sexta-feira, agosto 19, 2011

E aí alguma coisa aconteceu

E aí alguma coisa aconteceu comigo. Assim mesmo. Fiquei doente e fiquei também melancólico. Ou melancólico por que doente. Fiquei mesmo, fiquei também meio seco de palavras. Estado de triste. Revisei minha história. Resolvi não ligar mais, encerrar de vez relacionamentos e ficar muito só comigo mesmo. Resolvi também ligar. Liguei. Não deu em nada. Resolvi cuidar de mim. Fui aos hospitais remarcar exames. E como o exame é complicado, no Hospital das Clínicas de São Paulo. Triste ir lá. Tinha memória de infância correndo por corredores longos, subindo e descendo de elevadores (minha mãe, enfermeira, trabalhou ali anos e anos). Vou para lá e só penso na corrupção do país: acredita?! Centenas de pessoas muito pobres, depauperadas, velhas, em filas enormes, banheiros quebrados, elevadores lotados, exames marcados depois de horas de espera e para dali a seis meses ou mais. É um mundo zumbi, de feiura, deformação, doença, aspiração à morte. Quer que eu engane? É onde nunca quereríamos estar. Mas somos mortais, é a vida. E eu me culpo tanto, pois não tenho consciência social alguma. Política nenhuma. Não acredito nem mesmo em indignação, bons sentimentos, estou a zero e me arrasto também. Sem crença, em meu individualismo pacato, esse anti-viver. E sigo. Metrôs lotados. Trens lotados. Engarrafamentos. Entende o fato externo, interno. Será que é necessário para existir estar em estado de ópio do amor?

Acontece ser dessa vez melancolia brava. Eu respeito também minhas crises. Sigo os compromissos sentindo que não são significativos. E durmo. 14 horas ou mais. Estado de coma de mim. Só ando me sentindo feliz quando durmo. As aulas, arrastadas sem voz. Quase sufocando por falta de ar. Alunos novos, gente simpática, mas que passarão. Nada se retem. Por isso, há uns tempos atrás andei matando uns amigos que me fizeram mal. Seus fantasmas me assombram. Saudades do engodo? Será que não valeu nada esse percurso todo. Ser o não ser, livros, filmes e histórias?

É que sei que isso é melancolia em estado brutal. Nada de autocomiseração: sabe quando se tem a medida da pequenez humana. É preciso que alguma coisa aconteça comigo urgentemente. O lance é querer fazer acontecer.  Por hora, essa vontade crescente de escrever. O que  não é nada e não é pouco.

8 comentários:

@maxmiliano disse...

se quiser um novo e divertido amigo caipira do interior de minas.. to aqui [maxsasil@hotmail.com]

Anônimo disse...

Estava eu procurando uma coisinha nas veias frenéticas webianas quando dou de cara com essa autoficção. Belíssima escritura que não sei porque raios me lembrou Meursault.

O seu Outro ficcional não tem consciência social? Bah! Há uma aguda consciência humanista na câmera ocular que vai mostrando o mundo.Uma indigestão de humanidade! (roubando a expressão de Camus)

Isso não é nada negativo. Percebo um estado casular ou não ?

Quanto a enterrar amigos,siga o conselho de Jorge Amado no seu "Navegação de cabotagem" e enterre-os em cova profunda para que não regresse. Isso não evita que vc. negue um sorisso aos hectoplasmas.

Ah, o seu diário eletrônico é bom, muito bom. Vou favoritá-lo.

Por fim, alguns conselhos para seguir ou não.(Podre, esse negócio de conselho!Mas...)

a) Ler "A tabacaria" e depois jogar-se no chão (tem que ser terra mesmo, nada de chão artificial) e chorar por horas numa posição fetal querendo voltar ao Paraíso.

b)Ouvir qualquer hit antigo da Xuxa em volume de atentado aos ouvidos alheios. (Não ingira nada de sólido antes)

c)Esquecer-se é bom e "Cerca de grandes muros quem te sonhas". Construa uma blindagem sobre si e deixe pequenas fissuras para passar a vida

d) Delete tudo essas bobagens!

Anônimo disse...

P.S. não direcione seu olhar para os grosseiros erros de escrita presentes no Comentário, pois não há tempo para revisar nada.

keli disse...

Muitas vezes as pessoas simpáticas que aparecem em nossos caminhos só passam se deixarmos que elas passem,porque ñ conquistá-las!!!!!

marcio_LG disse...

Bah... quantos conselhos. Eu to aqui, só te observando, atento.

Eduardo Araújo disse...

Conselhos, amizades, abraços, proximidade e distancia.


Agradeço sempre a companhia de vocês,
companheiros de jornada existencial. E curto conselhos. Eles me ajudam a pensar melhor e repensar certezas, mesmo quando divertidos/felizes.


abço

.lucas guedes disse...

melancholia.

Anônimo disse...

Mais tudo isso faz parte de você, porquê se preocupar?Detestar?
Se não está bem? É porque falta algo? Algo que só você pode saber; só você deve descobrir isso.
Apesar, de quanto mais conseguimos coisas, continuamos procurando algo.
Não deixe o que está dentro fique em branco, preencha esse vazio.
Essa força vem de dentro de você!!!

by: Jéssica