quarta-feira, junho 29, 2011

Paul


Delicioso. Sarcástico. Pop. Tosco. Banal. Entretenimento acéfalo. Debochado. Divertido

domingo, junho 26, 2011

X-men first class


Assisti com o Igor, em Santos, onde estive de sexta para sábado, luxo de boa pizza, boa macarronada a molho branco (feita pelo moço) e, sempre boa companhia para andar pela cidade fria, ver filme e falar sobre a vida. Já o filme: fraco, não surpreende em nada. Ninguém crê, mas gosto mesmo é do primeiro, que tem tantas cenas legais. Deste, nada parece realmente marcante. E a mudança psicológica dos personagens simplesmente não faz sentido, não se justifica fatos e acontecimentos. Fraco. 

sábado, junho 25, 2011

Meia-noite em Paris


Um filme dos sonhos. O amor por uma cidade reverberando num homem, contaminando-o, levando (de modo surrealista) a encontrar-se. Um filme com mulheres lindas, pois Paris é uma mulher. Um filme racional até em seu mergulho na fantasia. Aliás, um elogio à fantasia, à idealização de um lugar e do amor. Um filme de amor ao belo e à arte. Um pequeno filme sobre a beleza que vivida e não (apenas) intelectualizada. Lindo, feito o céu do cartaz.  

quinta-feira, junho 23, 2011

Dzi Croquettes


Acabei de ver e estou em estado de choque/êxtase/espanto por não conhecê-los, por não saber quem foi Lennie Dale. E por perceber como o mundo (e também das artes) piorou, emburreceu, encaretou. Cada performance que vejo (Meu Deus, eles dançam "Dois pra lá dois prá cá", da Elis) me deixa mais espantado. Não aguentei e mandei mensagem para Djalma, que tem tudo a ver com Dzi.

quarta-feira, junho 22, 2011

Eu e o Lucas



Hoje fomos à Santa Ifigênia comprar um notebook para Lucas. Um super notebook. Tá aí a gente testando, ele lá na casa dele e eu cá na minha. 

CHICO



Vem aí disco novo do velho CHICO com o título de CHICO e meu coração balança.

terça-feira, junho 21, 2011

Pornofantasma, de Santiago Nazarian


Aproveitando ontem minha ida à Paulista encontrar o Bruno-PE, comprei na FNAC o Pornofantasma, do Santiago  Nazarian, livro que eu aguardava a um bom tempo, devido ao meu foco para o conto contemporâneo. Li corrido um dos contos. Observações mais longas virão para cá mais tarde. Por hora fica a capa oficial e aquela que eu acho mais interessante.


domingo, junho 19, 2011

Escute

As novidades de hoje serão sempre as de sempre: gripado, atrasado, à espera, desejoso, frustrado. Livros novos povoando as velhas mesmas estantes (O mal vidraceiro e Ó, de Nuno Ramos, e Os fundamentos do... Syd Field, chegando de longe, sem taxas, pelo Correio). Aquele tempo para sentar e escrever, sem dizer tudo. O sono pesado de roncador, no estertor da noite, sufocando, afastando amantes com pouco amor. Empolgado sempre com um projeto novo, com um assunto para aulas, com projetos de cinema que são só projetos e viram algo, provisório, disforme que ora se realiza ou se engaveta. O hálito de maçãs por hábito, suas frutas diletas. Algumas conversas de computador. Aquele tesão ausente de sair, ou aquela saída quando há o violento tesão. Mas o desejo é sempre distante. Maldizendo a cidade em que vive sem nunca largá-la. Vendo o dinheiro escorrer sem entender onde diabos fica esse escoadouro: nos livros? nos cinemas em que nem mais vai? nos self-services onde come sempre muito e bem,e vice versa? A promessa nunca cumprida de se largar na vida, alargando-a. O medo do risco. Os pés gelados. Os músculos tensos de dias e disensões (distensões) de academia. Os últimos amigos na prancha rumo ao mar: afogamentos necessários por descaso, ingratidão, ganância; ou idiotia não mais tolerada. Esquecimento sempre, por anemia no trato, o sensabor das mesmas conversas. E uns muitos jovens chegando querendo que fiquem até o fim da vida.


Desistiu de morrer novo (e isso já não é possível), por isso começa a ter medo da não-contribuição na carteira de trabalho. Olha fotos de uma década sem espanto de se reconhecer. Arranca selvagens fios brancos das orelhas. Mas sabe que vai acabar um animal peludo que nas sombras menos urra que ronrona carências pretéritas. E não é que acreditando-se demasiadamente humano fica mais e mais temente/dependente  do amor de Deus. Lista falhas com uma facilidade tamanha. Querer ser outro tornou-se mais fácil quando deixou-se apenas ser. Não se isenta de nenhuma culpa, nunca. É o mesmo que se arrepende DIARIAMENTE do que não fez, não faz, não está fazendo. Usa o mais-que-perfeito com frequência, para horror de amigos de bom gosto literário. O livro fez-se com o título bonito de Inferno feliz, gosta de tudo que está nele, mas deseja acrescentar uns outros textos. Tem a ambição de ser Autor. Prestamista ainda, avarento avariado gosta destes jogos de palavras de gosto duvidoso. E lança um foda-se para o ouvido crítico dos outros. Quem pode, mais rigoroso que ele? Gosta sempre das mesmas coisas, é dizer que regurgita e que rumina e range os dentes pela voz de Elis, os cantos de Caetano, as composições desnorteadores de Chico, a voz de Gal, de Nana, de Caymmi, e João Gilberto. Reconhece-se, assim, cada dia mais baiano, um baiano de gerações, mas que nunca foi àquela Bahia mirrada, maledicente com nome de mãe e de santa. É autor de um cem número de atos falhos, que no final redundam num complô de si para si. Autodestrutivo até os tocos das unhas. Em ruínas, os dentes, pesadelos dos dentistas. Mas continua rindo, um pouco mais torto a cada dia. E sabe que vai sabendo um tanto mais também sobre literatura, cinema, como escrever bem, como falar em público, lecionar com competência, reconhecer talentos.  Anda meio sem inspiração para escrever, para falar de si, desses amores possíveis que pipocam fácil e são dificílimos e fragorosamente destinados a ilhas e naufrágios. O coração bate no ritmo de 14km/h na esteira da academia onde sonha marombar. A barba cada vez mais fechada fica até à vitória dos pequenos fios brancos impiedosos. Chora em velórios alheios. Chora em dramas americanos, animações da Pixar. Chora de ódio diante da injustiça. Identifica-se com losers em geral. Se vira bem no society, e mal no inglês. Acontece tem um coração suburbano, desses, de pinguim de geladeira e pastel de feira de domingo. Não abre mão de rezar vezenquando. Sabe onde mete o nariz, grande, redondo, perfeito na ossadura masculina da cara ,suprimidas as bochechas salientes do passado. Gosta do rosto que o tempo vai dando-lhe. Contudo, não para de pensar no Tempo um minuto que seja, como contagem regressiva inescapável, por isso anda esperto e vivendo tudo, com gosto, para já. Teme a morte de parentes próximos. Não anda muito nesse negócio de linha ecológica. Voltou a acreditar apenas nos irmãos. E tem um orgulho danado do sobrinho Pedrerico. Nasceu com vocação para tio. E como nunca antes, aspira a um futuro pacífico de cultor de sesmarias.

sexta-feira, junho 17, 2011

Os músicos

Faz calor. Os grandes espelhos da parede vieram da Europa no fundo do porão; cristal puro. “Tua vá fez risinhos e boquinhas, namorou dentro desse espelho.” Respondo: “Minha avó nunca viu esse espelho, ela veio noutro porão.” Nesse instante chegam os músicos, três: piano, violino, bateria; o mais moço, o pianista tem quarenta anos, mas é também o mais triste, um rosto de quem vai perder as últimas esperanças, ainda tem um restinho mas sabe que vai perdê-las num dia de calor tocando os Contos dos Bosques de Viena, enquanto lá embaixo as pessoas comem bebem suam sem ao menos por um instante levantar os olhos para o balcão onde ele trabalha com os outros dois: Stein, no violino -cinqüenta e seis anos, meio século atrás: espancado com uma vara fina, trancado no banheiro, privado de comida “nem que eu morra você vai ser um grande concertista” e quando Sara, sua mãe, morreu, ele tocou Strauss no restaurante com o coração cheio de alegria - Elpídio na bateria, cinqüenta anos, mulato, coloca um lenço no pescoço para proteger o colarinho, o gerente não gosta mas ele não pode mudar de camisa todos os dias, tem oito filhos, se fosse rico ─ “fazia filho na mulher dos outros, mas sou pobre e faço na minha mesmo.” ─ e todos começam, não exatamente ao mesmo tempo, a tocar a valsa da Viúva Alegre. Na mesa ao lado está o sujeito que é casado com a Miss Brasil. Todas as mesas estão ocupadas. Os garçons passam apressados carregando pratos e travessas. No ar, um grande burburinho.

in Lúcia McCartney, de Rubem Fonseca.

Mama, son tanto felice



E resolvi colar aqui a música, que é título deste livro de romance/contos (sim, isto existe) do Luiz Ruffato que estou lendo: Mama, son tanto felice. E já antecipo que é uma obra-prima, pois o estilo de Ruffato faz pensar que Guimarães Rosa encontra Gabriel Garcia Marquez. Os dramas enormes, as paixões duríssimas, o melodrama dos trópicos, a ópera mais silenciada que gritada em quartos fechados de segregamento/segredos familiares. Todos, personagens italianos, que rememoram, vem e vão, renascendo e matando as famílias predatórias. Um mundo italiano no sertão mineiro. Guatacazes é o mundo.

E, meu Deus, o espanto de crer que, nos subterrâneos do que não se lê, - mas se sabe existente (como Nuno Ramos, Marcelino Freire, Ivana Arruda), - nasce uma nova era de ouro na Literatura Brasileira. Já não era sem tempo.

quinta-feira, junho 16, 2011

quarta-feira, junho 15, 2011

Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin



Completamente apaixonado pelo trabalho do casal de fotógrafos holandeses Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin com suas fotos de moda surpreendentes, fakes, postadas, imperfeitas.


E aqui, lindos, quando jovens. 


segunda-feira, junho 13, 2011

Doente

Três dias de febre e milhões de pendências. Para não passar todo tempo na cama, levanto e venho ver email e ver quem se lembra de mim. Não aguento mais ficar doente.

quarta-feira, junho 08, 2011

Eduardo e Mônica



Comercial curta-metragem incrível.

Lea T


Top transexual. E brasileira. O mundo me espanta com mudança e velocidade. Não que essa permuta de gênero seja novidade (vejam o Decameron, de Fellini), pois eles já estavam por ai muito antes de Cristo, e seguirão existindo para além das Marchas para Jesus.

Ipanema, no mirante


Clicado no iphone novo Leo, há dois dias, no mirante de Ipanema.

terça-feira, junho 07, 2011

Péraí éssepê

Éssepê, soube do frio que fazes e decidi ficar. Agora que minha garganta anda boa, eu quero minha boca livre para sabores, cantos e beijos. E foi difícil achar nave com voo para pousar em ti. Há inclemências demais em teu corpo e greves gerais generalizadas. Devias dar o refresco de dias ensolarados para toda essa gente enfadada de tanta fila, estupimento de vias, boeiros, bocas de lobo cerradas para todo dejeto que vai desembocar no mar. Este, por sua vez, em ressaca: latas de cerveja, vinho, garrafas pets. Ok, aqui também faz frio, mas sem os teus rigores, a tua cartesiana lógica protocolar, burocrática, teu fingido caos meticulosamente orquestrado. Éssepê, sabes que eu te amo demais, mais até (confesso) que o Abededê, província de fábricas operárias nordestinadas a sempre dever ao fmi, ruborizado de vermelho petista ante a superprodução chinesa. Aliás, houve marcha pra Jesus esses dias por aqui. e nunca vi tanta gente feia. Jesus anda muito mal representado, embora eu ache mesmo que Jesus não tem necessidade de que se marche por ele, estarão a confudí-lo com o senhor dos exécitos.

Gosto do "amai uns aos outros como a si mesmo" - que é a mais bela das bandeiras, quase um convite ao onanismo fraternal.

Mas volto breve, Éssepê, é promessa.

beijos.

do seu fi-im.


Du

domingo, junho 05, 2011

Complexo


Assisti. Complexo do Alemão. Bastante estetizado: fragmentando o espaço e entrecortando gente e ações para mostrar o "clima", mais até que ambientar. Pinceladas de significativas entrevistas: a mãe evangélica com 5 filhos, o lider comunitário sexagenário nordestino, os traficantes, os funkeiros, os intelectuais da favela. Sem condenar o tráfico. A complexidade da conjuntura. Um certo olhar amoroso plasmando o belo e o grotesco entre vielas estreitas das favelas vistas em fade, desfoques, travellings, tecos de realidades que não abarcam o todo. Visível. Mas de novo, insuficiente.

Estamos juntos, Toni Venturi


Ontem, as duas horas no Odeon (Cinelândia) assisti a este filme. Boa proposta inicial: uma médica doente. A médica, Leandra Leal, prometia. Cauã num papel divertido: um dj gay. O para todos nós desconhecido ator Nazareno Casero, muito muito ruim. O diretor sem corromper sua linha de cinema engajado (ele coloca a médica em meio a grupos que lutam por ocupação de prédios desabitados em São Paulo)  sem conseguir, porém, sair da superfície e do clichê das lutas.Diálogos palavrosos e por vezes artificiais em sua literatisse, o drama pessoal expresso por caretas e desfoques, mas sem desvão. Mas o pior de tudo, o imperdoável é a presença do fantasminha-camarada, minha consciência, meu chato câncer-cerebral Lee Talor, que me deu um tanto de vergonha alheia. Na verdade, o filme não é ruim de todo, o que o empobrece é a superficialidade com que tudo que se propôs é conduzido: raso, sem sair da superfície que é São Paulo, seu caos, sua gente.

sábado, junho 04, 2011

acontecimentos fora da ordem

quinta e sexta misturadas: trabalho apresentado no pacc com sucesso. mulheres que fazem a nova literatura do brasil, num sebo em botafogo. almoços ótimos. mas comendo doces demais. nenhuma foto tirada de canto algum. a tarde em ipanema na cama com uma intensidade já esquecida. passeios adiados. televisão a cabo pifada aqui. as boas conversas com jô. A espera de menina Janete que promete que vem e não vem. a garganta que se somou a uma gripe, mas é sol e calor lá fora: durmo péssimo, acordo bem, os dias ótimos. esqueço de passar na farmácia a tardinha. me segurando para não ligar. ccbb ou odeon? vontade de teatro. comprar um chip para o cel no rio. e passagens de volta para o mundo mais real.

sexta-feira, junho 03, 2011

Catástrofes

Não sei como acontece, mas acontece. Passagens compradas pro Rio e dia de saída de casa, greve geral de ônibus no ABC e nenhum táxi disponível. Imagine descobrir isso uma hora antes de sair pro aeroporto? Acordar irmão que passou a noite na balada, e trem lentíssimo. Chego no aeroporto e descubro atraso nos voos porque foram cancelados devido à neblina. E é preciso sentar e esperar alguns minutos/horas. Ok, sento no banco e aahahah caio no sono. Acordo desesperado para descobrir, no balcão, que meu voo partiu e vou ter que comprar outra passagem três vezes mais cara. Ok, farei isso, mas cadê minhas malas? E não e que elas já estavam rumo ao Rio. Erro nosso, disse a atendente, por isso o senhor (eu) embarcará sem custo no novo voo, daqui a tres horas. E eu penso na minha mala girando na esteira. E pago  6 reais num cafezinho e 3 num mísero pão de queijo, pois a viagem que ia ser às 11h só sucederá as 14h45. Mas como tudo é possivel, novo atraso de voo pro Rio, e saio de Guarulhos as 15h25. No meu assentinho no corredor péssimo (eu tinha comprado na janelinha, perto da porta de saída), rezo pois o que falta é a queda do avião. 

Olha, eu sou atrapalhado, mas eu me entrego às manifestações do destino, eu creio nessa tal de Providência, pois acredito, sim, acredito, que tudo tem um por quê. E penso em catástrofes, tiro de morte, explosão, não esse papo bom e nesse depois que tive com você, no voo, depois aqui almoçando, e por fim todo os afins possíveis. Pois sim, tudo que não estava acontecendo acontece de repente, e faz ganhar fatalmente um sentido. Já falei, anotem, eu sou aquele personagem do desenho da Blue Sky, quase uma arara azul, e coisas incríveis acontecem comigo quando estou no Rio.

quarta-feira, junho 01, 2011

Voo de novo

Tem jeito meu coração, ficar esperando aquela ligação que nunca virá? acalentando já essa antiga dor de amor que de repente bate como porrada, o insuperável drama? Desisto. Pego minhas amígdalas inflamadas e vou para o Rio me inflamar por lá, apresentar trabalho de fim de pacc, fazer conexões para o documentário novo, caçar casa, beber amizades. Vou neste frio, que mesmo o frio daquela terra é menos frio do que aqui, ainda que encontre quem me aqueça. Vou, que o desespero ante paisagem é mais promissor mais profícuo: eu quero mesmo com afinco é ir, botar o pé na areia e fincar a minha marca, com ou sem ressaca, mar furioso. Amar, amaro. Vo(o)u.