terça-feira, agosto 16, 2011

O olhar de Majnoun

Conta-se em todo Oriente, a louca e imponderável história de amor entre Leïla e Majnoun. Da fuga que se fez do tirano Arvejah, dos dias no deserto a sobreviver de gafanhotos, de um poço profundo onde se meteram, da perseguição de Xidieh e sua caravana, da dor, do abandono, da loucura final que consumiu Majnoun quando abandonado que foi por sua dama. 

Todos insistem, usando largas metáforas sobre o negro dos cabelos de Leïla, sua tez claríssima, os olhos de rubi, o indevassável mistério de sua beleza que levou Majnoun à irracionalidade e ao abandono errante.

O califa, ao escutar tantas louvações, quis conhecer Leïla , que viva, habitava ao norte da planície de Palah Armurth. Ele a convocou a Bagdá onde foi trazida, onde ele a fez sentar diante de si. 

Durante uma hora, sem se mexer, ele a olhou. 

Em seguida, tendo pedido outra xícara de chá, (a tarde era calma, e não havia outro som que dos pássaros de Quenzal) - mudou de posição e a olhou ainda mais. 

Esgotado o tempo de uma hora, ele se levantou, deu passos e voltou a sentar-se diante de Leïla, que não dissera uma palavra ou esboçara qualquer gesto ante a perscrutação do califa.

No final da terceira hora, ele lhe disse:

Não compreendo como podem contar tantas maravilhas a seu respeito. Por certo que é uma bela mulher, mas acontece que eu a olho, eu a vejo, e não compreendo o que dizem de você.

O senhor me vê - disse-lhe então Leïla -, mas o senhor não tem os olhos de Majnoun.

2 comentários:

CINHA disse...

REALMENTE O AMOR É CEGO, SURDO, MUDO, LOUCO!

CINHA disse...

REALMENTE O AMOR É CEGO, SURDO, MUDO, LOUCO!