segunda-feira, janeiro 31, 2011

Do óbvio de se estar só


Para quem você ligaria em momentos de súbita dificuldade? Uma dificuldade prática. Um assalto. Ver-se agredido. Perdido na madrugada quando é impossível voltar para casa. Esqueça pais, irmãos, parentes de qualquer tipo. Pense nas pessoas conquistadas ao longo da sua vida. Há uma lista, números. Para quem ligar? Com quem você pode realmente contar. Isso vai falar muito da pessoa que você é. Isso vai falar um tanto mais sobre as pessoas com quem você se relaciona, amizades, pseudo-amores. Todas as circunstâncias, vacilações, desculpas, descasos etc são absolutamente pertinentes. Ouça, medite. E você na posição do outro? E que rumo a gente segue (na vida) quando percebe que, sim, você está por si ante o nauseante muro de Sartre?


sábado, janeiro 29, 2011

Memória de um poema

"Quem se arrima
à rosa, não tem frutos.

Eu procurei a beleza
e o sol me queima."

[Lido há anos e memorizado, não me lembro o autor, a procedência, mas é um mistério no meio de tantos versos que se foram, a memória deste sem seu autor ou título]

sexta-feira, janeiro 28, 2011

James Franco


Narcisismo.

Michael Douglas

Jennifer Lawrence

Chloe Moretz


A garotinha de deixe entrar e Kick ass.

Tilda Swinton


Atuações em 15 segundos, de atrizes e atores estupendos, destaques de 2010.

Comercial da Intel



Por que comerciais também podem ser arte.

Foge de mim (Vete de mi)

Tu que envolves tudo em alegria juvenil
E vês na lua mil figuras desiguais
E ouves canções emoldurando o céu de anil

Foge de mim

Não te detenhas a olhar os ramos velhos do rosal
Que vão murchando sem dar flor
Olha a paisagem do amor
Que é razão para sonhar e amar

Eu que lutei tanto contra a inveja e maldição
Sinto essas mãos enfraquecidas a sangrar
Que já não podem te apertar

Foge de mim

Serei o que houve de melhor
Doce lembrança em teu viver
Quando puderes me esquecer
Como o poema que é melhor
E não podemos recordar …”

(Virgílio Expósito / Homero Expósito / Lourival Faissal. Canta Dalva de Oliveira)

[Esta canção aqui traduzida, é cantada pelo Caetano Veloso no Fina Estampa, que é um dos discos que eu mais gosto. A letra me soa sempre estranha, pois tanto pode falar de um ex-amor, quanto do Tempo, que engole a juventude. E eu gosto da ambiguidade nos textos e na vida.]

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Eu sou o amor, Luca Guadagnino


Terminei de assistir as 6h30 da manhã, extasiado, realmente extasiado. Não há nada neste filme que não seja nobre, do tema, do universo que trata, dos atores, da economia do texto, da elegância da condução a arte e no desejo que ele grita cena a cena. A câmera de Guadagnino lambe sabores, espreita meandros, superfícícies. Perscruta quadros, fotografias, os pequenos adereços, detalha a vida. Ela roça a pele dos atores, centraliza e enquadra a beleza das mulheres, o rosto dos homens, pontua o transito dos empregados, dos pratos que vão a mesa.  A cidade é vasculhada em travellings incríveis, inusitados, desfoques bruscos (que cena é aquela do beijo na montanha?!), está no corpo dos personagens durante o sexo, penetrando-os na intensidade do desejo, com luzes crepusculares que arrebentam. Nele há cortes impensáveis dentro da cartilha do clássico norte americano. Um filme que trata de uma dinastia milanesa, os aristocratas Recchi, senhores de um mundo todo organizado de maneira meticulosa (as vezes rigorosa) para beleza, elegância; com emoções domadas pela etiqueta, mas que também se permitem fluir. Foca uma estirpe de homens e mulheres que estão em franca extinção, a um passo de se perder na vulgaridade do mundo contemporâneo, que é também fruto das angustias do personagem Edoardo, que materializará justamente este fim. Mas não é um filme velho, meramente pretencioso, distanciado. Ao contrario, transcende, é sobre o ser, sobre o desejo, e essa fúria que é o AMOR, que está no título (que eu achava horrível), mas que não pode ser outro, ainda que ele nunca se diga, mas se mostre na suspensão da última cena.

Em Io sone l'amore é reconhecível toda uma tradição de grandes filmes italianos sobre a elite, com dos grandes painéis familiares/sociais que nos remete, indubitavelmente, a Luchino Visconti, que sim, ecoa neste filme espetacular. Mas o diretor não se faz de meramente tributário, avança na condução/direção de um modo atravessado, original, explicitando grandes closes, travellings, tableaus, e até zooms (esse recurso tão desprezado) o fascínio que há neste universo, nestas emoções, nessas vidas. Dá-se ao luxo de simplesmente não enquadrar personagem algum em diálogos e encontros fundamentais para o filme, nunca descuidando de manter uma tensão emocional, nem de compor de modo até claramente artificial/não realista a epifania de Emma/Tilda à comer camarão feito por Francisco. Tudo que seria trivial, pontuado, ganha voo, para transcender (!!!) o factual. A descoberta da homossexualidade da filha entre catedrais, a desterritorização da russa Emma (seu apagamento e redescoberta), a revitalização de si ante o amor como encontro com o sublime e sagrado no essencial da paisagem campestre. O filme alcança tanto, que mal é possivel se dizer pouco dele. Vai da questão local/regional friccionando a imposição do "globalizado" (e não cosmopolita), do que é específico, cultural e identitário, e singular que a lógica do capitalismo/liberalismo (ou outro nome que se de ao que é obsessão pelo lucro, consumo vazio, frenético e efêmero), destrói. A presença árabe e judaica na europa (meio escamoteada), alíás, a atualísisma questão do não-pertencimento e adequação (da protagonista destituída do nome russo), a reinvenção de si para adequar-se aquele universo   cheio de cálculo, cochichos e sublimações, de relações familiares regadas de pequenos ciúmes, invejas, amor, desamor. O filme cabe tudo. E aquela ousadia enorme de deslocar todas as emoções do desfecho no rosto da empregada/governanta da casa, a solidariedade do abraço, e a convulsão do seu rosto num pranto enternecedor, absoluto, por Emma, por Edoardo, pelo fim (que talvez não seja, pelo bebê que nascerá da noiva bela e vulgar). 

Sublime. Sublime.

E eu pensei em Tilda Swinton, em sua grande interpretação. Em sua entrega. Pensei em como deve se sentir uma atriz ao assistir a um filme como este, um filme que ficará, uma obra de arte que eternizará sua entrega. Nunca a pensaria para o papel, eu a adoro, mas nunca a pensaria pulsante de amor e desejo. E no entanto, o filme também é tudo o que ela é, altivez, ambiguidade, nobreza. Ou como termina Pedro Marta Santos a concluir num texto singular sobre ela: não se põe "adjetivos a um adjetivo".

Deixe-me entrar


Versão americana de um filme sueco de vampiro de mesmo título e ressentíssimo. Amor entre crianças, vampirismo, solidão, ferocidade infantil (bullying), numa trama simples e conduzida de forma silenciosa, mas com momento de hiperviolência. Não senti tanta diferença em relação ao original.  

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Adoro fotos de balada


Link passado pele Serjo. Amada criatura. Dorian Gray de Sampa. Super-narciso de aluguel. Dj das altas horas incertas. "Menino mal que gosta de pessoas boas" (essa é velha!). E lá se vão uns quatro anos que a gente não se vê presencialmente, mas o desgraçado fica aqui comigo, coração martelando amistosa/amorosa saudade. 

Da Rayuela, de Julio Cortázar


Toco a sua boca com um dedo, toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se, pela primeira vez, a sua boca entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e desenha no seu rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade, eleita por mim para desenhá-la com minha mão em seu rosto, e que, por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que minha mão desenha em você. Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõe-se, e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem, com um perfume antigo e um grande silêncio. Então as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se estivéssemos com a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.

Julio Cortázar



[É incrível como este texto curto do Cortazar me impactou, e produziu em mim a ambição de escrever de modo artístico. Juro que depois, indo para leitura de O jogo de amarelinha/Rayuela o livro me decepcionou, mas ficou sempre este texto/capítulo, que eu acho poesia].

terça-feira, janeiro 25, 2011

Mary e Max


Massinha de modelagem com poder de emocionar Aspergers. Um mundo de horror e sombras conduzido como uma história de crianças. A delicadeza e a dor. Uma atualização de Nunca te vi, sempre te amei partindo da infância para idade do desencanto. Sobre o amar-amigo, um tipo de amor que carecia de um verbo específico. 

Bravura indômita, dos Cohen


Para menina brava, bárbara atriz. Aos irmãos: o costumeiro bravo! àqueles que sempre estão buscando outros caminhos. 

Os filmes de Brian

A descoberta de um excelente blog de cinema.


http://filmesdebrian.wordpress.com/

Visual Revide

Ok. O blog ficou meio casa da minha tia, mas eu não consegui pensar em nada. Fica assim por enquanto.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Mania de 3x4







 



Mania nova é essa, de tirar retratos 3x4 e presentear. 

Drummondiano

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

domingo, janeiro 23, 2011

A loja da esquina, de Ernst Lubitsch


Por que é necessário parar e ver os clássicos, ainda mais se este for de Ernst Lubitsch. Companheiros de trabalho, um casal só encontra afinidades nas cartas que remetem um ao outro sem saber que se correspondem.  Um filme perfeito para tempos de internet. 

Tangled, Rapunzel (Disney)


Um dos melhores desenhos da Disney (excepcional animação, com movimentos frenéticos e graciosos) Excelente roteiro (pois a história de Rapunzel é realmente um abacaxi) que muda o conto de fadas. O único senão é o excesso de cantoria, muitas insuportavelmente chatas. Casal protagonista super carismatico, camaleão e cavalo (claro!) roubando o filme. Final abrupto e mal construído, mas antológica cena da morte da mãe/bruxa.

sábado, janeiro 22, 2011

O discurso do rei, de Tom Hooper


Não sabia por que esse filme estava cotado a tantos prêmios. Imaginei logo um filme na linha de The queen, de Stephen Frears, Oscar para transformação de Helen Mirren em Elizabeth II, e não é que eu estava certo?  O filme é clássico, meticuloso na reconstituição de época, impecável direção de arte e trilha, contudo, mais apoiado em diálogos, atuação e num roteiro enxuto que brota de um fio de história, algo quase banal mas que cresce em singularidade. Agora é Colin Firth, cuja atuação arrebatadora de um príncipe/rei gago (tartamudo) e inseguro, faz o espectador perder o fôlego. E ainda estão Geoffrey Rush e Helan Bonham Carter a lançar o filme para o alto. The king's speech é por isso deslumbrante, pois é impressionantemente bem dirigido. Tão lindo que exige recomendação para um filme classicão. Recomendo, e ponho o cartaz, que acho, de todos, a síntese do bom gosto e precisão que é este filme.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Festa de aniversário da Jéssica


RECEITA

Perifa/cozinha
Zaíra/Mauá

Antárticas
Vodka
Sake
51
Kiwi
Limões
Gelo
(para caipirinhas e caipiroskas)
Vinho tinto
Vinho branco


2 panetones Visconti
2 pizzas do Extra
1 pcte de pipoca

Cd player falhando
Caetano (O estrangeiro, Circuladô, Totalmente demais, Noites do norte, etc)
Novos Baianos
Secos e molhados
Gal Fatal
Vanessa da Mata (novíssimo)

Uma câmera para registro fotográfico coletivo


5 da manhã apagão da luz
5 velas e nenhum palito de fósforo
colchões insuficientes para todos



É o suficiente.

Síntese de um princípio de janeiro

A chuva chovendo derrubando casas e morros e pondo aflição na gente daqui. Fico no centro ilhado olhando as ondas que a chuva e o vento fazem nos telhados. A estação às escuras, cheia e bloqueada. Volto a pé no caminho enlameado, pensando. A carteira de motorista. As entrevistas em suspenso. A orientação. Os planos de prosseguimento. Márcia e Gláucia, Luís e Gigante, visita com macarronada só para a gente falar de dor de amor e alegrias para breve. A visita breve do Pedro que nem deu para matar saudades. Máquina de lavar nova a toda. O Banco do Brasil impondo essas limitações e filas. Inacreditáveis 9reais pela autenticação de um documento (como nos fodem este Poder). A academia que também ficou lá, com minha preguiça e escuridão. Milhões de jornais para jogar fora. Procrastino. O notebook para um novo sistema. A luz apagou, havia velas e nenhum fósforo. A minha vida anda assim. A casa me expulsando. Deitei e assisti a Medium com Patrícia Arquette, sem dúvida, de todas, a minha série preferida. Sentimental que estou para o bem e para o mal e com todos os hormônios gritando. Bebi demasiadamente com os amigos que estiveram no acaso de um encontro e vieram fazer festa boa de anviersário aqui em casa. Vodka, Sake, Kiwi.  Meu mundo em múltiplos Ks. Caetano ressurgido, cantado, recantado, Gal Fatal, Novos Baianos, poesia e sociologia. Que horas são? O Betinho em stand by. A compulsão noturna. A estreia de um dente discretamente quebrado. O celular bonito e meio inútil. Transações bancárias. Números perdidos. Números ganhos. Dinheiro em comprimidos caríssimos. Diabetes? Exames que dizem negativo e isto é bom. Notícias que vem de longe. Vontade de Tcheckov. Teatro me encantando. Decisões para alguém que nunca foi bom em agir, mas reage a mudanças. Verão com altas pancadas de chuva. 

segunda-feira, janeiro 17, 2011

domingo, janeiro 16, 2011

A n d r o i d


Acho que me apaixonei pelo robozinho.

Musical no Shopping Borboun



Então, ganhando os ingressos para A gaiola das loucas, fomos eu e Lucas ver o Miguel Falabela e o Diogo Vilela no Shopping Borboun. Eu que não gosto de musicais tive que me dobrar à super-produção com direito à orquestra ao vivo, grandes números de dança, boa música, e péssimas letras traduzidas. Peça gay e festiva. Casa lotada. Não é meu gênero de espetáculo, mas é muito bom ver uma montagem superlativa. E sair com o Luks é sempre legal.

sábado, janeiro 15, 2011

Noturno em Mauá


Então a Rafa fez aniversário, e me chamaram para este sábado comemorar lá no Bar do Rock, um lugar incrível! E estavam lá as amadas criaturas que eu bem conheci em 2010, e que me fazem a maior alegria da amizade. E teve som bacanérrimo, banda ao vivo, caipirinhas e caipiroskas, encontros com gente querida que do nada vinham me cumprimentar. E teve o bolo de chocolate com maracuja que o Guilherme fez (!!!!), e a gente serviu aos pedaços no capô de um carro. As meninas, as mais lindas do mundo, e um bom-mocismo na noite sem perigo, sem crimes visíveis, naquele percurso longo entre a Capitão João e a Portugal, onde comemos dogs com cokes de manhã. Não, não choveu.

Dos privilégios de se viver, é ver como tudo muda, que os dezoito e os vinte deles são parecidos com os que foram meus, mas ao mesmo tempo já são mais apurados, luminosos, sem as angústias, os terrores, os medos. Aí a minha certeza de ter nascido antecipadamente, pois eu me pareço mais agora com essa geração do que a minha. Mas do que estou falando? Se meu tempo é sempre hoje, e é hoje que eu consigo ter o crivo de saber que a vida é interessante demais o tempo todo. E o fato de eles me querem bem e perto, só reforça a ideia de que sim, estou no tempo certo. 

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Zé Celso canta



Gravação minha sem edição, no Teatro Oficina. Zé Celso canta em homenagem ao irmão falecido. Um momento inesquecível, quando assisti ao show do Celso Sim com o José Miguel Wisnik - Zé & Celso. Só lamento não ter gravado o Winsnik cantando funk.   

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Ungry birds ou Morram, malditos porcos!

Agora novo vício: jogar no meu Xperia. E Ungry birds, o que é isso de bom e viciante! Amo, adoro, não vivo sem.

127 horas


Mais um filme sobre confinamento (lembra? o outro é Enterrado vivo), James Franco é um astro que merece esse título. David Boyle é um diretor/editor que nunca se perde no impacto visual, na direção de sujeitos vigorosos de repente fragilizados, mas sempre com gana de viver. Adoro seus planos magníficos, split screams, encenação delírios, edições vertiginosas. Este é um drama que é um luxo narrativo.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

"Enfermaria n. 6", de Anton Tchekhov

Tem gente que reza antes de dormir. Eu rezo e leio os russos. Eu leio O beijo e outras estórias, de Anton Tchekhov, as novelas que o livro trás. Ontem terminei "Enfermaria n. 6", e gasto novamente a palavra "extraordinário!" sabendo que não da conta de dizer o que é esse conto, em termos de incisiva análise da sanidade e da loucura. É uma narrativa cruel, irônica, direta, transparente. Faz a gente questionar as firulas dos modernos no campo da linguagem e dos temas, e a pobreza vocabular dos que querem ser simples. Belo trânsito entre personagens tão bem construídos em retratos sumários, seguidas de ações que redimensionam suas certezas de mundo. Homem x Mundo, interior x realidade social, gozo e desencanto. Odeio os nomes, nunca memorizo, mas são imortais as figuras. E ficam. 

Animal Kingdom


Outra indicação do Márcio LG. A cena de abertura concisa, pico na veia. A construção de um clima asfixiante (apesar do off) em que se sente que algo horrível vai acontecer dali a cinco minutos. Mas a espectativa nunca se cumpre, o adiamento se alonga, e se interrompido, é sempre por uma violência apresentada de forma anticlimática. Tensão e esvaziamento reiterados na crônica de família bandida disfuncional. Gosto do discurso do policial que dá sentido ao título do filme: um fraco protegido por fortes. Acho o "menino" condutor da trama pouco menino, falta-lhe uma fragilidade física que o ator não possui (physique du role!!!!) e afastou minha empatia. Animal Kingdom nesta promessa de explosão (quase) nunca cumprida às vezes cansa. (É impressão ou O pântano, de Martel, continua lançando tentáculos na cinematografia global?) É um filme, eu acredito, não existiria sem o centro que está na figura da mãe. Jacki Weaver deveria receber todos os maiores prêmios pela interpretação desta matriarca terrível, perversa, amoral, e ainda assim indevassável. Uma Lady MacBeth sem MacBeth, sem o horror do sangue nas mãos. Uns vão dizer que o filme é do psicótico Pope (que pode explodir a qualquer momento), para mim, o filme é inteiro da mãe-terrível, da vagina-dentada, o olhar corrosivo da anti-medeia Jacki Weaver. 




terça-feira, janeiro 11, 2011

Um lugar qualquer, Sofia Coppola


Acho que ela faz filmes bonitos, mas não sou entusiasta do trabalho de Sofia Coppola. Neste, lindo, ela faz aquele mais-do-mesmo. Homens/atores vivendo em hoteis, afogando tédio em sexo e mulheres, metidos de repente em países estrangeiros, no qual não entendem os códigos. É como todo filme de Sofia, esse choque entre a interioridade e o mundo, onde tudo é frenético e parece fazer pouco sentido. Ou seja, ela está é tratando do vazio existencial, do luxo como anestesia, dos encontros pessoais fugazes, e de repente, os vínculos mais intensos. Neste caso tudo acontece com a filha do protagonista, que é uma atriz tão estupenda que já vale o ingresso. Os deslocamentos/viagens são sempre por lugares deslumbrantes, luxuosos. Ela consegue sempre por no filme algo meio bizarro/kitch (as gêmeas do poledance, a premiação breguíssima na Itália), que surpreende e reafirma o vazio existencial. De certo modo, a impressão é que o filme é sempre o mesmo, mudando o sexo do ator e o cenário: protagonistas embebidos em luxo e enfado e, delicados, querendo mais da vida. 

Rabbit hole


Elogiaram a interpretação de Nicole Kidman como mãe que perde o filho pequeno. Qual interpretação? Achei melodrama contido, insosso, sem transcender. No nível da perda de A árvore. Melhor buscar filmes mais contundentes. 

A árvore

Não vale um toco. Fuja.
Fraquinho fraquinho, Gainsbourg fazendo cara de paisagem. Enfadonho até a raiz. Next, please. 

Twitter

Venci em 2010 minha quota de amor falido, agora eu quero ir à forra.

Eu me pego pensando que talvez tenha vocação para twitter.

You Will Meet a Tall Dark Stranger


(A) Uma comédia sombria sobre o amor.
(B) Um filme sobre fracasso e frustração sentimental.
(C) Um filme irônico sobre ilusões não concretizáveis.
(D) Um Woody Allen menor, mas acima da média de qualquer outro que trate do mesmo tema.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Recebi hoje o negativo mais positivo que se pode desejar. 

É a sempre (tão) supreendente vida. 

Sonho de consumo


Sony Ericsson Xperia X10
câmera 8.1
Sistema Android atualizado
multimídia

domingo, janeiro 09, 2011

Aries, hoje

Previsão para Janeiro

O amor não tem sorrido muito para você ariano e dezembro deixou um pouco desejar. As três primeiras semanas de janeiro serão especialmente importantes para a preparação da chegada de uma das melhores fases de sua vida, carregada de otimismo, aberturas, aventuras e muito prazer! No dia 23 Júpiter entra em seu signo abrindo portas em todos os setores e juntamente com Vênus posicionado em signo compatível com o seu, você pode esperar o melhor da vida até pelo menos o final de maio. Aproveite as bênçãos! 

OXALÁ

sábado, janeiro 08, 2011

ROUBO

Roubaram meu celular. Não tenho número mais de ninguém. O celular não foi grande perda, a única inovação tecnológica dele era vibrar. Tinha quatro toques como recurso. A bateria já viciada, acabava em menos de dois dias sem recarga. Me despertava e dizia as horas. Não tocava mp3, não fotografava, travava de vezenquando e eu tinha que dar boot tirando a bateria. Era pequeno e discreto. Gostava dele apesar de toda sua limitação tecnológica. Eu o perdera umas outras duas vezes, mas ele sempre voltava, pois almas bondosas sabiam que não receberiam por ele nem vinte mangos. O único senão era um arquivo enorme de torpedos comprometedores (pois nunca apago mensagens de sacanagem que mando e recebo), e uma agenda cheia de gente que me fará muita falta se não me mandarem o número do fone por email, orkut ou facebook. Não sei quando vou ter outro celular. Ainda estou vivenciando a perda, e acreditando que o fdp que me roubou vai tomar consciência que não vale sacrificar a alma imortal por um Sansung sem viço, riscado, de 5 anos. Mas fica aí o email para quem quiser me mandar o número de consolação. ninguem@usa.com.


Porno


Diesel's SFW XXX Party Clip - Watch more Funny Videos

Janeiro




Ainda estou à espera 
de que o extraordinário 
aconteça. 







sexta-feira, janeiro 07, 2011

Dudz


Quinta convidamo-nos mutuamente, eu e o Dudz,  para tomar cerveja e falar da vida ali na praça de Santo André, frente a igreja, e excedemos todos os temas. A foto é antiga, mas quero homenagear aquela camisa bacana de estilo semelhante a essa, que vestia, e que disse que comprou num brechó ali perto. Torço por você, meu amigo, e tudo dará certo, pois você é das melhores pessoas que tenho o privilégio de conhecer.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Sobre a necessidade da dor e do sofrimento humano

"E para que impedir os homens de morrer, se a morte constitui o fim normal e legítimo de cada um? O que adianta a algum comerciante ou funcionário viver mais uns cinco ou dez anos? Mas, se se considera como objetivo da medicina o alívio do sofrimento, surge sem que se queira, a pergunta: para que aliviá-lo? Em primeiro lugar, dizem que os sofrimentos conduzem o homem à perfeição e, em segundo, se a humanidade aprender realmente a aliviar os seus sofrimentos por meio de gotas e pílulas, há de abandonar completamente a religião e a filosofia, nas quais até agora encontrou não só uma defesa contra todas as desgraças, mas até felicidade. Antes de morrer, Púchkin sofreu dores terríveis, o coitado do Heine passou alguns anos deitado, com paralisia; por que então não deixar sofrer algum Andréi Iefímitch ou Matriona Sávichna, cuja vida não tem sentido e seria completamente vazia, assemelhando-se à vida de uma ameba, se não fosse o sofrimento." (p. 199). "Enfermaria n. 6" 


Desencanto, pessimismo, niilismo,ceticismo,  ironia: tudo traduzido num parágrafo magistral de Tcheckhov, uma visão seca, desalentada e cruel sobre o sentido da existência humana. Tão perturbador e fora deste tempo de festiva crença na ciência, no consumo e no hedonismo gratuito. Eu que tenho me sentido tão feliz gosto deste contraponto.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Uma história enfadonha (Das memórias de um homem idoso), Anton Tchekhov


Chove há dias. Então não saio. Vejo e revejo filme, leio, escrevo, fico na internet papeando, limpo hds, cozinho.  É começo de ano e penso na vida. Então, volto a ler. Peguei o livro que comprei na feirinha da USP, O beijo e outras histórias, de Tchekhov.

Leio o russo muito apaixonado. Mas não estava preparado para essa novelinha "Uma história enfadonha (Das memórias de um homem idoso)" que foi/é/está sendo do maior impacto em mim, desde que li, recente, Bartlerby de Melville. Esta narrativa embaralha tantos temas, mas fala de envelhecer, de caminhar pra morte, das relações familiares, dos amigos, dos fracassos. Um velho professor universitário engendra reflexões duríssimas sobre o universo acadêmico, sobre carreira, teses, maus alunos, aulas, professores incompetentes. Esmiúça também a carreira teatral, os críticos de música, o rigor das etiquetas sociais, o desamor crescente pela esposa e pela família. É um anti-herói, amargo, rancoroso, sádico, sempre a julgar a todos e reduzir o homem a menor coisa, a mais abjeta, torpe, tola. E no desvão do desdém, mergulha numa insônia incessante em que a grande certeza (melancólica esperança) é da morte para breve.

Contudo, não é só, há o estilo, um Tchekhov que é engenhoso e não sei o que ali é dele, o que é do tradutor Boris Schnaiderman. Verbos no presente, sumários precisos sobre personagens, criação de um narrador não confiável, oscilação entre o dado psicológico e a ação presente, subtextos e subtendidos, linguagem clara, objetiva, mas com rica construção vocabular num estilo direto. A temática existencial, filosófica, religiosa e transcendente, quebrando o mero factual. Uma aula.  


Tcheckhov e Tolstoi

Carancho, de Pablo Trapero


Abutres. De novo a boa forma do cinema argentino, aquele cinema que parece ter um único ator em atividade Ricardo Darin. Sempre excelente (e mais bem sucedido em termos de proteção que nosso único ator, Nanini). Ele é o "advogado" metido em maracutaias em casos de seguros de acidentes de carro. Abutre pois vive dos desastres, da carne alheia, de pessoas que surrupia e engana dentro de um cartel que envolve motoristas, médicos, policiais e outros legalistas corruptos. Ele se apaixona pela doutora exausta e drogadita, quer virar a mesa, mas termina se ferrando. O cinema de Trapero no que tem de melhor: elenco preciso, secura, violência, paixões e realismo. A falta sempre de transcendência, de ultrapassar o registro para nos tirar o fôlego, e não acabar quando acaba.

Me

Tio pela ótica do Pedrovski

Marís


Mudança de visual da irmãzinha.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Mariana Aydar

Eugênia

Meninas mancas não dançam ou fazem sapateado. Meninas mancas claudicam, a vida sempre um obstáculo à vista. Meninas mancas não saem em revista, não vão a cruzeiros, não cruzam passarelas, não viram, nem movem, magrelos passos de engasgo nas passarelas. Elas rimam ruim no texto, põem na vida a cacofonia das frases, o eco sabatinado dos desgraçados. Muitos não dão um centavo por elas, que batem a vida dura no chão, as ancas torcidas, mancas sem tamanco. Meninas coxas não têm o destino das modelos que só sabendo desfilar, saltitam destinos de atrizes. Mancas não habitam coxias dos teatros, não atuam, carecem da altura das moças que vão na vida, que dão certo, das moças que se dão bem sem coxear. Porque em cada passo delas, a hipótese da queda, essas infelizes que soluçam no andar.

Tudo isso eu disse a Eugênia.

[De um conto inacabado, pensado para integrar o Inferno Feliz]

Circuladô de Fulô



Do Galáxias, de Haroldo de Campos.
Circuladô de fulô

Caetano como cego de feira nordestino.

Circuladô, Um índio

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Replicando


Mexendo no computador achei isso. Acho que já postei. Mas replico, pois foi um dia feliz, feito hoje. "Quero tu" é um dos erros mais bonitos que já disseram para mim. Dia 14 não tarda, tu vens do Rio para ver Amy e me ver de tabela. Vejamo-nos para saber onde vai dar essa história.