"

Ela tinha essa vocação que tem os santos para autoflagelação e para a dor. Dom precoce para o suicídio. Aquele hábito de matar formigas talvez fosse por, de certo modo, reconhecer-se formiga. Ela era uma coisa sem acordo, na sala onde todas as meninas eram lindas e vivazes. Seu tipo contrariava samambaias frescas nos xaxins. Destoava das paredes limpas, das cortinas bordadas, da luz do dia com som de pássaros ao fundo. Um inesperado mistério em saia pregueada.

quinta-feira, março 17, 2011

Simpsons e os filósofos



Sócrates, Wittgenstein, Sartre e Nietzsche. Abaixo: Kant, Marx, Barthes e Foucault.

Fim e Tempo de leitura


Fim do Carnaval, e começo de tudo. Aulas no cursinho, turmas novas na faculdade. Orientação. Fim do documentário. Envio de trabalhos para publicação. Retomada do pós-doc no Rio. Projetos para novos trabalhos bacanas. Consultas e exames médicos. Carteira de motorista. Planos novos para o velho projeto de mudar. Algumas decepções. E livros para ler:

Hoje, agora pouquinho, no sebo Nova Alexandria em Santo André, comprei:

Billy Budd, de Herman Mellville (por prazer, necessidade física de ler este livro)
Postcard, de Marilene Felinto (que procuro há anos)
Contos, de Aníbal Machado
Novelas paulistanas, de Antôni de Alcântara Machado
Tarde da noite, de Luiz Vilela
O violino e outros contos, Luiz Vilela
Ah, é?, de Dalton Trevisan
Ô, Copacabana!, de João Antônio
100 histórias colhidas na rua, de Fernando Bonassi
Contos, de Herman Mellville


Agora é achar tempo para esse devoramento. 

segunda-feira, março 14, 2011

Do cel para o Blog


Às vezes fotos de cel ficam bem legais.

Eu e Pedrovski na webcam


Webcam Production Presents...

Presente


Ganhei ontem de presente do Rodrigo, e já comecei. Casal sui generis por pessoa sui generis.

domingo, março 13, 2011

Dez definições



Verdade é uma opinião mais sensível num instante determinado. Mentira é uma opinião menos necessária por mais tempo. Arte é o que acontece, porém com algumas modificações pra quem não tem paciência de sair de casa e viver a sua própria vida. Diplomacia é uma boca-livre entre dois países críticos, seus smokings, uísques e dúvidas protocolares. Peixes são minerais ativos que rebolam dentro d'água. Moda é um vestido de uma noite. Família é um conjunto de pessoas que não têm dinheiro pra pagar, cada uma, seus malditos aluguéis. Deus é um pai ausente que nunca teve mãe. Mãe é uma gaiola com pé-direito bem grande, cercada de algodão por todos os lados. Vida é isso daqui mesmo, por incrível que pareça...

Fernando Bonassi

Rango


Querendo muito ver. Talvez, hoje, mais tarde.

Cálculo

Turmas novas na faculdade.
Turmas nova no vestibular.
Retorno da atividades no Rio.
Conclusões do "Nome frio"
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Desejo de síntese

Nicolas e yo


Ele que foi meu aluno por dois anos (passou desde o primeiro), mas agora está na USP, morando, cursando Física, indo pro mundo. E eu gosto demais dele, Nicolas, Nicolá, Santa Claus. Terna criatura.

Aniversário do Márcio


Márcio fez aniversário e fomos lá, para a festa e a foto ficar mais.

quinta-feira, março 10, 2011

CINEMASHUP


JY CINEMASHUP - The Ludovico Technique from Jeff Yorkes on Vimeo.

Clipes montados com grandes clássicos do cinema e músicas incríveis. Um site delicioso que o meu primo Márcio me mandou, sabendo que eu ia ficar maluco. E fiquei. Botei o do Laranja mecânica, poderia botar o do Cidadão Kane ou do Poltergeist. Curtam.

Link

Bublé para você, baby



[Se fosse para escolher ser alguém, eu queria ser o Michael Bublé. Eu queria ter a cara do Michael Bublé. Eu queria ter a presença do Michael Bublé. E principalmente, eu queria ter a voz do Michael Bublé, baby, para cantar para você.]

domingo, março 06, 2011

Mandando mensagem no msn

(...)
recebi sua msg no cel
Eduardo disse (18:59):
mandei responta, mas o cel despirocou de novo,
aqui anda aquela chuvinha canalha de sampaulo
minha vida anda sem carnaval e sem fantasia
umas decepcoes aqui enormes que me arrasam
Acretita que ontem quebrei um dente, e como achar dentista
antes da quarta feira de cinzas?
Eduardo disse (19:00):
preciso fazer uma faxina generalizada no fake da minha vida
virtuais e presenciais
sabe que meu coracao ja se agita com novo amorável encontro?
 Eduardo disse (19:01)
 familia toda ok
 trabalhos pendentes
 desejo que vc estivesse aqui para me animar a sair
 e rir bastante nessa terra garoada
 Eduardo disse (19:02):
 falta-me o grande sol de Janete iluminando esses dias
londrino-tupiniquins
 mando beijos

sábado, março 05, 2011

Motivo

.




Escrever me acalma. Escrever me esvazia. Escrever me salva do horror da vida e do incontornável medo morte.




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Antes e depois da face horrível

[01] Ontem eu vi a face horrível. Agora estou invadido de pensamentos corrosivos, dolorosos. Meu desejo é anular o pensamento. Fiz uma grande retrospectiva interior para reavaliar como foi que cheguei aqui, chegamos aqui neste ponto. Melhor entregar tudo e esquecer, focar outras importantes atividades, engolir o mal-estar, mas há como evitar náusea? Egoísmo, ingratidão, menosprezo. Sim, eu tenho crença no melhor das pessoas, e isso me arrasa, fecho as portas, apago a luz, me abrigo nas cobertas, como adoecido quero me curar e esquecer. "Mas vamos lá, camarada Eduardo, tantos indícios, de algum modo surpreso? E por acaso é seu primeiro encontro com a face horrível?"

[02] E como eu faço, eu fui um tanto sem querer, vou confessar, bem sem querer mesmo, por conta da face horrível. Mas por ela mesmo, a necessidade de expulsá-la, pois sou fraco, tinha que ir. E na desesperança absoluta veio esse clarão azul febril, alto, altíssimo, com muitas recomendações e toques. Demolidor encontro (pelo menos provisoriamente) das angústias todas. E tive meu momento bliss em frente ao metrô. Como é possível que aquele passado de dias inolvidáveis tenha se aberto para esse tempo. E a todo o instante a metáfora da vida seja a montanha russa?

sexta-feira, março 04, 2011

Blue Valentine


Michelle Williams foi indicada ao Oscar de melhor atriz por esse filme, mas meu voto é para Ryan Gosling, que não foi nem citado. Abolindo a linearidade, tudo se misturando, o tempo do encontro com a separação, fazendo a curva no melodrama e pondo o sexo no lugar que bem se deve ao sexo, o filme tem aquela beleza dos filmes independentes. Eu gosto demais de sua fotografia. Este filme me faria chorar feito louco se eu o assistisse a uns seis meses atrás, mas agora vejo-o muito realista e com certo desencanto. E o filme trata disso, do fim do amor. Ele, completamente entregue, apaixonado, querendo que a relação persista, e ela já sem amor algum, mas sofrendo com o desejo de terminar. Os gestos, as promessas, as dores dele ante a dureza dela, tudo se opondo ao afeto, ao desejo, aquele querer bem que se torna muito triste, tristíssimo pois deixar de ser amado é horrível. Não boto a culpa nela - o amor não está mais lá, e nisso ela atua bem, pois não o encara, se esquiva, se vexa de  certo pudor, uma intimidade de quem não mais deseja, o sexo quase como punição. Ainda pior é que ele foi seu salvador, gratidão e culpa massacram o coração da moça. E ele vive todo pretérito, o olhar dele não mudou em relação a ela, todo abnegação, por isso o sofrimento dele é imenso, torturante. Ele não entende, ele rasteja, ele roga, diz que muda, se adapta, aceitaria traições, fica louco, rememora juras. Antes desse declínio, ele em diálogo com o amigo carregador diz que mulheres sonham o príncipe encantado, e casam com o cara que tem o bom emprego, enquanto os homens só querem mesmo a boa moça, amorável, e não uma garantia de futuro. Talvez seja isso. E é triste de assistir a esse filme, pois ele olha e não vê que o amor não está mais lá. O que era preciso ser dito para ele é que passa realmente, e por ter sofrido amando ele ganha certa dignidade que permite ver quem se amou com boa dose de náusea, até com vergonha, que evolui para desprezo até a escala da indiferença, mas nunca indiferença plena. É um lance sem culpados. Ninguém tem que ficar ao lado de quem não ama mais. E não, ninguém se torna eternamente responsável por aquele que cativa, nem pequenos príncipes. A responsabilidade é de cada um. Cada qual que encare o tranco ou desista de apertar play. Game over é o fim. Mas minha simpatia é sempre para os que perdem antes de dar a volta por cima: por isso, meu Oscar é para ele.  


quarta-feira, março 02, 2011

E a Cris me mandou mensagem no Orkut


Eu que ando muito angustiado sem razão, fico melhor lembrado. Já disse aqui que sou carente profissional nos interstícios deste outro eu, duro, bruto, truão. Mil afazeres, paro e escrevo. Estou com saudades dos amigos. Cadê vocês? Vontade de vê-los, ainda que sempre sem tempo. Bom que exista esse negócio chamado internet, assassina de saudades. E quem diz que ela isola e nos faz mais individualistas? Discordo. Ou como é mais moderno e jocoso dizer "desconcordo completamente".

Woody Chaplin