segunda-feira, abril 25, 2011

Um dia depois de ver o Escher

Garganta (inflamada) aos gritos. Roupas trancadas dentro de casa. Pedrerico esfuziante. Mama en su vestido muy lindo. Encontro com o menino das Relações Públicas, mas que trabalha naquele café do aeroporto de Congonhas. Encontro com Cleyton na Paulista. Leituras postas à prova. Fotos na rua. Massa naquela cantina nos Jardins depois de longo périplo. Os tênis bonitos que parecem desenhados nos pés. As lojinhas de eletrônicos para perder horas. As mil mensagens de eu te ligando sem que sobrevenha em alô amoroso. A espera na livraria Cultura. A mensagem que veio atrasada e me atordoou. O livro de entrevistas do Júlio Cortázar sobre contos de inacreditável preço. Exposição de autômatos na FIESP. O disco novo do Marcelo Camelo que me acompanha para casa, e que me irrita um pouco com aquela palavra solidão em todas as letras. Esses filmes que assisto ao chegar em casa e que não me animo em por aqui. O disco pascal de Calcanhotto que Conrado me indicou por email. Longo período respondendo correios, pesquisando sobre os contemporâneos que leio incessante e que me formulam ideias para novos trabalhos. Nada mais adiado. Os apartamentos que ruem ao meu olhar. E tudo vibra brilhante na minha câmera que rouba imobilidades. A cidade um pouco fria. O tráfico de olhares. E você que não pode vir ao meu encontro. Como sozinho. O ensaio rascunhado à mão, finalizado afinal. Amanhã leciono sobre a literatura fantástica. Ando cheio de revelações. Vou à academia. Não ando mais com inspiração (ou talento) para dizer outra coisa no Revide senão das coisas práticas. Mas breve, volto a enlouquecer com bons planos e amigos reunidos ao pé do sofá com planos explosivos para fazer a diferença em tempo em que nada acontece. E me martela a frase cínica do Vonnegut: "Se Deus não estivesse morto, ele seria ateu."

2 comentários:

Cleyton Cabral disse...

É sempre bom revê-lo, mesmo que às pressas. Abs.

Beatriz Cruz disse...

Que dia!