segunda-feira, fevereiro 28, 2011

O dom do Dom


Ele veio aos 18 de Santana/Bahia, para cá, a convite da mãe. Ele tinha conseguido bolsa de estudo para cursar Administração na PUC, um curso super elitista, para alguém que até ontem, vivia lá num sertãozão, cujo destino era cursar magistério, casar dali a um ou dois anos e replicar nos próximos 30 ou 40 anos o mesmo dia. Mas ele gostava de ler, de computadores, uma curiosidade galopante por tudo, um inconformismo com o estado das coisas, com o papel que lhe era destinado. E ele tinha aquele bom humor. E um terrível gosto musical por Britneys, Beyonces etc, que aos poucos irá vencendo (eu tenho fé!). Ele chegou, e como minha mãe estava debilitada por seus tratamentos, fui eu lá levá-lo na PUC pela primeira vez, e fazendo-lhe, ao longo do caminho de trem, ônibus e metrô, uma introdução aos perigos, horrores e alegrias possíveis de São Paulo. O resto foi com ele. Seu carisma, sua simpatia, seu senso de prioridade, responsabilidade, sua magreza invencível, e espinhas que denunciam que toda aquela maturidade é precoce em alguém que no fundo é muito menino. Ele vai, galopante na vida, com seu senso muito bíblico de amor a todos e crença na ação e na esperança. Ele vai sempre. E a Providência abre-lhe os caminhos com sorte dos melhores amigos, encontros, alegrias. E ele não desperdiça nada. Ele vai. O Dom do Dom é seu talento de voo, de ave migratória, rasante sobre a paisagem, e a aparente ausência de medo. Eu que fui terrivelmente duro com ele tantas vezes, que lhe disse as coisas mais brutas, eu que o calejei com meu mau humor encarnando talvez o pior do que ele ia achar na cidade, e que depois entabulei com ele longas e as melhores conversas, eu só vou querer para ele o voo mais bonito. Agora, ele que tinha vindo morar num quartinho dessa minha casa de homens velhos, ele arranjou quarto em apê em Sampa, dando a rasteira em mim que acho mil desculpas para partir. Ele, sempre subvertendo a lógica, segue a ensinar o velho pedagogo equivocado que a gente não pode ter o grande medo da vida. Eu que fui o primeiro a levá-lo em shoppings, cinema, teatro, na bienal, eu vou me orgulhar pra sempre deste pouco que foram tempos, e não presentes dados. O que quero mesmo é que ele ria mais, se perca um pouco nesses noturnos festivos da cidade, com esses amigos moços bons, que tocam violão, ao lado dessas meninas todas as mais lindas, e beba um pouco (mas não muito), e se desembarasse em passos de dança feito boneco alto de Olinda. Quero que ele se amenine um tanto mais para desembrutecer esse homem responsável que há nele, para que não tome completo espaço do menino, e fique assim, equilibrado: dom e domínio, Adonilton.

Rembrandt's j'accuse (Peter Greenaway - 2008)


Um documentário de Peter Greenaway sobre Rembrandt, mais especificamente, sobre uma suposta mensagem que o grande pintor estaria passando através do quadro: a conspiração de um assassinato. E quando soube disso fiquei desconcertado, pois há vários anos escrevo um conto que trata exatamente disso, praticamente a mesma trama. Baixei, não vi, mas fiquei encantado com as cenas que zapeei, pois um documentário de Peter Greenaway nunca poderia ser só um documentário.

sábado, fevereiro 26, 2011

John Galliano

John Galliano é uma figura meio escrota, mas como criador me deixa sempre estarrecido com o excesso e a beleza que lança no mundo. E quando vejo seus vestidos, e os editoriais de moda, só me vem a cabeça Fellini. Galliano é felliniano, para além dos dois LL.










sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Fundação Santo André


Fim de férias. Amanhã começo com turma nova na Fundação Santo André, que na verdade é Centro Universitário Fundação Santo André. O curso que leciono: Estudos Pós-utópicos, na área de Estudos Linguísticos e Literários. 8 da manhã. Ou seja, tudo novo de novo. Enquanto isso, eu aqui meio alucinado em escanear fotos, baixar vídeos, agendar entrevistas, rever material, preparar roteiro e off para o filme do Betinho, e escrever um longo e impressionante (tem que ser impressionante/quero que seja impressionante) sobre a obra de Marcelino Freire, para meu pós-doc. Missão impossível pré-carnaval, que não caindo no samba, já me faz dançar bonito. No meio de todo esse caos, planejo largar pelo menos um dos empregos e entabular mudança. Falei que aqui em casa tão quebrando o piso pra reforma e azulejando cozinha? Simples assim. 


quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Do Lobão

"o cara que dá a bunda por qualquer merda e vira um restart da vida".
"você tem sertanejo agrobrega, tem aquele Luan Santana, aquilo depõe contra a nossa inteligência, aquilo é muito ruim caralho, aquilo não pode acontecer".

LOBÃO

Além da vida


Fraco fraco fraco. Nem parece Clint Eastwood de Million Dollar Baby e Gran Torino. Três histórias narradasde modo convencional e monótono. Nenhuma grande cena (que não seja efeito especial), e fica na superfície de tudo com muitos clichês. Fraco fraco fraco.

Baixar vídeos que estão em youtube e outros sites de video


http://www.clipconverter.cc/


Simplesmente o melhor para baixar!

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

http://www.youtube.com/watch?v=lzS7qQ76jdk&feature=related

Novo objeto do desejo

Canon Rebel T2i.

Hoje quero falar de amor

Leitura dramática/teatral dos textos do meu amigo talentosíssimo Cleyton Cabral. Os textos sairam do seu blog oficial, o Cleytudo. Eu sou fã inconteste, já recomendei e torno a recomendar pois ele é o cara. 
[Um aposentado que convida a atendente de um banco para jantar, uma recepcionista que se apaixona e se casa com um mestre de obras do prédio da frente da sua firma, um homem que tem tesão pela voz da secretária eletrônica, um paciente que quer namorar uma enfermeira, um voyeur que relata as possíveis relações sexuais que vê nas ruas, uma mulher que mata o marido para sair na capa do jornal, uma garota que se masturba pensando em seu autor predileto, uma moradora da favela que quer casar com Papai Noel e um adolescente que navega na internet à procura de sexo são algumas das personagens que vocês verão hoje. (Tirado do release no facebook]

domingo, fevereiro 20, 2011

Noite

Não sei, hoje não está parecendo o meu dia.

sábado, fevereiro 19, 2011

Up and Over it

[Idéias simples, atores/percussionistas excepcionais, primorosa direção de arte, direção precisa e edição rítmica de primeira. E a gente vê como é simples fazer um excelente filme/clípe de pura arte]

Indignação Política

http://www.facebook.com/video/video.php?v=1688004609678

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Hoje, o que foi, como se ainda fosse acontecer

Hoje,entrevista com a biografa do Betinho, Carla Rodrigues, no Leblon-do-Manuel-Carlos. Andar na praia, comer camaroes no centro. Conversas bacanas na casa da Jo. Vou a feira e compro aqueles caquis. Habilito o cel para funcionar. E encontro mais tarde para ver o que vai dar.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Alunos


Confraternização de final de ano no Cursinho Henfil, despedidas.

Todos os olhos


A capa de disco mais polêmica da MPB, uns falam que são lábios com uma bolinha de gude no centro, outros que é o famoso "culo". Tudo para entender que a arte já foi mais ousada e ambígua. 

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

NOME FRIO (Betinho, clandestino em Mauá)



Entre 1969 e 1970, o sociólogo Hebert José de Souza, Betinho, viveu clandestinamente na cidade de Mauá, ABC Paulista. Mais do que buscar refúgio na cidade devido à perseguição política que sofriam todos aqueles que lutavam contra a ditadura militar, Betinho veio como líder de uma ação que visava conscientizar o operariado e conquistar novos participantes para resistência. Para isso foi trabalhar como operário na Porcelana Real, o que fez por breve período, pelo estado de saúde precário decorrente da hemofilia.

É desta história que trata o documentário NOME FRIO (Betinho, clandestino em Mauá), em fase de filmagem, direção de Ana Paula Quintino e Eduardo de Araújo; patrocínio do Cursinho Henfil. Nele, os diretores buscam resgatar a história deste breve período em que Betinho residiu em Mauá, suas descobertas e ações ao lado de jovens idealistas que lutaram com ele, mas denunciados, foram perseguidos, presos, torturados, e até mortos.

Clandestino, abrigado por padres progressistas, ex-anarquistas, pretensos socialistas, jovens simpáticos à luta pela liberdade e militantes polítizados, Betinho residiu com esposa e filho pequeno no Jardim Zaíra, um bairro até então carente de tudo. Por meio de mobilização de habitantes locais, conseguiu benfeitorias para o bairro, fazendo uso daquelas que seriam posteriormente suas maiores armas: a conscientização política e ações coletivas baseadas na solidariedade.  

Composto de entrevistas com pessoas que conviveram com Betinho, como Olivier Negri Filho e Getúlio Miguel de Souza, o filme foi inicialmente pensado para o formato de curta-metragem a ser vinculado em festivais, tvs educativas e mesmo via internet. "Pretendemos mostrar que Mauá, mais que uma cidade dormitório erguida pela força de imigrantes europeus e nordestinos, possui uma História maiúscula. Não apenas forneceu pedra para capital e produziu porcelanas finas", destaca Eduardo de Araújo: "mas 42 participantes, presos e torturados pelo regime e que enfrentaram pau-de-arara, choques-elétricos, tortura de todo tipo, alguns menores de 17 anos."

O título NOME FRIO refere-se ao codinome adotado por quem combatia o regime na clandestinidade. Em Mauá Betinho era Chico, mas graças a canção "O bêbado e o equilibrista", imortalizado na voz de Elis Regina, tornou-se nacionalmente conhecido por "irmão do Henfil". Bem mais que um nome, tornou-se também símbolo da luta contra a Ditadura, da Anistia, do combate à fome e à desnutrição e mais tarde contra a Aids, que contraiu numa transfusão de sangue e que o vitimou em 1997.

Os produtores afirmam tratar-se de um trabalho de garimpagem, pois além de pouco material fotográfico e documental (a imprensa estava sobre censura), muitos participantes se mudaram, e vários se recusam, traumatizados, a falarem do assunto. E falar faz-se necessário para resgatar a memória do país, entender o valor - para novas gerações - das conquistas democráticas que hoje parecem um aborrecimento, como o direito ao voto e a transmissão do debate político.

NOME FRIO (Betinho, clandestino em Mauá) pretende ser isso: uma colagem de vozes que permita conhecer não só o sociólogo contestador, mas também "anônimos" que lutaram o quando puderam pela liberdade e um pais mais justo. "Não queremos um documentário-discurso, buscamos resgatar aquela fagulha de esperança, para mostrar como, de um local 'aparentemente desimportante', brotou uma resistência que daria nas lutas operárias do ABC, na construção de novos partidos e lideranças, e em homens que iriam fazer a história do Brasil."


domingo, fevereiro 13, 2011

Soprando Janete no MSN


Calor infernal aqui e lá no Rio. Janete pediu help, e claro, não posso deixá-la na mão. Na ausência de ventilador e ar condicionado, tou eu aí embaixo fazendo ventinho pra moça.

Um blog sensacional


Não sei como, mas achei esse blog do Amadeu de Prado que é exatamente como eu queria que fosse meu blog no começo. Entrei lá e fiquei horas zapeando, lendo os fragmentos, as indicações de filmes. Muitos poemas, o grande tema da morte, quadros espetaculares. Fiquei besta e adicionei aqui e indico pois é realmente um blog sensacional. 

Burlesque

sábado, fevereiro 12, 2011

Adnet entrevista cadeiras

Filmes, ontem.


Há século não vou ao cinema, mas decidi e fui, talvez por que terror é meu gênero preferido. E sabe um filme que você não esperava? Aquela ótima e assustadora interpretação (ainda que previsível) do Anthony Hopkins; o novato protagonista cético também está ok. Alice Braga entra e encanta sempre, repetindo aqui aquele seu papel de Anjo, até no nome, Angeline, para - de viés - fazer deste aprendiz de exorcista um padre fiel. Acho desfecho com legendas que explicam o destino dos personagens uma bobagem. Para quê? Conferir verossimilhança, tudo foi um caso real?! E tem gente que cai nesta ainda?! Eu que adoro efeitos, histrionismo e busca da fé, achei bom e recomendo.


Curtinho, trivial, divertido. O diabo está na moda em Hollywood.


Menina com doença degenerativa e rapaz talentoso (mas meio insensível), encontro, sexo, amor e drama, sobre o  pano de fundo (irônico/tolerante) da indústria farmacêutia Pfizer. Sexy movie.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Nuvem negra


[Eu sou retrô, fecho os olhos e sonho dentro dessas vozes]

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Tô a pé, mas chego onde vou

[Nunca prestei atenção à letra dessa música do Djavan, "Pedra", e agora, aqui, entendo tudo. E sabe que, apesar do cansaço, depois daquele dia, ontem e hoje foram uma maravilha.]


PEDRA

Sede de amor
Febre de anseio
Quase a escuridão

Você partiu, me reduziu
Amor, me perco em lágrimas
Não mais a vi, desde abril,
Fui pro mar
E você lá deitada na pedra
Que inveja dessa pedra

O que ficou, eu compreendi,
Face àquela visão

O que era amor inda me diz:
Pena que tudo acabe...

Um lance novo me despertou
Desde já, só quero estar
Com quem me serve
E, de resto, serei breve!

Nada fica em pé
Pra quem se quebra numa paixão

O mundo é vão
E tudo é só um oco absurdo

Não mais me vejo assim
Tô a pé, mas chego onde vou
Revê-la só foi ruim
Porque nada me causou

Doeu, me ressenti
Quando você me desprezou
Mas hoje estou aqui:
Algo como uma flor na pedra
Preste a nascer.

OUÇA

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Eu e Paula gravando o curta-documental sobre Betinho




Participação especial de Joãozinho (com Talita e Jéssica)
Entrevistados Getúlio e Olivier (8.02.2011)

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

domingo, fevereiro 06, 2011

Barbie negra


Roubei do Facebook da Jo.

L'illusionniste, de Sylvain Chomet


L'illusionniste, Sylvain Chomet.

Acabei de baixar L'illusionniste, Sylvain Chomet, a nova animação da diretora de As bicicletas de Belleville. É tão lindo!, roteiro de Tatit. Nem acreditei, qualidade dvd. Adoro internet, torrent, todas as possibilidades. Baixo tudo sem culpa. Já nos roubam demais nessa vida, e a conexão cara e de baixa qualidade do Brasil quase nos obriga a burlar, a tirar tudo que podemos do pouco que nos oferecem. E um segundo prazer meu é passar para frente. Se quiserem, mando link/torrent. Aliás, está aqui o link do torrent: L'ILLUSIONNISTE.

[Mas não esqueçam, para baixar tem que ter instalado, no mínimo, o BitComet 1.17 (versão mais antiga, mas que permite preview, ou ser, ver se não estamos baixando filmes errados.]

sábado, fevereiro 05, 2011