quinta-feira, dezembro 29, 2011

Carnage, de Roman Polanski


Decepção absoluta. Puro teatro filmado, ainda mais com um texto desinteressante que só favorece performances histéricas de bons atores. Quanto ao texto - hiper discursivo - pretende ser revelador das hipocrisias determinadas pela polidez social e botar em questão que o homem é por natureza violento (o deus da Carnificina) tudo anestesiado e repousando sobre falsos discursos politicamente corretos. A premissa é a briga dos filhos dos dois casais num "parquinho" a obriga-los a se encontrarem no apartamento para discutir a questão e redigir um documento formal. O que incomoda bastante é a inverossímil a permanência do casal no apartamento. Fraquíssimo.

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Copiar blog, site - Httrack


Tive que fuçar velhos cds para achar minha versão antiga desse programa cujo nome nem mais me lembrava. Httrack, eis o nome. Baixei versão nova e pus em prática a missão de copiar integralmente meu blog REVIDE. Este mesmo. Incluindo postagem, fotos, músicas, vídeos etc. Levou mais de 12 horas, e pronto, agora tenho um dvd com anos de REVIDE, sem o risco de um dia apenas me desligarem e apagar tudo. É que REVIDE é mesmo minha memória, imagens de onde estive, pessoas que conheci, livros lidos, interesses provisórios, alguns gracejos, coisas serias demais, etc. Coisas que quero guardar. Estava pensando em apagar tudo, para retomar animado, redescobrir assuntos ou assumir novos perfis, abordagens. Mas resolvi tão somente mudar a cara do blog, radicalmente. Sabe mudar para continuar o mesmo. Então congelei-o na minha copia, e mudo sem risco de perdê-lo, casa o perca no blogspot. E fica a dica do melhor programa para baixar integralmente um site que julgar interessante.

Dois blockbusters no cinema e um cabecinha


Assisti a ambos no cinema (!!!!) em Mauá, para contribuir contra a crise econômica norte-americada, portanto: fui simultaneamente solitário e solidário. Ghost Protocol é tudo que se deseja de um filme de ação: apelo visual, ágil nas cenas, trama mínima mas algo instigante, alguma levada emocional, personagens sexies, e montanha russa. Melhor antídoto não há para uma pessoa como eu que sempre fico introspectivo e um tanto depre em fins de ano. Batata, refrigerante, uma caixa inteira de bombom do bom, juro que saí feliz do cinema. Infinitamente mais terapêutico do que qualquer sessão de análise que me fizesse pensar na morte da bezerra e querer entender por a vida no final não faz sentido. No filme do Cruise já velhinho, tudo se encaixa, faz sentido e explode quando tem que explodir, principalmente gente mau caráter. As minhas, no mundo real, estão vivíssimas. Saio de lá sem pensar em assassinatos e acreditando, realmente, que montanhas russas foram criadas para isso: para gente se lançar, mesmo que no final a gente fique um pouco nauseado ou enjoadinho.


Fusão de 300, Troia e Fúria de Titãs. Impacto visual, trama rudimentar, elenco inteiro composto por sub-atores/sub-celebridades. Tudo hiper-estilizado, emulando algumas caracteristicas do 300 mas sem aquele frescor. Para quem conhece minimamente mitologia, a trama é estapafúrdia, mas ok, quem assiste a um filmes desse quer mesmo é ver cabeça rolar. E elas rolam, rolam, rolam. Parece campeonato de futebol. Sangue espirra, gente morre queimada, afogada, esmagada, esquartejada, perfurada, em câmera lenta, acelerada, em efeito bullit-à-la-matrix. Espetáculo da carnificina. Feito televisão brasileiras as seis da tarde, mas sem a desvantagem dos comentários "pseudo-humanistas" de indignados datenas. Morrem em Immortals - olha o título parece zombar da gente - o que mais se tem é morte. Deuses também morrem nas mãos de deuses. A pirotecnica toda funciona bem, mas o Ghost Protocol - citado anteriormente - nos diz quão desnecessário são os filmes em 3d para nos colarem - espectadores - dentro do filme. Ao contrário, dispersam. Assisti em 3d e dublado, ninguém merece tal aberração, ainda mais nos diálogos sofríveis (tem sim, aquelas frases de efeito e aqueles discursos constrangedores para incitarem soldados à luta) que ficam piores em português. Recomento se você conseguir digerir com uma coca açucarada e um saco GG ou EL de pipoca, combinação - açúcar/e sal - que contribuem em muito para dar barato diante destes filmes, muitas vezes, não palatáveis.


Agora o filme "cabecinha" que vi em casa. Na verdade "falso cabecinha" com seus atores/andamento fingindo produção indie. Tudo de mentira. É um câncer que não convence, situações tragicômicas que não convencem, tristeza que não convence, amizade (com um boçal) que não convence, sofrimento (em perspectiva da morte) que não convence, trama amorosa (com a terapeuta pré-adolescente) que não convence. Ou seja. 50/50 tá mais para 5/5. E olha que eu adoro o Joseph Gordo-Levitt. E ele fez  Mysterious Skin!!!! 

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Hearts of darkness - A filmmaker's apocalypse

Confesso abertamente que não sou fã do filme Apocalypse Now do Coppola; o que não me impediu de realmente apreciar a esse documentário (dirigido pela esposa de Francis) sobre o processo de filmagem desse classicão sobre a guerra do Vietnã, adaptação livre de O coração das trevas de Joseph Conrad, e com aquela cena antológica de Marlon Brando. A loucura da filmagem, que vai de troca de protagonista, tufão, infarto do ator principal, guerra real na Tailândia, drogas, quebra de prazo, orçamento e loucura dos realizadores é uma declaração insana de amor ao Cinema (de autor).


domingo, dezembro 25, 2011

Filmes antes que 2011 termine

 Uma animação de traço moderno mas de trama (cômica/policial) e antamento convencional. Nada muito memorável.


Para os americanos a política é uma questão moral, e não estamos falando de ética ou lealdade, o ponto central será sempre a indiscrição sexual de políticos poderosos e subalternos. Não vi nada de novo, nem no enredo, nem na atuação talentosa dos protagonistas. Next.


Melodrama sobre racismo na América, maniqueísta e redutor. Ameno, emocional, comovente. Eu que não intelectualizo ao assistir qualquer coisa que veja, me entrego, me comovo, vou às lágrimas. Sem apedrejar todos brancos e garantindo a integridade dos negros, sempre bondosos, oprimidos, fiéis; o filme é homenagem à empregadas negras e faz certa condenação à sociedade wasp (e hiper-conservadora que ainda vigora nos EUA). O roteiro é esquemático, tanto que a maior parte dos personagens não passam de meras caricaturas. Lágrimas, abraços com piano e sopro ao fundo para dar emoção e irritar. Esse certamente vai pro Oscar.

Deliciosamente malicioso. Moça opera o nariz e vira um vulcão sexual que perturba a cidadizinha onde nasceu. Escritores recalcitantes, adolescentes instigadas e loucas, esposa submissa e homens em ponto de bala. Uma comédia inglesa típica: humor, ironia em falas e situações, boas viradas. O ganho é a sensualidade que de Tamara tudo contamina. 


Mistura de filme pop e filme cabeça, a começar por seu ingrediente mais delicioso: política e sexo. Judaísmo, trauma, incesto, imigrantes, conflitos ideológicos, ecologia, Europa, indústrias nucleares, política, democracia, capitalismo, nonsense etc. Baya é uma "puta política" que converte os de direita e de centro por meio do sexo a mudar de partido. Casal protagonista apaixonante. Forma narrativa cheia de charme e achados.

A obsessão pela juventude materializada nesta ficção científica que, por ambicionar ser apenas pop, não consegue atingir todo seu potencial. Gosto da ideia do tempo ganho com trabalho e gasto como moeda. Não é 100% divertido nem 100% sério, mas é assistível e traz boas ideias.


Ryan Gosling simplesmente arrasa. Mulligan, que é/será sempre uma adolescente querendo nos convencer como mulher (e o que lhe salva é a expressividade de seu rosto e seu silêncio). A narrativa tem um andamento retrô (parece filmado nos anos 70, com toques contemporâneos). É um filme excelente, a começar com a sequência de abertura que já mereceria um prêmio.


Um filme francês em que uma jornalista (no presente) investiga a ocupação nazista na França, os campos de concentração, a tragédia da menina e a reverberação disso nos descendentes. Não me convence muito as reações dos personagens, a culpa atávica, a opção de Kristin por não abortar. Junta certa frieza e intelecto europeu com aspectos melodramáticos de filme/condução do cinemão. Uma hora descompensa e não convence, pelo menos a mim. Achei chocho.


Reassisti ao belo documentário feito por Scorcese sobre esse diretor genial. Gosto das entradas de Scorcese dando depoimentos pessoais sobre o impacto de Elia Kasan em sua biografia e em sua arte. Linda sequencia de A leste do Éden. O documentário careceria ser mais longo para dar conta do que é Elia, mas cumpre a função de fazer desejarmos assistir a tudo que ele deixou.


Quando a personalidade do protagonista é o filme. A trama policial fica menor diante do carisma do guarda politicamente incorreto, louco por prostitutas e bebida. O drama da mãe com cancer corre a parte sem cair na pieguisse, o confronto com o policial negro americano soltando faíscas entre as mentiras oficiais, a hipocrisia, o cinismo e a grosseria. Um filme que pica para o estilo dos irmãos Coen. .


Glen Close interpreta um homem, que é uma mulher, que se passa por mordomo de um hotel e sonha em ter uma tabacaria e uma esposa para ajudá-lo/a. Neste processo acha a oportunista "Mia" (nunca sei o nome dos personagens) e seu amante. É daqueles dramas contidos, à moda inglesa, de moral/costumes rigorosos por causa do abismo de classes e posições muito definidas na sociedade. A impressão é que Nobbs vai se ferrar na cena seguinte. No seu realismo duro, o final é sem concessão ao público embora traga algum aceno de redenção. Contudo é filme menor. As interpretações, todas convincentes. O texto é parco (deveria ser mais, pela força do diretor/roterista Rodrigo Garcia) e nada surpreende. Um filme linear, clássico, quadradão, daqueles feitos em outras décadas. Destes ingleses ou à sua maneira, eu revejo constantemente Vestígios do Dia (com Anthony Hopkins); e meu sempre preferido Retorno a Howards End; gosto também da Idade da Inocência, do Scorcese. Quanto Albert Nobbs, juro que não entendi a presença de Jonathan Rhys Meyer como mero figurante. Já Mia é onipresente no cinema atual, mas precisa variar de papel, como fez recentemente em Restless.


Os emotivos anônimos é daqueles filmes franceses fofos, poéticos, cheios de gracejos delicados, uma comicidade feita por personagens excêntricos na linha Amelie Poulain. Direção de arte impecável, diálogos espertos, emociona sem parecer idiota, sempre apostando na simpatia e na delicadeza dos personagens. Espécie de romantismo poético em cruzamento com comédias românticas com boa dose de nonsense. A trama: chocolateira hiper-tímida vai trabalhar numa fábrica de chocolates e atrai a atenção de um chefe incapaz de expor suas emoções. Encontros, desencontros, beijos, casamento e final feliz. Filme para dias ensolarados.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

Heavy Cross



Acho a voz, a performance, a música e o clipe sensacional. Pronto. Tá Ditto.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

A uma capa fake e jocosa da Piauí no Facebook


Eduardo Arau A primeira vez que vi achei que era realmente uma capa da Piauí, mas depois vi que um sujeito tinha "parodiado" diversas capas, mostrando o que estaria escrito se elas fossem sinceras. Adorei a sacada: debochada, sarcástica, inteligente. Gosto de crítica com humor e ironia. 


Mas eu quero mesmo é falar sobre a Piauí. Os textos são enormes e muitas vezes dificieis mesmo. Andei aqui em casa conversando com um camarada meu (Bruno, ele tem 22 anos, tá terminando História em MG, ex-aluno-Henfil), e a gente estava discutindo que atualmente existe uma espécie de elogio do fácil e uma hostilização a tudo que for "realmente" intelectual e "cabeça", como se ser crítico/pensante fosse sinônimo de chato. Pessoas inteligentes que leem, vão ao teatro, escutam boa música, gostam de estudar e dominam assuntos/matérias complexas são chamadas de Nerds e Cu-de-ferro (CDF) e são "figuras satirizadas" em piadas, filmes e séries. Juro que nunca entendi bem por quê. Sei, entretanto, que isso produz  na sociedade uma imagem depreciativa das pessoas que se interessam por boa leitura, música, aprofundam seus conhecimentos, não marombam, não curtem futebol, carnaval, mma, funk ou raves. Como não correspondem ao "padrão estabelecido por uma maioria" são estranhos. O "chato-cabeção" é uma imagem construída justamente por veículos que confundem arte com entretenimento; informação com sensacionalismo; saber com quizz, competições de soletração, decorebas e outras deformações do que é ser intelectual. Atualmente, no Brasil - não sei se no mundo - há uma espécie de rancor a tudo que é intelectual, ou acadêmico ou exige esforço de raciocínio. Tanto é assim, que ninguém se afirma realmente inteligente, sem pôr ali no seu discurso certa ironia, autodepreciação, faz uma quebra do que diz para um assunto banal. Ser mediano é a nova ordem: mediano orgulhoso de sê-lo (e de ignorar o uso dos pronomes). Antes Clarice Lispector ia conversar com estudantes na universidade, bem como iam outros filósofos e intelectuais. Hoje seriam ignorados e facilmente substituídos por alguma "entidade midiática" do estilo Jô Soares, Pedro Bial e CQCs (incluindo Marcelo Taz, que faz também certo esforço de abastardamento do que é ser inteligente). No plano da música, Chico Buarque, Caetano e Gil iam cantar na Poli-USP, hoje os estudantes se orgulham de curtir forró e sertanejo UNIVERSITÁRIO. Piaui me faz pensar que revistas longas e chatas são necessárias em épocas de grande superficialidade, elogio à burrice (fingindo de despojamento cool) e mediocridade generalizada daqueles que realmente "não conseguem" pensar.

terça-feira, dezembro 20, 2011

Meu apartamento em Sampa


Depois de anos enrolando, eu me mudo para o centro de São Paulo. Centro mesmo, com vista ampla para o viaduto Santa Efigênia, ali ao lado do metrô São Bento, do Vale do Anhangabaú, a um passo de tudo. Mudo no estilo Eduardo, radicalmente, levando só livros, roupas e algumas cuias. Tudo dos sonhos, com direito a reforma completa, troca de piso, pintura, louça, decoradora com fita métrica exigindo cortinas, armário, sofá, máquina de lavar, pois decidi ficar por aqui um tempo enorme e quero tudo novo. Uma esnobada no passado, no adiamento. Tudo estalando novidade, plástico bolha na alma, morar só comigo mesmo, sem ser sozinho. E já planejando encontros com vista, recepção de amigos, onde malhar, onde estudar fotografia, onde deixar carro se me interessar ter carro. Já comprei cacarecos na esquina, café em frente de casa, fico manjando o movimento das pessoas no viaduto. Fotografando a incauta paisagem. Chaves na mão, vou em definitivo logo nos primeiros dias do ano. Ando feliz da vida que anda feliz comigo em movimento. E fica aí uma amostra grátis da minha vista antes que você baixe lá para me visitar. 


E embaixo, as figuras envolvidas na mudança



domingo, dezembro 18, 2011

LIVROS NA FEIRINHA DA USP

Por causa da confusão das humanas, a já tradicional e aguardada feira de livro da USP (sim, aquela que reúne as maiores e melhores editoras do país vendendo tudo a 50% do preço de tabela) aconteceu na POLI. Achei longe demais, contramão de tudo, e em vez de se concentrar num único espaço foi espaçada em três prédios, relativamente longe um do outro. Para piorar, não tinha onde comprar uma coca-cola, ou algo para comer. Então, quase 20 horas (cheguei as 17h) estava completamente esgotado (tinha chegado de viagem nesta mesma sexta). Confesso, que faria de novo. Gastei uma fortuna em livros, e ponho aí a lista pra matar a todos de inveja. 

Os anões, de Veronica Stigger
Gran cabaret demenzial, Veronica Stigger
Escolhs - uma autobiografia intelectual, de Heloisa Buarque de Hollanda
Geração zero zero - fricções em rede, org de Nelson de Oliveira
À espera do tempo, filmando com Kurosawa, de Teruyo nogami
Lendo música - 10 ensaios sobre 10 canções, org. de Arthur Nestrovski
Cinefotorama, de José Medeiros
Poesia completa, de Manoel de Barros.
História de canções (Chico Buarque), Wagner Homem
A defesa do mistério - biografia de Fernanda Montenegro, de Neusa Barbosa
Estação Brasil - conversas com músicos brasileiros, de Violeta Weinschelbaum
Borges oral & Sete noites, de Jorge Luís Borges
Ana Cristina Cesar - Correspondência incompleta, de Armando Freitas Filho e Heloísa Buarque de Hollanda
Critica e tradução, de Ana Cristina César
Fluxo-floema - Textos em ficção, de Hilda Hilst
A olhos vistos - uma iconografia de Machado de Assis, org. helio de Seixas Guimarães
Guimarães Rosa - Cadernos de Literatura Brasileira, do Instituto Moreira Salles
Tês Ottos, por Otto Lara Resende
Um mestre na periferia do capitalismo - Machado de Assis, de Roberto Shwarz
Ensaios de Literatura Ocidental, de Erich Auerbach
Teatralidades contemporâneas, de Sílvia Fernandes
Biografia de um poema, Carlos Drummond de Andrade
O azul do filho morto, de Marcelo Mirisola
Por que ler dante, Eduardo Sterzi
um homem célebre - Machado recriado por autores contemporâneos
O capote e outras histórias, Nikolai Gólgol
Crime e castigo, Fiódor Dostoiévski
A estrutura da bolha de sabão, de Lygia Fagundes Telles
O som e o sentido, de José Miguel Wisnik
Contemporâneos - expressões da literatura brasileira no século XXI, de Beatriz Resende

E mais quatro livros infantis lindíssimo para meu sobrinho Pedrão.

Led Zeppelin




Você pode até não gostar tanto assim de rock, mas algumas coisas são fodásticas e históricas: música, performance e comportamento, sem par para Led Zepellin.

sábado, dezembro 17, 2011

Havaianas brancas e sunga preta ao sol de Ipanema

A Ipanemia é uma doença fútil, já dizia Caetano. Mas decidi do nada entrar no mar. E fui. Apesar do sol da tarde o mar era o Ártico a fazer duvidar o derretimento das calotas. Mas tive que voltar. Peguei táxi; 0h40, já no ônibus faróis que cortam a noite e uma linha longe de mar. Cansei de avião para perto. Dá um trabalho dos diabos acordar cedo, chegar uma hora antes, descarregar e pegar mala, a quilômetros de onde vivo, não compensa. Chego na Rodoviária, compro meia hora antes ou menos, e sem muito planejar, já estou acomodado. Gasto na noite o tempo morto, que é o do sono, embalado na trepidação da estrada. Boto meus fones, me enrolo no cobertor e em 6 horas desembarco sem interrupção no Tietê. Ligo para irmã chorando socorro e ela me lembra compromissos urgentes a cumprir. Muito mundano escovo meus dentes no banheiro com uns vinte rostos desconhecidos e me meto num metro lotado com uma mala imensa. Ando suburbano. Bronzeado, barbudo, cara de brucutu. O Rio me amacia. Numa cidade que todos os homens são imberbes e depilados como frangos de padaria, descobri que sou interessante, aliás, descobri com espanto a bobagem que é o pudor excessivo. Resolvi descartá-lo e, com bom senso, não temer o vexame que existe já no ato de viver. Isso explica por que tudo de bom sempre se faz presente em Errejota?


Voltar a São Paulo é reconhecer que vivo numa cidade tensa. As calçadas são mais limpas, há menos figuras errantes, moradores de rua vendendo livros, revistas, sapatos - tudo velho, imprestável, para quem queira. E constato que até nossos ambulantes parecem mais organizados. Mas há um frenesi, uma dureza, uma objetividade clara que molda corpos, faz a cara das pessoas. E m espanto percebo que há menos negros nas ruas do centro, que as mulheres se vestem (ao contrário da canção caetaneana) de modo mais elegante em Sampa, sem aquela sensualidade obrigatória, quase histérica de todas as meninas-moças cariocas. Nossos velhos são mais infelizes. Somos econômicos até nos cumprimentos, damos apenas um beijo, diferentes dos dois, sonoros e obrigatórios, do Rio. O nosso é um roçar de rosto, pois tudo segue em ritmo de pressa premente. Há menos táxis nas ruas e nos falta sempre a umidade do mar. Falta-nos, principalmente a paisagem. E como não há o que ver, apenas seguimos sem olhar um na cara do outro, onde até executivos cultivam falsas barbas eternamente por fazer. Temos pressa. Disputamos bancos em metrôs, ônibus, espaços nas calçadas. E odiamos nossos velhos, ainda mais em caixas eletrônicos. Nessa terra todos exigem , impacientes, a maior eficiência nos serviços nos shoppings, nas lanchonetes; e até na banca dileta do cachorro-quente. E enfartamos com discrição, ancorados em postes, ao lado de churrasco-grego e suco de caju (ou ironicamente, maracujá), pois nossas pontes não dão sustentação nem aos nossos sorrisos, tampouco aos nossos corações marcapassados. 

E fica por aí, essa semi-croniqueta. 

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Restless, de Gus Van Saint


Assisti ontem, na Estação Botafogo. Vamos definir como um espécime clássico de "romantismo fúnebre", no estilo de "Ensina-me a viver". E eu odeio filmes que a mocinha tem câncer e sim, vai morrer no final. É o caso, mas isso a gente fica sabendo nos primeiros 20 minutos de filmes. A capacidade de criar cenas dentro de uma trama que é um clichê e dar frescor a isso é coisa de santo, ou melhor, de Saint. E sendo também um filme adolescente tangendo a morte, está na linha dos Cremúsculos da vida, mas sem aqueles horrorosos diálogos, chegando mesmo em determinado momento "a parodiar/zombar" daquelas falas cremusculares de amor-morte-forever.

Marca do diretor é aquele nonsense frequente que introduz nos seus trabalhos mais alternativos, aqui representado pelo fantasma kamikaze que acompanha Henry ao longo do filme. Van Saint parece ter abandonado a bandeira gay, a pegada forte sexual, investindo agora na delicadeza e criando instantâneos realmente lírico, que não chegam a incomodar embora um tanto calcados em comerciais de televisão. Então é realmente um filme lindo, ainda que não alce grande voo. Gus Van Saint investe em silêncios e climas poéticos e emocionais, nos envolve, e todos tornamos aos nossos inevitáveis 16 ou 17 anos, desejosos que este tipo de amor resista em tempos de crescente vulgaridade. A filmagem retrô, as cores suaves, a beleza dos protagonistas, a consolidação de Mia e o surgimento de Henry Hopper delicadamente desnorteador compensam o que lhe falta. E queremos que esses dois, ao terminar Restless permaneçam e façam filmes eternos.


quarta-feira, dezembro 14, 2011

O garoto da bicicleta - critica


Publiquei no Soul Art uma critica deste filme sensacional.

http://soulart.org/

Passagem pelo Rio em dezembro

Super Raquel
Jo, Raquel e Janete

No Bar do Peixe, entre o bairro de Fátima e a Lapa


Confraternizaçao do PACC, entre Rosangela e Jan

Em Botafogo ou sera no Flamengo





Jan, clicada no CCBB - exposição sobre a Índia


PACC, confraternização e espanto

terça-feira, dezembro 13, 2011

Recanto escuro


Eu venho de um recanto escuro
O sol, luz perpendicular,
Do outro lado azul do muro
Não vou saltar.

Eu chego às portas da cidade
E nada procuro fazer
Espero, nem feliz nem gaia
Acontecer

Não salto mas sou carregada
Por asas que a gente não tem
A luz não me fulmina os olhos
Nem vejo bem

Em breve, só saio de noite
A lua não me rasga o peito
Cool jazz me faz feliz e só
Não tenho jeito

O álcool só me faz chorar
Convidam-me a mudar o mundo
É fácil: nem tem que pensar
Nem ver o fundo

O chão da prisão militar.
Meu coração um fogareiro.
Foi só fazer pose e cantar.
Presa ao dinheiro.

Mas é sempre o recanto escuro
Só Deus sabe o duro que eu dei
Mulher, aos prazeres, futuro
Eu me guardei.

Coisas sagradas permanecem
Nem o Demo as pode abalar
Espírito é o que enfim resulta
De corpo, alma, feitos: cantar

Caetano Veloso



(Essa é das letras-cancoes mais lindas que ja ouvi na minha vida. Tao lindo de fazer chorar. E ainda eh mais por que eh uma completa declaracao de amor a amizade de Gal).

domingo, dezembro 11, 2011

Meu querido amigo Dom arrasando na PUC




Ele e tao admiravel que nao sei mais qual adjetivo usar para descreve-lo, so o orgulho de ter sua amizade.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Amy Winehouse


Disco realmente de sobras. Impressionou-me o fato de um disco ser anunciado há tempos, inclusive com datas anunciadas, e realmente é uma apanhadao da carreira, com coisas rudimentares e esparsos mais elaborados de uma fase recente. Mas eh Amy, bom que estejam ai, preservados esses fonogramas e a disposicaodos que amaram seu canto.

Ouçamos.

Radiohead - Lotus Flower



Que videoclipe extraordinário.