terça-feira, julho 26, 2011

Zombie boy


O corpo banalizado. O uso extensivo da tatuagem em nosso tempo. O corpo como catapulta para virar notícia, signo midiático. A ausência de discurso. O corpo como exacerbação egóica. A fetichização de si mesmo.


O corpo apropriado pela moda, pela cultura pop, pelo mass media. O flerte cosmético com a morte, fim estético sem horror de se perecer. Corpo/cadáver/morte apenas signo: objeto vazio sem dor ou transcendência. Questões para já. Leio PORNOFANTASMA, do Santiago Nazarian. Narrativa adolescente. Está tudo isso lá. E essa "sensibilidade" do século 21 me interessa demais prescrutar. Penso.


2 comentários:

Afonso disse...

É uma imagem difícil, incômoda pra alguns… Aconteceu em Londres, no final do ano passado, uma exposição de um fotógrafo russo, acho que se chama Sergei Vassiliev, ou algo assim, não me lembro. Ele fotografou, durante mais de uma década criminosos tatuados, de um presídio em São Petesburgo. Vi umas imagens deles na net, e aquilo, aqueles desenhos, aquelas imagens de sonho, algumas de teor religioso, me passaram algo de fuga de si mesmo, usar a própria pele como escapismo ou refúgio. Ou algo que lhes conferisse uma ilusão de força, de imortalidade, proteção. Mas que, no fundo, talvez, os escravizasse mais…. Agora leio esse seu texto tão interessante, c/ um enfoque tão diferente, essa questão fetichista da tatuagem. Claro, são universos bem distintos. Realmente, o modelo é uma "Vanitas" ambulante… ao mesmo tempo em que cultua o próprio corpo, joga na cara do observador a efemeridade dele. Ao mesmo tempo a vaidade e a insignificância dela, alguma coisa por aí.

Eduardo Araújo disse...

Adorei seu comentário sobre tatuagem. Marca e aprisionamento. Gosto disto.

abço