sexta-feira, dezembro 31, 2010

The town, de Ben Affleck


Um filme de assalto com bons atores, ação ligeira, trama frenética (próximo do mirabolante), personagens com "biografias" bem construídos e conflitos humanos que se entrecruzam para livrá-lo da vala-comum dos filmes policiais. Vale ver, por que acima da média, but pouco memorável.   

quinta-feira, dezembro 30, 2010

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Um profeta ou Recebendo os amigos para beber


Ontem os meus amigos baixaram aqui. Sabendo que vinham, eu trouxe do mercado limão, kiwi, 51. Tinha aqui em casa saquê (da Janete, sorry amore), e algum gelo roubado do irmão. Bruno, Gláucio, "Priscila" e Juan que virou Pietro, por provocação prepararam um a um as caipirinhas. Íamos assistir a O cisne negro, do Darren Aronofsky, mas as legendas além de fora de sincro tinha uma tradução inacreditável (fuck you virou essa não!), e não teve jeito. Como não achei A mulher sem cabeça, da Lucrécia Martel, nem Abutres, do Pablo Trapero, fomos fuçar meus mil filmes atrás de uma outra opção que agradasse o gosto "nojentinho e alternativo" do público. Depois de muita bebida, enrolação (em que fuçando encontraram/descobriram Rubi e seu cd incrível), acabamos pondo este filme francês que estava na minha lista para assistir. E este filme é tão extraordinário, surpreendente, sufocante (decidi ver de fato por recomendação do SOZINHO, do Márcio LG, que nunca erra), e entramos às 3 da manhã assistindo a essa maravilha. Queria fazer post especifico, mas antecipo que o título é péssimo para uma narrativa intensa (quase toda no ambiente carcerário). A grande trajetória do protagonista: da autopreservação à construção de si. Asfixiante, e com sacadas não realista que só agudizam as sombras que há no mundo.  

Maria do Caritó


Assisti no Rio, com Jo, Teatro/Shopping da Gávea. Maria do Caritó é daquelas peças que fundem Suassuna e comédia de costumes. Virgem de 50 anos consagrada a São Djalminha sonha com marido e queima de desejo. De santa milagreira à palhaça de circo ela transita num mundo de mentira e simulações. Lilia Cabral brilha, mas o elenco todo é estupendo (que galinha! que russo! que pai!). A montagem é clássica, figurino e cenário impecáveis, tudo é colorido, pop, um sertão idealizado em xita e tecnocolor. Pensei num melodrama jocoso, e é uma comédia naif, ingênua, romântica, feliz. E a gente gosta de saber que teatro pode também ser um espaço de sonho.

Sobre Buried


Confesso, o filme me frustrou. Talvez por que me recusei de cara a embarcar na trama, não confiando totalmente no que era dito, mostrado. E no entanto, é um grande filme. Um excelente ator e um diretor que enquadra/edita milagrosamente bem, mantendo a tensão até a cena final e sem, por um minuto, sair do espaço do "caixão", nem em mero flashback. Um filme que daria orgulho ao mestre Hitchcock, a quem faz tributo pelo uso do suspense, pela trilha, sonoplastia, e precisão. Em determinado momento acho que se perde (demissão?! fala sério), mas nunca deixa de ser um filme para ser visto. 

terça-feira, dezembro 28, 2010

Buried



Eu que adoro artes gráficas, achei os cartazes de Buried sensacionais. Alguns, antecipando referências, trazem de cara aquele grafismo que nos remete ao Vertigo de Hitchcock. 

domingo, dezembro 26, 2010

Balanço

ou
Refazendo refazenda


Todo final de ano vem meu balanço. Não quis rever os anos anteriores. Em 2009 tinha a expectativa de que 2010 seria muito bom. 2010 foi o melhor dos piores anos que tive na vida. Foi sofrido, intenso, cheio de acontecimentos. Perdi quem amava para outra pessoa. O câncer da minha mãe chegou ao topo. Perdi um emprego legal e fiquei sem esperanças. Fiquei bastante doente, por dias, e perdi muito peso. Descobri amizades que não valiam a pena. Briguei feio com muitas pessoas, inclusive o irmão e me senti muito infeliz em morar aqui. Tentei ter de volta o amor e não deu, mas o sofrer me torceu pelo avesso, meses e meses. Recorri a vários amigos, disse tudo até me exaurir, até que todos, todos! me falaram de amor (E aquilo cresceu/balão dentro de mim). Usei o Revide como palavrório para me esvaziar, e escrever me salvou, além de gostar cada vez mais do Revide, das pessoas que passam por aqui. Mudei de casa por uns meses. Me aproximei mais da minha irmã. Vi minha mãe se recuperar até estar curada. Recebi a notícia boa da aprovação da bolsa. Tive a sorte de ter alunos ótimos, uns que viraram amigos queridos. Me curei. Voltei para academia para compensar a mágoa. Recuperei o gosto por ler, e li mais, vi os melhores filmes, nunca fui tanto ao teatro. Sai bastante com amigos e com gente legal. Levei os sobrinhos/crianças para passear. Fiz presentes de papel e cartolina, e dei o melhor que pude de companhia para meu sobrinho Pedro. Corri na esteira até perder o ar. Desmilingui. Comprei roupas bonitas. Ouvi milhares de música de dores cujas letras me falavam. Fiz dezenas de fugas noturnas. Afoguei o quanto pude a dor de amor em sexo.  Nesse processo não encontrei novo amor, mas pessoas que me fizeram feliz, algumas que ainda hoje fazem parte da minha vida. Descobri como é bom o novo. Bugigangas, lugares, festas. Gastei demais comigo. E dei o ombro amigo para os amigos com sua dor. Neste ínterim, escrevi um livro de contos do qual me orgulho (INFERNO FELIZ). Nas aulas de cursinho: mitologia, filologia e amor. Boas aulas de redação. Fui cantar em rodas, me embebedar com estranhos, comer comida indiana, vegetariana, frutos do mar. Perdi três voos de avião e resolvi ficar. Acho que o meu futuro está Rio de Janeiro, assim como o presente. Lá, fui com uma trupe de teatro num churrasco para Jacarepagua. A favela da Providência, seus policiais e seus moradores pobres. Fui amorosamente recebido em Santos, Guarujá, Rio, Nova Iguaçu. Cães me seguiram nas ruas. Voltei a me alimentar bem. Escrevi ensaios bacanas, acertei trabalhos de cinema, escrevi roteiro, virei professor orientador, fui a mostras de cinema, mandei cartas de afeto para as amadas gentes. Li Clarice Lispector para muitos e poucos alunos; também Drummond, Rosa, Luis Vilela, Dalton, João Cabral de Melo Neto e Fernando Pessoa. Fiz as pazes com o irmão, reatei amizades que ficaram distanciadas e briguei com outras. Fui apresentado ao Antunes Filho. Ouvi cantarem ao ar livre, e tive conversas otimas com gente jovem demais. Comprei livros bacanas, li alguns, comi em lugares incriveis, entrevistei Marcelino,comprei coisas desnecessárias por prazer. Fui cantado, cantei. Marombei na academia. Dei presentes legais. Beijei dezenas e dezenas (juro) de pessoas. E inesperadamente, aprendi diversos novos truques sexuais. Fotografei, escrevi, bloguei, passei num concurso para lecionar, fiquei nu no mar entre beijos. Mudei a barba. Experimentei vários estilos. Cantei no chuveiro Vanessa da Mata, Bittar, Jeneci. Mas não chorei. De viagem, visitei igrejas centenárias, rezei em muitas delas, rezei fora. Sonhei enlouquecidamente com meu pai falecido. Tive recaídas intensas dentro de mim por causa daquele sentimento que me fez/faz tanto mal. E fiz a grande despedida, olho no olho, com lágrimas rolando no rosto, aquelas lágrimas que não tinha jeito, não caíam de jeito nenhum. Senti nisto, a volta completa, o retorno de mim para mim, em que eu me retomo e avanço: avalanche. "O grande movimento é o retorno", escreveu Guimarães Rosa, e assim, só, quero que seja o meu primeiro dia do ano, ponto de partida para reinventar um novo jeito de ser feliz.


sábado, dezembro 25, 2010

Feliz Natal

Feliz FELIZ para todos.

Uzyna Uzona

Teatro Oficina




Ontem, show "Zé e Celso", no Teatro Oficina. Das 14h30 às 18h. Canções interpretadas por José Miguel Wisnik e Celso Sim. Festa apoteose. Momento de epifania nesta véspera de Natal de 2010. Para guardar.

Como fazer um video clipe clássico

domingo, dezembro 19, 2010

Gerald Thomas passou por aqui?

No msn, ao abrir hoje, a mensagem mais bonita  de saudade, de bem querer, e estou bem. talvez o rio grande do sul para breve, ir de carro com novos amigos. alias, sobre mensagens inusitadas, recebi essa ai embaixo sobre a peca do felipe hirsch que comparei a do gerald thomas, e um possivel gerald thomas me respondeu, mais doce que fera e/ou talvez com alguma ironia. acho bacana. ate nao saber se eh o proprio. Um circo de rins e figado, protagonizado tambem pelo Nanini, foi um dos espetaculos mais deliciosos a que ja assisti. e sai feliz do teatro e sacudido com a forma/encenacao, o que eh um ganho, pq raro. e gosto da figura do diretor/artista, das citacoes em profusao, do humor, de certo escarnioque nele, de uma hora para outra, vira uma coisa aflitiva. sexo, intelecto, narciso vulneravel querendo ser um outro dionisio.


hoje, melancolico vou a praia. amanha tenho um encontro marcado. e a noite vou a apoteose, ver um show que ganhei de presente.

entre ontem e hoje



ONTEM. entre ontem e hoje, este teclado sem acentos, a proximidade do dia de voltar pra casa para mudar a/de casa. ontem almocamos eu mariana e andre em santa teresa, naquele restaurante com sinais de futuro. foi bom. conheci aquele ar condicionado gigante, mas que era pra ser portatil. por fim subi com andre de santa teresa rumo ao cristo. nao deu para pegar o bondinho ate o caminho da trilha/estrada (Paineiras), entao subimos a pe pela floresta da tijuca em 1h30 de caminhada (e igual tempo para descer).

a maravilha do lugar, as fotos que eu tirei, posto (nao trouxe o descarregador), o azul se abrindo. e o calor amenizado pelas matas, com suas sombras, cheiro de mato, ruido de cigarras. revezamos a mochila que quase nao fazia peso. e eu fotografando muito obsessivo, muito edu. e conversamos todo tempo quando nao nos calavamos em silencio contemplativo.

vinha um carro na curva em alta velocidade, intui minha, outras mortes. eh que eu tenho vocacao para o tragico. chegamos a duas pseudo-cachoeiras. acabei entrando de bermuda, ja esquecido do febrao de dias antes. e descemos muito animados. o melhor clima possivel. e nos despedimos, ele rumo a vida dele, eu para minha, encontrar jo e ver essa peca  do Hirsch que acabei vendo solo. e que me deu essa sensacao de estar emancipado, de ir pra la e pra ca nesta cidade sem precisar sempre de mao amiga.



HOJE. acordei cedo e as 9h30 eu e jo ja no carro da prefeitura fomos para UPP da favela da Providencia (recem pacificada), esperamos um governador (sergio cabral) que nao apareceu para inaugurar a sala de informatica dada pelo sesc.

veio o secretario de seguranca do rio e fiz as minhas de fotografo, entre policipais simpaticos com fuzis atravessados ao lado do corpo. veio papai noel e contadores de historias. as criancas gritavam por corredores e escadas. do alto eu vi a Providencia, favela historica, a primeira do Rio, a que deu nome (favela) a todas as outras.


de la descemos para festa de natal da associacao de moradores, com presentes doados as criancas. e comemos finalmente. de volta ao apartamento (carro fretado, com motorista bombeiro)dormimos um tanto, e fomos comer feijoada (tomando varios chopps) num espaco incrivel que tem na lapa com musica instrumental e ao vivo.

vou ter que postar o video aqui para que se tenha nocao do que eh um almoco feliz. e a feirinha ali, de artesanato, no dia pleno de sol. de volta, mais dormimos antes de ir ao teatro da Gavea assistir a peca de Lilian Cabral. Baixo Gavea, e onibus pra Carioca da Gema, aqui pertino, Lapa. Deliciosa pizza portuguesa e outra, tomate seco. Uma das melhores que ja comi na vida. e serpenteando entre gentes, voltar agora pouco pra casa. digo casa. sinto que estou em casa. amanha quero o mar.

sábado, dezembro 18, 2010

Pterod'atilos


Assisti ontem, no teatro da Gavea. Peca de Felipe Hirsch com cara de Gerald Thomas. Peca curtissima, dialogos espertos e acelerados. Uma familia disfuncional em situacao de absoluto nonsense ao concentrar TODAS as taras e paranoias da modernidade. O final sai do comico para cair no tragico (nao tragicomico), o que desequilibra o conjunto. O filho que vem desmontar o palco, que se eleva, que eh cheio de vaos, pouco acrescenta. Pura pirotecnia. Os atores, otimos. Mariana Lima, sempre trash na teve, me surpreendeu completamente. Terminei cheio de vontade de escrever.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Historias de Amor Liquido


 [Fui assistir ontem com Andre, la no teatro Poeira, em Botafogo. Chegamos na correria, e estavam la milhoes de globais, e o Paulo Jose que dirigiu as filhas. Trocamos la dentro nossos lugares por uns outros, pendurados na parede, no final, o clima da noite excepcional, paramos para tomar chopp num daqueles barzinhos sensacionais com banco na calcada e gente linda, enquanto falavamos de analise e analistas. E ainda voltamos a pe para casa, as duas da manha. Ignorando a tal mare de violencia do Rio, chegamos sem danos. A peca e muito boa, mas nao surpreende. Adorei o uso da projecao e o processo de narrar tres historias completamente independentes, deliciosamentes comicas, tragicas, pateticas. O amor. A peca foi baseada no livro de Zygmunt Bauman, ou melhor, serviru de inspiracao para as tres historias. da montagem O autor, soube dele antes. Na biblioteca da faculdade, meu amigo Dudz estava lendo um xerox do livro e gostando muito, agora fiquei curioso para conhecer o autor e suas teorias.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Rioando

Hoje, tao melhor que ontem, mas nao suficientemente. O olho esquerdo inchou. Os dias de febre passaram, mas os antibioticos me fazendo ferver a alma. A chuva no Rio. As risadas com Janete.e Jocelene sobre namoros.

As melodramaticas invencoes com Janete, que levei at'e a Central do Brasil, onde Dora nao escreve cartas. A apresentacao de Raquel que ao me ver gritou, "Mas vc eh bonito, hein!"., e pronto, ja fez menor a minha doenca. A lembranca do macarrao e do arroz com cenoura que Jan fez e dos paparicos, saudades que me fara quando voar em direcao a Recife. O encontro com Vera no largo da Carioca, e a gente naquele restaurante com peixe divino. Eu lendo Murilo Rubiao no metro. Nos tres no sambao do Beco do Rato.

 Aquele amor que tenho pelo Jardim Botanico, com suas jacas que despencam matando turistas ingleses. As ruinas do moinho. O Arpoador com n'uvens ao fundo, e mar em ressaca batendo nas pedras.

A companhia do Andre nos Ipanemas e Botafogos da vida, com direito a 3d no Unibanco daqui para ver um desenho. Jo convidou e vou ao Morro da Providencia, primeira favela do Rio, recem ocupada pela UPP e em Processo de Pacificacao. Para fugir ao sumico subito do sol, tres dias de teatro (em tres teatros diferentes), bilhetes comprados por pre'cos inacredit'aveis para ver Lilia Cabral (Maria do Carit'o), Marco Nanini (dirigiro pelo Felipe Hirsch) e Amor l'iquido do Paulo Jose. Agora desco para fazer feira. Passagem ja comprada para voltar e fazer aquele documentario no qual estou pensando demais.

domingo, dezembro 12, 2010

Praga

Doente, doente, doente. Com aquele febrao e a garganta que finalmente me encontrou aqui no Rio. Que fazer?Tou me entupindo de remedio e vendo tv a cabo. Mas realmente, acho que vou pegar minhas malinhas que parecem pesar 500kg e voltar  pro meu lar.  Praga 'e terrivel quando pega.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Rio

esquentem o feijão preto


que eu vou num vvvoooo









segunda-feira, dezembro 06, 2010

Bartleby, o escrivão - de Herman Melville


Bartleby, o escrivão foi me apresentado por Assis Brasil em sua oficina de criação durante a Balada Literária. Esta novelinha de Herman Melville (autor de Moby Dick) tinha acabado de sair em edição da CosacNaify, e por coincidência mais que feliz, me deparo ela, na feira anual de livros da USP. Com a grife Cosac, a edicão se apresenta de modo diferenciado: formato de pasta de escritório (costurada) e páginas coladas, para ser aberta com uma lâmina transparente que acompanha o livro. 50% do valor. 20 mangos. Já nas primeiras páginas, que a gente vai cortando cheio de dedos, a maravilha insana deste texto. E foi isso. Epifania. Sabe a certeza de que está lendo algo tão sofisticado, um clássico mesmo, um livro que você sabe que vai nos acompanhar vida afora? Pois foi exatamente isso que eu senti, página a página do texto (no intervalo entre elas, há muros impressos - como para nos mostrar a visão emparedada de Bartleby?). O texto, como disse, é uma novelinha, mínima, 37 páginas que se lê de uma sentada. Mas é tão imensa, profunda, bem escrita (e é uma tradução para o português!!!), que faz a gente voltar a acreditar em Literatura. Tradução de Irene Hirsch, posfácio de Modesto Carone (comparando ao Kafka, citando Borges etc.), é uma maravilha de texto limpo, seco, objetivo, sem firula pseudo-contemporânea: enredo e forma azeitados para o grande que é a maiúscula Literatura. Recomendo.


O enredo: O advogado chefe de um escritório de Wall Street contrata um misterioso escrivão para fazer cópias de documentos e termina obcecado pelo sujeito, que de uma hora para outra simplesmente responde a tudo que lhe é pedido "Acho melhor não". Num crescendo de recusas até a imobilidade, a inapetência em relação a tudo da vida e a insólita paciência do chefe-narrador, o texto cresce dinamicamente e estarrece, não só pelo mistério do ser Bartleby, mas pela narração engenhosa da loucura que se avisinha do narrador e do introspectivo Bartleby, que a todos contamina. 




domingo, dezembro 05, 2010

Minhas duas mães e meu pai


Uma felicidade este filme. Que atores! que roteiro delicioso!



Nic e Laser são filhos de um casal de lésbicas e depois do aniversário de dezoito anos de Nic, ela e seu irmão decidem procurar pelo doador de esperma chamado Paul e decidem trazê-lo para dentro de sua família. Porém nenhum dos dois imaginava que a entrada na famíllia causaria tanta discórdia.


Se eu fosse sintetizar a sinopse:

Sobre os problemas que um membro traz.


Gênero: Comédia. Ano: 2010 / País: Estados Unidos / Duração: 101min / Direção: Lisa Cholodenko / Elenco: Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Mia Wasikoska, Josh Hutcherson...

"homo triste post coitum"

Ontem foi dia de vertigem.

Pedro Almodóvar


Da série: idolatria.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

(livro de poema sem poema de amor não é livro)

É tarde, dia claro, e num repelão há uma
tempestade lá fora
‘Que barulheira’ e me beijas
Te beijo tanto, ‘eu gosto de tempestades`

Amendoeiras japonesas alastram-se pela cama
em pink, em preto
É calor e chove-se tanto, nos lençóis, pelas tuas
costas ensolaradas
Dormimos mais meia hora, agora já queria mais
um dia, plis, mais uma noite, por favor.
Percebi que a chuva desbotou meu cabelo e todos
os meus hematomas colecionados na semana
- com a tinta escorrida, logo brotaram minúsculas
flores roxinhas no flanco dos travesseiros,
essas pequenas tatuagem do acaso

Sonho tanto que te explico meu sonho. Você já
se foi, economizo um beijo.
Na rua, foi ao chão a arvore de 6 metros de altura
e 20 anos de comprimento
orvalhando de folhas minúsculas carros, valas, a
gente velha fofoqueira, os vizinhos torcedores
domingo é um mesmo dia para tombar e já se
remover – caminhões, a prefeitura
Telefono: Você viu a árvore que caiu?
Agora são quatro-e-meia,
a tarde já se acabou pela metade, o dia se perdeu
do prumo
Domingo é um mesmo dia para adoecer e já se
recuperar

Ainda às l9h40min te mandei uma mensagem,
voe bem, vôo conthigo
Estendo o bilhete da sessão do filme qualquer, o
leitor vermelho apita.
Seguro medrosa a mão invisível da saudade. Teu
cheiro, meus cabelos, suspiro
Adentro ao escuro.

Ana Rüsche


Nós que adoramos um documentário, Ana Rüsche. Ed. Ourivesaria da Palavra. São Paulo, 2010.



[ Escrevi um longo ensaio sobre este livro recém lançado pela autora, breve ponho link. Antecipo dois fragmentos, um analisando este poema, e outro sobre o livro]


[Essa ironia sobre o “amor” está no título de um dos mais belos poemas do conjunto “(livro de poema sem poema de amor não é livro)”, narrativa lírica de encontro/despedida em linguagem coloquial e urbana com saltos temporais e discurso-direto.  O poema rearticula a questão da relação casa/abrigo vs. mundo exterior/opressão predominante no livro. Mesmo a presença da natureza (tempestade) surge como prenúncio criativo de um fim (a árvore derrubada/os hematomas flores do eu-lírico) criativamente traduzida no corpo solar do ser amado, que a abandonará no fim do poema ao adentrar escuro (no cinema). A dinâmica com que “narra” o encontro/fuga, presença/ausência do amado (ser reduzido a mero “tu” e “você), mostra a habilidade com que Ana Rüsche traduz em impressões “táteis” e prosaicas, com uma graça personalíssima que engendra erotismo, afeto e melancolia.]

[Ana Rüsche, com um título irônico que denuncia o interesse no factual (talvez da vida alheia) e o desprestígio da interioridade/poesia, presenteia seus leitores com uma autobiografia que usa os fatos para cifrar, de um modo singular, um “eu” em aflição. Em tempos em que os autores “ficcionalizam-se” para além dos blogues, constituindo-se extensões de seus próprios escritos em mácaras-egos (pensemos em Clarah Averbuck, em Santiago Nazarian, por exemplo), Ana Rüsche escamoteia-se. Não nos dá a facilidade de penetrar sua biografia, composta de um eu pesaroso que se multiplica, ou ecoa suas angústias com vaguidões, projeções sobre projeções de passado, presente e futuro. Não trai a proposta inicial de documentar/biografar-se, antes se expõe/resguarda por indefinir, seja nos planos do real, da ficção, da memória, da reinvenção do vivido. 

Fosse um filme, Nós que adoramos um documentário seria uma ficção futurista em primeira pessoa, cenas captadas em super-8, atemporais, com um mar ao fundo, e a sombra aos pés de um eu que enquadra o seu olhar, mas não se mostra.]




Trabalhos de amor perdidos, de Jorge Furtado



Terminei há dois dias do Jorge Furtado, um livro que consegui a proeza de ler em quatro dias. E para meu espanto, o fim decepcionante, quando o andamento era delicioso. Algo inacreditável pelo talento do diretor/roteirista Jorge Furtado, tão talentoso com a escrita e com o ato de narrar uma boa história. Ainda que entenda a proposta dos Trabalhos de amor perdidos, que trate no fim de fazer eco a peça de Shakespeare, com fim em aberto e final frustrado dos amantes, o fim dele consegue ser uma grande decepção, pela expectativa que cria e que frustra. Achei abrupto e vazio demais, ainda depois da fantástica sequência em que o tom do livro muda por completo para narrar a queda do World Trade Center, e o desmoronamento posterior dos idílios potenciais. Mas nada justifica um fim tão insosso, com uma lista banal, ainda mais depois da descrição do destino dos personagens, à maneira desses filmes ruins feitos para televisão. Frustrante.